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Queremos abraçando o soul jazz

E antes da quinta acabar ainda pude ver a segunda noite dos shows que o Queremos fez em São Paulo, antecipando o festival que farão no sábado no Rio de Janeiro. Mais uma vez na Áudio, a produtora carioca reuniu duas atrações internacionais relativamente desconhecidas que trouxeram um bom público para a casa entrando na onda dos dois artistas, nomes em ascensão na cena soul jazz londrina. Quem começou a noite foi a impressionante Adi Oasis, que empunhando seu baixo com uma desenvoltura invejável, como seu carisma igualmente intenso, conquistou facilmente o público – e citar “Onda” do Cassiano ou chamar Luedji Luna para dividir o palco foram só as cerejas de uma apresentação de peso. Depois foi a vez do produtor e tecladista Alfa Mist, que levou o público para uma viagem mais jazz cabeçuda, que rapídamente hipnotizou os presentes. Mas acho que se a ordem das atrações fosse invertidas – deixando Adi Oasis para encerrar o dia -, a noite terminaria num clima ainda mais pra cima e alto astral do que terminou.

Assista abaixo:  

Lavando a alma no grito

Por motivos de Centro da Terra não consegui ver o show do Bikini Kill desde o começo, mas que bordoada! A banda parece ter saído direto dos anos 90 de tão intacta que está – desde o vigor das músicas ao timbre de voz de Kathleen Hanna até a presença de palco de todas as instrumentistas. Claro que todos os olhos se firmam na sacerdotisa hipnótica do rock enquanto mulher, mas o resto da banda – a baterista Tobi Vail, que por vezes assumiu o vocal, a estonteante baixista Kathi Wilcox e a virulência da guitarra de Sara Landeau (única integrante que não fazia parte da formação original) – faz jus à reputação de grupo, de gangue, expandindo sua coletividade para o resto do público, grande parte dele formado por fãs extasiadas por estarem realizando o sonho de uma vida. O primeiro show do Bikini Kill no Brasil não só foi pautado pelo lema da banda – garotas na frente, gritado em inglês pelas fãs o tempo todo – quanto pelos sermões puxados por Hanna, falando sobre gênero, dando esporro nos caras que poderiam estar ameaçando quem não fosse homem, rindo com as fãs ao lembrar histórias da banda e feliz por estar tocando a primeira vez no país, enquanto as quatro desciam a lenha de forma simples e sem rodeios, colocando o dedo na tomada por nós, pecadores. O Áudio estava lotado como eu não via há muito tempo (e cheio de gente conhecida) e esse é outro grande feito da noite: um evento independente, bancado por duas pequenas forças da cena que tornaram essa noite possível: a Associação Cecília e o Girls Rock Camp. Uma noite histórica.

Asissta abaixo:  

Mais Bikini Kill!

E vocês viram que abriu uma data-extra pro show do Bikini Kill no Brasil? Depois dos ingressos pro show do dia 5 de março do ano que vem evaporarem, a Associação Cultural Cecília, que está produzindo o show que acontece na Áudio, acaba de anunciar outro show das heroínas no dia 14 deste mesmo mês. Os ingressos começam a ser vendidos na quarta-feira, a partir da uma da tarde tanto pelo site da Ticket360, quanto na Associação Cecília e na Áudio (nesse caso, sem as taxas de conveniência). E a bela ilustração do cartaz é da mesma Letícia Moth que já tinha feito aquele coração bonito do pôster anterior.

Bikini Kill no Brasil!!!

Vamos começar a fazer a caixinha pros shows do ano que vem, porque se já não bastasse o Pavement, agora é a vez da confirmação da primeira vinda de ninguém menos que o Bikini Kill para o Brasil! Quem está trazendo a clássica banda para o país é ninguém menos que a Associação Cultural Cecília, que realizará a apresentação na Áudio no dia 5 de março de 2024. Os ingressos começam a ser vendidos na quarta-feira, tanto no site da Ticket360, quanto nas bilheterias da casa de shows e da própria Associação Cecília, custando a partir de R$165,00. E olha que foda: parte da arrecadação dos ingressos irá para a instituição Girls Rock Camp Brasil e os alimentos entregues na compra da meia entrada social — que vale para todos — serão doados para as aldeias Tekoa Pindo Mirim & Tekoa Itakupé, daqui de São Paulo. Sensacional!

Como foi o show do Spiritualized na quinta-feira passada em São Paulo

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Foi de chorar.


Spiritualized – “Sound of Confusion”

Jason Pierce trouxe apenas o broder Tony Foster para acompanhá-lo ao teclado elétrico, enquanto empunhava apenas um violão à sua frente. Jason de branco, Tony de preto, um de frente para o outro, ladeados por oito brasileiras divididas em dois quartetos: de preto ao lado de Tony, as cordas; de branco ao lado de Jason, o coral.


Spiritualized – “Feel So Sad”

Uma formação simples que, auxiliada pelo sofrimento gospel das canções do Spiritualized elevou algumas almas na quinta-feira passada, no Audio Club. Cheguei depois do comecinho do show (perdi “True Love Will Find You In The End” de Daniel Johnston), pois saí correndo do curso que estava dando no Espaço Cult (depois falo mais dele aqui), mas consegui pegar mais de uma hora da apresentação que, embora tenha sido assistida em tom solene pela maioria do público, teve seu brilho arranhado por idiotas gritando “toca Raul” em pleno 2014 ou gritando time isso, time aquilo.


Spiritualized – “Stop Your Crying”

Fora esses, a apresentação foi exemplar, Jason moveu os corações dos presentes com suas músicas tristes e hinos a amores passados – não à toa vi mais de um marmanjo debulhar-se em lágrimas durante o show.


Spiritualized – “Ladies and Gentlemen We are Floating in Space”

Músicas simples, mantras circulares envoltos por cordas e um coral gospel que por vezes preenchiam delicadamente os vazios budistas de algumas canções, noutras dava o tom épico ou emotivo que a melodia original apenas insinuava.


Spiritualized – “Broken Heart”

Mas a apresentação Acoustic Mainlines, por mais comovente que pôde ser, é metade do que é o Spiritualized. Várias canções pediam o início de arrebatamento tradicionalmente puxado por viradas de baterias retumbantes ou riffs de guitarra espaciais – e por mais que nossos egos fossem dissipados pelos singelos versos gospel sussurrados por um Jason que quase não se comunicou com o público, fora alguns vagos “obrigado”.


Spiritualized – “Too Late”

Visitando músicas de seus discos mais recentes, a apresentação teve, entre seus grandes momentos, a versão abrasileirada de “I Think I’m in Love”, quando o coral revelou-se brasileiro, respondendo ao refrão com versos em português. Alguns torceram o nariz e acharam brega, mas achei um bonito gesto de saudação ao público brasileiro que não destoou do clima reverente da canção original.


Spiritualized – “I Think I’m In Love”

Um show comovente, mas que funcionou mais como aperitivo para um show completo do Spiritualized, que, um dia, quem sabe, dá as caras por completo por aqui.


Spiritualized – “Goodnight Goodnight”

De La Soul no Brasil!

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Depois de uma apresentação relâmpago no Tim Festival de 2005, o trio mais carismático do hip hop finalmente vem dar as caras no país em um show só seu. O De La Soul se apresenta em São Paulo na comemoração de 12 anos da clássica festa Chocolate (cacete, já se vão doze anos?) no dia 25 de julho no Audio Club e o preço dos ingressos é bem razoável, confere aqui.

Cut Copy no Brasil

cutcopy

A banda australiana marcou a data de sua próxima vinda ao país – ela acontece no dia 6 de julho junho, na nova casa Audio, na Barra Funda, em São Paulo (e os ingressos já estão à venda online). Abaixo, as duas vezes que assisti à banda, em 2011: primeiro em julho no Wireless Festival em Londres e depois em outubro no HSBC Hall em São Paulo.


Cut Copy – “Hearts on Fire”


Cut Copy – “Take Me Over” / “Feel the Love”