50 anos de Álbum Branco

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Escrevi sobre o aniversário de meio século do disco mais conturbado dos Beatles lá no site Reverb.

Um mergulho no Álbum Branco

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Camilo Rocha e Guilherme Falcão me convidaram para participar de mais uma edição do Escuta, podcast do Nexo sobre música, que revisita o Álbum Branco, clássico disco duplo dos Beatles que comemora 50 anos neste 2018, com a presença de outros convidados, como Ricardo Alexandre, Tim Bernardes, Lorena Calabria e Regis Damasceno. Ouça abaixo:

Dissecando o Álbum Branco

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O cinquentenário do disco mais conturbado dos Beatles vai ser comemorado com o lançamento de uma edição deluxe de um dos discos duplos mais clássicos da história. Lançado em novembro de 1968, o disco flagra a fragmentação da maior banda de todos os tempos em registros secos e diretos, sem as firulas e detalhes dos dois álbuns anteriores. A capa espartana e o título direto – The Beatles, álbum branco é um apelido – são algumas pistas de que as coisas não andavam bem dentro do núcleo-duro da banda. Também pudera: sofreram o primeiro fracasso (com o filme Magical Mystery Tour), perderam o empresário Brian Epstein de forma violenta, criaram uma gravadora que não dava dinheiro – e marcava os dez anos em que os três fundadores da banda (John, Paul e George) conviviam continuamente. O peso bateu em Ringo, o primeiro beatle a sair dos Beatles, que ficou fora do grupo por uma semana durante as gravações do álbum.

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O novo Álbum Branco vem em vários formatos: disco duplo em vinil, disco triplo em CD e uma caixa com seis CDs e um blu-ray – e um livro com fotos da época da gravação e textos sobre o período. Mas entre as pérolas que a nova edição traz, temos a íntegra das fitas que o grupo gravou na casa de George Harrison em Esher, talvez a última vez que os Beatles se sentiram como um grupo. Lá, gravaram uma série de demos de músicas que se tornariam o Álbum Branco ou que iriam usar em suas futuras carreira solo. Estas faixas estão reunidas em um único disco, chamado de Esher Demos, seguindo a ordem do disco. Além destas gravações, também há dois discos com versões alternativas para todas as faixas do álbum, reunindo 50 canções. Como, por exemplo, esta versão acústica para uma das melhores músicas de George, “While My Guitar Gently Weeps”.

Eis a relação das faixas dos seis CDs – mais informações na própria página dos Beatles.

CD 1
“Back In The U.S.S.R.”
“Dear Prudence”
“Glass Onion”
“Ob-La-Di Ob-La-Da”
“Wild Honey Pie”
“The Continuing Story Of Bungalow Bill”
“While My Guitar Gently Weeps”
“Happiness Is A Warm Gun”
“Martha My Dear”
“I’m So Tired”
“Blackbird”
“Piggies”
“Rocky Racoon”
“Don’t Pass Me By”
“Why Don’t We Do It In The Road?”
“I Will”
“Julia”

CD 2
“Birthday”
“Yer Blues”
“Mother Nature’s Son”
“Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey”
“Sexy Sadie”
“Helter Skelter”
“Long, Long, Long”
“Revolution 1”
“Honey Pie”
“Savoy Truffle”
“Cry Baby Cry”
“Revolution 9”
“Good Night”

CD 3
“Back In The U.S.S.R. (Esher Demo)”
“Dear Prudence (Esher Demo)”
“Glass Onion”
“Ob-La-Di Ob-La-Da (Esher Demo)”
“The Continuing Story Of Bungalow Bill (Esher Demo)”
“While My Guitar Gently Weeps (Esher Demo)”
“Happiness Is A Warm Gun (Esher Demo)”
“I’m So Tired (Esher Demo)”
“Blackbird (Esher Demo)”
“Piggies (Esher Demo)”
“Rocky Raccoon (Esher Demo)”
“Julia (Esher Demo)”
“Yer Blues (Esher Demo)”
“Mother Nature’s Son (Esher Demo)”
“Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey (Esher Demo)”
“Sexy Sadie (Esher Demo)”
“Revolution (Esher Demo)”
“Honey Pie (Esher Demo)”
“Cry Baby Cry (Esher Demo)”
“Sour Milk Sea (Esher Demo)”
“Junk (Esher Demo)”
“Child Of Nature (Esher Demo)”
“Circles (Esher Demo)”
“Mean Mr Mustard (Esher Demo)”
“Polythene Pam (Esher Demo)”
“Not Guilty (Esher Demo)”
“What’s The New Mary Jane (Esher Demo)”

CD 4
“Revolution 1 (Take 18)”
“A Beginning (Take 4)/Don’t Pass Me By (Take 7)”
“Blackbird (Take 28)”
“Everybody’s Got Something To Hide Except Me And My Monkey (Unnumbered Rehearsal)”
“Good Night (Unnumbered Rehearsal)”
“Good Night (Take 10 With A Guitar Part From Take 7)”
“Good Night (Take 22)”
“Ob-La-Di Ob-La-Da”
“Revolution (Unnumbered Rehearsal)”
“Revolution (Take 14 Instrumental Backing Track)”
“Cry Baby Cry (Unnumbered Rehearsal)”
“Helter Skelter (First Version Take 2)”

CD 5
“Sexy Sadie (Take 3)”
“While My Guitar Gently Weeps (Acoustic Version Take 2)”
“Hey Jude (Take 1)”
“St Louis Blues (Studio Jam)”
“Not Guilty (Take 102)”
“Mother Nature’s Son (Take 15)”
“Yer Blues (Take 5 With Guide Vocal)”
“What’s The New Mary Jane (Take 1)”
“Rocky Raccoon (Take 8)”
“Back In The U.S.S.R. (Take 5 Instrumental Backing Track)”
“Dear Prudence (Vocal, Guitar & Drums)”
“Let It Be (Unnumbered Rehearsal)”
“While My Guitar Gently Weeps (Third Version Take 27)”
“You’re So Square) Baby I Don’t Care (Studio Jam)”
“Helter Skelter (Second Version Take 17)”
“Glass Onion (Take 10)”

CD 6
“I Will (Take 13)”
“Blue Moon (Studio Jam)”
“I Will (Take 29)”
“Step Inside Love (Studio Jam)”
“Los Paranoias (Studio Jam)”
“Can You Take Me Back (Take 1)”
“Birthday (Take 2 Instrumental Backing Track)”
“Piggies (Take 12 Instrumental Backing Track)”
“Happiness Is A Warm Gun (Take 19)”
“Honey Pie (Instrumental Backing Track)”
“Savoy Truffle (Instrumental Backing Track)”
“Martha My Dear (Without Brass And Strings)”
“Long Long Long (Take 44)”
“I’m So Tired (Take 7)”
“I’m So Tired (Take 14)”
“The Continuing Story Of Bungalow Bill (Take 2)”
“Why Don’t We Do It In The Road? (Take 5)”
“Julia (Two Rehearsals)”
“The Inner Light (Take 6 Instrumental Backing Track)”
“Lady Madonna (Take 2 Piano & Drums)”
“Lady Madonna (Backing Vocals Take 3)”
“Across The Universe (Take 6)”

O Álbum Branco acústico

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E já que estamos nessa de pirataria beatle, que tal essa versão acústica do Álbum Branco?

Não é um acústico de fato, na verdade é um conjunto de demos gravadas por John, Paul e George na casa do último, em Escher, ao sul de Londres. As canções em sua maioria foram gravadas durante o retiro espiritual que os Beatles fizeram na Índia junto ao Maharish Mahesh Yogi – e quando foram ao estúdio, ganharam corpos musicais bem diferente dos arranjos folk desta versão. O disco podia tranquilamente se chamar The White Album – Hippie Version, devido ao clima de roda de violão que todas as músicas tinham originalmente. Nem todas as músicas chegaram a ver a luz do dia na época – umas nunca foram lançadas, outras foram aparecer em discos solos nos anos seguintes “Child of Nature” mudou de letra e virou “Jealous Guy” no início da carreira solo de Lennon; “Junk” apareceu bem no começo da de McCartney e “Not Guilty” apareceu num disco solo de Harrison do meio dos anos 70, por exemplo. A ordem das faixas tocadas segue abaixo:

 

US$ 10 mil pelo Álbum Branco A0000001

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The Beatles – o primeiro disco duplo da carreira dos Beatles e o primeiro álbum lançado pelo grupo em seu próprio selo, a Apple – é o disco mais polêmico do grupo inglês. Foi lançado após seu primeiro fracasso de crítica e público: o filme psicodélico Magical Mystery Tour, exibido pela BBC no natal de 1967, não foi entendido por quem assistiu e foi considerado caótico, amador e mais uma prova que os Beatles não iam bem. Seu empresário Brian Epstein havia acabado de morrer logo após o lançamento do mítico Sgt. Pepper’s e havia uma nuvem negra no horizonte do grupo (que culminou com o fim da banda, poucos anos depois). Ao apresentar-se em quatro lados de vinil (com um deles – o último – contando com a longa e caótica colagem sonora chamada “Revolution #9”), o grupo criou um debate que se discorre até hoje, sobre o excesso de gordura em álbuns duplos, e pintou o autorretrato do próprio esfacelamento como unidade, perceptível por todas as faixas do disco.

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O diagnóstico seria mais preciso ainda ao levar em conta que o título original do disco seria A Doll’s House (em homenagem à peça do dramaturgo norueguês Herink Ibsen, que questiona as regras do casamento tradicional e termina – spoiler, hehe – com a esposa saindo de casa para “descobrir a si mesma”) até sua capa final e definitiva, de uma única cor – o branco. O minimalismo se refletiria também no título escolhido – apenas The Beatles – escrito em autorrelevo na capa de papelão ao lado de uma numeração em série, que começaria no código A0000001.

Com o tempo, a numeração da capa foi abandonada nas reedições posteriores (nos anos 90 uma versão em CD retomou essa referência) e sempre imaginara-se que os primeiros números desta série fossem os discos que passaram para a coleção dos próprios Beatles. Até parece. Ficou na mão de um executivo de gravadora, que vendeu à loja Let it Be Records, de São Francisco, no início dos anos 70. Ele mudou de mãos em abril de 1989, quando a loja o vendeu para David Mincks, em uma carta escrita pelo dono da loja, Clifford J. Yamasaki, que dizia:

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“This is to certify that ___ purchased Beatles ‘White Album’ number: A0000001 in mint condition on this date. It is one of approximately two dozen copies given out as early promotional items to the Beatles and top Capitol Records executives. I purchased said copy from one of the above executives in the early 1970’s. Said executive was head of the classical division at Capitol Records. The ‘White Album’ number A0000001 was shown at a Beatles Convention one time only. ‘White Album’ copies with this number A0000001 were never sealed with records or sold to the public. I certify that all of the above is true and correct.”

Agora o próprio Mincks põe a cópia à venda num site de leilões online com o lance inicial saindo de 10 mil dólares. Quem quiser fazer alguma proposta, faça aqui.

Vi essa notícia no Dangerous Minds, que ainda desenterrou essa entrevista com o artista plástico Richard Hamilton, responsável pela criação da capa que ele chama de “uma das primeiras capas conceituais de disco”, veja abaixo:

 

Grey Album remasterizado

Peça fundamental na evolução do conceito de mashup no início do século, o álbum cinza que mistura base do Álbum Branco dos Beatles com vocais do Black Album de Jay-Z também é um dos marcos da cultura do remix e foi o veículo que nos apresentou ao mestre contemporâneo Danger Mouse, em 2004. E acaba de ser remasterizado pelo engenheiro de som John Stewart e pode ser baixado aqui. Dica da Fact.

Being McCartney

Sobra do Álbum Branco, “Can You Take Me?” entrou só como uma vinheta no final de “Cry Baby Cry” – ou uma introdução a “Revolution 9”. Sua versão integral chegou a ser gravada num take alternativo de “I Will” e circula há tempos em discos piratas. E poderia entrar tranquilamente no primeiro disco do Paul, dizaê.

4:20

Quando o Trabalho Sujo era uma central de caderno de jornal

Não resisti e resgatei umas edições velhas do Trabalho Sujo impresso, tirei umas fotos e redimensionei pra colocar aqui no site. As fotos estão com cores diferentes não por conta da idade do papel, mas porque parte delas eu fiz de dia (as mais brancas) e a outra de noite (as amareladas). Dá uma sacada como era…


Nesta edição, dois segundos discos: o do Planet Hemp e o do Supergrass.


Nesta eu falei do Panthalassa, disco de remix que o Bill Laswell fez com a obra de Miles Davis, o segundo disco do Garbage, entrevista com Virgulóides, disco de caridade organizado pelo Neil Young e uma explicação sobre um novo gênero chamado… big beat.


Entrevistei os três integrantes do Fellini (Jair, Thomas e Cadão) para contar a história da banda, numa época em que eles nem pensavam em voltar de verdade (depois disso, eles já voltaram e terminaram a bandas umas três vezes). Também tem a história do Black Sabbath, uma entrevista que eu fiz com o Afrika Bambaataa e o comentário sobre a demo de uma banda nova que tinha surgido no Rio, chamada Autoramas.


Disco de remix do Blur, disco póstumo do 2Pac, Curve e entrevista com Paula Toller.


Discos novos da Björk, dos Stones, do Faith No More e do Brian Eno.


Discos novos do Wilco (Summerteeth), Mestre Ambrósio, coletâneas de música eletrônica (da Ninja Tune, da Wall of Sound – só… big beat – e de disco music francesa), resenha da demo da banda campineira Astromato e entrevista com o Rumbora.


Resenha do Fantasma, do Cornelius, do Long Beach Dub All-Stars (o resto do Sublime), do Ringo e do show dos Smashing Pumpkins em São Paulo, com a entrevista que fiz com a D’Arcy.


Vanishing Point do Primal Scream, disco-tributo ao Keroauc, Coolio e a separação dos irmãos da Cavalera.


Reedição do Loaded do Velvet Underground, Being There do Wilco e o show em tributo á causa tibetana.


Especial Bob Dylan, sobre a fase elétrica do sujeito no meio dos anos 60, com direito à entrevista com o Dylan na época, que consegui através da gravadora e um texto de Marcelo Nova escrito especialmente para o Sujo: Quem é Bob Dylan?


30 anos de Sgt. Pepper’s e o boato da morte de Paul McCartney.


Terror Twilight do Pavement, Wiseguys (big beat!), o disco de dub do Cidade Negra (sério, rolou isso), a demo do 4-Track Valsa (da Cecilia Giannetti) e entrevista com o Rodrigo do Grenade.


Pulp, Nação Zumbi, Ian Brown e Seahorses, uma coletânea de clipes ingleses e entrevista com Roger Eno, irmão do Brian.


30 anos de Álbum Branco, show do Man or Astroman? no Brasil, primeiro disco do Asian Dub Foundation, entrevista com a Isabel do Drugstore e demo do Crush Hi-Fi, de Piracicaba.


Os melhores discos de 1997: 1 – OK Computer, 2 – Vanishing Point, 3 – When I Was Born for the 7th Time, 4 – Homogenic, 5 – O Dia em que Faremos Contato, 6 – Dig Your Own Hole, 7 – Sobrevivendo no Inferno, 8 – I Can Hear the Heart Beating as One, 9 – Dig Me Out, 10 – Brighten the Corners… e por aí seguia.


20 anos de Paul’s Boutique, do Beastie Boys, disco do Moby, demo do Gasolines e entrevista com Humberto Gessinger.


Rancid, Superchunk e entrevista com o Mac McCaughan (do Superchunk), Deftones e Farofa Carioca (a banda do Seu Jorge).


Simpsons lançando disco e a lista dos 50 melhores do pop segundo Matt Groening, segundo disco do Dr. Dre, entrevista com Júpiter Maçã que então lançava seu primeiro disco.


A coletânea Nuggets virou uma caixa da Rhino, a cena hip hop brasileira depois de Sobrevivendo no Inferno, disco dos Walverdes e entrevista com Henry Rollins.


Sleater-Kinney, Fun Lovin’ Criminals, Little Quail, demo do MQN e entrevista com o Mark Jones, da gravadora Wall of Sound (o lar do… big beat).


25 anos de Berlin do Lou Reed, disco novo do Pin Ups, disco do Money Mark e entrevista com Chuck D, que estava lançando um livro na época.


Especial soul: a história da Motown e da Stax (lembre-se que não existia Wikipedia na época) e caixas de CDs do Al Green e da Aretha Franklin.


Retrospectiva 1998: comemorando um ano que trouxe artistas novos para a década…


…e os melhores discos de 1998: 1 – Hello Nasty, 2 – Mezzanine, 3 – Fantasma, 4 – Jurassic 5 EP, 5 – Carnaval na Obra, 6 – Deserter’s Songs, 7 – This is Hardcore, 8 – Mutations, 9 – The Miseducation of Lauryn Hill, 10 – Samba pra Burro. Em minha defesa: só fui ouvir o In the Aeroplane Over the Sea em 1999. Não tente entender visualmente, era um método muito complexo de classificação dos discos, um dia eu escaneio e mostro direito.


Beastie Boys, Scott Weiland e Boi Mamão.


A história do Kraftwerk (que vinha fazer seu primeiro show no Brasil), o acústico dos Titãs, Propellerheads (big beat!) e entrevista com Ian Brown.


Segundo disco do Black Grape, coletânea de 10 anos da Matador e entrevista com o dono da gravadora, Gerard Cosloy.


A carreira de Yoko Ono, disco novo do Ween, coletânea de Bauhaus, John Mayall e Steve Ray Vaughan e a trilha sonora de O Santo (cheia de… big beat).


Stereolab, Racionais, Metallica e 3rd Eye Blind (?!).


Disco de remixes do Primal Scream, caixa do Jam, entrevista com DJ Hum, Sugar Ray e disco solo do James Iha.


Cornershop, show à causa tibetana vira disco, Bob Dylan, Jane’s Addiction, Verve e entrevista com Lenine.


Disco de remixes do Cornelius, Sebadoh, Los Djangos, Silver Jews, entrevista com o Lariú e demo do Los Hermanos.


Disco de remixes da Björk e o novo do Guided by Voices.


Disco novo do Sonic Youth, reedição dos discos do Pussy Galore e entrevista com Edgard Scandurra.


Cobertura dos shows do Superchunk no Brasil, Pólux (a banda que reunia a Bianca ex-Leela que hoje é do Brollies & Apples e a Maryeva Madame Mim), Prince e Maxwell, coletânea da Atlantic e entrevista com os Ostras.


…e na cobertura dos shows do Superchunk eu ainda consegui que a banda segurasse o nome do Trabalho Sujo para servir de logo na página.

Editei o Sujo impresso entre 1995 e 2000. Durante esse período, ele teve vários formatos. Começou como uma coluna na contracapa do caderno de cultura de segunda e em 1996 virou uma coluna bissemanal ocupando 1/6 da página 2 do mesmo caderno. No mesmo ano, voltou a ter uma página inteira, nas edições de sábado e entre 1997 e 1999 ocupou a central do caderno de domingo. Neste último ano, voltou a ter apenas uma página, nas edições de sábado. Na época em que eu fazia o Sujo impresso, eu era editor de arte do Diário do Povo e, por este motivo, participei da criação do site do jornal em 1996 – e garanti que o Sujo tivesse uma versão online desde seu segundo ano. Foi o suficiente para que ele começasse a ser lido fora de Campinas (onde já tinha um pequeno séquito de leitores, que compravam o Diário apenas para ler a coluna) e ganhasse algum princípio de moral online, que carrego até hoje.

Na época, eu dividia o gostinho de fazer a coluna com dois outros compadres – o Serjão, que era editor de fotografia do jornal e que hoje está no Agora SP, e o Roni, um dos melhores ilustradores que conheço. Os dois são amigos com quem lamento não manter contato firme, mas são daquelas pessoas que, se encontro amanhã, parece que não vi desde ontem. Juntos, éramos uma minirredação dentro da redação – tínhamos reunião de pauta, discussões sobre o layout da página e trocávamos comentários sobre os discos que eu trazia para resenhar. No fim, eu fazia tudo sozinho na página (como faço até hoje), da decisão sobre o que entra ao texto, passando pela diagramação. Sérgio e Roni entravam com fotos e ilustras, mas, principalmente, com o feedback pra eu saber se não estava viajando demais ou de menos. Nós também começamos a discotecar juntos, mais um quarto compadre, o William, e, em 97, inauguramos o Quarteto Funkástico apenas para tocar black music e groovezeiras ilimitadas, em CD ou em vinil. Não era só eu quem escrevia no Sujo (eu sempre convidava conhecidos, amigos e alguns figurões), mas Roni e Serjão, por menos que tenham escrito, fizeram muito mais parte dessa história do que qualquer um que tenha escrito algo com mais de cinco palavras.

No ano 2000 eu fui chamado pelo editor-chefe do jornal concorrente, o Correio Popular, maior jornal de Campinas, para editar seu caderno de cultura, o Caderno C, cargo que ocupei durante um ano, antes de me mudar para São Paulo. Neste ano, para evitar confusões entre os dois jornais sobre quem era o dono da coluna (e não correr o risco de assistir a alguém depredar o nome que criei no jornal que comecei a trabalhar), decidi tirar o Sujo do papel e deixá-lo apenas online. Criei minha página no Geocities para despejar os textos que publicava em outra coluna dominical, no novo jornal, chamada Termômetro. Mas, online, seguia o Trabalho Sujo -até que, do Geocities fui para o Gardenal, e isso é ooooutra história.

Um dia eu organizo tudo bonitinho, isso é só pra fazer uma graça – e matar a minha saudade.

O manuscrito de “While My Guitar Gently Weeps”

Cortesia do Fuck Yeah Beatles.