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Onda lenta

Lê Almeida antecipou seu próximo disco, I Feel in the Sky, em uma apresentação hipnótica abrindo os trabalhos de outubro no Centro da Terra. Em sua versão solo, ele manteve os compadres de Oruã na formação – como Bigú Medine (agora disparando efeitos), João Casaes (nos teclados) e Phill Fernandes (na bateria) – mas convidou a baixista Melanie Radford e o baterista Cacá Amaral para fazer o público decolar em câmera lenta a partir de células musicais repetidas circularmente pela banda, enquanto ele cantarolava suas canções sobre uma base que conversava tanto com o krautrock quanto com o afrobeat – e tudo num ritmo vagaroso e hipnótico, barulhento e doce na mesma medida. Em dado momento do show, ele ainda chamou mais gente pra sua gira, convocando Ana Zumpano para a percussão e Otto Dardenne e Alejandra Luciani como vocais de apoio e fez um bis com uma música que havia sido composta no dia anterior. Só delírio.

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Centro da Terra: Outubro de 2023

Vamos à segunda metade do semestre, o que nos leva à fase final deste forte 2023, que nos trouxe tantos pensamentos e emoções sempre de forma intensa. E como neste outubro temos cinco segundas-feiras, a primeira delas (dia 2), foge da temporada e é uma apresentação única, em que o herói indie Lê Almeida revela em primeira mão, no palco, o disco que lançará este mês, I Feel in the Sky, que o aproxima de uma sonoridade jazz e espiritual. No dia seguinte, na terça-feira (dia 3), o músico e pesquisador Paulo Beto transforma sua banda eletrônica em uma orquestra e sob o título de Anvil FX Orchestra visita a obra Cosmos, de Carl Sagan, num espetáculo audiovisual que contará com as participações do vocalista Rodrigo Carneiro e do videoartista Jodele Larcher. Na segunda segunda-feira do mês começa a temporada de outubro, quando a cantora, compositora e musicista Paula Rebellato atravessa quatro segundas-feiras em suas Ficções Compartilhadas. Na primeira delas (dia 9), ela reúne-se aos saxofonistas Mari Crestani e Thiago França para mostrar suas novas composições. ERm sua segunda data (dia 16), ela dedica-se ao improviso com os velhos compadres Bernardo Pacheco, Cacá Amaral e Romulo Alexis. Depois (dia 23), ela mostra a avalanche kraut de seu Madrugada (ao lado de Otto Dardenne, Raphael Carapia e Yann Dardenne), para finalizar a temporada (dia 30) revisitando o clássico Desertshore da Nico ao lado de João Lucas Ribeiro, Mari Crestani e Paulo Beto. Haja coração! As duas terças seguintes ficam por conta da percussionista Nath Calan, que divide suas apresentações em duas partes: na primeira faz (dia 10), sozinha, sua apresentação de percussão cênica, área que se especializou, mostrando diferentes abordagens para seus instrumentos em cena em canções e temas de peças das quais fez parte. Na segunda (dia 17), entrega-se à música pop, cantando canções de artistas com quem já tocou bateria, de Fernanda Takai a Maurício Pereira, passando por Porcas Borboletas, Malu Maria, entre outros, acompanhada do guitarrista Carlos Gadelha e do baixista Eristhal. Na terça seguinte (dia 24), a cantora e compositora Manuella Julian, que apresenta-se como Manu Julian à frente de grupos como Pelados, Pequeno Cidadão e Fernê, começa a mostrar sua carreira solo, em canções inéditas e versões para músicas já conhecidas, com a guitarra de Thales Castanheira. E encerrando o mês na última terça-feira de outubro (dia 31), Maurício Pereira sobe ao palco do Centro da Terra mais uma vez acompanhado de seu compadre Tonho Penhasco, revisitando o repertório de seu disco mais recente, Micro, à luz de novidades que vem preparando para esta apresentação. Os espetáculos começam pontualmente sempre às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Rumo ao mar

Belíssima a apresentação que a cantora e compositora paulistana Sophia Ardessore realizou nesta terça-feira no Centro da Terra. Acompanhada por uma banda enxuta e precisa – os teclados de Nichollas Maia e a bateria de Matheus Marinho, ambos regidos pelo baixista Fi Maróstica -, ela singrou para além de seu primeiro álbum, Porto de Paz, se aventurando num novo alto mar e por algumas primeiras vezes – tanto tocando em público só com o violão, quanto estreando canções inéditas e celebrando uma parceria de menos de mês, quando convidou a nova amiga Mari Merenda para dividir os vocais em duas canções. Cada vez mais segura de sua voz, Sophia ainda explorou canções alheias enquanto não tinha dificuldades para dominar o público.

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Sophia Ardessore: Canta para Subir

A cantora e compositora paulistana Sophia Ardessore começa a preparar o território para seu próximo álbum no espetáculo Canta para Subir, que encerra a temporada de música do Centro da Terra em setembro, nesta quarta-feira. Acompanhada por seu diretor musical Fi Maróstica, que toca contrabaixo e escreveu os arranjos com o tecladista Nichollas Maia, que também estará no palco, a cantora começa a traçar os próximos passos a partir de seu disco de estreia, Porto de Paz, lançado no ano passado. O novo espetáculo trabalha a partir da ideia de contrastes e terá intervenções visuais idealizadas por Jonas Malferrari e conta com os músicos Abner Phelipe (guitarra), Matheus Marinho (bateria) e Lucas Alakofá (percussão), além dos dois já citados e ainda terá a participação da Mari Merenda. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Sobre conexões

Enio começou sua série Encontros Híbridos nesta terça-feira no Centro da Terra, quando desfilou seu repertório ao lado de músicas de seu convidado da vez, o pianista pernambucano Zé Manoel, de quem visitaram juntos “Adupé Obaluaê” e “Canção e Silêncio”. Mas o baiano aproveitou a oportunidade para reverenciar a Bahia por muitos de seus autores, intérpretes e sonoridades, passando por “Sorte” (de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, eternizada por Gal e Caetano), “Me Abraça e Me Beija” (do mestre Lazzo Matumbi, canonizada pela atual ministra da cultura Margareth Menezes) ou “Emoriô” (de Gilberto Gil e João Donato), além de reverenciar Letieres Leite e Olodum (lembrado na eterna “Deusa do Amor”). Enio também mostrou as músicas de seu primeiro disco que ainda não se materializou, tocando diferentes instrumentos (guitarra, teclado, baixo) e disparando beats quando mostrou que seu cancioneiro também avança pelo hip hop e pela música eletrônica. Mas um dos grandes momentos do encontro ocorreu logo no início da noite, quando o anfitrião e seu convidado dividiram uma das músicas mais agudas do pianista, a infelizmente atual “História Antiga”.

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Enio + Zé Manoel: Encontros Híbridos

Maior satisfação receber o encontro entre o baiano Enio e o pernambucano Zé Manoel, que misturam seus repertórios num show único nesta terça-feira no Centro da Terra, como parte dos Encontros Híbridos idealizados pelo primeiro. Este, parceiro de artistas como Larissa Luz, Marcia Castro, Luedji Luna e Xênia França e entre outros, encontra-se com o consagrado pianista que já colaborou com nomes como Juçara Marçal, Vanessa da Mata, Amaro Freitas, Letieres Leite e Tiganá Santana. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Laço cossangüíneo

Se na penúltima apresentação de sua temporada Águas Turvas no Centro da Terra Dinho Almeida reuniu sua família de escolha, juntando amigos/vizinhos para uma jam onírica em torno de seu novo repertório, nesta última segunda-feira de setembro ele embarcou em uma viagem ainda mais cossangüínea ao convidar sua irmã Flávia Carolina para entoar suas canções. E não só as de Dinho, mas também as dela e inclusive uma do pai dos dois, finalizando a temporada no mesmo tom terapêutico esteve presente nessas noites. A entrega superou as expectativas: as vozes dos irmãos têm um encaixe perfeito, mesmo com timbres parecidos, e o ritmo de Flávia, que por vezes alternava instrumentos de percussão, explicava a mão direita de Dinho na guitarra, tornando riffs e acordes quase sempre pulsantes. Uma noite linda de uma temporada transformadora. Voa, Dinho!

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Aonde 2023: Dez casas de show em um mesmo festival

Participo, neste sábado, da primeira ação do coletivo Aonde, união de dez casas de shows de São Paulo que começam a conversar entre si para facilitar a colaboração mútua em vez de pensar em concorrência. Neste primeiro encontro, que acontece no Cine Joia, cada uma das casas mandará uma atração musical composta por integrantes de sua equipe. Assim, discoteco no começo da noite em nome de uma das casas participantes da noite, o Centro da Terra, numa programação que ainda incluirá a banda Emicaeli e as DJs Camilla & Erikat (representando a Associação Cultural Cecília), a banda Combover (do Estúdio Aurora), a banda Madrugada e o DJ Nag Nag (da casa de shows Porta), a banda Batto (representando o 74Club de Santo André), a banda Huey (em nome do FFFront), o grupo N0rvana (representando a Laje SP e o Tectonica) a discotecagem Punk Reggae Party (em nome da Secilians Shop) e a banda Punho de Mahin (representando a Fun House de Ribeirão Pires). Mais informações sobre o evento aqui.

Adeus aos palcos

Uma provocação sobre lançar um disco de 2020 que ainda não havia sido propriamente lançado acabou tornando-se uma sessão de terapia aberta ao público sobre as dificuldades e o sentido de ser uma mulher artista musical no Brasil atual. Seja tocando seus instrumentos (violão e acordeão) ou apenas no gogó, a cantora e compositora Marília Calderón abriu suas angústias em público, trazendo à tona a personagem Cida, uma versão sua que lhe atormenta em pesadelos. Contando com a ajuda de uma girafa cênica – vivida genialmente pela atriz e sapateadora Paula Ravache, que a ajudou a conceituar o espetáculo -, ela ainda recebeu participações especiais – a atriz Zenaide e a cantora e poeta Socorro Lira – que a ajudaram a ampliar a intensidade de seu drama em canções confessionais que ajudaram a compartilhar sua decisão de encerrar a carreira nos palcos, numa apresentação que misturou show, teatro de revista, vaudeville e comédia. Eu mesmo duvido disso (e falei pra ela, mas dê tempo ao tempo), mas foi um processo bonito de se acompanhar.

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Marília Calderón: Que Cida Decida

Como assim último show? No espetáculo Que Cida Decida, a cantora e compositora paulistana Marília Calderón se submeteu-se a uma autoanálise de sua carreira que culminou com uma escolha drástica: fazer sua última apresentação ao vivo. Confrontada pelas questões do meio profissional musical ao mesmo tempo que firmava carreira como psicanalista, ela joga essas dúvidas e ansiedades no meio de seu repertório, transformando o que seria uma apresentação de transição num salto no escuro. Para a noite desta quarta-feira no Centro da Terra, que tem direção musical de Felipe Salvego, ela contará com as participações de Socorro Lira e Zenaide, que adensam ainda mais sua indecisão geral. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente através deste link.