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E vazou o disco da Rosalía…

, por Alexandre Matias

E vazou o disco da Rosalía. Esta quarta-feira está marcada como o dia em que Lux, o quinto disco da cantora espanhola, seria revelado em audições fechadas em 18 cidades pelo mundo, depois que a própria Rosalía compareceu nas duas primeiras, dia 29 de outubro na Cidade do México e dia 1º de novembro em Nova York. Vazamentos de discos eram comuns no início do século, quando a pirataria digital comia solta na internet, fazendo fãs conhecerem discos novos de seus artistas favoritos com dias de antecedência – às vezes, horas! A era das plataformas de streaming – que tornou o download obsoleto para pelo menos duas gerações -, reduziu esses vazamentos, mas a especulação em torno do novo disco de Rosalía reacendeu a velha arte pirata e de repente temos um disco que pode ser ouvido antes da hora (mas também, depois que descobriram que a senha da rede de segurança do Louvre era… “louvre” – cês viram isso? -, não dá pra confiar em sigilo online). Com o lançamento marcado para a sexta, o vazamento inevitavelmente aumentará ainda mais o hype ao redor deste novo disco, que já ia ser amplificado pelas audições da quarta. Fãs mais alvoroçados já estão procurando versões completas do álbum (algumas faixas estão em falta dependendo de onde você conseguir ouvir o disco) e estão dissecando as inúmeras referências do novo disco em fóruns e redes sociais pela internet. Mas isso não é um problema para Rosalía. Porque Lux é tudo isso mesmo. Equilibra-se entre a dramaticidade esparramada (por vezes ampliada pela epicidade da música clássica – e os instrumentos de orquestra surgem todos ao mesmo tempo ou às vezes isolados, como o emocionado piano que abre o álbum) e a introspecção melancólica, criando uma região emocional ao mesmo tempo familiar e alienígena. Rosalía está cantando mais do que nunca e a produção reforça a desenvoltura de sua voz, seja cantando solitária baixinho ou rasgando-se entre centenas de timbres de instrumentos acústicos. Em raros momentos (nos timbres eletrônicos de “Porcelana” e “Jeanne” ou no vocal irônico de “Novia Robot”) ela nos lembra que pertence ao nosso século, mas entre valsas e baladas, chansons e rumbas ela prefere focar musicalmente o disco entre o século 19 e o século 20 e o faz com canções lindíssimas, especialmente na segunda metade, quando enfileira a romântica “Sauvignon Blanc”, a tocante “La Jugular”, o lindíssimo fado “Memória” (e seu dueto com Carminho é de chorar) e a exuberante “Magnólias”, que encerra o disco como poucas música conseguem fazer. Rosalía se superou de novo – e vai abalar a paisagem musical do mercado pop de forma com a mesma força e grandiosidade que Bad Bunny fez no início do ano, mas com muito mais coração, sensibilidade e paixão. Prepare-se para chorar. Muito. Discaço.

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