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Centro da Terra: Novembro de 2024

Chegando no fim de outubro e já está na hora de anunciar as atrações de novembro da curadoria de música do Centro da Terra. Quem segura as segundas-feiras do mês é o inigualável Jair Naves, que aproveitou o convite para passear por diferentes facetas da sua musicalidade dentro da temporada que batizou de O Significado Se Desfaz no Som, quando faz quatro apresentações distintas, começando com um show acústico de sua eterna banda Ludovic (dia 4), passando por uma apresentação ao lado de seu parceiro musical mais longevo, Renato Ribeiro (dia 11), um show ímpar com a banda que o acompanha atualmente (dia 18) e encerrando o mês tocando ao lado do trio paraense Molho Negro (dia 25). Os shows de terça-feira começam no dia 5, quando a poeta Natasha Felix convida o DJ Glau Tavares para uma versão de seu texto O Primeiro Segredo Dito a Lázaro, que mistura com obras de Nicanor Parra, Sylvia Plath, Stella do Patrocínio e Saidiya Hartman, além de outros poemas de sua lavra no espetáculo Lamber as Feridas. Na semana seguinte, dia 12, assistiremos à estreia nos palcos de Leon Gurfein, que montou uma banda para essa primeira apresentação ao lado de Helena Cruz, Lauiz e M7i9, que batizou de Leon y Las Gatas Embarazadas. Na terceira terça-feira do mês, dia 19, a curitibana Bruna Lucchesi faz a transição entre seu disco atual, que celebra a obra de Paulo Leminsky, e seu próximo trabalho, em que navega por poemas musicais de Patti Smith e Bob Dylan num espetáculo batizado de Quem Faz Amor Faz de Tudo. As atrações musicais de novembro no teatro terminam na última terça do mês, dia 26, quando a vocalista Stephanie Borgani se reúne à cantora Marina Marchi e aos músicos Marlon Cordeiro (saxofone tenor) e Feldeman Oliveira (trombone) para mostrar suas composições numa apresentação chamada de “Mímica” e Outras Peças. Atrações inéditas e exclusivas que também fazem parte das comemorações do 29° aniversário do Trabalho Sujo, que acontece em novembro. Os espetáculos no teatro começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já podem ser comprados na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Saindo o CØMA

Estreia intensa do grupo CØMA nesta terça-feira no Centro da Terra. O grupo surgiu a partir do encontro da baterista Bianca Godoi com o guitarrista Guilherme Held – e este, que vinha ficando obcecado com sons pós-punk desde que descobriu uma playlist de pérolas obscuras e contemporânea do gênero nascido na virada dos anos 70 para os anos 80, passou essa obsessão para a nova amiga e com isso passaram a reunir músicos que pudessem expandir a ideia original. Assim, reuniram Otto Dardenne, Rubens Adati, Joana Bergman e Danilo Sansão para uma noite curta e intensa de baixos pulsantes, baterias febris e guitarras dissonantes, reunidos com teclas pontuais e as letras improvisadas e aparentemente nonsense (embora não sejam) proferidas pelo vocalista Otto. O grupo ainda contou com a participação das inusitadas taças do músico Tomas Gleiser, que toca no grupo Mustache e os Apaches, e por pouco menos de uma hora, induziram o público do teatro a um transe dissonante e metronômico. Só não pode deixar esse fogo morrer em uma única apresentação – que venham outras!

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CØMA: TAO

Mais uma atração que estreia no Centro da Terra, temos o prazer de receber nesta terça-feira a primeira apresentação do grupo CØMA, idealizado por Bianca Godoi e Guilherme Held a partir de uma playlist de pós-punk e disco-punk obscuro organizada pelo DJ brasileiro residente Alemanha chamado Cosmic Pulses. Os dois convidaram outros amigos músicos para encorpar essa apresentação e além de dividirem-se entre synths e programações, Bianca e Guilherme, que tocam bateria e guitarra respectivamente, chamaram Otto Dardenne para fazer os vocais, Rubens Adati para tocar baixo, Joana Bergman nos teclados e piano e Danilo Sansão, que vai fazer projeções enquanto toca. O espetáculo batizado de Tao marca o nascimento deste pequeno coletivo e começa pontualmente às 20h, além de já estar com ingressos à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Acrescente um violoncelo…

E Pélico segue desbravando novos rumos para suas canções em mais uma noite de sua temporada Cá com Meus Botões no Centro da Terra. Nesta segunda, a terceira noite de sua temporada no teatro, ele chamou o parceiro de longa data Regis Damasceno, que também está tocando na atual formação de sua banda, que chega em conjunto na próxima segunda, para acompanhá-lo ao lado de um novo parceiro, o violoncelista Thiago Faria. E juntos, o trio passeou por algumas das canções de seu repertório visitadas nesta temporada e algumas versões, entre elas mais uma vez “Espelhos D’Água”, hino romântico de Dalto, e, pela primeira vez, “Vinte e Nove”, do Legião Urbana, além de pinçar faixas próprias que há muito tempo não tocava ao vivo, como “Um Menino” e “Pretexto”. E mais uma vez Pélico entregou-se de corpo e alma às suas canções, numa noite tão emotiva quanto as anteriores, mas que caminhava por outros arranjos…

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Intensidade mineira

Forte. Assim foi o primeiro show autoral que Júlia Guedes apresentou nesta terça-feira no Centro da Terra. Acompanhada dos quatro integrantes da banda Terceira Margem (Tommy Coelho na bateria, Bento Sarto na guitarra, Cainã Mendonça nos teclados e Theo Rathsam no baixo elétrico, todos exímios músicos que inclusive trocaram de instrumentos em algumas partes do show), a cantora e instrumentista mostrou o repertório de seu primeiro álbum ainda não lançado revezando-se entre o piano e o teclado, deixando sua bela voz e aquela característica intensidade mineira (que envolve e tensiona ao mesmo tempo) conduzirem o ataque musical construído pelos arranjos que fez com a banda para uma casa cheia. Só não foi um show 100% autoral porque ela acenou duas vezes para o próprio avô, um dos fundadores do Clube da Esquina, visitado em suas “A Página do Relâmpago Elétrico” e “Cantar” e citado em um verso de “Nada Será Como Antes” na intensa “Vermelho e Sem Nome”, música que batizou o espetáculo.

Assista abaixo:  

Julia Guedes: Vermelho e Sem Nome

Maior satisfação convidar Júlia Guedes para apresentar seu primeiro espetáculo totalmente autoral e primeira apresentação solo em São Paulo. Descendente de uma linhagem de músicos cujo expoente mais conhecido é seu avô Beto Guedes, a cantora, compositora, pianista e pintora antecipa as composições de seu primeiro álbum, que ainda está sendo gravado. No espetáculo Vermelho e Sem Nome ela vem acompanhada dos músicos da banda Terceira Margem – e Tommy Coelho, Bento Sarto, Cainã Mendonça e Theo Rathsam a ajudam a conduzir o público para este lugar ao mesmo tempo desafiador e reconfortante que ela traz em suas canções. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Agora só com o violão

Em sua segunda noite no Centro da Terra, Pélico seguiu despedaçando suas canções de forma crua e aberta. e depois de dissecá-las usando piano e violão na semana passada, desta vez optou apenas pelo violão, quando convidou Kaneo Ramos para acompanhá-lo. Seguiu um repertório parecido com o da outra noite, mas incluiu novas canções de sua lavra (como o pagode “Você Pensa Que Me Engana” e “Quem Me Viu, Quem Me Vê”), a novíssima “Nossos Erros” e mais uma versão, além de “Espelhos d’Água” que cantou pela primeira vez na segunda anterior, quando puxou a linda “Tudo Bem”, de Lulu Santos. O show ainda contou com uma aparição surpresa do capixaba Juliano Gauche, que está passando por São Paulo e foi convidado, na hora, pelo Pélico, para dividir sua “Cuspa, Maltrate, Ofenda” no palco. Uma noite linda e intensa como a primeira, só que outro viés instrumental.

Assista abaixo:  

Delicado batismo

Carox e Flávio Particelli estavam animados mas nervosos com o primeiro show do A Ride for Two, projeto que criaram durante a pandemia para compor canções introspectivas e bucólicas distantes das músicas que fazem em seus projetos até então, quando a velocidade e o ruído do hardcore encobre letras e melodias para valorizar a energia da performance. Mostrando pela primeira vez ao vivo o novo duo, eles sentiram o peso de ouvir as próprias vozes e instrumentos sem distorção ou volume, o que a princípio os deixou tensos no começo da apresentação desta terça-feira, no Centro da Terra. Mas à medida em que iam desbravando as canções e se acostumando ao ouvir as respectivas vozes num contexto longe do caseiro iam ganhando confiança e fazendo o show crescer. Amparados por uma banda afiadíssima, formada por Marcelo Crispim (guitarra), David Margelli (baixo), Thales Stipp (bateria) e Luiz Viola (piano), que nunca transbordava o som de forma a sobrepor-se à dupla vocal, os dois entrelaçavam violão e guitarra (era a primeira vez que Carox tocava o instrumento em público) e os dois belos timbres de vocais nas canções que formam o repertório de seu único EP e algumas inéditas, além de contar com duas participações especiais, cada uma delas trazendo uma referência musical diferente: ao lado de Cyz Mendes, do grupo Plutão Já Foi Planeta, os dois cantaram “Wildflower”, do disco novo da Billie Eilish, e ao lado de Cyro Sampaio tocaram “Miopia”, da banda do convidado, Menores Atos. Um show bonito e delicado, que logo livrou-se do clima de batismo de fogo que tensionava a dupla no início para entrar num portal de sutilezas e melodias que, apesar de estranho às carreiras anteriores dos dois, fez muito sentido para ambos – e para o público, que embarcou na carona proposta pelos dois.

Assista abaixo:  

A Ride for Two: Hey Life

Com muita satisfação recebemos nesta terça-feira no Centro da Terra a primeira apresentação ao vivo de uma dupla que nasceu no hardcore, mas se encontrou no folk. Carox (das bandas Carox e Miami Tiger) e Flávio Particelli (das bandas Fullheart, Falante e Anônimos Anônimos) se começaram a fazer música no período de isolamento social da pandemia e criaram a dupla acústica A Ride for Two, que já lançou seu primeiro EP, batizado com o próprio nome da banda, mas nunca apresentou-se ao vivo – até hoje. Sua estreia acontece no espetáculo Hey Life, quando tocam tanto sozinhos quanto acompanhados por uma banda formada por Marcelo Crispim na guitarra, David Margelli no baixo, Thales Stipp na bateria e Luiz Viola no piano e sintetizadores, além de receberem duas participações especiais, Cyro Sampaio, do grupo Menores Atos, e Cyz Mendes, do grupo Plutão Já Foi Planeta, todos entrando no clima de introspecção e delicadeza proposto pala dupla. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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Canções cruas

Pélico começou sua temporada Cá com os Meus Botões nesta segunda-feira no Centro da Terra voltando em momentos distintos de seu repertório revistos de forma direta e reta, deixando a força de suas canções de amor soar para além de arranjos meticulosos, silêncios de câmara e várias participações, como pedem seus registros fonográficos. Ao lado de Pedro Regada, que revezou-se entre os teclados e o piano, ele preferiu mostrar suas canções cruas, fossem acompanhadas por seu violão ou conduzidas apenas por sua voz. E assim passou por diferentes momentos de seus três discos mais recentes – Que Isso Fique Entre Nós, de 2011 (representado por “Não Éramos Tão Assim”, “Não Vou Te Deixar, Por Enquanto”, “Sem Medida” e pela faixa-título); Euforia, de 2015 (que também veio com sua faixa-título e “Olha Só”) e por seu disco mais recente, Quem Me Viu, Quem me Vê, de 2019 (que veio com “Machucado”, que abriu o show, “Nosso Amor” e “Amanheci”) -, além de visitar duas pérolas alheias, “Espelhos d’Água” de Dalto que ficou famosa com Patrícia Marx, e “O Que Me Importa” que Cury Heluy fez pra Wanderlea, mas que foi gravado depois por Tim Maia, Ira! e Marisa Monte. Em todas as canções, a intensidade de sua voz reforçava a força das letras e das melodias, que se integravam perfeitamente quando o piano se misturava ao violão, como fizeram na última canção da noite, ao visitar mais uma do disco de 2011, “Recado”. Foi bem bonito.

Assista abaixo: