Tumblr do dia: B4XVI

B4XVI-00

Cecilia Azcarate se prestou a uma tarefa heróica – traçar os paralelos entre a cultura hip hop no século 21 e o mundo da arte antes do século 16. O resultado é este tumblr maravilhoso – separei umas imagens abaixo:

 

Ode a uma flor, de Richard Feynman

odetoaflower

Uma citações mais conhecidas do físico Richard Feynman, uma das cabeças mais incríveis do século 20, tornou-se animada graças a Fraser Davidson, que transformou o trecho de uma entrevista à BBC no curta abaixo:

A Lia traduziu (valeu!) e o original em inglês vem a seguir:

Eu tenho um amigo que é artista e as vezes tem um ponto de vista que eu não concordo muito. Ele segura uma flor e diz “olha como é bonita”, e eu concordo. Daí ele diz “ Eu como um artista consigo ver o quão bonita ela é mas voce como cientista despedaça e faz com que seja uma coisa sem graça”, e eu penso que ele é um tipo de louco. Primeiramente, a beleza que ele vê esta disponível para outras pessoas e para mim também, acredite…

Eu consigo apreciar a beleza da flor. E ao mesmo tempo, eu vejo tanto mais do que ele consegue ver nessa flor. Eu poderia imaginar as células dela, a complexidade das células dentro dela, o que também é bonito. O que quero dizer é que não há somente a beleza nessa dimensão, em um centímetro; existe beleza tambem nas menores dimensões, na estrutura interna, e no processo. O fato de que as cores da flor desenvolvem-se em ordem de atrair os insetos para polenizar e interessante; isso significa que os insetos podem ver cores. E adiciona uma questão: o senso de estética também existe nas menores formas? Porque isso é estética? Todos os tipos de excitamento, de mistério e de admiração para uma flor. Isso só adiciona. Eu não entendo como isso pode subtrair.

 

Quem precisa de televisão?

whoneedstv

Imagina…

4:20

ox

Esculturas de metal ao vento

AnthonyHowe

Eis o trabalho do norte-americano Anthony Howe. Deixe-se levar…

Tem mais aí embaixo:

 

4:20

abramovic-with-it

Música no balanço

21 balanços foram construídos em Montreal, no Canadá, e cada um deles dispara uma série de som ao ser usado. O truque é fazer música coletivamente, pois quanto mais gente balançando, mais música.

Muito bom.

Let’s Paint TV

Pare o que está fazendo e assista isso:

Sacou?

Não? Pois então…

É um programa de TV. De verdade. “Para pessoas que gostam de fazer tudo ao mesmo tempo!”. John Kilduff pinta quadros ao mesmo tempo em que anda em uma esteira de ginástica e tenta fazer outra uma terceira coisa diferente por programa (fazer a barba, fazer sushi, fazer drinks, por exemplo). Não bastasse tudo isso, ele às vezes faz o programa ao vivo e responde a ligações de telespectadores enquanto faz tudo isso. Let’s Paint TV é um programa ao vivo, existe desde 2002 e é transmitido até até hoje pela TV pública de Los Angeles.

Mas é arte? Ou é só coisa de americano?

Pacolli que veio com essa, tem mais vídeos desse maluco aí embaixo:

 

Arte e emprego – o divino e o terreno, por Pitty

Uma frase no livro novo do Arnaldo fez a Pitty escrever um post no Facebook sobre arte e trabalho, que o Bruno republicou na fanpage do URBe (já curtiu?) – daí eu perguntei pra ela se podia publicar aqui, ela ficou encabulada, porque escreveu o texto sem maior pretensão, mas no fim liberou. A discussão é bem pertinente – e a foto que ilustra o post foi tirada pela Pitty, no SXSW desse ano:

“As pessoas gostam de falar mal das bandas que cedem às pressões do mercado, mas fazem a mesma coisa todo dia de 9 às 6.”

Arnaldo Branco, em seu novo livro, sintetizando um pensamento que volta e meia me ocorre.

Mas aí me ocorreu um outro: por quê sentimos isso em relação a arte e não a um emprego, entre aspas, comum? Talvez porque intuimos (ou nos condicionamos, ou aprendemos) que a arte é sagrada, e partindo desse suposto caráter “divino” não pode ser maculada ou influenciada por quaisquer questões demasiado terrenas tais como ter que pagar o aluguel no final do mês. E talvez não sintamos isso em relação a empregos “comuns” por uma culpinha cristã: se você exerce uma atividade que não gosta e é extenuante, sua compensação, se não emocional e intelectual, deve ser financeira. Se escolheu fazer o que gosta- privilégio de desaforados pois “estamos aqui para sofrer”, nada mais justo que seja punido por esta insolência com a miséria.

Romantizamos os artistas falidos, os que sofreram, passaram perrengues em nome da arte porque aos nossos olhos tornam-se mártires: penaram e pagaram com sua própria existência para que outros artistas, num futuro mais brilhante pudessem exercer o ofício dignamente. É um quase se “jesusificar”; eu me sacrifico para que um dia possa ser melhor. É como uma promessa de pureza, pueril e idealista; idealizada e nobre, porquanto bela.

Gosta-se de heróis, precisa-se deles… mas confesso maior simpatia pelo anti-herói, aquele que não é necessariamente o antônimo, mas que apenas se permite ser humano e fazer suas cagadinhas pelo meio do caminho. Que se desvela do tal suposto caráter divino, que abdica de ser santo e mártir e assume que pagar as contas é algo bem legal. E mais ainda, que é mágico: constrói com maestria a ilusão de que está jogando o jogo e dá a volta em todos os mecanismos, e os usa a seu favor.

No final, o mais legal e o mais difícil é aquele que consegue abarcar o melhor dos dois mundos; o divino e o terreno. Que consegue manter sua arte imaculada no sentido de liberdade criativa, mas que não se sente culpado de ser remunerado por ela. E que entende que certas concessões se justificam lá na frente, que tudo tem peso e medida, e que recuar no campo de batalha é só estratégia para se posicionar melhor e mais forte.

Voltando a Arnaldo: talvez por conveniência, talvez por covardia, ou quem sabe por justiça; a sentença me vestiu como o mais bem cortado terno.

Valeu, Pitty.

4:20