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O quarto volume da tetralogia introspectiva de Beck

Como prevíamos, lá vem mais um disco introspectivo de Beck, desta vez anunciado com título e data de lançamento, depois das duas versões que lançou do single “Ride Lonesome”, faixa que batiza o novo álbum, previsto para o dia 18 de setembro (e já em pré-venda). A novidade é que Beck inclui o disco que gravou em 1998 (Mutations) como parte desta série que muitos começaram a contar a partir de Sea Change, de 2002. “Os músicos da minha primeira banda, com quem eu gravei Sea Change, Morning Phase e Mutations – Smokey Hormel, Joey Waronker, Justin Meldal-Johnsen, Roger Joseph Manning Jr. e Jason Falkner – se reuniram mais uma vez comigo no meu estúdio favorito, a Sala B do United Studios em Hollywood”, escreveu o compositor ao apresentar o novo álbum, “e também contei com o Nigel Godrich, que trabalhou em Sea Change e Mutations, fazendo a mixagem das músicas”. Ele também comentou que, mais de dez anos depois da gravação do disco mais recente desta leva, Morning Phase, a forma de tocar e a química entre os músicos evoluiu e se aprofundou, como “um som que veio depois de décadas tocando juntos”. Para encorpar o anúncio, ele também lançou mais um single, a igualmente introspectiva – embora mais densa e pesada – “In the Night”.

Assista ao clipe e veja o nome das músicas do novo disco abaixo:  

Um show sobre Wes Anderson

Um dos aspectos mais importantes dos filmes de Wes Anderson – tão protagonista quanto sua direção de arte e sua escolha de elenco – são as músicas que ele escolhe para compor a trilha sonora, criando verdadeiras cápsulas de sentimento inclusive em cima de canções já conhecidas do grande público, o que é um feito e tanto. Este lado de sua filmografia foi celebrado neste fim de semana no lendário Hollywood Bowl, em Los Angeles, nos EUA, quando o diretor reuniu a orquestra filarmônica da cidade (apelidada de L.A. Phil) com uma banda liderada por Beck com convidados de peso como Karen O dos Yeah Yeah Yeahs, Jackson Browne, Jenny Lewis, Karen Elson, Rufus Wainwright, Jean‐Yves Thibaudet, o grupo Devo e os atores Jason Schwartzman, Jeff Goldblum e Bill Murray, este último como mestre de cerimônias, entre outros. No repertório, o Devo tocou “Gut Feeling” que tensiona A Vida Marinha com Steve Zissou, Beck atravessou a dolorida “Needle in the Hay” de Elliot Smith, usada em Os Royal Tenenbaums, filme que também tem a versão clássica que Nico fez para a música que Jackson Browne compôs quando tinha apenas 17 anos, “These Days”, cantada por seu autor. Karen O trouxe dois momentos britânicos, primeiro cantando “Play With Fire” dos Stones (no filme Viagem a Darjeeling) e depois visitando “Making Time”, do grupo Creation, do filme Rushmore. Beck e Browne se reuniram para cantar a linda “Alone Again Or” do Love (do primeiro filme de Wes, Bottle Rocket) e depois “Le Temps De L’Amour” eternizada por Françoise Hardy (e presente em Moonrise Kingdom) veio na voz de Karen Elson. Um dos momentos mais bonitos aconteceu quando, em uma das noites, Schwartzman lembrou que Wes Anderson lhe convenceu a fazer o primeiro filme dos dois (Bottle Rocket, de 1996) depois de dar uma volta de carro ouvindo as músicas que fariam parte da trilha sonora na ordem – e mostrou a fita que havia encontrado meses antes daquele show, arremessando-a para a plateia. Que momento!

Assista a trechos do show abaixo:  

Melancolia solar

Olha o Beck aí de novo, mais uma vez acenando para a terceira parte de sua escalada folk melancólica iniciada há vinte e quatro anos com o disco Sea Change e continuada doze anos depois com o disco Morning Phase. Só que em vez de dar continuidade a uma sequência de singles iniciada com a bela “Ride Lonesome”, ele volta à mesma canção acompanhado de uma parceira, a novata Sierra Ferrell que ele conta ter conhecido há cinco anos numa pista de dança em Nashville, onde, palavras dele, “ensinou um garoto de Los Angeles a dançar o two-step”, antes que um local lhe sussurrasse em seu ouvido “espere ouvi-la cantar, ela é tudo isso”, o que Beck concordou em seguida, inclusive chamando-a para dividir a nova faixa, dando uma nova camada, mais solar, para a música original, bem outonal. “Eu acho que ficou melhor que a original”, confessou o próprio Beck.

Assista ao clipe abaixo:  

Seu Jorge e a MPB clássica

Conversei com o Seu Jorge sobre seu novo álbum, The Other Side, que fez em Los Angeles com Mario Caldato há mais de quinze anos e que só agora vê a luz do dia. Um disco que evoca a MPB clássica de Tom Jobim, Arthur Verocai e Milton Nascimento com participações de Maria Rita, Marisa Monte, Zap Mama e Beck. Leia a íntegra da matéria que fiz para o Toca UOL e veja um trecho da entrevista em vídeo que fiz com o carioca:  

Beck sozinho

Beck prometeu e eis como ele começa essa semana, com a melancólica e solitária “Ride Lonesome”, em que evoca o espírito folk de discos lançados com o espaço de doze anos – primeiro Sea Change em 2002, depois Morning Phase em 2014 e agora, doze anos depois, esse single acústico e ensolarado, embora ao mesmo tempo triste e pensativo. Não há nenhum anúncio de disco… por enquanto.

Ouça abaixo:  

Outro disco novo do Beck?!

Beck acabou de lançar um disco (tudo bem, uma coletânea) e avisa que segunda-feira traz novidades. Pelo jeito vem aí mais um de seus álbuns melancólicos e introspectivos com os pés na música folk de seu país, na linha dos clássicos One Foot in the Grave, Mutations, Sea Change e Morning Phase. E ainda bem, porque o último nessa toada – o Morning Phase, de 2014 – foi lançado há mais de dez anos…

Veja abaixo:  

Ouvindo o Help 2…

Mal acabei de ouvir a coletânea Help2, organizada pela ONG War Child, que saiu nessa sexta e entre joias de altíssimo quilate (como Beth Gibbons cantando Velvet Underground e Depeche Mode fazendo a “Universal Soldier” eternizada por Donovan), tem essa versão deslumbrante da paquistanesa Arooj Aftab ao lado de Beck, cantando a imortal “Lilac Wine” que pelamordedeus… Depois tem essa “Warning” que o jovem mestre Cameron Winter do Geese que é uma das melhores coisas de sua carreira solo e aponta pra um lado completamente diferente para seus próximos shows — esse ano tem inclusive no Brasil. Finíssimo. E como não se apaixonar pela versão que Olivia Rodrigo fez pra “The Book of Love” do Magnetic Fields? Ainda reforço que, mais do que proporcionar um inevitável dueto com o próprio Stephin Merritt, essa versão ainda vai trazer uma legião de jovens fãs pro trabalho de um dos autores mais subestimados do indie dos EUA.

Ouça abaixo:  

Beck romântico

Beck solta seu lado romântico e intérprete em um disco curto que anunciou nesta quinta-feira. Everybody’s Gotta Learn Sometime é uma coletânea de versões alheias que gravou em trilhas sonoras e outros projetos que descreve como “uma apaixonadamente curada compilação de raridades, faixas profundas e versões”, que inclui desde a faixa-título (do grupo Korgis, que gravou para o filme Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) a músicas de John Lennon (“Love”), Elvis Presley (“Can’t Help Falling In Love”), Flamingos (“I Only Have Eyes For You”) e até Caetano Veloso (“Michelangelo Antonioni”, do disco Noites de Norte que o baiano lançou no ano 2000). A única música do próprio Beck é “Ramona”, que ele compôs para a personagem de mesmo nome do filme Scott Pilgrim Contra o Mundo, em 2010. Além destas, o disco, que será lançado nessa sexta-feira, ainda traz versões inéditas do cantor para “Your Cheatin’ Heart” de Hank Williams e para a imortal “True Love Will Find You In The End”, de Daniel Johnston. Coisa fina.

Taí a música nova dos Arctic Monkeys

Eis “Opening Night”, música nova dos Arctic Monkeys que abre os trabalhos da coletânea Help(2), mais uma iniciativa da ONG War Child para ajudar as crianças que vivem em zonas de conflito. Como a compilação que deu origem a esse novo disco (a primeira Help foi lançada em 1995 e reunia nomes como Oasis, Blur, Radiohead, Orbital, Portishead, Massive Attack, Suede, Sinéad O’Connor, Manic Street Preachers, entre outros), a nova versão, que será lançada dia 6 de março, também junta um elenco invejável: Damon Albarn junto com Johnny Marr, Beth Gibbons, Depeche Mode, Pulp, Beck (gravando “Lilac Wine” do Jeff Buckley com Arooj Aftab) e artistas mais novos como Cameron Winter, Black Country New Road, Last Dinner Party, Arlo Parks, Beabadoobee, Big Thief, Fontaines D.C., Wet Leg e Olivia Rodrigo (cantando “The Book of Love’” dos Magnetic Fields ao lado do Graham Coxon!), entre outros – veja a relação completa e a capa da coletânea abaixo. E essa música nova dos Monkeys apesar de seguir a vibe pop adulto dos discos mais recentes da banda tem um quezinho do disco AM que tanto sentimos falta (aqueles “uh-uh” de “One for the Road” parecem surgir a qualquer minuto) e parece anunciar uma nova fase do grupo. Será?

Ouça abaixo:  

Beck ♥ Daniel Johnston

Além de Lana Del Rey (que saudou o anfitrião com uma versão arrebatadora para “The Needle and the Damage Done”), quem também participou do concerto beneficente organizado por Neil Young – que agora chama-se Harvest Moon – foi o bom e velho Beck, que fez um set ensolarado com seus estandartes folk (“The Golden Age”, “Tropicalia”, “Dead Melodies”, “Lost Cause” e sua já clássica versão para “Everybody’s Got to Learn Sometimes”), ainda passeou por versões acústica para seus hits dance (“Where It’s At” e “Loser”) e encerrou sua apresentação reverenciando Daniel Johnston, com sua versão de uma das músicas mais bonitas do mundo, “True Love Will Find You in the End”.

Assista abaixo: