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Centro da Terra: Outubro de 2023

Vamos à segunda metade do semestre, o que nos leva à fase final deste forte 2023, que nos trouxe tantos pensamentos e emoções sempre de forma intensa. E como neste outubro temos cinco segundas-feiras, a primeira delas (dia 2), foge da temporada e é uma apresentação única, em que o herói indie Lê Almeida revela em primeira mão, no palco, o disco que lançará este mês, I Feel in the Sky, que o aproxima de uma sonoridade jazz e espiritual. No dia seguinte, na terça-feira (dia 3), o músico e pesquisador Paulo Beto transforma sua banda eletrônica em uma orquestra e sob o título de Anvil FX Orchestra visita a obra Cosmos, de Carl Sagan, num espetáculo audiovisual que contará com as participações do vocalista Rodrigo Carneiro e do videoartista Jodele Larcher. Na segunda segunda-feira do mês começa a temporada de outubro, quando a cantora, compositora e musicista Paula Rebellato atravessa quatro segundas-feiras em suas Ficções Compartilhadas. Na primeira delas (dia 9), ela reúne-se aos saxofonistas Mari Crestani e Thiago França para mostrar suas novas composições. ERm sua segunda data (dia 16), ela dedica-se ao improviso com os velhos compadres Bernardo Pacheco, Cacá Amaral e Romulo Alexis. Depois (dia 23), ela mostra a avalanche kraut de seu Madrugada (ao lado de Otto Dardenne, Raphael Carapia e Yann Dardenne), para finalizar a temporada (dia 30) revisitando o clássico Desertshore da Nico ao lado de João Lucas Ribeiro, Mari Crestani e Paulo Beto. Haja coração! As duas terças seguintes ficam por conta da percussionista Nath Calan, que divide suas apresentações em duas partes: na primeira faz (dia 10), sozinha, sua apresentação de percussão cênica, área que se especializou, mostrando diferentes abordagens para seus instrumentos em cena em canções e temas de peças das quais fez parte. Na segunda (dia 17), entrega-se à música pop, cantando canções de artistas com quem já tocou bateria, de Fernanda Takai a Maurício Pereira, passando por Porcas Borboletas, Malu Maria, entre outros, acompanhada do guitarrista Carlos Gadelha e do baixista Eristhal. Na terça seguinte (dia 24), a cantora e compositora Manuella Julian, que apresenta-se como Manu Julian à frente de grupos como Pelados, Pequeno Cidadão e Fernê, começa a mostrar sua carreira solo, em canções inéditas e versões para músicas já conhecidas, com a guitarra de Thales Castanheira. E encerrando o mês na última terça-feira de outubro (dia 31), Maurício Pereira sobe ao palco do Centro da Terra mais uma vez acompanhado de seu compadre Tonho Penhasco, revisitando o repertório de seu disco mais recente, Micro, à luz de novidades que vem preparando para esta apresentação. Os espetáculos começam pontualmente sempre às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Rumo ao mar

Belíssima a apresentação que a cantora e compositora paulistana Sophia Ardessore realizou nesta terça-feira no Centro da Terra. Acompanhada por uma banda enxuta e precisa – os teclados de Nichollas Maia e a bateria de Matheus Marinho, ambos regidos pelo baixista Fi Maróstica -, ela singrou para além de seu primeiro álbum, Porto de Paz, se aventurando num novo alto mar e por algumas primeiras vezes – tanto tocando em público só com o violão, quanto estreando canções inéditas e celebrando uma parceria de menos de mês, quando convidou a nova amiga Mari Merenda para dividir os vocais em duas canções. Cada vez mais segura de sua voz, Sophia ainda explorou canções alheias enquanto não tinha dificuldades para dominar o público.

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Sophia Ardessore: Canta para Subir

A cantora e compositora paulistana Sophia Ardessore começa a preparar o território para seu próximo álbum no espetáculo Canta para Subir, que encerra a temporada de música do Centro da Terra em setembro, nesta quarta-feira. Acompanhada por seu diretor musical Fi Maróstica, que toca contrabaixo e escreveu os arranjos com o tecladista Nichollas Maia, que também estará no palco, a cantora começa a traçar os próximos passos a partir de seu disco de estreia, Porto de Paz, lançado no ano passado. O novo espetáculo trabalha a partir da ideia de contrastes e terá intervenções visuais idealizadas por Jonas Malferrari e conta com os músicos Abner Phelipe (guitarra), Matheus Marinho (bateria) e Lucas Alakofá (percussão), além dos dois já citados e ainda terá a participação da Mari Merenda. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Sobre conexões

Enio começou sua série Encontros Híbridos nesta terça-feira no Centro da Terra, quando desfilou seu repertório ao lado de músicas de seu convidado da vez, o pianista pernambucano Zé Manoel, de quem visitaram juntos “Adupé Obaluaê” e “Canção e Silêncio”. Mas o baiano aproveitou a oportunidade para reverenciar a Bahia por muitos de seus autores, intérpretes e sonoridades, passando por “Sorte” (de Celso Fonseca e Ronaldo Bastos, eternizada por Gal e Caetano), “Me Abraça e Me Beija” (do mestre Lazzo Matumbi, canonizada pela atual ministra da cultura Margareth Menezes) ou “Emoriô” (de Gilberto Gil e João Donato), além de reverenciar Letieres Leite e Olodum (lembrado na eterna “Deusa do Amor”). Enio também mostrou as músicas de seu primeiro disco que ainda não se materializou, tocando diferentes instrumentos (guitarra, teclado, baixo) e disparando beats quando mostrou que seu cancioneiro também avança pelo hip hop e pela música eletrônica. Mas um dos grandes momentos do encontro ocorreu logo no início da noite, quando o anfitrião e seu convidado dividiram uma das músicas mais agudas do pianista, a infelizmente atual “História Antiga”.

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Enio + Zé Manoel: Encontros Híbridos

Maior satisfação receber o encontro entre o baiano Enio e o pernambucano Zé Manoel, que misturam seus repertórios num show único nesta terça-feira no Centro da Terra, como parte dos Encontros Híbridos idealizados pelo primeiro. Este, parceiro de artistas como Larissa Luz, Marcia Castro, Luedji Luna e Xênia França e entre outros, encontra-se com o consagrado pianista que já colaborou com nomes como Juçara Marçal, Vanessa da Mata, Amaro Freitas, Letieres Leite e Tiganá Santana. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Laço cossangüíneo

Se na penúltima apresentação de sua temporada Águas Turvas no Centro da Terra Dinho Almeida reuniu sua família de escolha, juntando amigos/vizinhos para uma jam onírica em torno de seu novo repertório, nesta última segunda-feira de setembro ele embarcou em uma viagem ainda mais cossangüínea ao convidar sua irmã Flávia Carolina para entoar suas canções. E não só as de Dinho, mas também as dela e inclusive uma do pai dos dois, finalizando a temporada no mesmo tom terapêutico esteve presente nessas noites. A entrega superou as expectativas: as vozes dos irmãos têm um encaixe perfeito, mesmo com timbres parecidos, e o ritmo de Flávia, que por vezes alternava instrumentos de percussão, explicava a mão direita de Dinho na guitarra, tornando riffs e acordes quase sempre pulsantes. Uma noite linda de uma temporada transformadora. Voa, Dinho!

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Adeus aos palcos

Uma provocação sobre lançar um disco de 2020 que ainda não havia sido propriamente lançado acabou tornando-se uma sessão de terapia aberta ao público sobre as dificuldades e o sentido de ser uma mulher artista musical no Brasil atual. Seja tocando seus instrumentos (violão e acordeão) ou apenas no gogó, a cantora e compositora Marília Calderón abriu suas angústias em público, trazendo à tona a personagem Cida, uma versão sua que lhe atormenta em pesadelos. Contando com a ajuda de uma girafa cênica – vivida genialmente pela atriz e sapateadora Paula Ravache, que a ajudou a conceituar o espetáculo -, ela ainda recebeu participações especiais – a atriz Zenaide e a cantora e poeta Socorro Lira – que a ajudaram a ampliar a intensidade de seu drama em canções confessionais que ajudaram a compartilhar sua decisão de encerrar a carreira nos palcos, numa apresentação que misturou show, teatro de revista, vaudeville e comédia. Eu mesmo duvido disso (e falei pra ela, mas dê tempo ao tempo), mas foi um processo bonito de se acompanhar.

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Marília Calderón: Que Cida Decida

Como assim último show? No espetáculo Que Cida Decida, a cantora e compositora paulistana Marília Calderón se submeteu-se a uma autoanálise de sua carreira que culminou com uma escolha drástica: fazer sua última apresentação ao vivo. Confrontada pelas questões do meio profissional musical ao mesmo tempo que firmava carreira como psicanalista, ela joga essas dúvidas e ansiedades no meio de seu repertório, transformando o que seria uma apresentação de transição num salto no escuro. Para a noite desta quarta-feira no Centro da Terra, que tem direção musical de Felipe Salvego, ela contará com as participações de Socorro Lira e Zenaide, que adensam ainda mais sua indecisão geral. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente através deste link.

Genealogia psicodélica brasileira

Pesado esse show que a Bike fez com o Tagore nessa terça-feira no Centro da Terra, enfileirando hits da lisergia brasileira que colocava os dois artistas num cânone viajandão que enfileirava Arnaldo Baptista solo (LSD), Pedro Santos (“Um Só”), Cérebro Eletrônico (“Pareço Moderno”), Júpiter Maçã (“Um Lugar do Caralho”), Fábio (“Lindo Sonho Delirante”), Tom Zé (“Parque Industrial”) e Violeta de Outono (“Declínio de Maio”), entre outros clássicos da música psicodélica brasileira, todos rearranjados com muito peso, microfonia e ritmo, cortesia da química entre os integrantes da banda paulista. O ápice da apresentação foi quando o grupo soltou Tagore em cima de dois hinos do udigrudi nordestino, quando emendou “Vou Danado pra Catende” de Alceu Valença com “Nas Paredes da Pedra Encantada Os Segredos Talhados por Sumé” do mitológico Paebirú, de Zé Ramalho e Lula Côrtes, que contou com uma interpretação possessa do vocalista pernambucano.

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Bike + Tagore: MPB ou LSD?

Artistas contemporâneos e da mesma árvore genealógica, embora cada um nascido num canto do país, Bike e Tagore já estiveram juntos outras vezes, mas pela primeira vez criam um espetáculo em parceria, quando se reuniram para apresentar MPB ou LSD?, uma apresentação que funciona como uma jornada à alma psicodélica da música brasileira, cruzando os mares lisérgicos desde os tempos dos Mutantes, passando pelo udigrudi pernambucano dos anos 70, os experimentos paulistanos dos anos 80, o ácido rock gaúcho dos anos 90 e a cena retropsicodélica da qual fazem parte neste século. Essa viagem começa pontualmente às 20h desta terça-feira e os ingressos podem ser comprados neste link.