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Nova camada de sensibilidade

Ao revelar parte de seu próximo álbum num Ensaio Aberto conceitual que organizou nessa terça-feira no Centro da Terra, Sessa compartilhou outros segredos com o público que encheu o teatro na noite gelada. Dois destes foram contados logo ao início da apresentação quando, depois de tocar duas inéditas ao lado de Marcelo Cabral, Biel Basile e Ina, ele convidou para o palco a multiinstrumentista Lê Veras, que assumiu o piano da noite, abrindo uma nova camada na sonoridade em seu trabalho, que, outra revelação da noite, se chamará Pequena Vertigem de Amor. Ao lado dos quatro, mostrou algumas das novas músicas e como o casamento de seu violão com a bateria de Biel e o baixo elétrico de Cabral, com as teclas de Lê e da sempre belíssima voz de Ina deu uma nova sutileza, tornando ainda mais leve sua musicalidade. A segunda parte do show contou com músicas de seus dois primeiros discos, dentro dessa nova faixa de sensibilidade (fora o piano, que não esteve nessa metade), e Sessa encerrou a noite com a mais bela versão para sua “Gata Mágica”, com Cabral tocando seu instrumento com um arco de cello.

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Sessa: Ensaio Aberto

Nesta terça-feira recebemos Sessa mais uma vez no palco do Centro da Terra, quando faz um Ensaio Aberto do que será seu terceiro disco solo, programado para ser lançado em novembro deste ano. Ele vem acompanhado de Marcelo Cabral (baixo), Biel Basile (bateria) e Ina (vocal) e mostra como as novas músicas funcionarão no palco mesmo antes do público conhecê-las. O espetáculo começa sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Entre o ocultismo e a psicanálise

“Quanto mais escura a noite, mais claro fica o que tem por dentro.” Rita Oliva atravessou a metade de sua temporada Em Brisas nesta segunda-feira no Centro da Terra, quando pela primeira vez deixou sua persona Papisa ser levada para o território do texto falado, entregando-se à poesia guiada pelo poeta Bobby Baq, único convidado desta noite. Além do texto – que incluía com poemas de Marina Colasanti, Clarice Lispector, Yoko Ono e obras dos dois -, Papisa ainda tocou guitarra, teclados e disparou samples, citando Lulu Santos, Sidney Magal e Radiohead e suas próprias canções, entre inéditas e desenterradas, dividindo a apresentação, que usava a água como fio condutor, em quatro partes e conversando com o público entre essas partes – abrindo, inclusive uma roda de sonho em pleno teatro. Foi sua noite mais experimental, em que o encontro da música com a poesia abriu portas para o ocultismo e a psicanálise.

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Arrasa-quarteirão

A força vital de Marcela Lucatelli é o motor do espetáculo Necromancy, que ela apresentou ao lado dos comparsas escandinavos Lars Bech Pilgaard e Ole Mofjell, convidando Marcelo Cabral para integrar-se ao grupo na sessão de improviso no Centro da Terra a partir de temas pré–estabelecidos pelo trio em registros anteriores. Mas por mais que o instrumental acompanhe a avalanche ruidosa que a vocalista transforma em presença física, eles não chegam aos limites explorados por Marcela e trabalham dentro de gêneros bem definidos, em vez de demolir tais barreiras instrumentais. Cabe à vocalista buscar as fronteiras da noite, expandindo sua voz para os limites do corpo, tanto ao testar seu timbre de forma extrema quanto na performance de se atirar no palco – e do palco – por vezes literalmente. Arrasa quarteirão.

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Marcela Lucatelli: Necromancy

Mais uma vez recebemos no palco do Centro da Terra a inclassificável vocalista Marcela Lucatelli, que volta ao Brasil desta vez com um de seus projetos escandinavos – o trio Necromancy, que criou quando morava em Copenhagen ao lado do dinamarquês Lars Bech Pilgaard (que toca guitarra e teclados) e do norueguês Ole Mofjell (que toca bateria) e a ajuda expandir a atmosfera maximalista e ritualística de suas apresentações. Entre o free jazz, o ambient, o improviso e noise, os três recebem o baixista Marcelo Cabral para deixar a noite ainda mais intensa. O espetáculo começa sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Brisas ou brumas?

Que noite mágica foi a primeira apresentação da temporada que Papisa está fazendo nestas segundas-feiras de agosto no Centro da Terra. Ao chamar a carioca Janine (dona de um dos discos que mais amei este ano, o EP Muda), ela sintonizou-se com os primeiros anos de sua carreira solo, quando fez suas primeiras apresentações naquele mesmo teatro, transformando um projeto de estúdio feito no quarto num trabalho coletivo com uma banda formada apenas por mulheres, em duas apresentações batizadas de Tempo Espaço Ritual, quando tocou à frente de uma banda formada por Laura Wrona, Luna França, Sílvia Tape e Larissa Conforto. Oito anos depois, Rita Oliva aproveitou a primeira noite da temporada para ecoar aquela época, de sonoridade mais rock e psicodélica, sem perder a carga dramática. E o que seria uma apresentação em dupla com as duas empunhando guitarras, cresceu em outra banda de mulheres, desta vez com Irina Bertolucci nos teclados e vocais e Francisca Barreto no cello, percussão e vocais, ritualizando mais uma vez o encontro em uma espécie de conciliábulo público feminino, em que suas duas sacerdotisas cantavam suas primeiras orações – Janine soltando voz e guitarra nas músicas de seu EP e algumas inéditas e Rita abrindo vozes e rasgando sua guitarra nas canções de seus primeiros anos de carreira solo (a sequência que emendou “Uníssono” de Janine com “Fenda”, faixa-titulo do primeiro álbum de Rita foi um dos vários momentos especiais da noite), criando uma superposição de repertórios e personalidades musicais, endossadas e adoçadas pelo teclado e cello de Irina e Chica. Adornadas pela bela luz encarnada de Beeau Gomez, foi uma apresentação que não apenas funcionou como uma bela introdução às próximas segundas como um número à parte que pode inclusive funcionar fora do contexto da temporada, que embora batizada de Em Brisas, tinha uma atmosfera mais Em Brumas nesta primeira noite.

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Papisa: Em Brisas

Que satisfação receber Papisa em sua temporada no Centro da Terra. O projeto autoral de Rita Oliva tomou forma a partir de um espetáculo que ela realizou no teatro em 2017 e de lá para cá ela conseguiu consolidar-se como uma das principais novas autoras musicais da cena brasileira, retornando ao palco do teatro para experimentar novas canções ao lado de novos parceiros. A cada segunda-feira de agosto, ela recebe diferentes cúmplices para noites específicas: na primeira, dia 4, chama carioca Janine; dia 11 é a vez de Bobby Baq; no dia 18 ela recebe o pernambucano Arquétipo Rafa para encerrar com a participação de Paulo Miklos, dia 25. Na primeira apresentação, ela retoma a guitarra distorcida ao lado de Janine e de duas outras musicistas que convidou para a noite, Irina Bertolucci dos Garotas Suecas e Francisca Barreto. O espetáculo começa sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Intensidade narrativa

Ao transformar seu disco No Ombro dos Outros num espetáculo cênico batizado de N.O.D.O. – Dramaturgia, a dupla Kim e Dramma ampliou a narrativa do disco ao incluir pessoalmente dois personagens que os atenta – um demônio sem nome que os atiça entre o drama de fazer arte e a tentação de fazer sucesso (vivido por Gabriel Frossard) e a musa inspiradora que, ao mesmo tempo que arrebata os traumatiza (batizada de Jade e vivida por Isabella Sabino). Acompanhados como sempre do trio formado por Caio Colasanti, Valentim Frateschi e Eduardo Barco, eles domaram a fúria de seus shows vigorosos, apontando toda a intensidade para o lado dramático da história.

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Kim e Dramma: N.O.D.O. – Dramaturgia

Encerramos a temporada de julho no Centro da Terra com a dupla de rap Kim e Dramma assumindo o controle do palco do teatro com seu espetáculo N.O.D.O. – Dramaturgia, em que encenam o disco que lançaram no ano passado, No Ombro dos Outros, ao lado dos atores Gabriel Frossard e Isabella Sabino, além de serem acompanhados pelos instrumentistas que ampliam a força musical da dupla, com Caio Colasanti na guitarra, Valentim Frateschi no baixo e Eduardo Barco nas teclas. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.

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Fecho épico

“Eu não queria sentir, eu só queria explodir”. Foi catártico o final da temporada 4A que a dupla Kartas promoveu no Centro da Terra nas segundas-feiras de julho. A última noite encerrou a temporada trazendo primeiro apenas Marcela Mara para um canto do palco, onde começou com um solo performático iluminada apenas pela luz quente de Mau Schramm, que logo tomou conta do palco completo à medida em que os músicos o transformavam em uma selva a ser desbravada, entre ruídos, sussurros e assobios. Logo a mesma Marcela interrompia aquele som novamente com sua voz, sendo acompanhada diretamente pela outra metade do Kartas, o baterista Zozio, que liberou a entrada de todos os outros músicos em convulsão depois de acompanhar seus versos apenas com seu instrumento. E todos entraram de uma vez só, num ímpeto contínuo – o baixo de Karin Santa Rosa, o teclado de Guilherme Paz, o sax de Rômulo França, o trompete de Romulo Alexis, a guitarra de Bernardo Pacheco, a flauta de Clóvis Cosmo e os eletrônicos de Rayra Pereira, lotando o teatro com um volume de som e mensagem que deixou a todos em silêncio entre os diferentes atos – um deles ocupados pelos poetas do coletivo Svstvs (desta vez formados por Rodrigo Qohen, Lia Petrelli, Bruno Pastore, Raissa Nashla e Pedro Blanco), que, espalhados pelo público, leram o mesmo poema, modificado eletricamente por Berna a partir do palco. Um encerramento épico para uma temporada de tirar o fôlego.

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