Trabalho Sujo - Home

Patrimônio paulistano

Maurício Pereira fechou o fim de semana lançando seu nono álbum como artista solo com toda a devida mesura que requer tal programa essencialmente paulistano, quando lotou o teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros acompanhados de velhos e novos compadres. Com uma banda formada pelos produtores do disco Biel Basile (na bateria) e o filho Chico Bernardes (nos violões), o velho comparsa Tonho Penhasco (na guitarra), o sagaz Fábio Sá (nos baixos) e a novata Julia Toledo (piano e teclados), ele afinou a ordem das músicas em relação à de seu O Dia da Girafa (dando uma dinâmica mais direto ao ponto, diferente da registrada, que demora para bater no álbum), misturando–a com outras canções de seu repertório – e fez isso sem cerimônia, ao incluir “Balangandans” do primeiro álbum Na Tradição e puxar logo em seguida os hits “Pra Marte” (esta acompanhada apenas de Chico ao violão) e ‘Um Dia Útil” (esta só com a guitarra de Tonho). Trouxe sua ode “Trovoa” um pouco antes de chamar toda a Espetacular Charanga do França para o palco e dividir a marchinha “O Leme é Um Lugar Genial”, do novo álbum, e o próprio França agradeceu Maurício por ter chamado sua banda após ter tocado a música que sua outra banda (o Metá Metá) regravou em seu primeiro disco (além de lembrar, às gargalhadas, da dificuldade que era lotar a primeira encarnação da Casa de Francisca, com pouco mais de 40 lugares). A Charanga seguiu no palco para uma versão para “Purquá Mercê” d’Os Mulheres Negras e depois Maurício misturou “Florida” e “Pan y Leche” numa mesma canção, antes de entrar numa longa e inspirada ficha técnica cantada, esticando o espetáculo para quase duas horas. Encerrou o show com a faixa que abre o novo disco (“Uma Vida Standard”), mas voltou mais uma vez com a Charanga para outra música de seu primeiro disco, “Tudo Por Ti”. E assim reforça cada vez mais seu status de patrimônio paulistano, não importa qual disco lance.

#mauriciopereira #sescpinheiros #trabalhosujo2026shows 221

Beleza surpreendente

Teatro do Sesc Pompeia cheio para assistir à estreia ao vivo de Ramal, terceiro disco do baixista Marcelo Cabral, que assumiu a guitarra para este novo trabalho e fez seu lado compositor pesar mais para o rock do que nos discos anteriores. Gravado ao lado do baterista Biel Basile, o disco contou com pinçadas participações especiais que, na apresentação desta quinta, encorparam o trabalho para além do que a dupla fez no estúdio, primeiro ao incorporar Sophia Chablau como terceiro elemento de um novo trio – tocando guitarra e cantando, ela que já havia arregimentado Biel e Cabral para o maravilhoso Handycam que ela gravou com Felipe Vaqueiro e em seguida chamou o baixista para acompanhá-la nos shows solo que vem fazendo este ano. Depois ao convidar Fernando Catatau, que participa de apenas uma faixa de seu novo álbum (a belíssima “Tarde Azul”), aproveitou a presença do guitarrista para dividir outras duas músicas, entre elas “A Radiação da Terra” do Cidadão Instigado, logo depois de rasgar um merecido elogio à presença do cearense na música paulistana. Assim, como o próprio Ramal, seu show também engana: começa barulhento e abrupto e dá a sensação de estarmos entrando numa versão siamesa do Cortes Curtos de seu chapa Kiko Dinucci, mas, como o próprio Cortes faz em dados momentos, revela uma leveza improvável e uma beleza surpreendente (mesmo nos momentos mais rock) – e nesse sentido, cercar-se de Sophia, Biel e Catatau só reforça suas intenções. Showzaço.

#marcelocabral #sescpompeia #trabalhosujo2026shows 117

O Ramal do Cabral

Eis a capa de Ramal, arte feita por Ana Prata (com design de Maria Cau Levy), que apresenta o terceiro álbum solo de Marcelo Cabral, que será lançado nesta nesta quinta-feira e que ele antecipa em primeira mão para o #trabalhosujo. Barulhento e direto, o disco é o antônimo de seu primeiro disco – o delicado Motor, de 2018 – e, como na primeira faixa que ele lançou no início do ano (a urgente “O Herói Vai Cair”), ele segue empunhando a guitarra (deixando o baixo de lado) acompanhado apenas de Biel Basile na bateria – como um disco de rock. “E não só no som e na estética, mas pela atitude geral que tive compondo cada música, jogando elas pra fora na guitarra, caçando as levadas e intenções mais do que achar cada acorde, tem vários que eu nem sei o que são, só uma parede de notas empilhadas sem regras, fui atrás do impacto que eu queria”, me explica. “Tem uma coisa forte de ser todo só guitarra e bateria gravado todo ao vivo e na fita – com poucos takes, no máximo três de cada – indo direto ao ponto e sem muitas partes em cada música, queria um disco e já um show direto e reto.” O disco conta com composições dele ao lado de Negro Leo, Kiko Dinucci, Clima, Rômulo Froes, Alice Coutinho, Rodrigo Campos, Douglas Germano (coautor da impressionante faixa-título, uma das melhores do disco), Sophia Chablau e Fernando Catatau – estes dois últimos chegaram a gravar, respectivamente, voz e guitarra em diferentes músicas. O disco tá uma pedrada e reforça a sensação que 2026 tá vindo pesadíssimo…

Bravo, João Barisbe!

João Barisbe terminou em grande estilo sua temporada Turismo Inventado no Centro da Terra, quando trouxe músicos que participaram de outras apresentações reunidos em uma mesma pequena orquestra para visitar as canções que apresentou nestas quatro segundas-feiras. O clima desta última noite, que teve lotação esgotada, foi ainda mais suntuosa que os outros concertos e além de reunir Thais Ribeiro, Guizado, Helena Cruz, Filipe Nader, Biel Basile, Beto Angerosa, Gabriel Milliet, Pedro Abujamra e Loreta Colucci, encerrou a leva de shows com sua épica “Cometa Javali’, que funcionou como música-tema da temporada, com a última vocalista elevando ainda mais o volume e o nível de tudo, para deleite do público. Obrigado João, foi maravilhoso!

#joaobarisbenocentrodaterra #joaobarisbe #centrodaterra #centrodaterra2025 #trabalhosujo2025shows 204

Sophia Chablau ♥ Felipe Vaqueiro

Essa duplinha acaba de anunciar que no primeiro dia do mês que vem formalizam sua parceria para além de singles e shows, quando lançam o álbum em dupla Handycam. Os santos de Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro, líderes de duas das principais bandas da nova geração, já tinham batido faz tempo, mas ao transformar a parceria em disco, reuniram uma cozinha inacreditavelmente foda (Bielzinho na batera e Cabral no baixo, além de contar com a participação do pai da Sô, Fabio Tagliaferri) e registraram esse encontro no estúdio Canoa, aos auspícios do grande Gui Jesus Toledo, que mixou o disco e lança pelo seu próprio selo, o Risco, que está tendo um 2025 muito foda, ao lançar alguns dos melhores discos do ano: Arnaldo Antunes, Jadsa e Pelados. E parece que vem mais coisa boa por aí – a própria Sophia que avisou! Veja a capa do disco abaixo:  

Imaginação e possibilidade

Soberba a primeira noite da obra em processo que João Barisbe está fazendo às segundas de setembro no Centro da Terra. Seu Turismo Inventado – título da temporada – é uma desculpa para que ele possa conduzir o público a essa mescla de música popular, erudita, jazz e pop, desconstruída em quatro apresentações que mostrarão um mesmo repertório dividido em diferentes naipes, de um mesmo conjunto musical. Na primeira noite, ele dedicou-se ao seu próprio território, o do sopro (pois João é saxofonista), reunindo Fernando Sagawa, Thais Ribeiro, Guizado, Filipe Nader e Gabriel Milliet entre metais e palhetas, todos ancorados pela cozinha precisa e jazzística que foi o encontro perfeito de Helena Cruz com Biel Basile, enquanto o próprio Barisbe ficava na regência de sua pequena orquestra. Como atração vocal da noite, ele convidou Loreta Colucci, que cantou uma canção própria, “Algo Grande Me Vê”, e outra do próprio maestro, “Cometa Javali”, cujo verso-chave, “imaginação e possibilidade”, parecia resumir o ímpeto da noite, que ainda teve um cântico do século 12 na abertura e uma versão de derreter para “Starman”, de David Bowie. Um primeiro capítulo deslumbrante para uma temporada que merece ser vista na íntegra.

#joaobarisbenocentrodaterra #joaobarisbe #centrodaterra #centrodaterra2025 #trabalhosujo2025shows 179

Nova camada de sensibilidade

Ao revelar parte de seu próximo álbum num Ensaio Aberto conceitual que organizou nessa terça-feira no Centro da Terra, Sessa compartilhou outros segredos com o público que encheu o teatro na noite gelada. Dois destes foram contados logo ao início da apresentação quando, depois de tocar duas inéditas ao lado de Marcelo Cabral, Biel Basile e Ina, ele convidou para o palco a multiinstrumentista Lê Veras, que assumiu o piano da noite, abrindo uma nova camada na sonoridade em seu trabalho, que, outra revelação da noite, se chamará Pequena Vertigem de Amor. Ao lado dos quatro, mostrou algumas das novas músicas e como o casamento de seu violão com a bateria de Biel e o baixo elétrico de Cabral, com as teclas de Lê e da sempre belíssima voz de Ina deu uma nova sutileza, tornando ainda mais leve sua musicalidade. A segunda parte do show contou com músicas de seus dois primeiros discos, dentro dessa nova faixa de sensibilidade (fora o piano, que não esteve nessa metade), e Sessa encerrou a noite com a mais bela versão para sua “Gata Mágica”, com Cabral tocando seu instrumento com um arco de cello.

#sessanocentrodaterra #sessa #centrodaterra #centrodaterra2025 #trabalhosujo2025shows 160

Depois da saudade

Casa lotada para assistir à primeira apresentação do trabalho solo de Gabriel Milliet, que estreou em público canções que vem reunindo há mais de cinco anos, quando mudou-se para a Holanda. De volta ao Brasil, reuniu-se com a pianista Stephanie Borgani e o baterista Biel Basile para uma noite delicada e sensível, divindo por vezes as canções com seus convidados – por vezes era acompanhado apenas do piano e da linda voz de Stephani e por outras apenas pela percussão sutil de Biel. Na maior parte da apresentação, contudo, ele estava sozinho no palco, cantando músicas que falam sobre a saudade de estar longe dos amigos, de sua zona de conforto e do Brasil, revezando-se entre o violão, a guitarra, o teclado e a flauta, usando o sintetizador como uma forma de acompanhar-se a si mesmo e fazer as transições entre as canções. Um show redondinho, pronto para ganhar corações pelo Brasil.

Assista aqui.  

Gabriel Milliet: Longe de Casa

Quando, há um ano, Gabriel Milliet voltou para o Brasil depois de uma temporada de no velho continente, ele começou a reunir as canções que havia feito até esse período – compostas tanto deste quanto do outro lado do oceano – em um formato mínimo, tocando sozinho acompanhado de instrumentos como violão, guitarra, o sintetizador Prophet 08 e flauta. Essas canções aos poucos estão se tornando a base de seu trabalho solo, que ele começa a colocá-las em prática nesta terça-feira, no Centro da Terra, no espetáculo Longe de Casa, para o qual convidou dois amigos, a musicista Stephanie Borgani, com quem divide o palco pela primeira vez, e o baterista Biel Basile, que o convidou para participar de sua temporada no ano passado. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos – que já estão quase acabando – podem ser comprados neste link.

Biel Basile: Temporada de Praia

Quem assume a temporada de agosto no Centro da Terra é o querido Biel Basile, baterista d’O Terno e da banda Grand Bazaar, que também já tocou com nomes como Jards Macalé, Tulipa Ruiz, Lulu Santos, Di Melo, entre outros. Originalmente programada para abril de 2020, a temporada inevitavelmente passou por transformações pandêmicas, que incluem o fato de ter sido concebida na praia, para onde Biel mudou-se naquele ano infame. Temporada de Praia reflete exatamente suas impressões musicais neste novo cenário, em que reuniu-se com outros músicos como o beatmaker Batataboy e o violonista e flautista Gabriel Milliet, que serão convidados nas segundas-feiras seguintes. Nesta primeira apresentação, dia 8, ele prefere centrar-se em seu instrumento, fazendo uma estreia solo que dará o rumo das próximas segundas. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.