Arrebatamento sonoro

Edição do Inferninho Trabalho Sujo caprichada nesta quinta-feira, quando a dupla Qmar e o trio Mayara Iara Dimitria proporcionaram diferentes arrebatamentos sonoros no palco da Porta Maldita. A banda formada por Cacá Amaral e Paula Rebellato abriu a noite induzindo o público ao seu transe noise criado ao redor de timbres de teclados, ruídos de guitarra, linhas de baixo pesadas, efeitos eletroacústicos, vocais apocalípticos e ritmo constante, enquanto trocavam de instrumentos por toda a apresentação. Cacá começou na guitarra e Paula no baixo, soltando efeitos em seus synths que ajudavam a erguer a parede elétrica de sons que lentamente foi tomando conta do lugar. Com seu vocal a princípio glacial e monocórdico (que foi soltando para um lado mais xamânico da metade do show em diante), a tecladista e baixista dava o tom frio e sombrio que fez os presentes assistir tudo boquiabertos. Logo no início Cacá foi para a bateria, seu instrumento original, partindo de aberturas esparsas mais jazz para logo cair no motorik alemão que também é parte da sonoridade do Qmar, que soa como se Nico tivesse colaborado com o Suicide, e não com o Velvet Underground. Show curto como é de praxe dos dois, mas com a intensidade da medida, deixando a noite no grau para o show seguinte.
Depois foi a vez do trio do Recife que acompanho à distância desde os primeiros passos e finalmente consegui tê-las no palco do Inferninho. A tecladista Mayara Menezes, a guitarrista Iara Deodato e a baterista e a baterista Dimitria começaram a tocar juntas depois de uma noite no fim do ano passado, quando dividiram o palco com seus trabalhos solo e perceberam que poderiam soar bem se tocassem juntas. Chamaram o trio com seus próprios prenomes – Mayara Iara Dimitria, também conhecido pela sigla MID – e assumiram uma linha musical entre o noise e mantras instrumentais, em viagens instrumentais com vocais sussurrados – cantados pelas três – que ficam perfeitamente soterrados no volume de som que fazem, fazendo-as soar como se o Sonic Youth e o Warpaint tivessem uma filha pernambucana. Como o Qmar que tocou antes delas, o trio também mexe em sua formação, com Dimitria indo para a segunda guitarra e Mayara para a bateria em dado momento do show. Psicodelia barulhenta de primeira, elas terminaram o show com um número improvisado, mostrando que estão só começando a pegar gosto pela brincadeira… Depois encerrei a noite discotecando hits pós-punk, grooves brasileiros e rolou até Sade… Foi demais.
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