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Uma banda única na história do rock progressivo

, por Alexandre Matias

O Violeta de Outono voltou mais uma vez ao palco do Sesc Pompeia e a seu disco de estreia ao mesmo tempo, quando, neste sábado, o trio revisitou, com sua formação clássica, o disco homônimo desta banda única na história do rock progressivo. Nascido numa época em que o gênero estava fora de moda, o grupo liderado pelo guitarrista e vocalista Fabio Golfetti absorvia influências do pós-punk dos anos 80 e da psicodelia dos anos 60 numa época em que o gênero musical mais ouvido no Brasil era docilmente chamado de pop rock. O Violeta surgiu quando a cena musical paulistana começou a responder ao rock ensolarado, adolescente, risonho e praiano que começou a ser feito no Rio de Janeiro no início dos anos 80. O trio – cuja formação no show era a clássica com o baixista Angelo Pastorello e o baterista Claudio Souza, além de contar com o filho de Fabio, Gabriel Golfetti nos teclados e vocais em algumas músicas – surgiu ao mesmo tempo em que bandas como RPM, Titãs, Ira!, Ultraje a Rigor e toda a geração que nasceu em discos da Baratos Afins e trouxe elementos inexistentes no rock daquele período, como o pessimismo, a sensação de fim de mundo, o ar noturno e guitarras pesadas, ecoando artistas ingleses da mesma época. E assim o Violeta trouxe mais uma vez para o palco do Sesc Pompeia sua psicodelia melancólica, com solos de guitarra melífluos e dramáticos, letras introspectivas e existencialistas, baixos cavalgados e bateria metronômica. Para expandir a duração do show para além da meia hora do disco original, o grupo de Golfetti optou por versões de músicas alheias, tocando pela primeira vez ao vivo a versão que fizeram para a música “Jesus Come Back to Earth” de Arnaldo Baptista e duas músicas do primeiro disco do Pink Floyd, “Chapter 24” (que entrará em um disco inglês feito em tributo ao fundador do grupo, Syd Barrett) e “Astronome Domine”, que encerrou a apresentação no final do bis – além de tocar sua já clássica versão para “Tomorrow Never Knows”, dos Beatles, que encerra o álbum e encerrou a primeira parte do show. Que banda!

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