Todo o Disco: Ana Cañas fala sobre Todxs

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Nesta quarta-feira, dia 5 de junho, às 20h, converso com Ana Cañas sobre seu trabalho mais recente, Todxs, um dedo na ferida do patriarcado em forma de disco. É o terceiro encontro série Todo o Disco este ano, que acontece agora no Lab Mundo Pensante, ali no Bixiga. Em duas horas, ajudo-a a dissecar seu álbum – na primeira conversamos sobre a concepção, a composição, a produção e o lançamento para na segunda hora ouvirmos o disco com comentários faixa a faixa da própria Ana. As inscrições podem ser feitas por aqui e você pode confirmar sua presença aqui.

Ana Cañas no CCSP

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A cantora e compositora paulistana Ana Cañas mostra seu disco mais recente, Todxs, neste sábado, no Centro Cultural São Paulo, às 19h (mais informações aqui).

CCSP: Abril de 2019

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Sente o nível da programação que apresentamos na Sala Adoniran Barbosa durante o mês que começa na semana que vem:

4/4 – Tom Zé apresenta um show em comemoração ao cinquentenário de seu disco de estreia, A Grande Liquidação
5/4 – Zé Geraldo, patrono do rock rural
7/4 – Voluntários da Pátria, tocando seu único disco com a mesma formação da gravação, incluindo Miguel Barella, Nasi, Gaspa, Thomas Pappon e Giuseppi Fripp
11/4 – Smack, a mítica banda pós-punk volta ao seu clássico Ao Vivo no Mosh, com Sandra Coutinho, Edgard Scandurra, Fabio Golfetti e Thomas Pappon
12/4 – Semiorquestra mostra seu disco de estreia, Jogos e Quitutes, em show gratuito
13/4 – Ascensão, de Serena Assumpção, é lançado em vinil, em show com Anelis Assumpção, Tulipa Ruiz e Curumin
14/4 – Dois clássicos grupos de rock de São Paulo, Skywalkers e Continental Combo, apresentam-se conjuntamente
18/4 – E Se Rupestre Vingaroda? é uma performance interativa idealizada por Mahal Pita, do BaianaSystem
19/4 – O grupo Bazar Pamplona mostra seu novo disco de graça
20 e 21/4 – Jards Macalé apresenta seu Besta Fera em duas apresentações
25/4 – Jonas Sá mostra seu ótimo disco Puber
27/4 – Ana Cañas apresenta seu disco Todxs
28/4 – Hamilton de Holanda apresenta sua homenagem a Jacob do Bandolim dentro da programação do evento Paulista Cultural

Todo o Disco 2019

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Criada em 2015 como parte das comemorações dos 20 anos do Trabalho Sujo, a série de encontros Todo o Disco (que já teve edições com Siba, Emicida, Cidadão Instigado, Karina Buhr, Tulipa Ruiz, Instituto, Rodrigo Ogi, entre outros) renasce no Mundo Pensante Lab trazendo entrevistas ao vivo com autores de alguns dos grandes discos de 2018. A partir do dia 3 de abril, sempre às quartas-feiras, disseco trabalhos que refletem a excelente produção musical brasileira contemporânea com a presença de seus autores, convidando Anelis Assumpção, Edgar, Maurício Pereira, Luiza Lian, Ana Cañas e Maria Beraldo para falar sobre os discos que lançaram no ano passado.

A enorme quantidade de bons discos lançados no Brasil recentemente contrasta com a mínima discussão sobre estes lançamentos, uma vez que a crítica e o jornalismo musical perderam seu poder de atuação ao serem pulverizados na vastidão de informações da avalanche digital que nos soterra. O curso Todo o Disco foi pensado como uma alternativa presencial para a falta de conexão entre produção criativa e análise crítica, fazendo o artista refletir sobre o disco de uma forma pouco exigida pelo jornalismo brasileiro atual.

São duas horas em que entrevisto o autor da obra: na primeira parte da noite, a conversa fala sobre o processo de criação, composição, produção e gravação, bem como estratégias de lançamento, cuidado visual e conceito do álbum; na segunda parte, ouvimos o disco com os comentários do autor sobre cada faixa. As inscrições para os dois primeiros encontros, com Anelis Assumpção e Luiza Lian, no mês de abril já estão abertas (mais informações no site do Mundo Pensante).

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17 de abril
Anelis Assumpção – Taurina
Em seu terceiro disco, Anelis Assumpção serve um banquete musical azeitado e ao ponto, acertando o ponto da mistura entre o reggae, o samba, a poesia e a música brasileira, num álbum cheio de nuances e sabores específicos e de graves tão presentes quanto sua personalidade.

8 de maio
Maurício Pereira – Outono no Sudeste
Em mais uma ode à urbe, o paulistano Maurício Pereira atiça a beleza corriqueira do cotidiano entre versos longos e frases curtas, buscando uma beleza invisível aos olhos do transeunte que permeia todas as nuances da vida em São Paulo.

22 de maio
Ana Cañas – Todxs
Uma obra minimalista e expansiva, o disco Todxs da paulistana Ana Cañas mistura a canção à fala e a batidas sintéticas, em busca de uma nova sonoridade e de um novo sentido político no Brasil deste fim de década.

5 de junho
Maria Beraldo – Cavala
A cantora, música e compositora Maria Beraldo encontrou um rumo em seu primeiro trabalho solo que conversa com a música de vanguarda, o rock e a música brasileira ao mesmo tempo em que questiona o papel do gênero neste início de século 21.

19 de junho
Luiza Lian – Azul Moderno
Dona de um dos discos mais instigantes do ano passado, a cantora paulista Luiza Lian conseguiu suceder o projeto-objeto Oyá: Tempo com um disco triste e confessional, que flerta com a musica de terreiro, o jazz, o hip hop e a música eletrônica e passar por um processo de desconstrução em sua pós-produção.

17 de abril
Edgar – Ultrassom
O canto falado de Edgar vai muito além do rap e desenha distopias desagradáveis ao ouvido incauto, misturando o apocalipse digital à burocracia do dia a dia e a morte do meio ambiente em uma sonoridade claustrofóbica e tensa. Com o álbum Ultrassom, ele saiu de Guarulhos para conquistar o resto do Brasil com sua estética desesperadora e existencialista.

Não mexe com ela!

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Com seu novo disco Todxs, Ana Cañas chega ao seu melhor álbum ao assumir as rédeas de sua própria carreira – e ela me chamou para escrever o release deste seu novo lançamento.

Ana Cañas vem sorrateira sob um teclado elétrico quente que vai desenhando um ambiente que simultaneamente soa suntuoso e aconchegante. Baixo e beat eletrônico surgem milimétricos, marcando o tempo à espera de algo tenso que parece se avizinhar. A cantora e compositora paulistana entra sussurrando e gritando a letra de “Declaro My Love”, soul de lavar a alma que compôs com Arnaldo Antunes. É o início de Todxs, seu quinto disco, seu trabalho mais ousado e o melhor álbum de sua carreira, que muda completamente o patamar onde ela está atualmente.

O clima romântico cai por terra logo na segunda faixa, “Eu Dou”, quando ela muda completamente o rumo do álbum, colocando o dedo em várias feridas comportamentais, cuspindo frases que sintetizam os interesses que coloca em jogo no álbum: “Dou uns pega, dou uns trago /Nas idéia, dou um trato / Dou pros lek, dou pras manas / Corpo laico, a gente ganha / Dou uns beijo, uns abraçaço / Demorô, bora orgasmo / Quatro e vinte, tô brisando / Tiro a zika e saio andando.” O groove, desenhado mais uma vez pelo teclado, desta vez conta com scratches de uma vitrola para sair do clima intimista da faixa de abertura – afinal é uma canção que fala, sem meios termos, “sou a buceta, não o caralho”.

A faixa-título, que conta com a participação do rapper Sombra, do grupo SNJ, confirma a suspeita: Todxs é um disco minimalista na sonoridade, delicado e sutil, embora tenha peso e groove. Esta aura musical é traduzida também nas letras, concluindo um processo de dois anos desde que ela começou a pensar no disco que sucederia seu Tô Na Vida, de 2015.

Ana começou a entender melhor o rumo que iria seguir a partir de seu envolvimento com o rap e com causas sociais. O marco deste envolvimento é o single “Respeita”, lançado no ano passado, em que ela rimava pela primeira vez e convidava a dupla Instituto (que revelou Sabotage, entre outros nomes do gênero) para produzi-la. Mas mais do que um rap, “Respeita” era uma conexão que Ana fazia com sua própria feminilidade e começar a levantar a bandeira do feminismo e traçar vínculos com movimentos negros, sem teto e de periferia.

Esta nova atitude seria revigorada pela série de shows em homenagem a Belchior, que fez ao lado de Karina Buhr e Taciana Barros (que também coassina a faixa de abertura). Esta última que apresentou Ana a Thiago Barromeu, e que veio acompanhar o trio de cantoras no tributo ao ao cantor e compositor cearense. A conexão com Thiago foi quase que imediata e aos poucos os dois começaram a conversar e a trabalhar juntos – fazendo shows apenas com violão ou experimentando com bases eletrônicas. Foi quando Ana o chamou para produzir o disco – o primeiro trabalho de Thiago nesta função.

Todxs também foi uma oportunidade de Ana se reencontrar como novos e velhos conhecidos, como Tim Maia, Itamar Assumpção, Carlos Posada e Chico Chico. O síndico ressurge em outro momento romântico do disco, na versão que Ana fez para “Eu Amo Você”, que foi eternizada por Tim. Já Itamar vem junto com Chico Chico, filho de Cássia Eller e novo parceiro de Ana, com quem tem feito shows em parceria (num destes, inclusive, conheceu o rapper Sombra, que chamou para rimar no disco). Chico e Ana consolidam este laço com a irresistível “Tua Boca”. O novo cantor e compositor Carlos Posada também é agraciado no disco com seu tocante poema “Tijolo”.

Mas são as novas canções de Ana Cañas que dão a cara do álbum. “Eu Dou”, “Todxs”, “Tão Sua”, a didática e hilária “Lambe-Lambe”, “Independer” (outra parceria com Arnaldo e Taciana) e o hit “A Onça e o Escorpião” mostram a cantora completamente à vontade com sua nova faceta, segura de si e de suas ideias, dando as cartas e determinando as regras de seu próprio jogo. Todxs consagra a maturidade dela tanto como cantora, compositora e personalidade pop e ela está pronta para enfrentar os dragões da maldade que aparecerem em seu caminho (coitado deles). Ana Cañas não está pra brincadeira – seu sorriso de canto e o olhar penetrante são apenas a tradução de canções prontas para conquistar um novo público. Não mexe com ela!

Os 25 melhores discos brasileiros do 2° semestre de 2018

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Mais uma vez, o Pedro Antunes (que agora está na Rolling Stone) revela a lista com os vinte e cinco indicados a melhor disco de 2018 deste semestre de acordo com a comissão julgadora de música popular da Associação Paulista de Críticos de Arte, da qual faço parte ao lado ao lado de Marcelo Costa, Lucas Breda, Roberta Martinelli e José Norberto Fletsch. Coube tudo: experimentalismo e MPB tradicional, música instrumental e dance music, indie rock e rap, música eletrônica e pós-rock. A lista está ótima – como a produção musical brasileira tem sido nos últimos anos.

Ana Cañas – Todxs
Baco Exu do Blues – Bluesman
Bixiga 70 – Quebra Cabeça
BK – Gigantes
Cacá Machado – Sibilina
Carne Doce – Tônus
Diomedes Chinaski – Comunista Rico
Duda Beat – Sinto Muito
E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante – Fundação
Edgar – Ultrasom
Gilberto Gil – Ok Ok Ok
Josyara – Mansa Fúria
Karol Conká – Ambulante
Laura Lavieri – Desastre Solar
Luiza Lian – Azul Moderno
Lupe de Lupe – Vocação
Mahmundi – Para Dias Ruins
Marcelo D2 – Amar É Para Os Fortes
Mulamba – Mulamba
Pabllo Vittar – Não Para Não
Phill Veras – Alma
Quartabê – Lição#2 Dorival
Rodrigo Campos – 9 Sambas
Samuca e a Selva – Tudo Que Move é Sagrado
Teto Preto – Pedra Preta

A lista com os indicados do primeiro semestre está neste link.

Vida Fodona #577: Vamos retomar aí

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Atrasado, mas indo.

Massive Attack – “Safe from Harm”
My Magical Glowing Lens – “Da Serra Pro Mar”
Beatles – “Hey Jude (Take 1)”
Beatles – “Long Long Long (Take 44)”
Beatles – “Revolution (Take 14, instrumental)”
Bob Dylan – “You’re Gonna Make Me Loneseome When You Go (Take 4)”
Beatles – “Can You Take Me Back (Take 1)”
Bob Dylan – “Simple Twist of Fate (Take 3A)”
Bob Dylan – “Tangled Up in Blue (Take 2, Remake)”
Beatles – “Sour Milk Sea (Esher Demo)”
Bob Dylan – “You’re a Big Girl Now (Take 2, Remake)”
Beatles – “Cry Baby Cry (Unumbered Rehearsal)”
Cat Power + Lana Del Rey – “Woman”
Ana Cañas + Chico Chico – “Tua Boca”
Isaac Hayes – “Never Can Say Goodbye”
Beach Boys – “Here Comes the Night”
Olivia Tremor Control – “Can You Come Down With Us?”
Frank Zappa + The Mothers of Invention – “Absolutely Free”
Malu Maria – “Amando do Espaço”

Respeita Ana Cañas!

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Comecei a conversar com a Ana Cañas no ano passado, quando ela estava saindo de seu disco mais recente, Tô na Vida, e começando a ensaiar a série de shows Mulher Galáxia, que apresentou no início do ano ao lado do baixista Fábio Sá. No meio deste processo, ela me mostrou uma música completamente diferente das que já tinha feito. “Respeita” originalmente gravada apenas com voz e violão, havia sido inspirada em um documentário sobre hip hop e cutucava feridas que falam diretamente a essa era feminina (e não só feminista) que estamos atravessando. Ela me disse que iria levar a música para ser produzida pelo Instituto e que queria chamar o João Wainer e pela Isa Brandt para dirigir o clipe – e o papo culminou com o lançamento do clipe que acontece neste sábado, no Centro Cultural São Paulo, às 19h, quando ela promete transformar o lançamento de “Respeita” em um manifesto para dar voz a todas as mulheres.

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Mais informações sobre o show aqui – e o clipe acaba de sair do forno:

A Tábua de Esmeraldas na voz de outros artistas


Zezé Motta – “Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas”

O papo do Queremos me lembrou um email que o Mateus me mandou compilando várias versões que ele encontrou por aí para músicas do Tábua de Esmeraldas do Jorge Ben (pra quem não sabe, pode ser que o Jorge Ben faça um show tocando seu clássico disco voltando ao violão que não encosta desde os anos 70 – uma campanha iniciada pelo Queremos no Facebook). Ele não achou nem “Magnolia” nem “Hermes Trismegisto” – e tolerou umas bombas, como a versão da Fernanda Abreu -, mas, c’est une travail sale, sabemos… Só tive que postar:


Ana Cañas – “O Homem da Gravata Florida”


Seu Jorge + Almaz – “Errare Humanum Est”


Mariana Aydar + Duani – “Menina Mulher da Pele Preta”


Fernanda Abreu – “Eu Vou Torcer”


Los Sebosos Postizos – “Minha Teimosia, Uma Arma pra te Conquistar”


Maquinado – “Zumbi”


O Rappa + Lenine – “Cinco Minutos”

Valeu, Mateus!