
Há exatos 30 anos os Beastie Boys fechavam um ciclo que haviam começado dez anos antes quando deixaram de ser uma banda de hardcore para abraçar o rap. O lançamento de seu quarto álbum, Ill Communication, no dia 31 de maio de 1994 marcava não só a curva mais previsível da carreira da banda como consolidava sua imagem, som e atitude às regras estabelecidas dez anos antes. O trio nova-iorquino era pautado pela diversão em 100% do tempo (“Beastie Boys always on vacation!”) e por explorar os limites musicais de gêneros até então rígidos e com poucas intersecções, como o rap, o rock, a soul music e o funk. O equilíbrio entre as fronteiras da curtição e dos gêneros musicais amadureceu a banda na marra, que em três discos não mudou só a história do rap mas da música pop de seu tempo – e não apenas artisticamente. Ill Communication marca o fim de um processo que fez a banda parar de frequentar estúdios alheios para criar sua própria fábrica de música, voltando a tocar instrumentos musicais em vez de apenas rimar e criar uma nova aura musical e modus operandi ao lado dos compadres Mario Caldato e Money Mark. O estúdio e gravadora Grand Royal mostraram para a música independente dos anos 90 que era possível fazer música boa e comercial sem que o segundo adjetivo interferisse no primeiro. O salto evolutivo dado pela banda entre Licensed to Ill, Paul’s Boutique e Check Your Head converge para o disco que, se não é o melhor disco do grupo (este é seu segundo álbum, um marco pop), é o disco que melhor representa toda a força musical e artística que foram os Beastie Boys. Para comemorar este aniversário, o grupo está lançando uma versão tripla em vinil, cheia de faixas bônus (veja abaixo) e aproveitei para desenterrar o minidocumentário Still Ill, que o grupo fez há cinco anos, quando o disco completou 25.
Assista abaixo: