Betina contra essa “Onda Errada”

betina2020

“Não adianta negar as esferas do sistema solar”, canta Betina no refrão de ótima “Onda Errada”, canção psicodélica de protesto que lança nesta sexta-feira nas plataformas digitais e que antecipa aqui no Trabalho Sujo. Gravada antes da quarentena, a canção reúne o boogarin Dinho Almeida, que gravou guitarras e beats, além de assinar a canção com a cantora curitibana, o ex-supercordas Diogo Valentino no baixo e o trumpete do applegate Rafael Penna (o único a gravar depois da quarentena, à distância). O clipe foi feito por Betina, que aprendeu técnicas de animação 3D durante a quarentena.

“A idéia de escrever algo sobre o negacionismo usando o terraplanismo pra ilustrar o conceito começou quando essas posturas chegaram como pauta no governo”, ela me explica por email. “Mas principalmente frente à pandemia ela ganha muita força, se percebe claramente como esse pensamento acaba sendo nocivo para o coletivo e tendo resultados desastrosos. Quis fazer essa música justamente para compor essa memória social e registrar ‘o que pensamos’ para a história que vai ser contada no futuro.”

O novo single faz parte do sucessor de Hotel Vülcânia, que ela lançou em 2018, embora ela ainda não entenda como acontecerá este novo lançamento. “Eu tinha planos para um novo disco esse ano ainda, mas frente a tudo que vivemos, tenho levado mais tranquilamente esse processo. Vou lançar várias músicas esse ano, mas como elas vão se apresentar, se vão vir em formato de disco ou EP ou só como single eu ainda não sei, tô deixando fluir, sem muita pressão”, ela explica. “Encontrei um canal de expressão entre a criação do material visual que tem me encantado muito. O lyric video de ‘Onda Errada’ foi um dos resultados desse canal criativo”, explica, antecipando que não será o último destes experimentos.

Betina: Imagética

betina-centrodaterra

Imenso prazer em trazer a curitibana Betina para o palco do Centro da Terra, quando ela revisita seu Hotel Vülcânia, lançado no ano passado, e inclui faixas de seu primeiro álbum, Carne de Sereia, de 2016, no espetáculo Imagética, que apresenta nesta terça-feira, inaugurando a programação de outubro do espaço (mais informações aqui). Além de renovar sua banda e receber a presença do glue trip Lucas Moura, que está produzindo uma faixa para o próximo disco da cantora (como ela me conta na entrevista abaixo), outra atração é a presença do artista visual Gabriel Rolim, cujas experimentações com luz e projeções refletem a natureza do título desta noite.

Betina 2019: “Caçando a eternidade”

betina-2019

O pop de Hotel Vülcânia segue dando frutos. O segundo disco da curitibana Betina e uma das boas surpresas do cenário independente brasileiro do ano passado agora aparece em forma de clipe, quando ela materializa a faixa-título, lançado em primeira mão no Trabalho Sujo, numa incursão guiada por um Tatá Aeroplano legendado em um idioma irreconhecível. “Hotel Vülcânia é um lugar fictício, mas que diz muito sobre os bons momentos compartilhados”, explica a cantora e compositora. “Sobre escutar um bom disco – “aquele” do Tatá -, fazer uma boa música e continuar acreditando; persistir na ideia de que arte nos libertará e tornará esses momentos eternos.”

Os 75 melhores discos de 2018: 69) Betina – Hotel Vülcânia

75-2018-69-betina

“Parece certo agora”

Mais aqui.

Betina no CCSP de graça

betina-ccsp

A cantora curitibana Betina lança seu Hotel Vülcânia nesta sexta-feira, às 19h, no Centro Cultural São Paulo – a entrada é gratuita (mais informações aqui).

Vida Fodona #575: Realidade pesada

vf575

Pra dissipar as trevas.

Massive Attack – “Black Milk”
Yo La Tengo – “Shades of Blue”
Nill – “Atari Level 2”
Flora Matos – “10:45”
Isaac Hayes – “Part-Time Love”
Don L – “Mexe pra Cam”
Beck – “Beautiful Way”
Kanye West + Pusha T – “Runaway”
Blood Orange – “Take Your Time”
Marcelo Cabral – “Ela Riu”
Saulo Duarte – “Avante Delírio”
Tatá Aeroplano – “Vida Inteira”
Laura Lavieri – “Me Dê a Mão”
Betina + Bonifrate – “Aluguel”

Fora da Casinha mudou de lugar

foradacasinha2018-novo

A quarta edição do festival da Casa do Mancha teve um imprevisto com sua localização anterior mas segue firme em novo endereço, neste sábado, começando na Void e terminando no Z Carniceria, pertinho do Largo da Batata, aqui em São Paulo. São treze bandas e cinco DJs trazendo apenas o melhor da nova música indie brasileira – e eu estarei lá, mais uma vez ao lado do compadre Danilo Cabral (Luiz está viajando) começando os trabalhos no Z Carniceria a partir das 18h, antes do show do patrono Maurício Pereira. Confira os horários abaixo:

Palco Void
16h – Abertura
16h20 – Goldenloki
17h20 – Betina
18h20 – Bruno Bruni
19h20 – Terno Rei
20h20 – Molho Negro
21h20 – DJs Rafa e Joyce

Palco Z Carniceria
18h – Trabalho Sujo
19h – Mauricio Pereira
20h – Juliano Gauche
21h – Laura Lavieri
22h – Yma
23h – Dingo Bells
0h – Garotas Suecas
1h – Ozu
2h – Strobo
3h – Alex Correa (Caverna)

Mais informações sobre o evento aqui.

Vida Fodona #572: Noite de sexta ou manhã de sábado

vf572

Por uma boa causa.

Luiza Lian – “Azul Moderno”
Zombies – “Friends of Mine”
Duran Duran – “Save a Prayer”
B-52’s – “Legal Tender”
Fagner – “Cartaz”
Letrux – “Noite Estranha, Geral Sentiu”
Frank Ocean – “Lost”
Carly Simon – “You’re So Vain”
Solange – “Losing You”
Glue Trip – “Honey”
Betina + Tatá Aeroplano + Bonifrate – “Hotel Vülcânia”
Arctic Monkeys – “One Point Perspective”
Lô Borges – “Faça Seu Jogo”
Air – “Kelly Watch the Stars”
Bob Dylan – “Subterranean Homesick Blues”
Dr. Dre – “Let Me Ride”
Sandra Sá – “Olhos Coloridos”

Vida Fodona #568: Só tem música de 2018

vf568

Pra aproveitar esse domingo de sol…

Rodrigo Campos – “Clareza”
Ava Rocha – “Maré Erê”
Melody’s Echo Chamber – “Visions of Someone Special, On a Wall of Reflections”
Tatá Aeroplano – “Os Novos Baianos Sapateiam Na Garoa dos Sex Pistols”
Stephen Malkmus + The Jicks – “Kite”
Marcelo Cabral + Ná Ozzetti – “Osso e Sol”
Bixiga 70 – “Pedra de Raio”
Glue Trip – “Time Lapses”
E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante – “Como Aquilo Que Não Se Repete”
Spiritualized – “Let’s Dance”
Elza Soares + Edgar – “Exú nas Escolas”
Djonga – “Atípico”
Blood Orange – “Take Your Time”
Betina + Boogarins – “Ruido Tropical”
Gorillaz – “Magic City”
Mombojó – “Ontem Quis”

Betina contando as distâncias

Foto: Thais Silvestre

Foto: Thais Silvestre

“Seus desatinos têm outros nomes agora e eu aprendi a aceitar que os vícios vêm e vão…”, canta hipnótica a cantora curitibana Betina na primeira faixa a ser revelada de seu segundo disco Hotel Vülcânia, “Coragem”, lançada em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “Essa música é muito importante para mim, ela é a tradução da minha relação com esse álbum, uma imagem abstrata da passagem do tempo e como ele lentamente muda como percebemos o outro e a própria realidade”, ela me explica por email. “Uma imagem de como as questões antes absolutas passam a ser relativas num piscar de olhos. A coragem está em encarar essas incertezas e abraçar a essência do que somos para seguir adiante. Isso se relaciona diretamente com meu som, minha estética, minhas letras e como quero que me vejam dentro do meu trabalho.”

Ela lançou seu disco de estreia, Carne de Sereia, quase discretamente há quase dois anos, quando teve uma visão. “Hotel Vülcânia começou de um sonho que eu tive com o nome do disco, com a capa e inclusive com um trecho da letra da primeira música, e senti que era hora de recomeçar, dar vida a ideias novas que já vinham borbulhando na minha cabeça desde mesmo antes do lançamento do primeiro disco”, me explica. O disco foi copilotado pelo supercorda Diogo Valentino, que lhe ajudou a conceber o novo disco bem com a receber um considerável time de convidados.

“Começamos eu e Diogo Valentino, meu parceiro, criando as músicas em casa e produzimos algumas guias. Depois fomos gravar no estúdio Canoa há mais ou menos um ano, cinco dias maravilhosos de trocas intensas com a banda”, continua. “Há participações maravilhosas. Chamei Tatá Aeroplano para fazer parte da música que dá nome ao disco, temos também Pedro Bonifrate que participa como músico convidado de algumas faixas. Também chamei Heloiza Abdalla para colocar uma poesia dentro de uma música e Dinho e Benke Ferraz dos Boogarins para uma faixa; Dinho divide a composição e a voz comigo e Benke inseriu colagens.” Além da banda que lhe acompanha, que inclui, além de Diogo, Allen Alencar, Bruno Matuck, Irina Neblina (dos Garotas Suecas) e Luccas Vilella (do grupo E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante). O disco é igualmente pop e misterioso, provocando uma tensão que equilibra-se na doce voz de Betina.

Ela faz uma relação entre seu primeiro disco e o novo, que será lançado em uma semana. “Carne de Sereia veio como uma necessidade de me reconhecer artista, de dar sentido aquilo que produzia, mas de maneira muito inexperiente de minha parte. Num processo lento fui tateando quem eu era e quais ideias eu queria passar até chegar em Hotel Vülcânia. Se pudesse resumir, diria que o primeiro disco foi aprendizado e esse é amadurecimento. Nele me posiciono e dialogo diretamente com a essência do que sou, com maior controle da mensagem que quero passar, seja poética ou sonoramente.”

Ela vê a construção de seu próprio disco como um reflexo da atual fase da cena independente brasileira. “Tenho visto trabalhos de altíssima qualidade sendo lançados, o público crescendo para todos os lados e acho que a base desse cenário é o coletivo, senão na produção de material, no compartilhamento dele para que essas obras perdurem”, explica. “É difícil ser independente, a gente precisa se virar, abraçar o ‘faça você mesmo’. Eu por exemplo, fiz a capa, faço imagens, crio as artes para o merchan, fiz o site. Vou até onde meu braço alcança, mas esse coletivo também se reflete neste álbum. Inúmeras pessoas estão envolvidas nos clipes, nos shows, na divulgação, no planejamento. Sem elas várias coisas que estamos preparando para construir nosso público não existiriam. Ainda existem os mecanismo e algoritmos cruéis das redes que acabam privilegiando quem tem mais dinheiro pra gastar em patrocínios de publicações, por exemplo. Porém, seguimos fazendo música e acreditando em seu poder comunicador e acreditando no coletivo, tanto das casas pequenas, dos festivais e do próprio público para o fortalecimento da cena independente.”