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Todo o show: Charli XCX no Lollapalooza, em Chicago (31.7.2026)

“Esquecimento é liberdade”: assim Charli XCX começou o primeiro grande show de seu disco Music Fashion Film, repetindo a única frase do monólogo de David Cronenberg que encerra o disco antes de atacar o público com uma versão ainda mais crua e pesada de “Rock Music” ao encerrar a noite de sexta-feira do Lollapalooza em Chicago, nos EUA. Depois de três shows de pequeno porte e curta duração e uma aparição-surpresa do show de Lorde no mesmo festival no dia anterior, Charli mostrou que tem fôlego para dominar um segundo verão no hemisfério norte em uma escala ainda maior – e sem renegar seu passado. Enquanto nos shows anteriores, ela deixou apenas “Apple” do disco-fenômeno Brat, no novo show ela dedica toda uma sessão a seu disco de 2024 (e com escolhas acertadas e improváveis, como “Sympathy is a Knife” e “Club Classics”), além de puxar músicas de vários discos anteriores (com “Party 4 U” e “Pink Diamond” do How I’m Feeling Now, “Track 10” do Pop 2 e duas da trilha sonora da versão deste ano do Morro dos Ventos Uivantes, que ela fez a trilha). Mas o disco novo dá não só a tônica da noite toda (com dez faixas, inclusive os lados B “Playboy Bunny” e a fantástica “If You Take Away the Music Then What Has She Got?”) como pautam inclusive a estética monocromática e com exageros típicos de um show de rock (com fogos e dançarinas). Charli está cada vez mais confiante no palco (cancha que ela dominou na turnê de Brat e agora leva a outro patamar) e tudo indica que vai crescer ainda mais para consolidar-se no primeiro escalão do pop mundial. Muito foda.

Assista abaixo:  

Todo o show: Pavement ♥ Pink Floyd no meio de um show em Cleveland (23.7.2026)

Depois de incluir “Stairway to Heaven” em seu repertório (eles tocaram mais duas vezes depois do primeiro show desta turnê pelos EUA, numa delas emendaram com “Down by the River” do Neil Young), o Pavement segue passeando pelos clássicos e no show que fizeram em Cleveland, na quinta passada, além de tocar “Greenlander” ao vivo pela primeira vez desde 1992, também fizeram uma jam no final de “Half a Canyon” que desembocou em “Lucifer Sam”, do primeiro disco do Pink Floyd, quando a banda ainda era abençoada por seu fundador Syd Barrett. Pelo visto é uma fase “Pavement toca os clássicos” – que continue assim!

Assista à íntegra do show abaixo:  

Todo o show: Bon Iver toca Bob Dylan no festival Eaux Claires (24.7.2026)

Justin Vernon, cujos fãs conhecem melhor por Bon Iver, já fez algumas apresentações cantando o repertório de Bob Dylan – e fazendo trocadilhos com seu nome artístico e o do velho Zimmerman. A nova aparição aconteceu nessa sexta-feira no volta do festival Eaux Claires, na cidade de Eau Claire, em Wiscosin, nos EUA, criado por Aaron Dessner do The National e que ressuscitou depois de um hiato de oito anos. Vernon já ia tocar seu próprio show no festival, mas devido à vaga deixada por Kevin Morby (que suspendeu seu show no festival pois acabou de ser pai e voltou para ver sua criança com Katie Crutchfield, mais conhecida como Waxahatchee), ele acabou encarnando o mestre da música norte-americana puxando um repertório de clássicos e canções menos conhecidas dos anos 60 e 70, usando o infame nome de Bon Dylan (ele também já usou Bob Iver) para cantar “Don’t Think Twice, It’s All Right”, “The Man In Me”, “Tangled Up In Blue”, “Lay Lady Lay”, “All Along The Watchtower” e “Knockin’ On Heaven’s Door”, que encerrou a apresentação. Felizmente um intrépido fã filmou toda apresentação ,que você pode conferir abaixo (bem como a íntegra do setlist da noite).

Assista abaixo:  

Todo o show: Pulp no Royal Festival Hall (18.7.2026)

Neste sábado, o Pulp subiu ao palco do Royal Festival Hall, em Londres, para celebrar o aniversário de 50 anos da loja de discos, gravadora e ícone indie Rough Trade, quando tocaram a íntegra de seu disco mais recente (o ótimo More) à frente de uma orquestra. Além de More, que o vocalista Jarvis Cocker comentou faixa a faixa (começando a apresentação de zoeira trazendo um powerpoint para fazer suas observações), lembrou o falecido baixista da banda Steve Mackey ao apresentar o lado B “Open Strings” e puxou outras músicas de fases diferentes da banda, inclusive de depois do lançamento do disco em questão (ao tocar versão que fizeram para “The Day Before You Came” do Abba e a música que fizeram para a coletânea Help(2), “Begging for Change”), trazendo também uma velha esquecida do disco We Love Life (“Wickerman”), a imortal “Something Changed” e uma versão suntuosa para o clássico “This is Hardcore”, em que Jarvis lembrou que já estava tarde (“são 10 da noite”, brincou) e era hora de ir para o lado mais hardcore do show, antes de sentar-se para começar a canção. Jarvis Cocker me representa demais (apesar de não ter dado bola para o Brasil quando passou pela América do Sul em junho agora). Reuni a maioria dos vídeos que achei do show abaixo:  

Todo o show: Napalm Death no Tiny Desk

O programa Tiny Desk da NPR norte-ameriicana se superou mais uma vez, desta vez convocando o Napalm Death, uma das principais bandas de grindcore da história, para fazer uma apresentação em seu pequeno escritório. O resultado foi uma série de oito pedradas absurdas, inclusive o tiro fatal de “You Suffer”, que já entrou para o livro dos recordes como “a menor música do mundo” (pois tem menos de dois segundos) e, por conseguinte, é a menor música da história do próprio Tiny Desk. Mas será que o Tiny Desk brasileiro teria a manha de dar um salto desse? Imagina se chamassem o Test com o Deaf Kids juntos, por exemplo… Sonhar não custa nada.

Assista à integra da apresentação abaixo:  

Todo o show: Courtney Barnett ao vivo no Levon Helm Studios (26.9.2025)

No dia 26 de setembro do ano passado, Courtney Barnett estava começando a dar pistas que viria com disco novo em breve, mas ao apresentar-se nos estúdios de Levon Helm, em Woodstock, fez uma apresentação em tocou várias músicas, incluindo a íntegra de todo o disco que ainda não havia nem anunciado. Meses depois do lançamento do ótimo Creature of Habit, um dos grandes discos deste ano e talvez seu melhor álbum, ela torna pública a apresentação do ano passado, deixando apenas as músicas então inéditas do novo disco no repertório que acaba de estrear em seu canal no YouTube. Bom demais.

Assista abaixo:  

Todo o show: Wilco e Billy Bragg ao vivo no Solid Sound (26.6.2026)

O Wilco começou seu próprio festival (o já clássico Solid Sound, realizado no Museu de Arte Contemporânea de Massachusetts, nos EUA) nesta sexta-feira e abriu com um show histórico, quando tocou pela primeira vez ao vivo as canções que compuseram ao lado do bardo inglês Billy Bragg sobre letras de canções que o papa da canção de protesto daquele país, Woody Guthrie, havia deixado incompletas. O projeto Mermaid Avenue foi iniciado com um álbum de mesmo nome em 1998 e depois com um segundo volume dois anos depois, mas nunca havia sido tocado no palco – até essa sexta-feira, quando a banda não apenas recebeu seu parceiro – que não parava de sorrir o show inteiro -, como também teve outros convidados, como os cantores Liam Kazar, Macie Stewart, Sally Timms e John Langford, mas a participação mais especial da cantora Natalie Merchant, que participou do disco original e cantou “Way Over Yonder in the Minor Key”, “Birds and Ships” e “Hoodoo Voodoo”. Não bastasse tudo isso, o grupo ainda puxou um bis com a bela “California Stars” antes de puxar um hino do próprio Guthrie, “This Land is Your Land”, que contou com a participação de outras bandas que também tocaram no festival, como Gang of Four, os Mekons e alguns integrantes da família de Woody, como sua filha Nora (responsável pela realização dos discos Mermaid Avenue) e sua neta Sarah Lee. E sabendo que isso aconteceu no meio da derrocada do governo Trump tem um sabor ainda melhor. Não consegui encontrar os vídeos de todo o show, mas tem mais de 90% do que foi tocado na sexta abaixo:  

Todo o show: Pulp ao vivo em Buenos Aires (12.6.2026)

E por falar em Pulp, o grupo passou pela América Latina na semana passada e nada de pisar no Brasil, infelizmente. Resta assistir à distância ao vídeo que fizeram da íntegra do show em Buenos Aires na sexta passada, que um herói conseguiu registrar.

Assista abaixo:  

Todo o show: Strokes no festival de Bonnaroo (12.6.2026)

Os Strokes aos poucos estão assumindo sua postura de banda clássica, mesmo insistindo no autotune nas músicas novas e fizeram bonito no primeiro dia do festival de Bonnaroo deste ano, em Manchester, nos EUA, que, apesar de terem escolhido uma música bem paumole pra começar a noite (“Killing Lies”, que não tocavam desde 2022), logo recuperaram o jogo emendando “Hard to Explain”, “You Only Live Once” e “The Adults Are Talking” em seguida, sem poupar hits – e foi a primeira vez que o grupo tocou na íntegra uma de suas novas canções, a balada “Falling Out of Love” – emendando em seguida com “Reptilia” e “Last Nite”.

Assista abaixo:  

Todo o show: A volta do Rush, em Los Angeles (7.6.2026)

E o Rush conseguiu. O trio canadense voltou à ativa em sua turnê comemorativa Fifty Something neste domingo, a primeira vez em que Geddy Lee e Alex Lifeson voltaram a fazer um show completo com suas canções após a morte do baterista Neil Peart em 2020 e superaram todas as expectativas. Pra começar, o show de estreia em Los Angeles, nos EUA, já entra para a história da banda como a primeira vez em que a cantora Aimee Mann – a única outra pessoa a tocar com o grupo em toda sua discografia – subiu ao palco com o grupo para cantar um dos maiores hit radiofônicos da banda, “Time Stand Still”, que lhes garantiu uma baita sobrevida nos anos 80. Não bastasse esse momento histórico, as atenções voltaram-se logicamente para a baterista que entrou no lugar do virtuoso terceiro elemento da banda e Anika Nilles esmerilhou. Não apenas segurou passagens clássicas com o mesmo pulso e frieza do baterista original como era ovacionada pelos fãs em momentos-chave das canções épicas e extravagantes do grupo. E o Rush é um dos sectos de adoradores mais insuportáveis da história do rock, pois entrelaça dois ambientes perfeitos para a proliferação de fãs malas, o heavy metal e o rock progressivo. Anika não fez pouco e entrou não só para a história da banda como garantiu o resto de sua vida como uma referência em seu instrumento. E até o baixista Geddy Lee, cujo vocal derrapava em algumas performances recentes, segurou bem a onda, sem contar que, como o guitarrista Alex Lifeson, segue um ás em seu instrumento. No setlist, vários clássicos e músicas que eles não tocavam há eras, como “Freewill”, “Vital Signs” e “La Villa Strangiato” e a bizarra presença de “By-Tor & The Snow Dog”, que não tocavam ao vivo há mais de 20 anos. A produção do show é aquela coisa cafona e opulenta, como dá pra ver pelos vídeos, mas emoldura de forma definitiva a carreira da banda em grande estilo. Muito bom.

Veja alguns vídeos que pesquei online abaixo: