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Boogarins diferenciado

Do nada, eis os Boogarins. Eles acabaram de lançar um EP chamado de Diferenciado que, pelo subtítulo (Volume 1), promete antecipar as prévias que fizeram antes de entrar no estúdio para gravar seu próximo álbum (ainda sem título), que será produzido nos EUA por Adrian Quesada no final da turnê que estão fazendo pelo país. O primeiro volume foi gravado pela banda em diferentes momentos entre 2017 e 2025 e traz colaborações deles com o Edgar, com o artista sonoro Bruno Abdala e com a ex-vocalista da banda curitibana Audac, Alyssa Lérie. Eles soltaram a última música (“O Que Eles Querem Ser”) no Bandcamp, mas pra ouvir o disco inteiro tem que assinar a newsletter deles – um jeito esperto que os goianos encontraram pra fugir das plataformas de streaming. E vai lá ouvir porque tá beeem bom…

Ouça abaixo:  

Ninguém segura os Boogarins!

É impressionante como estar numa banda pode elevar o estado de espírito coletivo de seus integrantes a ponto de fazê-lo conectar-se com o de todos os presentes – e em todo show dos Boogarins eles chegam nesse ponto. A simbiose entre seus integrantes já transcende a fala e o gesto de tanto que eles dominaram a arte do improviso coletivo, usando ganchos pontuais de suas canções como marcações sonoras para atravessar diferentes pontos da noite em seus shows. Quando o mapa da noite é longevo Manual, segundo disco da banda que começou a festejar sua primeira década de existência no final do ano passado, essa conexão entre músicos e plateia talvez chegue em sua sintonia perfeita. Primeiro porque esse é o álbum que forjou o som da banda até hoje, em que seus atuais quatro integrantes participaram de todas as etapas e cujas canções refletem tanto o início de sua maturidade musical tanto como compositores quanto como instrumentistas. Essa força decana do disco conecta-se inclusive com a nova geração de fãs da banda goiana, contemporâneos de suas lives durante a pandemia, dos dois volumes da compilação Manchaca, da retomada aos palcos depois do período de trevas do início da década e da criação e lançamento de seu disco mais recente, Bacuri, tido como obra-prima para essa nova safra de adeptos do som da banda. Fpra, estes que em sua maioria lotaram o teatro Paulo Autran neste sábado em mais uma apresentação em homenagem ao disco de 2015, quando o grupo visitou o álbum como deve ser – seguindo-o na ordem e com direito a longos trechos improvisados, o que rendeu momentos catárticos para o público. Depois de agradecer a presença de todos e reforçar a importância de existir por causa da música, o grupo emendou um bis com duas músicas do disco mais recente (“Amor de Indie” e a faixa-título) e uma do disco Lá Vem a Morte de 2017 (a canção-assinatura “Foi Mal”) para coroar um show que ainda teve a já tradicional prancha do baixista Fefel, quando ele abandona sua peruca, e uma mudança significativa na parte técnica da banda, fazendo inclusive iluminação e telão funcionarem em harmonia perfeita. Se o show de abertura desta turnê no Cine Joia já tinha sido impressionante, este mais recente subiu ainda mais o patamar. Ninguém segura os Boogarins!

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A importância de Lô Borges para a geração do século 21

No texto que escrevi pro UOL sobre a morte do Lô Borges, terminava comentando sobre como ele foi importante para toda uma geração de artistas brasileiros que surgiu neste século. É evidente a influência pop de Lô entre os jazzistas do Clube da Esquina, mesmo quando ele grava seu primeiro disco solo, com composições bem mais rebuscadas que as que forjou no disco clássico que compôs com Milton. É esse elemento simples e direto que permitiu que o disco alçasse vôos maiores do que qualquer outro disco do Milton e que fez a influência de Lô ser sentida pelas novas gerações, tão influenciadas pela MPB quanto pelo rock clássico. E isso não é de hoje, como dá pra ver por esse show que os Boogarins e O Terno fizeram juntos há uma década, no dia 27 de junho de 2015, no Auditório Ibirapuera, quando entrelaçaram repertórios próprios para encerrar com uma versão absurda para “Saídas e Bandeiras n° 2”, que veio no bis. A influência mineira seguiu firme nas duas bandas, como quando O Terno fez questão de frisar no disco que lançou no ano seguinte, Melhor do Que Parece, compondo uma canção batizada com o nome do estado do Clube, ou quando os Boogarins resolveram fazer um tributo àquela cena mineira num show inteirinho dedicado ao Clube da Esquina – não apenas ao disco, mas à atmosfera psicodélica daquela época e lugar, esparramada por vários outros discos. Escrevi sobre esse encontro quando fui convidado a participar do livro De Tudo Se Faz Canção – 50 anos do Clube da Esquina, organizado pela Chris Fuscaldo, em sua editora Garota FM. Abaixo, o vídeo que fiz desse momento e um trecho da minha colaboração no livro:  

10 anos de Livre de Dissolução dos Sonhos

“Eu nunca achei que a gente ia viver de música quando a gente fez essas músicas, eu nunca achei que ia ter esse tanto de gente pra ouvir e cantar essas músicas desse jeito, quando a gente lançou esse disco a gente nem tocava ele inteiro”, comemorou Dinho no final da comemoração de dez anos do segundo disco dos Boogarins, Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos, que o grupo fez nesta quinta-feira no Cine Joia. Com a casa lotada e o público cantando todas as músicas (inclusive os solos de guitarra), o grupo deslizou seu disco mais pop com a química musical e a excelência sonora que atingiram picos que os goianos nunca poderiam imaginar quando o gravaram originalmente, como o guitarrista bem salientou ao final da última música, “Auchma”, esticando sempre os miolos instrumentais para lugares improváveis. E para não ficar preso no passado, o grupo sequer parou para um bis e já emendou com uma sequência de músicas do disco novo Bacuri (“Amor de Indie”, “Chrystian & Ralf”, “Chuva dos Olhos” e a faixa-título) e encerrou a viagem com uma versão delírio para o hit “Foi Mal”. E os cabelos do Fefel estavam ótimos.

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10 anos do Manual dos Boogarins

Não é só a Céu que está comemorando aniversário de disco clássico em outubro: os Boogarins acabaram de anunciar para o primeiro show de celebração de seu clássico Manual ou Guia Livre de Dissolução dos Sonhos, que completa uma década em 2025. O show acontece dia 30 de outubro no Cine Joia e deve seguir como turnê logo em seguida, como o grupo fez com o aniversário de 10 anos de seu disco de estreia. E esse Manual é bom demais… Os ingressos já estão à venda.

Boogarins ♥ Duda Beat

Ouviram a versão que a Duda Beat fez pra “Foimal” dos Boogarins? Ela soa meio alienígena dentro do (bom) EP Esse Delírio – Volume 1 que ela lançou nesta quinta-feira, mas – tirando a voz – é completamente familiar para o público da banda goiana, uma vez que ela basicamente substituiu a voz do Dinho pela sua, praticamente assumindo um karaokê indie pessoal no meio de um disco dance bem interessante. É quase o movimento inverso que Kevin Parker fez com seu Tame Impala há dez anos, quando gravou uma versão idêntica à última faixa do disco mais recente de Rihanna, transformando “Same Ol’ Mistakes” em “New Person, Same Old Mistakes” mudando apenas o timbre vocal da canção.

Ouça abaixo:  

Duda Beat ♥ Boogarins

Eis que Duda Beat anuncia um novo disco, um EP bem dance chamado Esse Delírio – Volume 1 que será lançado nesta quinta às nove da noite, e no teaser em que ela mostra trechos das músicas descobrimos que uma das faixas é uma versão para “Foi Mal” dos Boogarins com a participação da banda goiana, que retuitou o anúncio dizendo que a música “tá tipo Tame Impala com Milton Nascimento”.

Saque abaixo:  

Como foi a festa da entrega dos prêmios de 2024 do troféu da APCA

Na terça desta semana aconteceu a premiação da Associação Paulista de Críticos de Arte no teatro Sérgio Cardoso, quando os agraciados de todas as categorias contempladas pela associação foram receber seus troféus em público. E durante a categoria música popular, da qual faço parte da comissão julgadora, tivemos a honra de reunir, num mesmo palco, Alaíde Costa (que recebeu o merecido primeiro aplauso de pé da noite), Amaro Freitas, os grupos Black Pantera e Boogarins, representantes dos Racionais MCs e de Hermeto Pascoal e os autores do disco Maria Esmeralda, que aproveitaram a oportunidade para apresentar uma das músicas do disco (a excelente “Todo o Tempo do Mundo”) ao vivo. Além de mim também participam da comissão de música popular Adriana de Barros (Mistura Cultural), Bruno Capelas (Programa de Indie), Camilo Rocha (Bate Estaca), Cleber Facchi (Música Instantânea), Felipe Machado (Times Brasil), Guilherme Werneck (Canal Meio), José Norberto Flesch (Canal do Flesch), Marcelo Costa (Scream & Yell), Pedro Antunes (Tem um Gato na Minha Vitrola) e Pérola Mathias (Poro Aberto).

Assista abaixo:  

Um documentário sobre o festival Cecília Viva

Já está no ar o registro em vídeo do festival Cecília Viva, que aconteceu no Cine Joia em fevereiro deste ano, reunindo shows de artistas como Boogarins, Crizin da Z.O., Kiko Dinucci, Test, DJ Nuts e a primeira apresentação ao vivo das Rakta desde a pandemia para arrecadar grana para ressuscitar a Associação Cecília, clássico ninho de projetos experimentais musicais em São Paulo que sucumbiu à violência paulistana no começo do ano passado. O filme, feito pela dupla Azideia Filmes (formada por Carlos Motta e Priscilla Fernandes), reúne os melhores momentos dessa histórica noite e capta bem o espírito de agradecimento espalhado entre público e artistas (além de várias aparições minhas no canto, sempre filmando tudo). E não é o último evento: a Associação promete novos eventos de diferentes portes ainda esse ano, o próximo deles acontecendo no dia 15 de maio no Porta, com atrações que serão reveladas em breve.

Assista abaixo: