Tropa de quem?

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Não vi Tropa de Elite ainda (quero ver no cinema, que nem todo mundo), mas algumas repercussões estão começando a sair e a destoar do oba-oba inicial ao redor do pré-lançamento – chamado de prontidão de “o novo Cidade de Deus”, por reunir rigor de linguagem de cinema comercial com apelo político e social. Sem querer entrar no mérito técnico do filme, o fato é que suas qualidades cinematográficas (que o diretor Padilha já havia exibido com maestria, em seu filme anterior, Ônibus 174) parecem enaltecer a figura do torturador, que antigamente era um dos vilões da história. É o elemento Jack Bauer da história, ao que parece – o glamour visual é tão convincente que faz com que o espectador aceite a verdade do sujeito que faz o outro sofrer pra arrancar uma verdade – e isso parece normal e certo.

Pode ser que o argumento sobre a veracidade da situação funcione para justificar ela ter sido transformada em filme, mas cinema é arte mas também é comunicação – e tá aí o filme rendendo aplausos fascistas pelo Orkut (como disse a matéria de capa da Época). Mas, como comentei no início, o legal é que, mesmo antes do filme sair no cinema (como você sabe, o filme vazou na internet antes do lançamento oficialque ainda vai acontecer – etc.), estão começando a surgir vozes que começam a colocar outras cores no hype de Tropa de Elite.

Na Ilustrada de hoje, o Plínio Fraga fala dos problemas de enaltecer a tortura (o título resume o tom do texto – “Tropa de Elite: Não dá para aplaudir nem sob tortura” – mas o conteúdo é restrito a assinantes), enquanto o Jotapê tá tomando um suadouro por ter dito que o Brasil é bonzinho com seus torturadores e ter chamado o Tropa de “o filme da geração ‘Cansei'” (sublinhando a última palavra do título do filme como um dos maiores termos na cloud-tag do nosso zeitgeist) em seu blog n’O Globo. E correndo por fora, o Arnaldo fala primeiro sobre a questão da pirataria do filme (que é hit nos camelôs brasileiros, a ponto de gerar continuações) e de outros estereótipos endossados pelo longa.

Mas depois de ver o filme, eu falo…

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