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Hot Chip – One Life Stand

Talvez seja uma questão de ponto de vista, mas o fato é que o quarto disco do Hot Chip não deve ser encarado como um disco de dance music. Apesar das primeiras faixas a aparecer – o single “Take It In”, a faixa-título num clipe e “Thieves in the Night” que abre o disco – darem a entender que o grupo segue firme na pista de dança, One Life Stand é quase um álbum de baladas que, sinal dos tempos, apegam-se a uma batida. É o clima de melancolia e solidão que une não apenas as faixas citadas como todo o resto do disco, com o grupo regredindo sua personalidade robótica rumo à sombra e à noite do rock inglês dos anos 80. Por isso, não se distraia com o vácuo retrô de “I Feel Better”, que tenta recauchutar “La Isla Bonita” à base do autotune, e vá direto nesta “Slush”, que, apesar do solfejo inicial, resume o clima do disco num piano.


Hot Chip – “Slush

Jimmy Page em Lençóis, na Bahia, via Jornal Nacional

Lembra daquele papo que eu falei do Jimmy Page ter morado em Lençóis nos anos 90? Olhaí em pleno Jornal Nacional:

“Ex-Led Zeppelin” é dureza, mas tudo bem. E esse João Filipe, ninguém acha ele hoje em dia? Fora o áudio dessa jam session, que alguém deve ter gravado… Vamo aê, trabalhem, vai que alguém acha. A pauta é boa… O vídeo foi pinçado pelo embaixador e secretário de turismo espiritual baiano, Luciano Mattos.

Mockers tocando Beatles

Que show! Três quintos do Cidadão Instigado – o guitarrista Régis Damasceno, o baixista Rian Batista e o baterista Clayton Martin – respondem como Mockers nas horas vagas, um grupo dedicado a tocar apenas versões de músicas dos Beatles de 1966 em diante. Na ativa desde o ano passado, só consegui vê-los em ação nesta quinta, quando o grupo apresentou-se dentro do Toca Aí, o mesmo projeto do Sesc Pompéia que botou o Instituto tocando Pink Floyd.

Por motivo de agenda, o grupo não pode se apresentar na Choperia, onde queriam e vem acontecendo os shows do projeto (o Forgotten Boys tocou Rolling Stones semana passada, não fui, mas já já posto uns vídeos que achei no YouTube do show). Sorte nossa. O Teatro funcionou perfeitamente para o tom ao mesmo tempo austero e informal da apresentação. Ao confrontar os três músicos olhando uns para os outros (devido ao desenho do teatro, cujo palco é ladeado por duas platéias), o show ganhou uma sensação de intimismo que parecia bater de frente com o aspecto clássico do repertório – tom que era quase sempre destruído por Rian, que insistia em dirigir-se ao público em inglês, trazendo todo o humor dos Beatles para um palco estritamente psicodélico.

E como tocam esses três. Mais do que chancelar a química musical que os três já trazem do Cidadão, o show serviu como apreciação de três grandes músicos. Clayton rezou a cartilha de Ringo Starr à risca, trazendo ao palco alguns dos momentos mais brilhantes do subestimado Ringo em seu instrumento – crescido à sombra do rock paulistano influenciado pelos anos 60, Clayton deixou os trejeitos e influências de Keith Moon e Nick Manson (característicos de seu jeito de tocar) para debruçar-se sobre a técnica do baterista beatle como sua única Bíblia pessoal. Rian, mais do que quebrar o gelo com suas piadas geniais e ridículas, tratava o baixo melódico de Paul McCartney com reverência e estilo, além de garantir os vocais mais agudos sem muita preocupação. E Régis, que nasceu abençoado por um timbre de voz que quase, quase, chega ao mesmo do de John Lennon, segurava não apenas as guitarras de John e George Harrison num único instrumento, como ainda o colocava para fazer as vezes dos teclados de algumas canções.

Foi memorável. Consegui filmar quase todas as músicas da noite (com a exceção das três primeiras – “Two of Us”, “She Said She Said” e “Taxman” – e das duas últimas – “Birthday” e “Tomorrow Never Knows” com direito à citação de “Within You Without You”), mas se eu fosse você não perdia o próximo show.

All Star Superman: nota 10

Ah, e por falar no Super, lembrem-me de não esquecer de um dia escrever sobre All Star Superman, de Grant Morrison e Frank Quitely, a maior homenagem jamais feita para um super-herói. É uma história tão bem cuidada, ao mesmo tempo complexa e trivial, e é ilustrada como se fosse um sonho. Se Frank Miller conseguiu sintetizar tudo relacionado ao arquétipo do Batman em O Cavaleiro das Trevas (embora alguns reclamem que este trono também é de Alan Moore, em A Piada Mortal), Morrison e Quitely conseguem ultrapassar a saga do homem-morcego e com um agravante – ao optar pelo Super-Homem, os autores abriram mão da ironia, do cinismo, do pessimismo e da violência características a outros super-heróis e abraçaram os valores relacionados ao Super, como a moral, o otimismo, a bondade e o altruísmo de um alienígena que, no fundo, só quer retribuir o carinho ao planeta que o acolheu. A história é dividida em doze capítulos e cada um deles trata de elementos específicos da mitologia do personagem – Lois Lane, Pequenópolis, o Planeta Diário, os supervilões, a fortaleza da solidão, além do onipresente Lex Luthor e o melhor Clark Kent já posto no papel. Como bem disse o Chico, é o quadrinho mais alto astral de todos os tempos – e é uma obra-prima. Não faço a menor idéia se já sair – ou vai sair – no Brasil, mas é quadrinho obrigatório.

Ah, pronto. Já escrevi, não precisa lembrar depois. Valeu.

O Homem do Amanhã

Um dos slogans mais emblemáticos do Super-Homem, o que batiza este post, nunca foi tão adequado quanto na versão original do personagem. Nesta jóia desenterrada pelo Letters of Note, Jerry Siegel, ainda em busca de um desenhista para dar vida à sua criação, cogita uma outra origem para o primeiro super-herói da cronologia oficial.

A transcrição inteira você lê no site dos caras. E, sim, se você pensou naquela história daquele certo autor que eu sou fãzaço, não comente, pois muita gente pode ainda não ter lido essa história.