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Desembestados

Absurda a apresentação que o grupo Besta-Fera fez nesta segunda-feira no Centro da Terra, pinçando algumas canções de seu repertório prog fusion para entortar a marretadas musicais o inconsciente dos presentes, num revezamento de tempos ímpares em que o grupo azeitadíssimo submeteu o público presente. A liga entre a guitarra intensa de Arthur Sardinha, o ritmo sincopado frenético da bateria de João Pedro Dentello, o delirante baixo desenfreado de Tom dos Reis e as teclas enfurecidas de André Damião, desta vez entre o synth e o piano, é um dos melhores segredos da cena paulistana desta década e a simbiose orgânica com a qual o grupo conduz suas obras parece ao mesmo tempo rígida e solta, improvisada e ultraensaiada, pegando os ouvintes em surpresas constantes. À entrada simultânea dos convidados da noite – o guitarrista Kiko Dinucci e a vocalista Paola Ribeiro – apenas abriu novas camadas para essa sintonia, com o grupo convidando os dois para improvisar sobre dois temas próprios e depois visitando duas músicas de cada, começando pelo faroeste brasileiro “Marquito” do Rastilho de Kiko, passando pela faixa de abertura do Circus de Paola (“Faca da Palavra”), emendada com seu recém-lançado novo single “Furtacor” e outra do disco que lançou Kiko antes da pandemia, “Febre do Rato”. Uma noite intensa.

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Besta-Fera: Morte e Páprica

Começamos a safra de apresentações musicais de julho no Centro da Terra com a estreia da banda Besta-Fera no palco do teatro, quando eles mesmos encerram um ciclo que veio com o fim do estúdio Páprica, em que compuseram suas primeiras músicas e celebram este capítulo de sua carreira com o espetáculo Morte e Páprica. Nesta apresentação, o grupo – que transita entre as fronteiras do jazz fusion, do rock progressivo e do math rock – toca pela primeira vez ao lado do guitarrista Kiko Dinucci e da vocalista Paola Ribeiro, que faz o quarteto formado por Arthur Sardinha (guitarra e efeitos), João Pedro Dentello (bateria), Tom dos Reis (baixo) e André Damião (synth e piano) a ampliar ainda mais suas fronteiras musicais. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Centro da Terra: Julho de 2026

Julho está ai e a programação de música do Centro da Terra deste mês começa a partir da próxima semana, quando, antes de inaugurarmos a temporada das segundas, temos apresentações únicas logo nesta primeira segunda. Na primeira delas, logo na primeira segunda do mês (6), recebemos a banda de pós-punk-jazz-prog Besta Fera que apresenta o espetáculo Morte e Páprica em referência ao fim do estúdio em que a banda começou suas aventuras musicais – e para esta apresentação, eles convidam Paola Ribeiro e Kiko Dinucci. Na terça seguinte (7), é a vez da cantora e compositora baiana Lavínia se aventurar por um terreno sagrado da música brasileira – em especial de seu estado -, quando recria o clássico disco que Gal Costa fez em homenagem a Dorival Caymmi há meio século para reforçar uma Bahia afetiva que esquenta qualquer brasileiro. Na outra segunda, a amapaense Patrícia Bastos estreia no Centro da Terra com sua temporada Planeta Arrepiado, em que sob a direção musical de Dante Ozzetti em todas as apresentações, convida diferentes artistas para passear por diferentes versões de seu repertório amazonense: no dia 13, ela e Dante recebem Ná Ozzetti; no dia 20 é a vez de dividir o palco com Marcelo Cabral e Guilherme Held e encerra a temporada dia 27 com os congoleses Leo Matumona e Hidras Tuala, a percussionista Thata Ozzetti e o cantor e guitarrista Skipp. Na segunda semana do mês não teremos apresentação na terça-feira por motivos de Copa do Mundo e no dia 21 o amanticida Luca Frazão faz a primeira apresentação de seu próximo disco solo subindo ao palco só com seu violão de sete cordas no espetáculo Sol-Fora. No dia seguinte, quarta-feira (22), outro disco novo nos é apresentado antes do lançamento, quando Gaê nos convida a mergulhar em seu filme sonoro no espetáculo Antecipações. A última atração da curadoria de música no teatro em julho é´o aniversário de dez anos do disco de estreia da dupla Antiprisma, Planos para Esta Encarnação, revisitado por seus autores Elisa Moos e Victor José na última terça do mês (28). Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

O calor da Chama

Mais uma edição do Chama maravilhosa, quando pude, ao lado do compadre Arthur Amaral, da Porta Maldita, mostrar alguns dos melhores shows que temos na nova cena independente brasileira que cada vez mais tornar-se mais forte, intensa e plural – e sem delírios de grandeza. Reunir Felipe Vaqueiro, Jovita, Tubo de Ensaio, Besta Fera, Gastação Infinita, Boia e Thalin – e seus respectivos convidados, numa mesma noite fez o público viajar em sete universos musicais distintos e dispostos a expandir seus trabalhos, mas sem perder a vibração comunitária e a sensação de estar assistindo a uma transformação cultural que vai para além da música.

Leia mais abaixo:  

Chama Festival | 6.6.2026

Vocês estão prontos para mais uma edição do Chama Festival? Pois marque aí na sua agenda que no próximo dia 6 de junho teremos mais uma safra de novas bandas que estão em ascensão na cena independente brasileira desfilando pelos dois palcos da Casa Rockambole, em mais uma parceria entre @aportamaldita e @inferninhotrabalhosujo. Olha esse elenco: Felipe Vaqueiro e Marina Nemesio! Jovita com Aria Onírica, TinyBear, Mefius e De Freitas! Tubo de Ensaio com Giba e Barulhista! Besta Fera com Paulo Barnabé! Gastação Infinita com Ricardo e Duda do Naimaculada e Dupla 02! Boia com Bruno Fechine e Kim Cortada! Thalin com Caio Colasante! Só show foda que você nunca viu! Neste sábado, a partir das 17h, vamos lá?. Confia!

Carnaval fritação

Uma segunda de Carnaval tão improvável quanto insana – assim foi o Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita, quando reunimos duas amostras da melhor nova fritação musical paulistana atualmente. A noite começou com o prog jazz do Besta Fera, que reúne dois integrantes da Mee – o guitarrista Arthur Sardinha e o baterista João Pedro Dentello – ao tecladista André Damião e ao baixista absurdo Tom dos Reis, encontrando uma incerta encruzilhada instrumental entre o jazz funk, o prog metal e o fusion, com tempos quebrados e timbres pesados. E pensar que era só o começo da noite…

Depois veio o sexteto Pé de Vento, segundo show do baixista Tom dos Reis na noite, quando ele tocou ao lado do baterista Tommy Coelho, desta vez tocando guitarra, do impressionante Antonio Ito na batera, do ás das teclas Pedro Abujamra, o violão preciso de Arthur Scarpini e os sopros – e o carisma irrefreável – de Leonardo Ryo. Jazz brasileiro com “a” aberto e “j” maiúsculo, o grupo passeia por composições instrumentais próprias que abrem solos maravilhosos para todos seus integrantes, que comportam-se ainda mais afiados quando atacam ao mesmo tempo. Além dos próprios temas, o grupo ainda passeou por suas já conhecidas versões para Arthur Verocai (“Dedicada a Ela”) e Milton Nascimento (“Vera Cruz”), além de voltar com “Cissy Strut”, dos Meters, no bis. Absurdo!

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