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A primeira vez do Memory Tapes

Quem diria que a banda autora de um dos melhores discos do ano passado nunca tinha feito um show – que só aconteceu há pouco menos de um mês, no dia 16 do corrente, em Manchester, na Inglaterra, iniciando uma turnê que termina no South by Southwest (quando toca pela primeira vez nos EUA). O Memory Tapes é aquele projeto paralelo do Dayve Hawk, ex-Hail Social, que logo depois do fim da banda original virou grife oficial. E, maior surpresa, em vez das texturas e timbres eletrônicos e retrô do disco, guitarra! Muito foda.

Glo-fi: vintage 80s

A Babee me indicou esse texto do Sean T. Collins, do Savage Critic, sobre o Cavaleiro das Trevas 2, de Frank Miller, e como ele se relaciona com a época em que vivemos. Repasso a dica:

But golly, it sure seems prescient now, huh? Here we are, in the post-electroclash, post-Neptunes, post-DFA era. The hot indie-rock microgenre is glo-fi, which sounds like playing a cassette of your favorite shiny happy pop song when you were three years old after it’s sat in the sun-cooked tape deck of your mom’s Buick for about 20 years. And my single favorite musical moment of last year, as harrowing as those songs are soothing, was the part of the universally acclaimed Portishead comeback album that sounded exactly like something from a John Carpenter film score.

É quando ele aponta para ouvirmos o seguinte trecho de “Machine Gun”, do Portishead, aos 4 minutos do vídeo abaixo:

É um ponto, realmente. Perceba como as trilhas de Carpenter (compostas pelo próprio diretor, diga-se de passagem), têm a ver com artistas atuais tão diferentes quanto Daft Punk, Chromeo, Midnight Juggernauts, Kanye West, Cut Copy, Mystery Tapes, Washed Out, Justice ou o revival da space disco.

É como se os anos 80, no finzinho de seu revival, finalmente pudesse ser visto como uma época de estética específica, sem juízo de valor, que pode ser definida como uma espécie de vintage 80s, sem canções infantis, tecnopop, hits românticos. Houve um momento, entre o cyberpunk e Doom, que havia uma espécie de psicodelia robô, uma mistura de design futurista com cores neon, como se o Hans Donner ou o design de um Gol GTi pudessem ser apreciados artisticamente. Bem bom.

Memory Tapes x Midnight Juggernauts

Falando no Memory Tapes, eles acabaram de assinar um remix para a música nova do Midnight Juggernauts. Mas em vez de soar suave e onírico com as faixas autorais do MT, o remix joga a faixa para a pista, começando com uma batida quase latina (o tambozão de “Move Ya Body” me veio à cabeça na hora) para, só no final, descambar no delírio de microfonias psicodélicas característico. Bem bom, mas não é bem para dançar. E daí?


Midnight Juggernauts – “This New Technology (Memory Tapes Mix)