Transe poético-interestelar

Paulo Beto conduziu o público para anos-luz sem sair do palco do Centro da Terra. De costas para a plateia, regendo sua pequena orquestra acústica ao mesmo tempo em que pilotava seus sintetizadores e sequenciadores, ele partiu dos textos poéticos que o cientista Carl Sagan fez sobre o espaço sideral e o lugar de nosso planeta para a sua série de TV dos anos 70 chamada Cosmos e a partir de imagens concebidas pelo videoartista Jodele Larcher, que nos atiravam às galáxias, conduziu uma viagem sensorial ao lado de sua Anvil FX Orchestra, quando contou com suas camaradas Bibiana Graeff (entre p piano, o acordeão e as teclas do glockenspiels), Livia Cianciulli (com seus saxes e flautas) e Eloíse Elipse (pilotando um theremin) para sintetizar o som do espaço enquanto Rodrigo Carneiro e Tatiana Meyer liam o texto de Sagan, misturando tudo num amálgama de poesia, cacofonia, transe sonoro e visual que hipnotizou todos os presentes. Estes ainda puderam participar do grand finale, ao disparar sons de seus telefones celulares a partir de QR-Codes coloridos que foram espalhados no público antes da apresentação – a cada tonalidade estourada na tela, um link abria uma série de sons que conversavam com a música que estava sendo feita no palco. Uma noite inacreditável.

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Anvil FX Orchestra: Cosmos

O maestro eletrônico Paulo Beto resolveu fazer uma viagem interestelar à moda antiga e transformou sua banda Anvil FX em uma orquestra para uma apresentação única, nesta terça-feira, no Centro da Terra. Rebatizado de Anvil FX Orchestra, seu grupo revisita a clássica obra Cosmos, do astrônomo Carl Sagan, em uma homenagem multimídia em que textos do livro e seriado que marcaram os anos 70 lidos com uma trilha pensada para a viagem audiovisual programada para esta noite. Sua orquestra é composta por ele mesmo, que pilota sintetizadores, sequenciadores e controla loops; Bibiana Graeff, que canta, toca piano, acordeão e glockenspiel; Livia Maria que também canta e toca saxes e flautas; e Tatiana Meyer, que narra textos. Além dos quatro, o espetáculo também conta com a voz de Rodrigo Carneiro também narrando os textos e as imagens projetadas pelo lendário videoartista Jodele Larcher. Vai ser uma viagem. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

O lado B das Mercenárias

Desde o dia em que convidei Sandra Coutinho para fazer a temporada no Centro da Terra ela comentava, mesmo antes de confirmar se conseguiria conciliar sua agenda com a proposta, que uma das noites tinha de ser dedicada ao que ela chamava de “lado B das Mercenárias”: todo um repertório do clássico grupo de pós-punk que moldou parte da cena paulistana dos anos 80 que nunca tinha sido gravado de verdade, sendo tocado apenas em shows e circulando em gravações domésticas não-oficiais. Depois que confirmou sua temporada para este mês de agosto, ela deixou essa data como sua última participação e em vez de simplesmente trazer a atual formação da banda – com ela no baixo, Sílvia Tape na guitarra e Pitchu Ferraz na bateria – resolveu convidar reforços de peso para essa noite histórica. Além do único integrante do sexo masculino nas décadas de carreira da banda, Edgard Scandurra (que foi baterista da primeira formação da banda, mas que nesse show tocou guitarra), ela também reuniu um coro da pesada – Bibiana Graeff, Amanda Rocha e Mayla Goerisch – que assumiu vocais de canções que, mesmo com quase quarenta anos de idade, ainda soam atuais. Foi a coração de uma temporada que nasceu clássica – agora vamos ver se essas músicas inéditas finalmente podem ser registradas!

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Entre extremos

Mais uma noite no Centro da Terra dentro da temperada Linha do Tempo Contínuo que Sandra Coutinho está conduzindo às segundas de agosto lá no teatro – e desta vez ela puxou dois extremos de sua carreira. Na primeira parte, juntou-se a Paula Rebellato (teclados, efeitos e voz) e Mari Crestani (guitarra e sax) para meia hora de improviso livre, uma de suas viagens atuais. Depois foi a vez de recriar o manifesto pós-punk new wave new age AKT, supergrupo liderado por Sandra no início dos anos 90, cujo repertório foi recriado por Bibiana Graeff (teclados, acordeão e vocais), Silvia Tape (guitarra e vocais) e Rodrigo Saldanha (bateria), num exercício pouco nostálgico cuja química da nova formação pede por novas composições. E na segunda que vem Sandra encerra a temporada puxando o lado B das Mercenárias! Imperdível!

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Sandra Coutinho: Linha do Tempo Contínuo

Imensa satisfação de materializar, nas segundas-feiras de agosto, toda a diversidade musical de uma das principais cabeças da música contemporânea paulistana. A líder das Mercenárias, Sandra Coutinho, apresenta sua temporada Linha do Tempo Contínuo, mostrando as diferentes facetas de sua personalidade artística, sempre acompanhada de novos e velhos parceiros. A temporada começa neste dia 7 de agosto, quando ela mostra primeiro composições da época em que morou em Berlim (entre 1997 e 2004) e outras mais contemporâneas, ao lado de Silvia Tape e Edgard Scandurra para, em seguida, se juntar a Scandurra, Rodrigo Saldanha e Tadeu Dias para visitar temas de bandas clássicas dos anos 80, como Smack e a nunca gravada Maluf 111. No dia 14, ela vem acompanhada primeiro da dupla Espelho (formada pela dançarina Mariana Taques – dança e pelo guitarrista Bernardo Pacheco) e depois apresenta-se com Guilherme Pacola, dos Vermes do Limbo, e Rafael Crespo, guitarra do Herzegovina. No dia 21, ela primeiro divide o palco com Paula Rebellato (que toca equipamentos eletrônicos, teclado e percussão) e Mari Crestani (no saxofone), e depois volta aos tempos do AKT ao lado de Bibiana Graeff, Silvia Tape e Rodrigo Saldanha. Ela finalmente encerra sua temporada no dia 27 convocando suas Mercenárias (com Silvia Tape, Pitchu Ferraz e Edgard Scandurra) para tocar músicas do lado B da clássica banda paulistana. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já podem ser comprados antecipadamente neste link.