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Orra, Zaho!

A espoleta jovem francesa Zaho de Sagazan encerrou sua breve passagem pelo Brasil ao mesmo tempo em que finalizou a extensa turnê de seu disco de estreia, La Symphonie des Éclairs, lançado há dois anos. Depois de arrebatar plateias no Recife (quando tocou no festival Coquetel Molotov) e no Rio de Janeiro (em passagem pelo Circo Voador), ela encantou o público que lotou o Cine Joia em mais uma apresentação feita pela marca Indigo, que realizou o festival de mesmo nome que trouxe Weezer e Mogwai para o Brasil em novembro, além de viabilizar a vinda do Massive Attack e de Nilüfer Yanya no mesmo mês. Francófono por opção do público (que respondeu “oui” quando ela perguntou se preferia ser ouvida em inglês ou francês), o show equilibrou-se entre duas escolas musicais aparentemente díspares, mas que Zaho casou-as sem dificuldades – de um lado a chanson française, com direito a baladas ao piano e letras intermináveis sem refrão; do outro o tecnopop que começou deliciosamente retrô, soando bem oitentista (vide os gigantescos sintetizadores que seus músicos tocavam), mas que logo veio para o século 21. O público heterogêneo misturava pessoas mais velhas aos contemporâneos de Zaho, nascida no ano 2000, todos cantando as letras em francês da compositora, que nem precisava ter apelado para o hit “Modern Love” de David Bowie, que a tornou famosa no ano passado, para deixar a plateia em êxtase. Ela nem está mais tocando essa música em seus shows, mas como foi sua primeira vez no país, voltou-se para o sucesso eternizado por Bowie em 1983 que viralizou no início do ano passado, quando ela o cantou na abertura do festival de Cannes em homenagem à diretora Greta Gerwig. A música fez tanto sucesso que ela a lançou como um single (além de viabilizar sua vinda ao país ao ser incluída na trilha sonora do remake da novela Vale Tudo) e terminou a noite dançando no meio do público, num showzaço que pegou a todos de surpresa. Que maravilha!

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Sai da frente que lá vem o Bananada!

2026 não começou ainda mas já começou quente: o festival goiano Bananada acaba de anunciar sua volta triunfal em agosto do ano que vem. Os ingressos começam a ser vendidos na próxima segunda, confira mais informações no Insta deles: @festivalbananada. Bora!

Paul Thomas Anderson ♥ Cameron Winter

O diretor Paul Thomas Anderson também deixou-se levar pela Geesemania e esteve filmando a apresentação de piano e voz que o vocalista da banda sensação nova-iorquina, Cameron Winter, fez nesta quinta-feira no Carnegie Hall, em sua cidade. Será que vai pro cinema?

Assista abaixo:  

Encerrando 2025 com os olhos em 2026!

Encerrando a programação de 2025 do Inferninho Trabalho Sujo pegando fogo, com duas bandas novíssimas no Redoma apontando para um 2026 que promete! A noite começou com o sexteto instrumental Pé de Vento, que começou a tocar há pouco mais de um ano em uma pizzaria clássicos do jazz brasileiro e que há menos tempo ainda passou a compor as próprias músicas, apresentadas num primeiro show apenas autoral nesta sexta-feira. São jovens cobras em seus instrumentos que tocam em outros grupos: o tecladista Pedro Abujamra toca na Orfeu Menino ao lado de Tommy Coelho, que deixa a bateria para tocar guitarra e percussão, enquanto Antônio Ito, da Saravá, segura o groove da banda, acompanhado do baixista Tom dos Reis, do saxofonista e flautista Leonardo Ryo e do novo integrante Arthur Scarpini, no violão. O encontro feroz dos músicos mostra que o jazz à brasileira segue à toda nas novas geraçõe e além das próprias composições, o grupo encerrou a noite com dois standards do gênero, “Dedicada a Ela” do Arthur Verocai e “Vera Cruz” de Milton Nascimento, ambas em versão instrumental. Coisa fina.

Depois foi a vez de uma banda ainda mais nova, formada neste semestre, a Monolitos, encerrar a noite, mostrando uma amplitude de gêneros que também passa pelo jazz brasileiro, mas com foco maior no cancioneiro típico da MPB, no soul, na psicodelia e no rock nacional, bebendo tanto dos anos 70 e 80 quanto de contemporâneos do novo indie daqui. Igualmente formada por integrantes de outras bandas da nova geração, a banda conta com a vocalista Bru Cecci toca no Devolta ao Léu e o baixista Roberth Nelson também toca na Saravá, além da presença do tecladista Miguel Marques, do baterista Gui Dias e Arthur Jé na guitarra, que divide os vocais e as composições com Bru. E além de suas próprias composições, que também passeiam por gêneros tradicionais brasileiros, como baiões e forrós, encerraram a noite evocando a fase prog dos Mutantes ao tocar “Uma Pessoa Só” no bis.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Pé de Vento e Monolitos @ Redoma (12.12)

O último Inferninho Trabalho Sujo do ano acontece nessa sexta-feira, dia 12 de dezembro, quando reúno duas bandas novíssimas para apresentar-se pela primeira vez na festa. A primeira delas é a instrumental Pé de Vento, ancorada no jazz brasileiro dos anos 70 e com integrantes das bandas Orfeu Menino e Saravá, que tocará suas músicas autorais pela primeira vez na festa. Depois é a vez de outra banda formada por integrantes de bandas que já passaram pelo palco do Redoma (como a própria Saravá e a Devolta ao Léu), quando recebemos pela primeira vez um dos primeiros shows da banda Monolitos. O Redoma fica no número 825-A da rua Treze de Maio, no Bixiga, a casa abre às 21h e a partir das 22h começam os shows. Os ingressos já estão à venda!

Garotas Suecas, 20 anos: “Não há nada mais bonito do que ser independente”

“Não há nada mais bonito do que ser independente” – citando (e tocando) Sérgio Sampaio os Garotas Suecas começaram a gravação de seu disco ao vivo nesta quinta-feira, quando passaram mais de vinte músicas em pouco mais de uma hora e meia no palco personalizado do Porta Maldita, que recebe o quarteto em duas datas para a gravação do disco que comemora duas décadas de atividade, sempre no meio independente. Visitando canções de diferentes álbuns, com direito a um punhado de versões de músicas alheias que fizeram neste mesmo período, além da já citada “Sinceramente”, que abriu a noite. É muito bom ver o entrosamento da banda, cujos músicos só se olham para confirmar sua dinâmica instrumental, azeitadíssima para essa apresentação. Falando pouco com o público, deixaram a música falar por si e tal entrosamento logo conquistou todos os presentes, com canções que bebem tanto da história da MPB como de joias da soul music, clássicos da história do rock e pérolas do rock brasileiro. E além de faixas de seus quatro álbuns, eles ainda passearam pelo Ronnie Von psicodélico (“Sílvia 20 Horas Domingo”), pela Gal tropicalista (“Vou Recomeçar”), pelo rock de garagem (com “I Can Only Give You Everything” do Them e a versão brasileira para “Psychotic Reaction” dos Count Five, que virou “Caminho de Dor”), pelo soul de Luiz Melodia (“Pra Aquietar”), de Tim Maia (“Não Vou Ficar”) e de Aretha Franklin (“Respect”). Mas essas versões eram mais uma zona de conforto para a banda relaxar e entregar tudo em suas músicas autorais, passando por músicas dos primeiros anos (como “Eu”, “Não Se Perca Por Aí”, “Banho de Bucha”, “Codinome Dinamite”), outras de seu ótimo Feras Bucólicas (como minhas favoritas “New Country”, “Bucolismo” e “Pode Acontecer”), de sua fase de transição (“Objeto Opaco”, “Me Erra” e “Ananás”) e do disco pós-pandemia (“Gentrificação” e “Não Tá Tudo Bem”). Mas o melhor era ver como o grupo se divertia enquanto voltava na própria história. Showzaço que deve se tornar um discaço – e sexta-feira tem mais, pra quem perdeu.

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Quando Billie Eilish une-se a James Cameron

Depois de seu terceiro disco, Hit Me Hard and Soft, lançado no ano passado, Billie Eilish subiu um degrau considerável em sua carreira e quer ir para o topo do pop. Seu novo passo foi transformar a versão ao vivo do disco em um filme que garantisse sua chegada a este novo patamar e ela fez isso juntando forças com um dos maiores nomes da história do cinema, ao convocar o diretor James Cameron para transformar o filme em um evento. Filmado em 3D com tecnologia nunca vista em apresentações ao vivo, o filme leva o mesmo título do disco e será lançado em março do ano que vem, com direito a sessões em telonas do Imax. Pelo visto ela quer subir para o nível de Taylor Swift e Beyoncé, mas algo me diz que ela pode se perder neste caminho… Tomara que não.

Assista ao trailer abaixo:  

20 anos de Garotas Suecas!

Discoteco antes da gravação do primeiro disco ao vivo dos Garotas Suecas, que acontece nessa quinta-feira na Porta Maldita. Eles vão gravar na quinta e na sexta, mas só vou discotecar no primeiro dia, antes do show. Depois quem assume o som é o mister Tatá Aeroplano. Chega mais pra comemorar os vinte anos dos Garotas!

O momento de Charli XCX

A primeira exibição do documentário de mentira The Moment, que Charli XCX fez sobre seu momento Brat no ano passado, acontecerá no início do ano que vem, quando o filme dirigido por Aidan Zamiri estreia no festival de cinema de Sundance, nas cidades de Park City e Salt Lake City, nos Estados Unidos, que acontece a partir do dia 22 de janeiro de 2026. O filme, criado a partir da pressão para fazer um filme sobre a turnê, explora o lado irônico e cínico de se fazer tanto sucesso e o trailer final do documentário falso foi lançado aproveitando esse anúncio. O filme, que ainda conta com Kylie Jenner, Alexander Skarsgard, Rachel Sennott, Rosanna Arquette, Shygirl e A.G. Cook, entre outros, no elenco, chega aos cinemas dos EUA no dia 30 daquele mesmo mês e não tem previsão de lançamento no Brasil. The Moment é um dos três filmes com Charli no elenco (além dos outros quatro que ela está envolvida) que estreará no festival, cuja próxima edição é a primeira depois da morte de seu fundador, Robert Redford: The Gallerist, filme sobre o mercado de arte com Natalie Portman e Jenna Ortega, e I Want Your Sex, de Gregg Araki.

Assista abaixo: