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Os Beatles voltam a Hamburgo… via BBC

A emissora inglesa BBC acaba de anunciar que irá transformar o livro Hamburg Days, em uma série de seis episódios. Lançado por Klaus Voormann e Astrid Kirchherr em 1999, o livro conta o período em que os Beatles passaram na cidade alemã antes da fama, no início dos anos 60, quando, tocando por horas seguidas em péssimas condições de palco, tornaram-se a banda afiada que conquistaria o planeta nos anos seguintes. Astrid, que morreu em 2020, namorava o então baixista da banda, Stu Sutcliffe, e tornou-se íntima dos ingleses, a ponto de sugerir o corte de cabelo que ajudaria na fama do grupo. Voormann, músico alemão que dividia o apartamento com os caras e deixou seu país para voltar com o grupo para a Inglaterra, onde seguiu carreira musical. Além de ter tocado com todos os Beatles em suas carreiras solo, ele também é o autor da capa do disco Revolver, tocou baixo na primeira versão da Plastic Ono Band de John Lennon (ao lado de Yoko Ono, Eric Clapton e o futuro baterista do Yes Alan White), foi músico de estúdio em “You’re So Vain” da Carly Simon e no disco Transformer, de Lou Reed, e produziu o único hit do grupo alemão Trio, “Da Da Da”. Ele será o consultor criativo da série, que ainda não tem data de lançamento nem elenco definidos, mas que possivelmente será lançada antes da tetralogia sobre a banda que Sam Mendes está dirigindo para estrear em 2028. Não é a primeira vez que esse período da carreira da banda ganha uma versão audiovisual – em 1994, o filme Backbeat – que no Brasil virou Os Cinco Rapazes de Liverpool – contava a história dessa época da banda, com Stephen Dorff e Sheryl Lee (ela mesma) fazendo o casal Stu e Astrid, que era o centro da história. O filme ainda contava com uma trilha sonora tocada por uma banda criada apenas para tocar as músicas que os Beatles tocavam na época, reunindo a fina flor dos anos 90: Dave Pirner (Soul Asylum), Greg Dulli (Afghan Whigs), Thurston Moore (Sonic Youth), Don Fleming (Gumball), Henry Rollins (Black Flag), Mike Mills (R.E.M.) e Dave Grohl (Nirvana). O filme é besta como toda comédia romântica dos anos 90, mas essa trilha… Será que a nova série vai ter uma versão atualizada desse time? Se tiver será formada só por ingleses, lógico…

Geese ♥ New Radicals e Beatles

Vocês estão acompanhando a ascensão do Geese? A banda nova-iorquina existe há quase dez anos, mas só após o lançamento do primeiro disco solo de seu vocalista Cameron Winter, Heavy Metal, no fim do ano passado, começou a chamar atenção da mídia alternativa nos EUA, que começou a perceber que a banda vinha conquistando um público cada vez maior com músicas longas e difíceis, um vocalista de timbre estranho, um baterista animal e apresentações fulminantes. Seu quarto e recém-lançado disco, Get Killed, está dividindo opiniões entre as pessoas que não acham que eles sejam tudo isso, gente que tem certeza que eles são os próximos Strokes e outros que acham que a banda é uma armação. O fato é que eles são a primeira banda da geração Z a ganhar destaque nos Estados Unidos e isso conversa com um movimento que está acontecendo no mundo todo – novos adolescentes que, um pouco antes ou durante a pandemia, descobriram o prazer de tocar juntos sem que isso fosse pensado como uma carreira formal ou uma forma de ganhar dinheiro – e a energia desse encontro atrai cada vez mais gente da mesma faixa etária encantada com esse superpoder que é ter uma banda de rock que parece ter caído no esquecimento do mercado e da mídia. É o mesmo movimento que tenho registrado aqui no Brasil no Inferninho Trabalho Sujo, uma das inúmeras iniciativas – entre selos, casas noturnas, festas, sites e fanzines – que tentam acompanhar essa novidade que a mídia convencional literalmente ignora. O disco novo não me bateu tanto quanto o solo de Cameron, mas o caso do Geese não é só questão de gosto: eles estão cada vez mais populares e o hype tem gerado notícias constantes sobre o grupo, que acaba de gravar uma improvável versão para o único hit dos New Radicals, “You Get What You Give”, na rádio BBC. Dá uma sacada…  

Demi Lovato ♥ Lady Gaga

Enquanto rola esse boato que talvez a Demi Lovato toque no Brasil esse ano (fora esse outro da Adele, mas isso é outra história – em outra cidade), ela lança um vídeo no Live Lounge da BBC cantando um medley com duas pérolas do disco mais recente de Lady Gaga, que, vamos combinar, é um dos discos desse ano. E Demi faz bonito ao emendar “Disease” com “Perfect Celebrity”, diz aí…

Assista abaixo:  

E as Haim fazendo mashup de Addison Rae com Janet Jackson?

As irmãs Este, Danielle e Alana acabaram de lançar disco novo sexta passada e na rodada de divulgação de I Quit passaram pela BBC, quando fizeram uma versão para “Headphones On”, da sensação Addison Rae, e aproveitaram para emendar com “Got ’til It’s Gone”, hit de Janet Jackson, que, por sua vez, sampleia “Big Yellow Taxi”, da Joni Mitchell, que Danielle reforçou ao reverenciá-la dizendo que “Joni Mitchell nunca mente”, antes de cair num solo daqueles. Coisa fina.

Assista abaixo:  

Todo o show: Neil Young ao vivo na BBC, 1971

Passo fundamental na consolidação da carreira solo de Neil Young, sua apresentação no teatro da BBC no dia 23 de fevereiro de 1971, em Londres (que só foi exibido no dia 26 de abril), tinha enorme parte de seu repertório ainda inédita, incluindo músicas que hoje são clássicos do cantor canadense, a maioria do disco Harvest, que só seria lançado em 1972 (como “Out On The Weekend”, “Old Man”, “Cowgirl In The Sand”, “Heart Of Gold” e “A Man Needs A Maid”). Do repertório exibido no programa original, que pode ser visto abaixo na íntegra, apenas “Don’t Let It Bring You Down” e “Dance Dance Dance” já haviam sido lançadas. “Journey Through The Past”, por exemplo, só viria a público décadas depois, mesmo com uma trilha sonora que levava seu título (mas não a trazia no repertório). O site Sugar Mountain, especializado nos setlists do velho bardo, lista que outras músicas foram tocadas naquela apresentação e, tirando “The Needle And The Damage Done”, que entrou em Harvest, todas as outras quase entraram no disco de 72, mas só surgiram oficialmente em discos ao vivo e coletâneas que o autor lançou ainda nos anos 70 (como “Love In Mind”, “I Am A Child” e “There’s A World”). Além destas, só “Tell Me Why”, que também não foi exibida, já havia sido lançada. Fica então aí uma senhora lacuna na discografia de um autor obcecado pelo próprio completismo. Assista abaixo à apresentação e compare os setlists original com o que foi transmitido:  

Tame Impala ♥ Nelly Furtado

kevinparker

Em uma participação remota feita para o programa da radialista inglesa Annie Mac na BBC, Kevin Parker fez seu Tame Impala a revisitar o hit “Say It Right” de Nelly Furtado, em mais uma deliciosa versão ipsis literis que o prodígio australiano faz para hits do R&B contemporâneo.

E ele sempre manda bem…

David Bowie: “Which came as a surprise…”

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O baú póstumo de David Bowie está longe de ver seu fim – e na data que completaria 73 anos, sua gravadora Parlophone começa a mostrar o disco que está preparando para o Record Store Day em abril. A apresentação ao vivo na BBC chamada de ChangesNowBowie foi gravada em novembro de 1996 enquanto Bowie preparava-se para comemorar seu aniversário no ano seguinte numa apresentação no Madison Square Garden (quando o especial foi ao ar na emissora inglesa). No show, Bowie contou com uma banda formada por Gail Ann Dorsey, Reeves Gabrels e Mark Plati, que releu clássicos de sua carreira enquanto era entrevistado pela apresentadora Mary Anne Hobbs e recebia os parabéns de nomes como Scott Walker, Robert Smith, Damon Albarn e Bono Vox.

O disco será lançado em edição limitada em abril (a ordem das faixas vem abaixo) e a faixa recém-revelada também faz parte do EP digital Is It Any Wonder?, que será dissecado nas próximas semanas e conterá cinco faixas também inéditas de diferentes fases de sua carreira.

“The Man Who Sold The World”
“The Supermen”
“Andy Warhol”
“Repetition’
“Lady Stardust”
“White Light/White Heat”
“Shopping For Girls”
“Quicksand”
“Aladdin Sane”

Máquina do Tempo: 4 de janeiro de 1969

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4 de janeiro de 1969 – Jimi Hendrix é banido da BBC

Jimi Hendrix é banido da BBC

Jimi Hendrix não deixou barato. Sua banda, o Jimi Hendrix Experience, estava agendada para aparecer no programa da cantora e apresentadora inglesa Lulu na emissora BBC no dia 4 de janeiro de 1969. O combinado com a produção do programa era que Hendrix tocaria duas de suas músicas para depois acompanhar Lulu cantando seu grande hit, a balada açucarada “To Sir With Love”.

Hendrix não gostou do combinado, principalmente porque a canção era a música-tema do filme “Ao Mestre Com Carinho”, que tinha como protagonista um professor negro (interpretado por Sidney Poitier) em uma história sobre as tensões raciais em uma sala de aula. A princípio, a banda parecia seguir o roteiro, tocando uma longa versão para sua “Voodoo Child” seguida de “Hey Joe”, quando Lulu entraria no palco para dividir sua canção. Mas Hendrix cortou sua aparição subitamente e, no microfone, esbravejou que “vamos parar de tocar essas bobagens e dedicar uma canção para o Cream, não importa que tipo de grupo eles eram. Dedicamos essa a Eric Clapton, Ginger Baker e Jack Bruce”. Em seguida emendou uma versão instrumental para “Sunshine of Your Love”, o maior hit do Cream, que havia anunciado sua separação semanas antes.

O incidente fez Jimi Hendrix ser banido da BBC – e inspirou um incidente parecido com Elvis Costello no programa “Saturday Night Live”, oito anos mais tarde.