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Dois no Porão

A noite desta quarta ainda teve o encontro de duas das principais bandas paulistanas da nova geração, quando os Pelados abriram o show da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo no Porão da Casa de Francisco. O quinteto formado por Manu Julian, Lauiz, Helena Cruz, Vincente Tassara e Theo Ceccato (estes dois últimos também integrantes da Enorme Perda de Tempo) estava lançando a edição em vinil de seu ótimo Contato, segundo (terceiro? Quinto?) disco que lançaram no ano passado, que logicamente foi a base da apresentação, a primeira da banda na casa. O show ainda teve números do excelente disco anterior (Foi Mal, de 2022), como “Vampirinhos do Amor”, “Nunca Sozinha Sempre Mal Acompanhada”, “Medo de Ficar Pelado!!!!!” e “Foda Que Ela Era Linda”, esta no bis) quase todos cantados pelo público que lotou o Porão, mas alguns números do novo álbum também tiveram seus momentos, como “Modrić”, especialmente depois que Vicente dedicou a música ao “segundo melhor jogador de todos os tempos, Lionel Messi” (e tomou uma vaia), fazendo o público berrar o refrão (“Você perdeu! Cara o que você fez? Caiu mais uma vez, você era camisa dez”) – e Vicente deu seu recado ao final, encerrando a música com o riff de “Buddy Holly” do Weezer. Bom ver a banda cada vez mais entrosada, especialmente a evolução do humor infame do grupo (puxado por Lauiz) e a presença de palco de Manu, que se firma cada vez mais como uma das grandes cantoras de sua geração.

Depois dos Pelados foi a vez da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo voltar àquele Porão, fazendo um show que mistura músicas de seus dois primeiros discos (o homônimo álbum de estreia, de 2021, e Música de Esquecimento, lançado dois anos depois) e incendiando de vez o público. Sem mostrar nada do próximo disco, que o grupo mais uma vez sinalizou para 2027 (fora “Eu não bebo mais”, que eles vêm tocando desde o ano passado), o show teve momentos delicados, como quando passaram pelas baladas “Música de Esquecimento”, a ótima “Fora do Meu Quarto”, a linda “Qualquer Canção”, “Se Você”, “Embaraço Total” e “Último Sexo”, que o baterista Theo cantou para sua própria avó, que estava presente no show (aos 86 anos!). E pegou fogo nos momentos mais intensos, como quando tocaram a maravilhosa “Debaixo do Pano”, que não tocavam há tempos (e Sophia ainda me deu um salve antes desta), quando Sophia passou um sermão contra quem abre espaço para fascistas dentro da cena independente antes da ótima “Idas e Vindas do Amor”, na ótima “Pop Cabecinha” e chegaram ao talo quando emendaram as excelentes “Delícia/Luxúria” e “Segredo” como se fossem a mesma música. Showzaço.

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“Eu não tenho previsão…”

Há tempos sem fazer show de seu segundo disco Delta Estácio Blues (o bom e velho DEB para os íntimos), Juçara Marçal voltou ao assunto nesta quarta-feira no Porão da Casa de Francisca, mas não foi só uma mera despedida de álbum, como veríamos no decorrer da noite. Unindo-se mais uma vez com seus comparsas Kiko Dinucci, Marcelo Cabral e Alana Ananias (como sempre todos entre seus instrumentos – respectivamente guitarra, baixo e bateria – e synths posicionados logo a frente de cada um deles, inclusive de Juçara), ela montou o palco de forma circular, todos os músicos olhando entre si e a bateria de Alana de costas para o público e abriu novas frentes para o álbum, não apenas corroendo ainda mais os arranjos originais (Kiko tocando sua guita com arco em várias músicas, por exemplo) como trazendo algumas novidades. A principal delas foi a inclusão de músicas novas – sim, no plural -, consolidando inclusive verbalmente algo que já vinha sendo cogitado há tempos, que seria uma continuação do primeiro disco (naturalmente referido como DEB 2) só que partindo desta formação musical, que foi montada originalmente após a concepção do DEB original, composto e gravado apenas por Juçara e Kiko usando pedaços de música em vez de instrumentistas (a base deste disco é uma imensa colagem sonora, repare). E a primeira inédita que veio a público foi uma pedrada composta em parceria com Sophia Chablau (que estava sorrindo feliz no canto do Porão) chamada “Quando a Guerra Vai Ter Fim”, com riff ecoando “Brianstorm” dos Arctic Monkeys (com uma pitada de Gang of Four), mas que mantém a tensão original do riff embalando o público sem dar trégua, conduzido pelo vocal implacável da dona da noite. Mais tarde ela tocou outra inédita (também parceria com Sophia, embora não tenha mencionado) e deixou todos eletrizados à espera do que já é um dos discos mais esperados do ano – se é que sai em 2026… Afinal ela já canta na música nova: “Não venha me perguntar…”

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Ave Tom Zé!

Mais um encontro com o mestre Tom Zé, desta vez na Casa de Francisca, onde ele já é de casa – a ponto de começar o show com uma música escrita em homenagem ao local. Prestes a começar o início de sua nona década neste planeta, ele segue com a mesma espontaneidade que lhe é característica e combustível para sua criatividade, contando com o guitarrista Daniel Maia e a vocalista Andréia Dias, que estão em sua banda desde antes da pandemia, como guias para ajudá-lo a seguir o repertório. E que repertório! Mesmo que há tempos (felizmente) insista em algumas composições clássicas como “2001”, “Jingle do Disco”, “Jimmy Renda-se” (que voltou à baila graças à trilha do filme Ainda Estou Aqui), “ Nave Maria”, “Tô”, “Hein?”, “A Felicidade”, “Politicar”, “Augusta, Angélica e Consolação” e “Um ‘Oh!’ e um ‘Ah!’”, ele ainda encontra espaço para pinçar experimentos menos conhecidos de seu impressionante cancioneiro, como “A Boca da Cabeça”, “Curiosidade”, “Happy End”, “Não Tenha Ódio No Verão”, “Aviso aos Passageiros” e “Amarração do Amor”. Fingindo sair do palco para acelerar o bis, ele encerrou a noite voltando mais uma vez à canção que fez para a Casa de Francisca e amarrou a noite com o hino “Parque Industrial” a pedidos do público. Viva Tom Zé!

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Delicadeza camerística

Francisca Barreto segue testando novos formatos para o seu repertório e nesta sexta-feira apareceu na Sala B da Casa de Francisca novamente em um duo, agora com seu guitarrista e produtor Victor Kroner, com quem dividiu o palco intimista do Palacete Tereza no Centro de São Paulo em uma noite lotada de um público bem variado que foi reconhecer a artista em ascensão. Sempre acompanhada de seu violoncelo, ela também trouxe o violão tenor para tocar em algumas músicas e mais uma vez tocou com o cello no colo, como se fosse um contrabaixo em “Bico da Proa”, na composição que, ao lado de sua “Luz”, baliza o espetáculo. Ao chamar Kroner para dividir a noite, aproveitou para dar espaço para o guitarrista mostrar duas de suas (curtas) composições instrumentais, que estão se transformando em disco. Chica ainda trouxe uma surpresa, ao convidar sua amiga e parceira Nina Maia para dividir os vocais na “Gosto Meio Doce” de Felipe Távora, que gravaram quando ainda tocavam como uma dupla e estavam começando a rascunhar suas respectivas carreiras solo, em 2023. Além de suas próprias canções, os dois abriram a noite com uma das Bachianas de Villa-Lobos, emendaram duas de Caymmi (“A Jangada Voltou Só” e “O Vento”), uma de Damien Rice (“Eskimo”, estreando no repertório), Yaniel Matos (“Habana”, seu primeiro single) e Joni Mitchell (“Little Green”), estas duas últimas no bis de um show que, se já era delicado mesmo com banda, ganhou uma roupagem camerística especial neste novo formato.

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Dedo na tomada

Ainda corri para a Casa de Francisca a tempo de pegar desde o começo o show de lançamento do segundo disco dos Tangolo Mangos, Pedágios y Caronas, no Porão lotado da casa. Quem já foi a um show dos baianos sabe a descarga de adrenalina e energia positiva que o quinteto despeja no público, mas ontem o nível estava ainda mais alto pois os fãs sabiam cantar todas as músicas do disco novo. Desfalcados de dois integrantes de sua formação (o guitarrista Théo Kiono teve de ficar em Salvador e o baterista João Antonio Dourado acidentou-se recentemente), o grupo contou com os compadres do show que abriu a noite e convocou o baterista Quico Dramma e o guitarrista Caio Colasante – do grupo Kim & Dramma – para assumirem estas funções, o que fizeram de forma brilhante (além de contar com um terceiro integrante do mesmo grupo, o tecladista Eduardo Barquinho, da metade pro fim da noite). À frente do grupo, os vocais enérgicos de Felipe Vaqueiro, João Denovaro e Bruno Fechine – cada um ás em seus instrumentos (o primeiro na guitarra, o segundo no baixo e o terceiro assume a percussão) e sem deixar o carisma contagiante tirar o dedo da tomada. Showzaço!

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Porão em Guerra

Sophia Chablau levou um gostinho de sua temporada Guerra no Centro da Terra para o Porão da Casa de Francisca nesta quarta-feira, quando mais uma vez, ao lado do baixista Marcelo Cabral e do baterista Theo Ceccato, passeou por músicas inéditas, recentes e novas parcerias, além de receber uma convidada mais que especial, quando chamou Ana Frango Elétrico ao palco. Antes disso, recriou a mesma dinâmica que fez nos quatro shows que tocou no Centro da Terra com essa formação: começou ao lado dos dois tocando músicas que nem título têm, chamou Cabral para o vocal para celebrar seu então prestes a ser lançado disco Ramal (cantando a excelente “O Herói Vai Cair”) e passou por músicas que gravou com Felipe Vaqueiro (a versão speed metal de “Quantos Serão no Final?” já tornou-se definitiva). Nessa sequência, ela seguiu pelo disco Handycam, só que dessa vez sozinha com sua guitarra, começando por “Cinema Brasileiro”, passando pela “Água Viva”, que compôs com Kiko Dinucci para o novo disco do guitarrista, e “Cinema Total”. Chamou a banda de volta ao palco e retomou o ritmo com “Venha Comigo”, que foi gravada por Dora Morelenbaum, e “Segredo”, antes de fazer uma longa introdução à convidada da noite. E com a ídolo e amiga Ana Frango Elétrico no palco, foram por “Insista em Mim”, uma primeira composição (outra inédita ainda sem título) que fizeram juntas, “Tem Certeza?”, “Delícia/Luxúria” e “Por Baixo do Pano”, levando o Porão – que estava lotado! – ao delírio final. O bis quase instantâneo veio com a primeira música da noite, a primeira das inéditas, que voltou ao repertório por insistência de Ana. Noitaça!

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João antes do disco

Mais uma apresentação maravilhosa do espetáculo Marina Nemésio e Rodrigo Coelho estão fazendo em homenagem à fase pré-fonográfica de João Gilberto, quando ele começou a mostrar seu novo jeito de cantar e tocar para amigos e conhecidos antes de gravar seus primeiros discos. João 1958, que conta com a minha direção, visita clássicos da bossa nova que ele eternizaria em seus álbuns, mas também o encontra tocando temas sem título e canções da era do rádio que nunca mais voltaria a tocar. E ao apresentarem-se nas melhores condições de temperatura e pressão – a Sala B da Casa de Francisca parece que foi feita para receber esse show -, mostraram toda a sensibilidade do toque e do canto com requinte e detalhe, deixando o público que lotou a pequena sala emudecido e com a respiração presa, graças à entrada solene da noite, que fez todos prestarem atenção na delicada e precisa voz de Marina e no esmero e capricho do toque de Coelho ao violão. Mas à medida em que as canções passavam, a dinâmica sutil e suave entre os dois foi acolhendo a audiência graças à magia do velho baiano – que o pernambucano Coelho fez questão de frisar que ele não era pernambucano por uma ponte, em referência ao fato de João ter nascido na Juazeiro vizinha de Petrolina -, que os dois invocam com graça e carinho. Lindo demais.

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Rodrigo Coelho e Marina Nemésio apresentam João 1958 @ Casa de Francisca (11.3)

Marina Nemésio e Rodrigo Coelho mais uma vez voltam ao momento anterior ao marco zero da bossa nova, quando João Gilberto retorna ao Rio de Janeiro depois que inventou o jeito de tocar e cantar que mudaria a história de nossa música. O espetáculo João 1958, concebido pelos dois comigo na direção, chega à intimista Sala B da Casa de Francisca na próxima quarta-feira dia 11, quando os dois passeiam pelo repertório que o pai da bossa nova mostrou para os conhecidos logo que voltou à capital brasileira à época, momento que foi eternizado num gravador de fita pelo fotógrafo Chico Pereira quando João mostrou aquelas canções em sua casa. Marina e Coelho dividem-se nos dois instrumentos do mestre – a alagoana canta e o pernambucano toca violão – para reverenciar esse conjunto que canções, parte delas consagradas nos primeiros discos de João pela Odeon, parte delas inéditas, tanto temas de autoria do próprio que nem título têm, quanto velhos sucessos da era de ouro do rádio brasileiro. A casa abre a partir das 19h30 e os ingressos já estão à venda.

Quinta quente

Mesmo com a chuva chata que caiu no fim desta quinta-feira, o Porão da Casa de Francisca estava cheio para assistir aos dois shows que reuni em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo ali. A noite começou com Valentim Frateschi mostrando as faixas de Estreito, seu disco de estreia, muito bem acompanhado por uma bandaça formada por Nina Maia nas teclas e vocais, Amanda Camargo na guitarra e teclados, Quico Dramma na bateria e Thiago Pucci no baixo, enquanto o dono do show, tradicionalmente baixista, assumia guitarra e vocais, sempre transformando suas canções em groovezeiras que não deixavam ninguém parado. A novidade da noite foi quando ele chamou Francisca Barreto para acompanhá-lo nos vocais da única versão da noite, quando dividiram a mágica “Grilos” de Erasmo Carlos. Bom demais!

Depois foi a vez de Francisca Barreto se soltar no Porão da Casa de Francisca. Seguindo com a mesma banda que a vem acompanhando – formada por Bianca Godói na bateria, Valentim Frateschi no baixo, Victor Kroner na guitarra, Thales Hash na viola e Melifona no trompete -, ela tocou seu violoncelo em menos canções, deixando soltar-se como cantora num repertório em que a maioria das canções eram de sua autoria, inclusive mostrando músicas novas, como a que fez para sua irmã gêmea. Das canções alheias, ela manteve sua já clássica versão para “Teardrop” do Massive Attack, “Habana” de Yaniel Matos (seu primeiro single solo) e “Gosto Meio Doce” de Felipe Távora, que dividiu com sua amiga Nina Maia, que subiu como convidada surpresa da noite. Foi demais!

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Valentim Frateschi e Francisca Barreto @ Porão da Casa de Francisca (26.2)

Maior satisfação receber dois queridos em início de carreira em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Porão da Casa de Francisca. Valentim Frateschi e Francisca Barreto dividem a noite desta quinta-feira, 26 de fevereiro, quando Tim abre a noite mostrando seu recém-lançado álbum Estreito, enquanto Chica faz seu show mais autoral à medida em que começa a pensar em seu primeiro álbum. A casa abre às 20h e quem chegar antes das 20h30 não paga pra entrar. Se não conseguir chegar antes, melhor garantir os ingressos antecipados por aqui.

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