
Bonnie Tyler já não estava bem há alguns meses, depois que teve de ser submetida a um coma induzido por conta de uma complicação em uma cirurgia de emergência no intestino, e por mais que tenha saído do coma e recuperado a consciência nos últimos meses, não resistiu e faleceu nesta quarta-feira, como sua própria família noticiou. Um dos grandes nomes daquela fase em que a música pop misturou-se com o rock clássico entre o final dos anos 70 e o começo dos anos 80, a galesa Bonnie nasceu Gaynor Hopkins, mas teve que mudar de nome quando lançou-se cantora em 1969 para não ser confundida com a já estabelecida Mary Hopkin. Mas seu primeiro nome artístico não foi o que a consagrou e sim Sherene Davis, com o qual se apresentou até 1975. Mas ao ser descoberta pela gravadora RCA naquele ano, acatou a sugestão de trocar mais uma vez de nome e optou por um dos inúmeros nomes que a sugeriram. Seu segundo single, “Lost in France”, lançado em setembro de 1976, conseguiu um certo sucesso inclusive para além do Reino Unido, atingindo a Europa continental – e especialmente a França – que seria importante no futuro de sua carreira. O terceiro single “Heaven” foi ofuscado pela morte de Elvis Presley, em agosto de 1977, mas a partir da próxima música, seu primeiro grande hit, “It’s a Heartache”, lançada em novembro daquele ano, subiu um degrau e tornou-se um nome reconhecido no novo cenário do pop rock inglês. A principal mudança do novo single acabou tornando-se sua assinatura musical, quando, após retirar um nódulo nas cordas vocais, teve que passar um longo período com a voz em repouso, que culminou num grito incontido num dia mais tenso, que acabou por danificar seu timbre original, tornando-o rachado como o de outros vocalistas daquele período como Rod Stewart e Kim Carnes. Mas a grande virada de sua carreira acontece quando sai da RCA para a gravadora CBS e chama o produtor Jim Steinman (que havia produzido o best seller Bat Out of Hell, do Meat Loaf) para conduzir seu próximo disco. Ele recusou inicialmente, mas voltou atrás quando percebeu que a voz de Bonnie Tyler poderia ser a melhor forma de mostrar a música que havia composto para o disco anterior de Meat Loaf e que foi recusada. Com “Total Eclipse of the Heart”, a cantora pode exercer toda sua influência roqueira com uma carga dramática ainda mais intensa que a de suas canções anteriores, consagrando a nova canção como um dos maiores sucessos dos anos 80, uma balada imortal. A locomotiva de sucessos tornou-se constante: o single vendeu 13 milhões de cópias no mundo todo, tornando o álbum Faster Than the Speed of Light uma das maiores tiragens de 1983, faturando dezenas de prêmios. No ano seguinte emendou “Holding Out for a Hero” na trilha sonora do filme Footloose como um dos grandes sucessos do ano, seguido, em 1985, por uma colaboração com o produtor Giorgio Moroder na trilha sonora da versão restaurada do clássico filme alemão Metrópolis, na música “Here She Comes”, que lhe garantiu mais um Grammy. Ela recusou cantar a música tema de um filme do agente 007. Após os anos 80, seu alcance comercial caiu e a partir da década seguinte e no começo do século 21 seguiu fazendo sucesso e shows pela Europa, mais especificamente na França, onde inclusive regravou “Total Eclipse of the Heart” em francês (“Si Demain…”, em 2003). Ela seguia em atividade e ano passado inclusive lançou um single produzido por David Guetta (“Together”), além de ter encerrado sua discografia precocemente ao lançar outro single, “Only Love”, agora mesmo em março, que lançou ao vivo em um show Shepherd’s Bush Empire, em Londres. Morreu com 75 anos – e, não fosse essa trágica emergência recente, viveria muito mais.