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Thomas Harres: Soños

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Maior prazer em ter como dono das segundas-feiras de maio o baterista e percussionista carioca Thomas Harres, que sempre me instigou como um autor, mesmo estando ao fundo, segurando a batida ou esmerilhando o ritmo em diferentes cenários da atual cena contemporânea brasileira, tocando com nomes como Gal Costa, Gilberto Gil, Céu, Anelis Assumpção, Ava Rocha e Jards Macalé, além de ter colaborado com Metá Metá, JosyAra, Rodrigo Ogi, Saulo Duarte, entre outros. Filho do mítico astrólogo Antonio Carlos Bola, ele deixou as ciências ocultas guiarem a temporada ao misturar música e astrologia, evocando os quatro elementos em cada segunda-feira a partir do desenho do céu daquela noite, nesta temporada que chamou de Soños. Na primeira segunda-feira, dia 6, que ele chamou de A Pele, ele se reúne a outros sete percussionistas (Kastrup, Fumaça, Victória dos Santos, Rodrigo Maré, Pablo Carvalho e Pacato) e Negro Leo nos vocais e Manuela Eichner fazendo colagens ao vivo. Na segunda segunda-feira, dia 13, ele vai ao oriente com uma caravana cigana formada por Ava Rocha (dançando), Thiago França (sopros), Fabio Sá (baixo e sampler), Dudu Tsuda (bacias e piesos), Klaus Sena (baixo cigano) e Igor Caracas (percussão), numa noite que chama de A Manifestação. No dia 20, ele se reúne com a vocalista Lenna Bahule e a percussionista Sthe Araujo para a noite Água Ardente, encerrando a temporada no dia 27, ao lado de Kiko Dinucci e Juçara Marçal, revivendo a única colaboração do trio, Abismo, gravada em estúdio e nunca mais reproduzida, com artes feitas por Lucas Pires. Durante toda a temporada, o irmão de Thomas, Alberto Harres, trabalha com a parte visual do espetáculo, misturando projeções, colagens e algoritmos de computador. Conversei com Thomas sobre esta temporada e abaixo ele detalha a vibração de cada segunda-feira (mais informações aqui).

O Fogo, a Terra, a Água e o Ar estarão presentes. Um pacto com a calma de ouvir o outro quando a mente insiste em partir. Olhar para dentro e acordar!

6.5 | A Pele
Lua e Marte em Gêmeos, os tambores elevam a mensagem com os céus. Um palco geminado por peles que tocam peles e ressoam seus sonhos em forma de ritmo.

Uma conversa inconsciente, profunda, sincera.

Uma mensagem carregada pelas gerações dos antigos ao mais novos pelo tambor.

A voz rasga e talha a carne das almas.

Manuela Eichner: colagens ao vivo
Alberto Harres: intervenção visual
Negro Leo: voz
Kastrup: percussão
Fumaça: percussão
Victória dos Santos: percussão
Rodrigo Maré: percussão
Pablo Carvalho: percussão
Pacato: percussão
Thomas Harres: percussão

13.5 | A Manifestação
Lua e Lilith em Virgem, o sonho do corpo em movimento, entidades se manifestam e celebram os corpos que sustentam seus símbolos. O barro da onde a vida fez seu berço.

A roda que na lama nada carrega o comboio, leva seu ritmo e gira tranquilo.

Ava Rocha: dança
Alberto Harres: intervenção visual
Thiago França: sopros
Fabio Sá: baixo e sampler
Dudu Tsuda: bacias e piesos
Klaus Sena: baixo cigano
Igor Caracas: percussão
Thomas Harres: percussão

20.5 | Água Ardente
Lua e Júpiter em Sagitário, destilar a voz, reduzir o sonho e o sumo da alma. Lavar a alma. A água que queima a garganta, traz o absurdo e expulsa a angústia.

Um mergulho do canto de dor e amor, natureza canta e ruge.

Lenna Bahule: voz
Sthe Araujo: voz e percussão
Thomas Harres: voz e percussão

27.5 | O Abismo
O Abismo. O Vazio.

Juçara Marçal: voz e synth
Kiko Dinucci: guitarra e sampler
Thomas Harres: bateria
Lucas Pires: arte

Saskia: Como Salgar a Salada Sem Arder?

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Nesta terça-feira temos o prazer de receber no Centro da Terra, a cantora e compositora gaúcha Saskia, que vem crescendo cada vez mais e mostrando sua força antes mesmo de gravar seu primeiro disco, que será produzido por Negro Leo e Ava Rocha. Entre o acústico e o eletrônico, ela apresenta o espetáculo Como Salgar a Salada Sem Arder? ambientando o palco como uma cozinha, para conversar com o título da apresentação. “Eu gosto de ser o tempero das pessoas”, brinca a cantora e compositora, que é conhecida pelos mais próximos pelo apelido de “Sal” – e a ideia de harmonizar musicalmente seu show vem junto com a sensação de intimidade causada pelo cômodo, em que ela quer passar “a medida certa de comicidade e humildade”, como disse no papo que tive com ela sobre sua apresentação (mais informações aqui).

Sessa: Explorações

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O cantor e compositor paulistano Sessa apresenta seu espetáculo Explorações nesta terça-feira, dia 23 de abril de 2019, no Centro da Terra (mais informações aqui). Ex-integrante do grupo Garotas Suecas, ele passou uma temporada nos Estados Unidos acompanhando o guitarrista novaiorquino Yonatan Gat, onde começou a desenvolver o repertório de seu primeiro disco solo, Grandeza, que será lançado ainda este semestre. Em Explorações, ele visita estas canções – e de outros autores – acompanhado de Larissa Braga na percussão e por um coro vocal formado por Laura Ra, Paloma Mecozzi e Cecilia Góes. Bati um papo com ele sobre a apresentação que prenuncia sua estreia fonográfica solo.

Otis Trio: Otis Trio 7

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Imensa satisfação em receber não apenas o Otis Trio, mas sua versão septeto nesta terça-feira, dia 16 de abril, no palco do Centro da Terra. Otis Trio 7 é o espetáculo em que o trio formado por Flavio “Tubarão” Lazzarin (bateria), Luiz Galvão (guitarra) e João Ciriaco (contrabaixo) recebem seus comparsas Amílcar Rodrigues (trompete), André Calixto (saxofone), Beto Montag (vibrafone) e Bio Bonato (sax barítono) para visitarem temas dos três discos do grupo de jazz, 74 Club, Vida Fácil e #3. Bati um papo com o João sobre o que podemos esperar desta mutação do grupo nesta terça.

The Gilbertos: Uma Noite com The Gilbertos

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Um dos nomes mais ativos da cena pós-punk paulistana dos anos 80, Thomas Pappon foi guitarrista do Fellini, baterista do Smack e dos Voluntários da Pátria, além de diretor artístico da gravadora Stilleto e produtor dos discos de estreia de bandas como Pin Ups e Black Future. Mas é no grupo The Gilbertos, projeto solo que assume formações diferentes à medida em que o tempo passa, em que ele consegue lapidar aquilo que mais gosta de fazer: compor canções. A cada fase, o grupo de um homem só, que já tem quatro discos lançados, assume musicalidade e estética diferentes, de acordo com o astral de seu autor e tenho a enorme satisfação de trazê-lo para palco do Centro da Terra nesta terça-feira (mais informações aqui), onde apresenta diferentes fases do repertório da banda ao lado do baixista Ricardo Salvagni e do baterista Lauro Lellis, ambos com passagens por diferentes fases de sua principal banda, o Fellini. Em mais um de seus raros shows – é o sexto na história da banda -, Pappon promete um show pesado com ênfase no rock progressivo alemão e no glam rock, duas de suas maiores paixões. Bati um papo com ele sobre o que nos aguarda nesta noite de terça.

Marcelo Cabral: Influxo Cabralha

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Quando Marcelo Cabral avisou que estava voltando da Alemanha para passar um tempo de volta no Brasil, cogitamos rapidammente uma temporada ao redor do universo musical do baixista e de sua recente experiência artística na Alemanha. Próximo à cena de improviso livre de Berlim, Cabral foi descobrindo um método de criação artística que permite fluir por outras linguagens, incluindo literatura, teatro e spoken word e entender como isso influencia diretamente o resultado musical. E assim ele pensou em Influxo Cabralha, uma reunião de amigos e magos da música instrumental que atravessa quatro segundas-feiras de abril no Centro da Terra. Na primeira, dia 8, ele toca ao lado de Mauricio Takara, Thomas Rohrer e Mariá Portugal. No dia 15 ele chama Guilherme Held, Thiago França, Juliana Perdigão e Angélica Freitas. Dia 22 é dia de Kiko Dinucci, Rodrigo Brandão e Juçara Marçal. E a temporada termina no dia 29, com as participações de Thomas Harres, Bella, Patrícia Bergantin, Maria Beraldo e Ná Ozzetti (mais informações aqui). Bati um papo com o Cabral sobre esta safra de shows e a influência de sua estada na Alemanha neste novo projeto.

Kiko Dinucci + Cadu Tenório: Imperador Ketchup

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“Tomei conhecimento da existência desse filme mais ou menos em 95, 96, por causa da foto de uma matéria de revista que minha irmã tinha em casa”, o guitarrista Kiko Dinucci lembra como conheceu o clássico cult Imperador Ketchup (Tomato Kecchappu Kōtei), do cineasta japonês Shūji Terayama, que faz a trilha sonora ao vivo nesta terça-feira, no Centro da Terra, ao lado do experimentalista carioca Cadu Tenório (mais informações aqui). “Era um texto sobre a nouvelle vague japonesa e falava Nagisa Oshima, Imamura, esses diretores maravilhosos – se não me engano, o texto tinha algo a ver com a Lucia Nagib, especialista em cinema japonês e brasileiro. Eu tinha uma banda chamada Nitrate Kid, o Wash, da banda Eu Serei a Hiena, que tocava baixo, estava indo morar no Japão e me deixou encarregado de fazer uma capa para a demo. Peguei algumas revistas para fazer colagem e me deparei com uma foto do filme nessa revista da minha irmã, eram umas crianças com umas maquiagens bizarras e acabei usando. Me lembro da legenda: cena do filme Imperador Ketchup. A foto e o título do filme me causaram estranhamento e atração, pensei: ‘esse filme deve ser demente’. No mesmo ano o Stereolab gravava um disco com o mesmo nome do filme Emperor Tomato Ketchup, mas só fui conhecê-los no ano seguinte.”

“Esqueci que esse filme existia e um dia, 20 anos depois, lembrei dele, baixei e assisti. Fiquei chapado. Achei que ele dialogava diretamente com filmes do cinema marginal brasileiro como Rogério Sganzerla, José Agrippino de Paula e Andrea Tonacci. Ele é assustadoramente moderno e contemporâneo até hoje, dialoga diretamente com esse tempo demente no qual estamos vivendo, de tanto delírio fascista e autoritarismo”, continua Kiko. “Muita pouca gente conhece esse filme no Brasil, gostaria que mais gente conhecesse. Já que não sou programador ou curador de cinema, arrumei um jeito de exibir o filme que é tocar por cima dele, é mais uma desculpa pra ver e mostrar o filme e me reencontrar com o Cadu.” O filme é indicado para maiores de 16 anos.

A trilha ao vivo não é o primeiro trabalho de Kiko com Cadu Tenório. “Já tinha ouvido a falar no Cadu por conta da cena da cena carioca que se apresentava quase exclusivamente na Audio Rebel dentro da programação do Quintavant. Depois ouvi as coisas que ele fez em parceria com o Marcio Bulk e gostei bastante. Em seguida, ele gravou o Anganga com a Juçara Marçal, e de lá pra cá criou-se uma amizade e admiração mutua. Tocamos juntos a primeira vez numa programação chamada Nós da Voz, idealizada pela Juçara no qual cantoras e cantores faziam improvisação livre ao lado de instrumentistas, mas tudo com ênfase na voz como instrumento. Nesse dia o time era a Juçara, Ava Rocha, eu e Cadu – e ali percebemos que havia uma sintonia sonora. Posteriormente a Juçara e Cadu me chamaram pra fazer alguns shows do Anganga e ela também convidou Cadu pra participar do show Encarnado. Desde então nos encontramos em diversas ocasiões. Fizemos no ano passado uma pequena residência no Sesc Paulista ao lado da cantora moçambicana Lenna Bahule. Estamos sempre inventando alguma história.”

Os dois inclusive já fizeram trilha de filmes ao vivo. “O Cadu toca sampler e eu toco guitarra, sintetizadores e sampler. Ficaremos ao lado do palco, dialogando com o filme que terá seu som original, trabalhamos por cima da trilha do filme. Já fizemos também a trilha do filme Hitler III Mundo, de José Agrippino de Paula e foi fantástico. Temos em mente fazer outras trilhas ao vivo. Cadu tem uma trilha original para o filme mudo experimental de terror gore Begotten.”

O próprio Kiko tem sua carreira cinematográfica paralela: “Às vezes faço trilha de cinema pra me aproximar desse universo, mas me divirto mais com trilha ao vivo de filmes clássicos, me dão mais liberdade, dá pra tirar mais onda. Gosto de fazer cinema também, dirigir… Estou escrevendo um novo roteiro ao lado do Clima (o compositor Eduardo Climashauska) que foi ator do meu filme mais recente, Breve Em Nenhum Cinema – dá pra ver ele no Vimeo, viu?”

Badi Assad + Simone Sou: Feminina

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A violonista Badi Assad e a percussionista Simone Sou ocupam o palco do Centro da Terra em duas terças-feiras, dia 19 e 26 de março, e reencontram-se no mesmo cenário após shows que fizeram em dezembro de 2001, muitos anos antes do teatro assumir sua vocação para a música. A minitemporada Feminina é batizada a partir da primeira composição que fizeram juntas e traz histórias e canções deste convívio pessoal e musical que acompanha as duas desde o fim do século passado. Bati um papo com Badi para ter uma ideia do que irá acontecer nestes dois (re)encontros que acontecem a partir das 20h (mais informações aqui).

Chico Bernardes: Esboço

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Às vésperas de lançar seu primeiro disco, o cantor e compositor Chico Bernardes, filho de Maurício Pereira e irmão de Tim Bernardes, fala sobre o espetáculo Esboço, que apresenta neste dia 12 de março de 2019, no Centro da Terra, suas influências musicais e a abordagem musical que levará para esta sua primeira apresentação do ano.

Sem Palavras: Março de 2019

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Passado o carnaval, retomamos 2019 no Centro da Terra com mais um Segundamente dedicado à música instrumental, quando reunimos quatro expoentes da atual produção brasileira em mais uma temporada Sem Palavras. Na primeira segunda, dia 11 de março, a multiinstrumentista Luísa Putterman se junta ao baixista Arthur Decloedt e ao saxofonista Mateus Humberto no projeto Nó, desconstruindo ao vivo paisagens sonoras e texturas orgânicas e sintéticas, tocadas na hora e sampleadas. Na segunda segunda, dia 18, é a vez da apresentação Desde Até Então que o guitarrista Lello Bezerra – que toca com Siba – toca com o baterista Sérgio Machado, fritando entre o pós-punk, o free jazz e a música brasileira. Depois, dia 25, assistiremos à apresentação do trio de música espontânea Dentaduro, que reúne o vibrafonista Victor Vieira-Branco, o baixista Bernardo Pacheco e o baterista Pedro Silva, mostrando seu Live at the Budokan. A última sessão do Sem Palavras acontece no dia primeiro de abril, quando o guitarrista Marcos Campello, líder dos Chinese Cookie Poets e guitarrista de Ava Rocha, faz sua apresentação solo experimental chamada Viagem Não-linear ao Centro da Abstração em Ruínas. As apresentações, sempre às segundas, começam a partir das 20h. Abaixo, entrevistas que fiz com Luísa Puterman, idealizadora da primeira noite desta temporada com seu projeto Nó, o guitarrista Lello Bezerra, autor do espetáculo da segunda segunda-feira, Desde Até Então, com Bernardo Pacheco, baixista do Dentaduro, que toca na terceira terça-feira, e com Marcos Campello, que fará a última apresentação da temporada.

https://soundcloud.com/trabalhosujo/sets/no