O trio irlandês Kneecap, dos grupos mais importantes do pop atual principalmente por não afastar-se de questões políticas tidas como “delicadas” pela mídia tradicional, está em contagem regressiva para o lançamento e seu próximo álbum, Fenian (programado para o dia 24 de abril), e contou com a benção de ninguém menos que Banksy no lançamento de seu single mais recente, “No Comment”. O enigmático e provocador grafiteiro inglês cedeu ao grupo o uso da imagem “London High Court”, que apareceu em setembro do ano passado no muro da Corte Real de Justiça inglesa e trazia um juiz levantando um martelo para agredir um manifestante. O pixo foi apagado em pouco tempo, mas agora foi eternizado quando o grupo pode usá-lo em seu single. “Você não consegue lavar um genocídio”, esbravejou o trio no lançamento do single, “sua cumplicidade sempre permanecerá.”
Uma teoria elaborada no início do ano por um site escocês a partir de um rumor começa a repercutir online: o renomado e anônimo grafiteiro subversivo Banksy na verdade seria uma identidade secreta criada por Robert “3D” Del Naja, integrante do trio de trip hop Massive Attack. O rumor teria começado a partir de alguém ligado à revista italiana Il Cartello, mas começou a ganhar forma a partir de uma investigação feita pelo site Tenement TV.
A hipótese parece absurda, mas uma série de pontos em comum foram sendo levantados – além do fato dos dois artistas serem ingleses, contemporâneos e de 3D ser o responsável pelo visual do Massive Attack. Essa conexão levou ao livro 3D & the Art of Massive Attack, que tem seu prefácio escrito pelo controverso artista visual: “Quando eu tinha 10 anos, um garoto chamado 3D estava mostrando serviço ao pintar as ruas. 3D deixou de pintar e formou a banda Massive Attack, que pode ter sido uma boa para ele, mas foi uma grande perda para a cidade.”
A partir daí, a investigação do site conectou grandes aparições do artista com as turnês internacionais do grupo: o aparição do Massive Attack em Los Angeles, em setembro de 2006, coincide com o famoso incidente de Banksy na Disneylândia californiana, doze dias após o show do grupo.
A residência de Banksy em Nova York em 2013, que começou com um mural pintado no dia primeiro de outubro, bate também com os shows que a banda fez na cidade no final de setembro daquele ano por quatro noites.
Uma série de outras aparições de obras públicas do artista, famoso justamente por deixar sua marca sem aviso, também batem com outros shows da banda de Bristol. O site até entrevistou um velho colaborador do grupo, o músico e engenheiro de som Euan Dickinson, sobre o rumor: “Sei que o Massive (Attack) é bem lento pra lançar músicas, mas nunca me ocorreu que ele pudesse ser Banksy, a não ser que ele estivesse me enganando também.”
Mas uma coisa é certa: mesmo que seja apenas uma teoria, ela vai ajudar a divulgar o trabalho do grupo, que aos poucos está preparando um novo disco. O grupo lançou um EP através de seu próprio aplicativo Fantom e uma das faixas, “The Spoils” com a cantora Hope Sandoval, teve clipe com Cate Blanchett, olha aí:
Banksy aprontou outra. A partir dessa sexta-feira ele inaugura sua própria Disneylândia, batizada de Dismaland, que criou em um terreno abandonado no sudoeste da Inglaterra, perto de Bristol. Como o nome entrega (“dismal” quer dizer “sombrio” em inglês), o parque temático é uma enorme piada de humor negro com o astral de 100% felicidade e alegria que é vendido nesses ambientes, trazendo brinquedos e atrações que criticam e ridicularizam tanto os parques quanto o sistema que o permite funcionar assim – uma extensão natural da obra do artista guerrilheiro. Dismaland também é uma exposição temporária coletiva, em que Banksy chamou alguns de seus comparsas para criar esse passeio que funcionará por cinco semanas e só aceita visitas com viagem agendada (dá pra agendar aqui). E as próximas sextas, a partir das próximas, terão shows no palco do parque, recebendo nomes como Massive Attack, DJ Yoda, Run the Jewels, Savages, Pussy Riot e Kate Tempest, entre outros.
Phone Lovers, a nova obra de Banksy, foi disposta no fim de semana passado quando o artista e um colega afixaram-na em um clube de boxe infantil de sua cidade-natal, em Bristol (as imagens foram registradas em vídeo e podem ser vistas no vídeo da BBC, abaixo). A obra foi retirada da parede e o dono do clube irá vendê-la para salvar seu negócio – ele acredita que tenha sido esta a intenção de Banksy ao deixar a obra ali.