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O reencontro dos Beastie Boys com Rick Rubin!

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Com toda a onda revisionista dos Beastie Boys, ficou faltando um papo mais aprofundado com o diretor do primeiro disco do trio nova-iorquino, Rick Rubin, responsável por transformar a banda em um fenômeno cultural no meio dos anos 80. Coube ao podcast Broken Record cobrir esta lacuna ao reunir Rubin, que também discotecava com os Beastie Boys como o DJ Double R, com os sobreviventes da banda, MCA e Ad-Rock, que não se falavam há duas décadas – e apenas porque nunca mais tinham se visto. Velhos amigos, deram boas gargalhadas como se nunca tivessem ficado sem se ver, relembrando causos, histórias e tirando a limpo alguns pontos de suas histórias que ficaram no ar. O podcast é em inglês e ainda conta com a participação do diretor Spike Jonze, que conduziu o documentário ao vivo que o grupo lançou no primeiro semestre.

Vida Fodona #652: Festa-Solo (22.6.2020)

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Segunda-feira é dia de Vida Fodona ao vivo no twitch.tv/trabalhosujo, às 21h – este foi o programa da semana passada.

Feelies – “Everybody’s Got Something To Hide (Except Me And My Monkey)”
Thurston Moore – “Hashish”
Can – “Vitamin C”
Ultramagnetic MCs – “Give The Drummer Some”
Zapp & Roger – “More Bounce to the Ounce”
Dr. Dre + Snoop Dogg – “The Next Episode”
Usher + Ludacris + Lil’ Jon – “Yeah”
Christina Aguillera – “Genie in a Bottle”
Flight Facilities + Giselle- “Crave You”
Dexy’s Midnight Runners – “Come On Eileen”
Malu Maria – “Diamantes na Pista”
Bárbara Eugenia – “Perdi”
Chromeo – “6 Feet Away”
Angel Olsen – “New Love Cassette (Mark Ronson Remix)”
Beastie Boys – “Gratitude”
Cream – “Swlabr”
Mutantes – “Mágica”
Paul McCartney – “Check My Machine”
Erasmo Carlos – “Mané João”
Tim Maia – “O Caminho do Bem”
Bob Dylan – “False Prophet”
Neil Young – “Homegrown”
Norah Jones – “To Live”
The Band – “Orange Juice Blues (Blues For Breakfast)”
Supercordas – “6000 Folhas”
Boogarins + O Terno – “Saídas e Bandeiras No. 1”
Maria Bethania – “Estácio, Holy Estácio”
Paulinho da Viola – “Falso Moralista”
Gilberto Gil – “Back in Bahia”
Itamar Assumpção – “Prezadissimos Ouvintes”
Lô Borges – “Canção Postal”
Chico Buarque – “Caravanas”
Criolo + Milton Nascimento – “Cais”
Josyara – “Mansa Fúria”
Metá Metá – “Trovoa”

Vida Fodona #636: Um experimento aqui

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Gravado ao vivo – e com direito a pedidos!

Nick Cave – “Cosmic Dancer”
Raul Seixas – “A Maçã”
Yo La Tengo – “Tom Courtenay”
Fiona Apple – “Shameika”
Curumin – “Solidão Gasolina”
Thundercat – “Friend Zone”
Dr. Dre – “Let Me Ride”
D’Angelo – “Brown Sugar”
Milton Nascimento + Lô Borges – “Trem Azul”
Police – “Spirits in a Material World”
Kinks – “People Take Pictures of Each Other”
Pato Fu – “Meu Coração é Uma Privada”
Siouxsie and the Banshees – “Happy House”
Joelho de Porco – “Boeing 723897”
Juper – “Essa Tal Criatura”
Pulp – “Disco 2000”
Beastie Boys – “Finger Lickin’ Good”

Um Anthology ao vivo

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No final dos anos 90, os Beastie Boys resolveram tirar uma onda com os Beatles, que encerravam seu Anthology, projeto que consolidou a reputação da banda de Liverpool no final do século passado, e eles mesmos lançaram sua coletânea dupla, batizando-a com o mesmo nome. Beastie Boys Anthology: The Sounds of Science vasculhava a discografia da banda até 1999, cobrindo seus cinco primeiros discos, remixes, sobras de estúdio, lados B e os quinze primeiros anos da banda. Ninguém tinha como saber que eles já haviam passado a metade de suas carreiras e que não teriam mais outros quinze anos pela frente, uma vez que o integrante que botou pilha nos outros dois para que eles se tornassem uma banda, Adam Yauch, partiria para o outro plano em 2012.

Oito anos após a morte de Yauch, os dois beastie boys remanescentes – Adam Horovitz e Michael Diamond – se juntam ao amigo e diretor Spike Jonze para finalmente ter seu Anthology propriamente dito. Beastie Boys Story, que estreou nesta sexta-feira no streaming da Apple, é a versão oficial da história do grupo e um tributo a um amigo que por toda a história da banda, também era um mentor. O documentário devia ter estreado na edição deste ano do SXSW e poderia ir para os cinemas, mas como o coronavírus mudou a cara de 2020, o lançamento ficou apenas no formato digital e, por enquanto, exclusivo para a plataforma da Apple, produtora do documentário, o que restringe bastante seu alcance.

O formato “documentário ao vivo”, que podia transgredir parâmetros cinematográficos uma vez que foi proposto por um diretor com esta afinidade, é apenas o registro dos melhores momentos das três apresentações que Ad-Rock e Mike D fizeram entre 8 e 10 de abril do ano passado no Kings Theatre, no Brooklyn, em Nova York. E o filme da história dos Beastie Boys contada por eles mesmos, talvez a parte final de um processo que começou com o livro de mesmo nome que foi lançado em 2018 e seguiu nas citadas apresentações ao vivo de 2019, não é o documentário definitivo sobre a história da banda – e sim a versão que os dois integrantes querem passar de sua saga para o público, além de ter altas doses de auto-ajuda, ao mesmo tempo em que Adam e Mike explicam como se tornaram gigantescos, quebraram a cara e amadureceram neste processo.

A química entre os dois beasties sobreviventes é impecável. O filme de quase duas horas é uma longa apresentação dos dois em formato stand-up, contando suas próprias histórias ao mesmo tempo em que vão ilustrando-a com fotos e vídeos disparados por Spike Jonze. A forma como um passam o microfone para o outro e seu inevitável domínio sobre a plateia nos faz esperar por um momento musical a qualquer instante, como se eles pudessem começar a rimar em cima de alguma base instrumental de surpresa, mas isso nunca acontece. Em vez disso, os dois trocam olhares cúmplices, piadas internas e tiram sarro um do outro como os conhecemos há décadas. Mas nunca voltam a ser uma dupla de MCs – são apenas amigos lembrando de histórias.

Os registros do passado, claro, são deslumbrantes. Especialmente os primeiros anos da banda, quando ainda tocavam hardcore com quinze anos de idade, apresentando-se em programas de TV local e falando de suas raízes punk. Eram literalmente moleques e a simples visão daquelas tenras imagens da inocência de uma juventude que mal sabia o que era ter uma banda de rock já valem o documentário, bem como sua brusca transformação em um trio de rap no momento em que o gênero começava a ensaiar voos mais altos.

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Mas, principalmente, Beastie Boys Story é uma carta de amor a MCA. A imagem de Adam Yauch paira por toda a extensão do filme mais do que a lembrança de um saudoso amigo, mas como se ele mesmo fosse a encarnação do espírito beastie boy. São os momentos mais tocantes e introspectivos do documentário e talvez seja o ponto de desequilíbrio que não o torne perfeito. É como se o Anthology dos Beatles fosse feito para engrandecer a figura de John Lennon. Por mais que, como Lennon nos Beatles, Yauch fosse o ponto de parte e a força-motriz na parte de criação do grupo, ele não era mais importante que os outros dois. Como nos Beatles, não havia um melhor – quando muito, há um preferido. A magia vem do equilíbrio de seus integrantes – e para celebrar o amigo, Ad-Rock e Mike D dão passos para trás, deixando de falar de sua própria importância. A banda não acabou porque seu fundador morreu – caso qualquer um deles tivesse morrido antes, é impossível imaginar que Yauch quisesse seguir o grupo com o outro sobrevivendo.

Os Beastie Boys eram três, o número mágico, e ao enxugar sua importância em si mesmos – a autonomia que conseguiram a partir dos anos 90, depois que se recuperaram do tombo comercial que foi o lançamento do Paul’s Boutique, em 1989 – mudaram a história de seu tempo. Como as principais memórias oficiais de quaisquer artistas, o documentário Beastie Boys Story peca por não ter um olhar externo que se aprofunde na influência e importância do grupo, inclusive para além do rap, e prefere um olhar cândido e tenro sobre o passado e um respeito profundo pelo amigo morto. É uma história pessoal: feridas são expostas e mea culpas são feitos, o que deixa o ar sentimental ainda mais carregado. E mesmo que traga lágrimas aos olhos em vários momentos, é um documento divertido e nostálgico, trazendo surpresas e gargalhadas que temperam o tom emotivo com o melhor gosto que lembramos do grupo. Uma viagem!

Vida Fodona #635: Pra dar uma desopilada

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Que sexta!

Pink Floyd – “Scream Thy Last Scream”
Erasmo Carlos – “Maria Joana”
Beastie Boys – “Gratitude”
ESG – “Erase You”
B-52’s – “Throw That Beat in the Garbage Can”
Can – “Moonshake”
Chico Science & Nação Zumbi – “Corpo de Lama”
Public Image Ltd. – “Swan Lake”
Dua Lipa – “Break My Heart”
Daft Punk + Giorgio Moroder – “Giorgio by Moroder”
John Carpenter – “Vortex”
Goblin – “Snip Snap”
Funkadelic – “Comin’ Round The Mountain”
Novos Baianos – “Besta é Tu”
A Cor do Som – “Palco”

Beastie Boys para chorar

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Mais um trailer para Beastie Boys Story, o “documentário ao vivo”, que Spike Jonze irá lançar sobre os Beastie Boys que meio que revela o formato ao trazer os dois beastie boys remanescentes – Ad-Rock e Mike D – para lembrar suas histórias num teatro com um telão enorme que vai contando a história da banda. O filme também mostra como o falecido MCA era uma das forças-motrizes do trio, o que torna o trailer ainda mais emocionante – é de chorar.

O filme seria lançado agora em março no SXSW, que foi cancelado devido à epidemia do coronavírus, e deve chegar a algumas salas de cinema por lá no início do mês para chegar ao serviço de streaming da Apple menos de um mês depois.

Pequenos detalhes da história dos Beastie Boys

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Esbarrei sem querer num vídeo com cenas que sobraram de uma entrevista de 2010 que o beastie boy Adrock deu pra marca de softwares de produção musical Reason. Como o vídeo original, feito pela própria marca, tinha foco no programa que eles vendem, muita coisa boa ficou de fora – e nessas cenas, ele conta como fez o beat pro primeiro hit de LL Cool J (e como o descobriu), o fato de ter sido a primeira banda a ter o termo “sample” associado à música (numa batalha legal), sobre fazer fitas de beats usando os velhos toca-fitas duplos (“coisa de homem das cavernas, batendo pedra pra fazer fogo”, ele ri), como conheceram Mario Caldato e outras histórias.

Muito bom. Que banda eram os Beastie Boys.

A história dos Beastie Boys

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Os últimos anos foram puxados para os dois Beastie Boys sobreviventes. Depois de lançar sua autobiografia em 2018 e transformá-la em um espetáculo dirigido por Spike Jonze, Mike D e Ad-Rock levam sua Beastie Boys Story para um outro nível e anunciam o lançamento da versão em vídeo de sua história. O “documentário ao vivo”, seja lá o que isso signifique, que será exibido primeiro no SXSW, em março, para depois ir para os cinemas (por enquanto apenas nos EUA) e no serviço de streaming da Apple no final de abril. Sente o trailer:

Spike Jonze, que trabalhou com o trio desde o memorável clipe de “Sabotage”, também anunciou há pouco que iria lançar um livro de fotos que fez com o grupo quando trabalharam juntos. O livro já está em pré-venda e tem essa capa maravilhosa abaixo:

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Vida Fodona #614: O começo do fim do ano

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Os últimos dias de 2019…

Datarock – “Fa Fa Fa”
Modjo – “Lady (Hear Me Tonight)”
Outkast – “The Way You Move”
Miami Horror – “Holidays”
Kaytranada + Kali Uchis – “10%”
The Internet – “Roll (Burbank Funk)”
GZA – “The Mexican”
Arcade Fire – “Reflektor”
Racionais MCs – “Você Me Deve”
Taylor Swift – “Blank Space”
Spoon – “Do You”
Unknown Mortal Orchestra – “Can’t Keep Checking my Phone”
Gabriel Muzak – “Tropical Sound System”
Red Hot Chili Peppers – “Give It Away”
Edwin Birdsong – “Cola Bottle Baby”
Gente Bonita – “Body Balanço”
Sam Cohen – “Get Happy”

As bases de Paul’s Boutique

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2019 quer dizer 30 anos de Paul’s Boutique, um dos grandes discos do século passado, que cimentou a carreira do trio nova-iorquino Beastie Boys livrando-os da pecha de hooligans norte-americanos para abraçar o novo vintage dos anos 90. Ao se mudar e parear com os produtores Dust Brothers, o trio se reinventou e caiu de boca na sampladelia, surrupiando bases de hits retrô, pérolas obscuras e clássicos do rock para inventar os anos 90 (deste disco saíram o trip hop, o big beat e o new metal, além de antecipar a viagem aos anos 70 puxada por outro nerd de cultura pop que surgiu naquela década, Quentin Tarantino). Escrevi e elenquei os samples quando o disco completou dez anos de idade, por isso é delicioso vê-los em movimento, lado a lado com as faixas que formam o disco, neste vídeo que reúne quase todos os sons sampleados.

E além do texto que escrevi em 1999, também recomendo você assistir ao vídeo com a festa de lançamento do disco bem como o trio comentando o álbum faixa a faixa, quando o disco completou vinte anos.