Erva Doce – “Amante Profissional”
Juliana R. – “Dry These Tears”
Foster the People – “Pumped Up Kicks”
Shawn Lee + AM – “Somebody Like You”
Smiths Western – “Weekend”
Cee-Lo – “Fuck You”
Garotas Suecas – “Batmacumba”
Fever Ray – “Seven (Twelves Remix)”
Azealia Banks – “Fuck Up the Fun”
DJ Jak – “Para Nossa Alegria Epic”
Holy Ghost – “Jam for Jerry”
Teen Daze – “The Future”
JJ – “Beautiful Life”
Edward Sharpe & the Magnetic Zeros – “That’s What’s Up”
Lana Del Rey – “Blue Jeans (RAC Remix)”
Charlotte Gainsbourg + Beck – “Paradisco”
Mais uma retrospectiva-mashup do DJ Earmworm, com os 25 maiores hits nos EUA no ano que termina. Impressionante como o que é hit nos EUA cada vez importa menos pro resto do mundo…
Indie + hip hop = The Hood Internet. A equação já é um clássico nas mãos da dupla Derek Becker e Steven Matrick – e eis mais uma mixtape dos caras, que pode ser baixada aqui.
Intro [R. Kelly x Drake x Ally Sheedy x Tim Blaney]
Bars In The AM [Ninjasonik x !!!]
L is For Love Junkie [Donwill x Harlems Cash x Peter Hadar x El Perro Del Mar x Caribou]
Hot Tub Freaks Like You [Slug x MURS x Tobacco]
Rude Baptism [Rihanna x Crystal Castles]
Ariel Pink’s Haunted Grafitti – Round And Round (The Hood Internet remix)
Moar Doo Wop N Whatever [Lauryn Hill x Deadmau5]
Show Me Red Lights [Robin S. x Holy Fuck]
Psycho Break [Talking Heads x Ellen Allien & Apparat]
Show Me The O.N.E [Yeasayer x Jump Jump Dance Dance x Grum]
Back You [Cee-Lo Green x Sir Mix-a-Lot]
Freeze, Barbra! [Young Dro x Gucci Mane x Duck Sauce]
Blowin’ Money At The Deli [Drake x Birdman x Delorean]
It’s Front Row Love [Metric x Treasure Fingers]
Giving Up The Sunshowers [M.I.A. x Vampire Weekend]
Ignition (Keep It Remixing Louder) [R. Kelly x Major Lazer]
Chi Citizens [BBU x Broken Bells]
How Purple Can You Go [Ludacris x Joker & Ginz]
Swag Boost [Soulja Boy x Rusko]
Lorem Ipsum Dolor Sit Amet [Waka Flocka Flame x Flock Of Seagulls]
Cards And Quarters And Green Lights [Local Natives x John Legend x Andre 3000]
Oh My Kids [Usher x Sleigh Bells]
Virginia Is For Cameras [Clipse x Matt & Kim]
Dougie Vision [Cali Swag District x Toro Y Moi]
This Shit Was (All I Know) [Drake x Free Energy]
Brigade & Yellow [Wiz Khalifa x The Go! Team]
Shutterbugg In Miami [Big Boi x Foals]
Nuthin’ But A Journal Thang [Dr. Dre x Snoop Dogg x Class Actress]
The XX Gon Give It To Ya [DMX x The XX]
Outro [John Barry x Faith No More x Larry David x Robin Bartlett]
E por falar em festa boa, quando fui discotecar em Floripa, conheci a Bia e a Ju, que tocam o Donde Estás Corazon, blog de moda, música e tendências que vez por outra anima as pistas. Logo que elas assumiram a pista, vieram dizer que eu havia esgotado o set delas porque tinha tocado um monte que elas tocariam – como percebi logo que elas assumiram os CDJs (começando a tocar um mone de músicas que eu também toco). Curti tanto o set delas que pedi pra elas fazerem um pra cá – e elas nunca haviam feito! Por isso a estréia delas no MP3 quase não tem música mixada uma na outra, de tão nervosas que elas ficaram (que onda…). E como fui eu que pilhou a existência desse set, nada mais justo que eu o batizasse com um trocadilho com o nome do blog delas. Sente só:
Oh My! – “Run this Town”
Cee Lo – “Fuck You”
Julian Casablancas – “11th Dimension”
Miami Horror – “I Look to You”
Cansei de Ser Sexy – “Move”
Depeche Mode – “Just Can’t Get Enough”
Junior Senior – “Move Your Feet”
Muse – “Supermassive Black Hole”
Fall Out Boy + John Mayer – “Beat It”
Mika – “Love Today”
Michael Sembello – “Maniac”
Two Door Cinema Club – “What You Know”
Mando Diao – “Dance With Somebody”
Martin Solveig + Dragonette – “Hello”
Janelle Monae – “Cold War”
Justice – “D.A.N.C.E”
Florence and The Machine – “Dog Days are Over”
Edward Sharpe & The Magnetic Zeros – “Home”
A marginal Tietê no horizonte foi um programa mais interessante
Não costumo ver o Grammy: acho chato e sem graça, como qualquer premiação de qualquer indústria. “E o prêmio de melhor radiologista do ano vai para…”. Poizé, bem nessas. Mas, depois de todo alarido sobre a edição deste ano (fãs do Arcade Fire em puro delírio Double Rainbow, que porra), me deparei com a reprise da premiação ontem à noite e, de vacilo, assisti. E nem precisava ter visto para saber que era uma premiação da indústria chata e sem graça como sempre. Lady Gaga agradecendo Whitney Houston? Cee-Lo Bornay com o hit da autocensura, Muppets e a mulher do Coldplay querendo abrir uma carreira de cantora? Norah Jones é um remédio pra dormir? E a Rihanna com o Eminem (zero química, música insuportável)? Katy Perry é tipo Hole disfarçado de pop. Mick Jagger soulman depois de velho? Nem Bob Dylan depois da tosse conseguiu segurar cantando sua própria “Maggie’s Farm” com os Avett Brothers e os Mumford & Sons (estes, vale frisar, fizeram bonito em seu momento). Não é nem que tudo estivesse errado – e esse era o problema -, tudo estava certo DEMAIS.
O grande momento da noite foi a apresentação de Justin Bieber e Usher, a própria indústria lustrando suas engrenagens e colocando dois jovens talentos do showbusiness pra exibir seus dance moves. É o momento Off the Wall/Thriller de Justin Bieber sendo preparado a fogo brando, mas se o moleque tem carisma o suficiente para sobreviver à sua falta de talento (Bieber é, basicamente, ensaio, ensaio e ensaio), ele devia não assumir o paralelo tão evidente com Michael Jackson, imitando vários de seus trejeitos no palco. Tudo bem que Michael ajudou a inventar este gênero, afinal toda coreografia teen pós-Take That é descendente direta do livro escrito por Michael, Prince e Madonna nos anos 80, mas é só ver Usher (ou lembrar de outro Justin – Timberlake), para lembrar que não é preciso citar o rei do pop para reverenciá-lo. Bieber ainda serviu de escada pro Jaden Smith, o filho do Will, brilhar. Enquanto preparam a maturação de Bieber, que aos poucos, er, “engrossa” a voz, esquentam a chegada desse mini Will Smith, que é um geninho do showbusiness. Sério, quando chegar a vez dele, aí sim temos um candidato ao trono de MJ em ação.
E entre estes medalhões e sumidades, um monte de prêmios sem graça pra artistas sem graça que só dizem respeito ao mercado norte-americano. Nesse sentido, o grande vencedor da noite não foi o Arcade Fire e sim o tal Lady Antebellum (quem?) e a dualidade entre artistas tão diferentes (quem porra é esse tal de Arcade Fire?, perguntam-se ouvintes por todos os EUA) mostra o verdadeiro tom da premiação. Desculpem-me os fãs, mas Arcade Fire é tão mingau de música quanto o Lady Antebellum ou qualquer outra cantora country desconhecida que subiu para receber seus prêmios. Não é à toa que ganhou o prêmio de álbum do ano.
Não me impressiona, porém, o fato de a decadente indústria da música recorrer ao indie rock para tentar preservar alguns de seus valores, muitos celebrados na festa de domingo. Na verdade, estão mordendo a própria língua. Afinal, o rock alternativo só começou a existir enquanto gênero e indústria depois que as grandes gravadoras se voltaram para um formato mais palatável e massificado para a música que merecia ser vendida, deixando para trás referências como autoria, arranjo, letras, personalidade e sensibilidade (qualidades que tiveram que fugir para um mercado menos competitivo para sobreviver). Começou com a disco music, teve o auge com Michael Jackson e Madonna nos anos 80, colidiu com o grunge (motivo da existência de nulidades como Nickelback e Creed) e depois misturou tudo com o caldo do hip hop.
No topo do pop, a música é cada vez menos personalizada e mais genérica, reduzindo-se a um meio-termo entre o ringtone, o jingle e o grito de torcida. Basta um refrão insistente com uma frase idiota repetida mil vezes sobre uma batida reta e coberta de efeitos especiais e, pronto, eis um hit, um popstar, um fenômeno, uma carreira, uma discografia. “Baby Baby”, de Justin Bieber, é o melhor exemplo do fundo do poço autoral em que se encontra a indústria musical. Então o jeito é apelar pros indies, para não ter que prever um futuro em que os principais hits da semana serão “ÔÔÔÔÔÔ”, o nome de um refrigerante repetido mil vezes e a regravação daquela música que já foi regravada tantas vezes que você nem mais lembra de quem era.
E, no meio da reprise do Grammy, lembrei que perdi o programa ao vivo porque estava na estrada, voltando da praia. Me pareceu um programa mais interessante – a Carvalho Pinto de noite, aquele monte de pedágios, a marginal surgindo no horizonte – e não tive dúvida: mudei de canal pra assistir o Land of the Dead, que também estava passando na TV. Show de horror por show de horror…