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Em transformação

Com duas datas lotadas no teatro do Sesc Pinheiros neste fim de semana, Ana Frango Elétrico brincou que estava fazendo uma microtemporada de um show de transição ao fazer a estreia no sábado e o encerramento no domingo. Mas realmente não dá pra dizer que os shows que aconteceram nestes dias são os mesmos que ela vinha fazendo até o final do ano passado ao divulgar seu terceiro álbum, Me Chama de Gata Que Eu Sou Sua, de 2023. Mais próximo de um show de carreira – passando por seus três álbuns – do que de um dedicado ao disco mais recente, a apresentação já começava diferente ao isolar Ana no meio dos músicos, reforçando seu papel de intérprete e performer, mais do que o de band leader. Seu papel de instrumentista mesmo ficou em segundo plano, ainda que tenha tocado guitarra parte considerável do show, preferindo ornar sua figura à luz deslumbrante de Olívia Munhoz, que optou por degradês de tonalidades intensas projetadas sobre um telão ao fundo, emoldurando a figura da cantora em Rothkos de luz coloridas (quase sem verde, principal cor do show anterior). Trocando poucas palavras com o público, sem fazer bis e emendando uma música na outra, ela deixou os fãs – que cantavam todas as letras – enfeitiçados, mesmo em trechos que desconheciam, que podem apontar os próximos rumos musicais da artista, como as versões que fez para “O Leão e o Asno” de seu compadre e guitarrista de sua banda Vovô Bebê e de “Cérebro Eletrônico”, de Gilberto Gil. Um show intenso que ainda contou com assinaturas do show do disco anterior, como “A Sua Diversão” e o mashup de “Não Tem Nada Não” de Marcos Valle com “Gyspsy Woman” de Crystal Waters (marca registrada dos show do Me Chama de Gato…), além de novos arranjos para músicas já conhecidas e uma versão furiosa para “Mulher Homem Bicho”, que encerrou o show. Ana está pegando fogo!

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Um festival com Arthur Verocai, Stereolab, Ana Frango Elétrico, Mulatu Astatke, Jazzanova e muito mais…

Olha a escalação desse festival! O DJ e produtor inglês Gilles Peterson acaba de anunciar a próxima edição do festival We Out Here, que ele realiza na Inglaterra desde 2019, e já trouxe nomes como Hermeto Pascoal, Pharaoh Sanders, Ebo Taylor e The Comet Is Coming, e quem está no topo do cartaz é o maestro brasileiro Arthur Verocai, que apresenta-se acompanhado da Nu Civilization Orchestra. A programação ainda inclui o mestre do jazz etíope Mulatu Astatke, os nossos favoritos Stereolab, a vocalista do grupo Little Dragon, Yukimi, o mestre do drum’n’bass Adam F, a rapper zambiana Sampa the Great, o coletivo alemão Jazzanova e nossa querida Ana Frango Elétrico, entre outros. O festival acontece entre os dias 20 e 23 de agosto do ano que vem e já está com ingressos à venda.

Ana Frango Elétrico com Marcos Valle e Chico César com Aguidavi do Jêje

Nos dias 11 e 12 de dezembro, o Auditório Simon Bolívar, no Memorial da América Latina, em São Paulo, recebe dois encontros memoráveis. O projeto Noites no Memorial recebe, na sexta-feira, dia 11, o paraibano Chico César acompanhado da orquestra de percussão baiana Aguidavi do Jêje, que acaba de passar por São Paulo dentro da programação do Sesc Jazz. No dia seguinte, num sábado, é a vez de dois cariocas recém apresentados – Ana Frango Elétrico e Marcos Valle – encontrarem-se pela primeira vez no palco. Os dois shows terão abertura do cantor e compositor Joaquim. Os ingressos já estão à venda.

Finalmente, Vovô Bebê!

Finalmente Vovô Bebê trouxe seu ótimo Bad English, disco com músicas em inglês que compôs durante a pandemia e que lançou no semestre passado, para uma apresentação ao vivo, que aconteceu dentro da bissexta mas resistente programação do Prata da Casa do Sesc Pompeia. Veio acompanhado de uma banda de ouro, reunindo velhos e novos camaradas, cada um com suas próprias carreiras em segundo plano para celebrar o trabaho do compadre: Gabriel Ventura na guitarra, Carol Mathias nos teclados, Guilherme Lírio no baixo e Uirá Bueno na bateria. E para não perder a oportunidade – afinal shows dele em São Paulo são menos frequentes do que gostaríamos – ele não só passou por boa parte do repertório do disco novo como visitou músicas de seus outros discos. E no meio de “Briga de Família”, música que batiza seu disco de 2020, recebeu a participação não anunciada de Ana Frango Elétrico, que subiu no palco quando a música se metamorfoseou num improvável mashup com a pedrada “Cross the Tracks (We Better Go Back)”, de Maceo & The Macks. Ana seguiu no palco por mais duas canções, quando primeiro dividiu os vocais de sua “Coisa Maluca” como Vovô, que é coautor da canção, para depois descambar na espetacular “Insista em Mim”, uma das melhores músicas brasileiras dessa década. Showzaço, cheio de gente artistas na plateia, todos esperando há um tempão por esse show.

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Ana Frango Elétrico ♥ Marcos Valle (e Crystal Waters!)

Às vésperas de despedir-se de seu terceiro disco em uma série de shows pelo Brasil, Ana Frango Elétrico lança o segundo single posterior ao lançamento do disco, que acaba funcionando como complemento ao álbum de 2023. Depois da deliciosa “A Sua Diversão” é a vez de ela registrar numa mesma música, as duas versões alheias que toca no show para além do repertório do álbum, quando visita a parceria de Eumir Deodato e João Donato via Marcos Valle, que convidou para participar de sua gravação para “Nâo Tem Nada Não”, que ela emenda com o hit grudento “Gipsy Woman” da hipnotizante Crystal Waters. Coisa fina, saca só:  

“O sábado à noite parece tão longe da segunda de manhã…”

Ana Frango Elétrico começa a despedir-se de seu Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua e além de uma série de shows marcada para o início do semestre, ele resolveu marcar essa fase final do seu terceiro álbum lançando dois singles – a versão de ‘Não Tem Nada Não” que ela tem tocado nos shows (agora com a presença do próprio autor, Marcos Valle) e uma música inédita, a deliciosa “A Sua Diversão”, que ela lançou de súbito no fim desta semana. Sente o drama abaixo:  

Os 20 discos mais importantes desde 2020

Meu camarada Carlos Albuquerque, o bom e velho Calbuque, está na equipe da recém-lançada edição brasileira da clássica revista norte-americana Esquire, que chega impressa ao Brasil em edições especiais. E no primeiro número, ele organizou uma enquete com um júri da pesada incluindo jornalistas, executivos da indústria e artistas (este que vos escreve incluso) para descobrir quais são os 20 discos mais importantes desde 2020 até hoje e o resultado (que pode ser visto abaixo) está nas bancas com um texto de apresentação do próprio Calbuque.

Veja abaixo: