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TRABALHO SUJO + CASA DO MANCHA

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Nosso experimento pop dá um passo além. Depois de anos de dedicação à música reproduzida, a versão Trackers das Noites Trabalho Sujo começa a apostar em apresentações ao vivo – e, para isso, chamamos um dos especialistas nestes eventos performáticos com música na cidade de São Paulo, o senhor Mancha, responsável pelo estabelecimento iniciático Casa do Mancha, que também é conhecida singelamente – e hermeticamente – como “A Casinha”. Nesta primeira experiência, o senhor Mancha conseguiu convocar dois grupos de pesquisas musicais sérios e reconhecidos por seus trabalhos sônicos. O primeiro deles, liderado pelo doutor Pedro, atende pelo sobrenome do líder, e chama-se apenas Bonifrate, dedicado à pesquisas psicodélicas em baixas vibrações e alto astral – sua apresentação será no início da madrugada. Horas adentro será a vez de chamarmos os Soundscapes, que exercitam freqüências elétricas a partir do dinamismo da troca de acordes. Além dos dois conjuntos, Mancha e seu time – composto por Tom e Lu – também tocarão músicas pré-gravadas para ajudar a festa a entrar em alfa. Do outro lado, os pesquisadores Danilo Cabral, Luiz Pattoli e Alexandre Matias (a doutora Bárbara Scarambone não pode comparecer a esta sessão) elevam consciências a partir de memórias e ritmo, sempre induzindo ao delírio a partir do bom gosto. Estas experimentações acontecerão a partir das 23h45 do próximo sábado, dia 14 de setembro, na sede da Associação Brasileira de Empresários de Diversões também conhecida como Trackers (R. Dom José de Barros, 337), no centro da cidade de São Paulo, maior cidade da América Latina. Os voluntários a participar deste experimento devem enviar seus nomes para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h do dia do evento. Sem o anúncio via email anteriormente não é possível entrar no recinto.

Repetindo:
TRABALHO SUJO + CASA DO MANCHA
Shows: Bonifrate (1h) e Soundscapes (3h)
DJs: Alexandre Matias, Luiz Pattoli e Danilo Cabral (Trabalho Sujo); Mancha, Tom e Lu (Casa do Mancha)
Sábado, 14 de setembro de 2013
R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
A partir das 23h45.
Entrada: R$ 25 (até a 1h) e R$ 35 (em diante) apenas com nome na lista através do email noitestrabalhosujo@gmail.com

Vida Fodona #335: Quase no meio

Recomeçando devagar…

Stephen Malkmus & the Jicks – “Tigers”
Queen – “Don’t Stop Me Now”
Killer on the Dancefloor + Thiago Pethit – “Come Debbie”
Major Lazer + Amber Coffman – “Get Free”
Ariel Pink’s Haunted Grafitti – “Only In My Dreams”
Tulipa Ruiz – “É”
Tame Impala – “Apocalypse Dreams”
Dirty Projectors – “Dance for You”
Blur – “Under the Westway”
Chromatics – “Lady”
Céu – “Chegar em Mim”
Bonifrate – “Cantiga da Fumaça”
Xx – “VCR (André Paste Baile Funk Remix)”
André Paste – “Novinha I’m Yours”
Mulatu Astatké + Criolo – “Nètsanèt”
Arctic Monkeys – “Katy on a Mission”
Secos & Molhados – “Sangue Latino”
Cults – “Go Outside”

Colaê.

O meu Planeta Terra 2012

Um exercício de especulação

A essa altura do ano passado, o festival Planeta Terra não só já havia anunciado parte de seu elenco, como os ingressos haviam sido esgotados. Até agora, o máximo de especulação que eu ouvi falar foi que talvez o Hot Chip viria. Por isso, acho que está na hora de começar a cogitar o que pode vir por aí no maior festival de indie rock do Brasil.

Porque o Terra está numa encruzilhada. Depois do sucesso dos Strokes no ano passado (que fizeram os ingressos do festival esgotar em menos de um dia), há uma expectativa de que isso possa se repetir este ano. Não que o fenômeno dos Strokes seja único; há artistas que poderiam repetir o bom desempenho de bilheteria sem que o festival necessariamente caia no mainstream, mesmo porque o mainstream de hoje em dia tem um pezinho no indie. Nomes como Arcade Fire, Killers, Wilco, Arctic Monkeys ou Adele (no limite) poderiam fazer os ingressos se esgotarem bem mais rápido que nas edições anteriores à dos Strokes (que tiveram descontos de lotes e ficaram meses à venda).

O problema é que não é simples assim. A curadoria de um evento deste porte esbarra em obstáculos como agenda, cachê e disponibilidade dos artistas, além de compatibilidade com o gosto dos patrocinadores. E aí pode ser que o festival derrape: ao tentar garantir um nome de peso próximo ao dos Strokes, pode optar por deixar de ser um evento indie e ir para o escalão acima, onde o SWU e o Rock in Rio se engalfinham em torno de bandas que tocam no rádio e artistas cuja carreira terminou há mais de vinte anos, embora não tenham percebido ou consigam sobreviver com clássicos. Ou seja: um festival puramente comercial. O que seria uma pena, afinal o grande trunfo do Terra é justamente manter-se indie, trazendo artistas que nem tem disco lançado no Brasil na hora em que eles estão começando a acontecer no exterior.

E como sonhar não custa nada, faço aqui a lista do que seria um Planeta Terra perfeito para mim. Claro que apenas metade de um dos palcos que cogitei já deixaria o festival emocionante, mas resolvi partir pra utopia mesmo, misturando meu gosto musical com a vontade de ver (ou rever) determinados artistas ao vivo.

Assim, o palco indie começaria como…


…Bonifrate…


…depois teríamos o Silva…


…o Teen Daze faria aquele showzinho pré-por do sol…


…o Chromatics tocaria durante o por do sol…


…o Suede entraria pelas 20h…


…seguido do Pulp…


…e terminando com o Xx, antes da meia-noite.

Enquanto o palco principal ficaria com…


…Rosie & Me…


…Cícero…


…o Metronomy ao cair da tarde…


…o Girls no por do sol…


…Hot Chip à noitinha…


…seguido do Spiritualized…


…passando pelo Wilco…


..e culminando com Cure.

Tá bom, não? E você, o que sugere?

Bonifrate no Prata da Casa

Foi lindaço o show do Bonifrate no Prata da Casa na terça passada. Filmei quase todo o show, veja aí embaixo:

 

Hoje no Prata da Casa: Bonifrate

Começamos a programação de abril com o trabalho solo do Supercorda, autor do meu disco brasileiro favorito do ano passado, Um Futuro Inteiro, tocando-o no Sesc Pompéia com o auxílio luxuoso de sua banda oficial. O show começa às 21h, é de graça, e os ingressos começam a ser distribuídos às 20h. Abaixo, o texto de apresentação que escrevi para o show dele:

A psicodelia brasileira tem um ar meio matuto, meio caipira, como se os grandes nomes da nossa música lisérgica olhassem a urbanidade com desconfiança ou picardia. Mesmo seu maior nome – os Mutantes – brincava com isso em músicas como “2001” e “Tiroleite”. Os cariocas do Supercordas assumem essa conexão em sua plenitude – mas um de seus integrantes, Pedro Bonifrate, vai além: não apenas linka o estado de espírito da expansão de consciência a uma arcádia roceira, utopia rural brasileira, como a localiza no Clube da Esquina do início dos anos 70, quando a turma de Milton e Lô ainda tomava doses cavalares de Abbey Road. Sua carreira solo vem sendo maturada há anos, em EPs gravados em CD-R e faixas em MP3, mas só em 2011 lançou seu primeiro álbum, o belíssimo Um Futuro Inteiro, cuja melancolia parece concluir que o lado sombrio da psicodelia passa pela tristeza do jeca.

Vida Fodona #316: Quente e psicodélico

Finalmente o verão começa a ter cara de verão…

Air – “Astronomic Club”
Céu – “Retrovisor”
Pink Floyd – “Brain Damage” / “Eclipse”
Letuce – “Fio Solto”
Mutantes – “Jogo de Calçado”
Lulu Santos – “Sereia”
Silva – “Imergir”
Bonifrate – “Cidade nas Nuvens”
Olivia Tremor Control – “The Opera House”
Of Montreal – “Buried With Me”
Elastica – “S.O.F.T.”
Radiohead – “The Daily Mail”
Roberto Carlos – “As Canções Que Você Fez Pra Mim”
Washed Out – “Eyes Be Closed”
Wilco – “Art of Almost”
Lana Del Rey – “Blue Jeans (Penguin Prison Remix)”

Vamo lá

Bonifrate e a física quântica, por Rafa Spoladore

O Rafa abriu seu leque de conhecimento de física para jogar luz (ops) sobre o último disco do Bonifrate, analisando as referências à ciência nas letras de Um Futuro Inteiro. Ele começa assim:

Um dos exemplos clássicos da relatividade é o experimento “mental” do trem em movimento, que coloca um observador fixo fora do trem, olhando o movimento do trem que passa, e outro observador dentro do vagão do trem, que está “parado em relação ao interior do vagão” (quem quiser saber mais, procurar por relativity train experiment – é a versão moderna de um experimento proposto por Galileu em 1632);

Algumas vertentes desse experimento, para incluir a noção de variação de tempo conforme o deslocamento, colocam as vezes um relógio para cada observador, pra mostrar que o tempo passa mais devagar para as coisas em movimento (exemplo);

“Compreendida” a relatividade, podemos pensar no seu “nêmesis teórico” (“fogo amigo recíproco” talvez seja mais adequado): a mecânica quântica. Basicamente, a relatividade se presta a abordar o macro e a quântica, o micro;
A incompatibilidade entre esses dois mundos é, grosseiramente, que a relatividade é determinística, enquanto a quântica é probabilística. Na relatividade, você observa uma sequência de eventos que, somados, causam algo (é previsível). No universo quântico, você observa a probabilidade de determinado evento acontecer, mas não tem como determinar – e muito menos somar – os próximos (é imprevisível). Nosso conhecimento atual sobre relatividade e mecânica quântica fazem com que sejam excludentes (é uma das dificuldades apresentada por um buraco negro, por exemplo, que “une” esses dois universos , o “gigantesco” e o “minúsculo ao extremo”);

Um embate bonito entre esses dois mundos foi com os muy amigos Einstein e Bohr. O pai da relatividade, criticando a descrição probabilística da mecânica quântica, disse que “Deus não joga dados.” e ouviu a réplica “Pare de dizer a Deus o que fazer!” (fonte).

E depois ele relaciona essa lógica com o disco do Boni, lá no blog novo dele.