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Bananada 2015: J.Mascis, King Tuff e… Caetano Veloso?!

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O festival goiano Bananada, que acontece entre os dias 11 e 17 de maio deste ano, já começou a anunciar algumas atrações pra esse ano em sua página no Facebook – e, por mais que os nomes de J. Mascis (o homem-Dinosaur Jr.) e King Tuff não sejam estranhos à cena rock da cidade e possam fazer shows históricos, é o momento de celebrar a escalação de Caetano Veloso pra abrir a primeira noite do festival. Tanto do ponto de vista do evento, que aproveita esse longo “momento indie” do velho monstro sagrado pra mostrá-lo ao seu público, como do próprio Caetano, que aceita encontrar-se mais de perto com um público ainda mais jovem do que aquele que acompanha sua fase mais recente. São barreiras que precisam cair e passos como esses devem ser aplaudidos.

Vida Fodona #436: No máximo um programa por dia

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Olhaê de novo…

Dumbo Gets Mad – “Mad Soft”
Javelin + Kompleksi + Polytron – “Moscow 1980”
Shout Out Out Out Out – “Dude You Feel Electrical”
Haim – “The Wire”
Steve Miller Band – “Abracadabra”
Jackson Browne – “Somebody’s Baby”
A Cor do Som – “Razão”
Leo Cavalcanti – “Inversão do Mal”
Marcelo Jeneci – “Nada a Ver”
Metronomy – “Month of Sundays”
Unknown Mortal Orchestra – “Opposite of Afternoon”
Donovan – “Sunshine Superman”
Caetano Veloso + Mutantes – “Saudosismo”
Procol Harum – “A Whiter Shade Of Pale”
My Magical Glowing Lens – “Dreaming Pool”

Vamo aê!

Como foi o show do Caetano Veloso no Primavera em Barcelona

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Caetano Veloso fez bonito no show que fez neste sábado, no festival Primavera, em Barcelona. E além de desfilar músicas de seu disco mais recente, Abraçaço, também tirou pérolas do baú, revisitando clássicos pessoais como “Baby” e “Triste Bahia”.


Caetano Veloso – “Baby”


Caetano Veloso – “Triste Bahia”

Veja mais abaixo:

 

Invasão brasileira no Primavera Sound 2014

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Vocês viram, né?

Foi bonito: Boogarins, Single Parents, Rodrigo Amarante, Black Drawing Chalks, Móveis Coloniais de Acaju e Caetano Veloso frequentarão os palcos do melhor festival que eu já fui, que acontece no final de maio, em Barcelona. Bonito um front generoso que não peca por favorecer um recorte específico da música brasileira (forçando, daria pra falar em indie-MPB, mas isso nem é um gênero como descarta os Móveis, os Single Parents e os Chalks).

E numa edição com uma escalação memorável – que pode não pecar por ter grandes headliners, mas isso um “problema” mais da indústria e das transformações do mercado que do festival em si (são poucos eventos que conseguem emplacar nomes com grande peso na segunda década do século 21).

Mas tire Arcade Fire, Queens of the Stone Age, Pixies, Nine Inch Nails (oi Lollapalooza Brasil), National, e o Kendrick Lamar da equação e imagine apenas shows de bandas como (ainda seguindo a ordem do cartaz) Neutral Milk Hotel, Disclosure, St. Vincent, Metronomy, Chvchers, Slowdive (!!! – aliás, o !!! também, perdoem-me a infâmia), Darkside, Dr. John, Haim, John Grant, Slint (!!! de novo), Mogwai, Television e Godspeed You! Black Emperor… Bandas se viessem para cá em palcos de médio porte por preços mais decentes (mais de cem dinheiros num show é algo bem pesado pro bolso, ponham na ponta do lápis), não nos obrigariam a cogitar viajar para ir a um festival na Europa ou nos Estados Unidos. E é aí que a música ganha um contrapeso considerável, ao notarmos, além dos shows, a forma como o público destes países é tratado em eventos do tipo. Talvez por isso seja bom vermos como as coisas funcionam em países que já tiveram a era do desbunde consumista que estamos vivendo para entender no que realmente vale pagar. Vai lá, assiste um monte de shows de bandas que quando vierem pra cá vão chegar custando uma bica – e, como você já viu o show, não precisa pagar pra ir.

Eu ainda não sei se vou, mas se você realmente cogitou, faça as contas e boa viagem.

E ficam duas questões no ar: o Caetano vai tocar o Transa na íntegra (como será que surgiu esse boato?)? E será que o Primavera tá querendo vir pro Brasil?

Abaixo, as bandas brasileiras que irão para essa edição do festival:

 

On the run #133: Caetano B-Sides & Garage Songs

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O mineiro Pedro Paiva, do coletivo Vinil é Arte, selecionou pérolas obscuras de um Caetano Veloso pós-tropicalista, entre o experimentalismo vanguarda e a influência do rock psicodélico, numa mixtape em que quase todas as faixas foram produzidas por Rogério Duprat e que conta com a participações de nomes como Gal, Mutantes, Wilson das Neves, os Brazões e Lanny Gordin. Delírio.

Rafucko segundo Caetano Veloso: “O Daniel Cohn-Bendit de 2013”

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Mundos se chocam quando Caetano Veloso resolveu comentar os protestos contra o governador Sérgio Cabral no Rio de Janeiro em sua coluna n’O Globo deste domingo. No meio de um comentário sobre a estética dos Mídia Ninja (Caetano, né?), ele joga os olhos pra cima do Rafucko:

Na verdade, Arto me enviou três links: dois da Mídia Ninja (suponho: o segundo se chamava ninja2) e um do Black Bloc. Este no Twitter. Havia uma série de posts criticando a polícia, ridicularizando o governador, atacando a imprensa — sobretudo a TV Globo — e estimulando os eventuais leitores a protestar na chegada do Papa. As imagens da ninja1 eram puro expressionismo abstrato, com fragmentos sucessivos de objetos inidentificáveis captados em meio a algum movimento — embora o som fosse claro e inteligível. A pessoa que segurava a câmera comentava o que via. A truculência da polícia, sua covardia, era sublinhada. Fui para a ninja2. A imagem era mil vezes melhor. O câmera-narrador também frisava que a polícia atacara sem muita razão para isso. Era bastante bonito porque o jeito desse narrador era o de um partícipe, não o de um repórter externo ao ato ou isento. Sentia-se o gosto da aventura. Tudo muito juvenil. Ao lado das imagens corriam posts curtos com perguntas, encorajamentos e observações. “Bombinha de São João. Nada comparado às bombas deles”. Uma moça se aproxima e diz, emocionada: “prenderam o Rafuco”. Ao que o câmera e seus próximos reagem com preocupação. Logo vejo nos posts que o nome se escreve Rafucko: todas as pessoas que postam o conhecem. Uma se oferece para consolá-lo. Imagino que seja o Cohn-Bendit de 2013. Todos decidem ir para a 14ª DP, para onde Rafucko tinha sido levado. Na porta, em meio à confusão, um pai que veio buscar o filho que fora preso diz que há manipulação política e que Garotinho está por trás da incitação à baderna. Ligo a TV e vejo o contraponto na GloboNews. No Panamá, armamento pesado (e antiquado) foi encontrado em navio norte-coreano vindo de Cuba. Depois acho o Rafucko na web. Muito engraçado e muito legal. No link do Black Bloc vejo um vídeo do cara “viciado em manifestação”. Uma amiga (ou irmã) tenta libertá-lo da compulsão com gás lacrimogêneo numa bombinha para mantê-lo em casa. Ele repete slogans.

E assim, numa canetada, um humorista de internet torna-se o equivalente à face pública dos acontecimentos de maio de 1968 em Paris – mesmo que seja só ironia, é forçar a barra. Afinal, tudo que Rafucko fez foi ser preso durante um protesto – e usar sua pequena fama online para denunciar isso:

Cuidado Rafucko, senão já já você vira tema de canção…