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Renasce o monstro

Noite histórica. Ao recriar mais uma vez seu clássico de 1980 no palco do Sesc Pinheiros neste sábado, Arrigo Barnabé reforça o papel fundamental de sua obra-prima na história da música brasileira ao sublinhar com a ênfase necessária que ela só aconteceu devido ao contexto em que foi concebida, a cena que surgiu ao redor do mitológico teatro Lira Paulistana, no início dos anos 80. Arrigo arregimentou parte da Banda Sabor de Veneno da gravação original, entre eles o trombonista Ronei Stella, o tecladista Bozo Barretti, os saxes de Manuel Silveira e Chico Guedes, a bateria de seu irmão Paulo Barnabé e as vozes de Suzana Salles e Vânia Bastos, acrescidas das presenças de Ana Amélia e Tetê Espíndola. Acompanhando Tetê ao piano num momento fora do roteiro do disco original, o compositor paranaense passeou por duas de suas composições para celebrar a presença da amiga, “Canção dos Vagalumes” (que resumiu como “canção-manifesto do sertanejo lisérgico” que a vocalista do Mato Grosso do Sul fazia parte naquele período) e “Londrina”, além de visitar, em outros momentos da noite, “Mente Mente”, de Robinson Borba, que gravaria na trilha sonora do filme Cidade Oculta, e improvisar o começo de “Noite Fria”, de Itamar Assumpção, com as vocalistas antes de começar o bis. E ao entrecortar a ópera dodecafônica sobre o monstro mutante surgido a partir de uma experiência a que um office-boy se submete, por falta de dinheiro, nas entranhas de São Paulo com estas composições, Arrigo reverenciou a cena em que surgiu numa apresentação de fôlego para um teatro lotado. “43 anos…”, desabafou, rindo, com sua voz grave no início do espetáculo. “Inacreditável, a gente tocava isso em 1980, por isso que chamavam de vanguarda”.

Assista aqui.  

Lira Paulistana e a vanguarda de São Paulo, ontem e hoje

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Fui convidado para participar de um debate com Arrigo Barnabé neste sábado, a partir das 19h30, dentro do projeto Lira Paulistana: 30 Anos. E Depois? que o Sesc Ipiranga está organizando desde o inicio do mês. O debate vai ser mediado pelo Edson Natale (Itaú Cultural) e a entrada é gratuita. Abaixo, o tema da discussão de hoje.

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Embora tenha reunido uma variedade de experiências estéticas – portanto, sem uma identidade unificadora -, a chamada Vanguarda Paulista, que teve como seu ancoradouro o espaço do Lira Paulistana, trouxe dentro do seu balaio propositivo uma postura desafiadora em relação à música popular. Pensando na produção contemporânea, os convidados discorrem sobre os caminhos de criação musical e como se desenha hoje, na cidade, os espaços catalisadores da nova produção e dos diversos experimentalismos. Com Arrigo Barnabé (instrumentista, arranjador e compositor) e Alexandre Mathias (jornalista brasiliense, responsável pelo blog de cultura pop “Trabalho Sujo”). Mediação de Edson Natale.

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