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Brainstorm sobre o fim de Lost: Pink Floyd com 2001

O velho mashup de “Echoes” com Kubrick também ajuda a pensar no fim da série. Afinal, olhem a letra do Floyd enquanto vejam o final de 2001.

Overhead the albatross hangs motionless upon the air
And deep beneath the rolling waves
In labyrinths of coral caves
The echo of a distant tide
Comes willowing across the sand
And everything is green and submarine.

And no-one called us to the land
And no-one knows the wheres or whys
But something stirs and something tries
And starts to climb towards the light

Strangers passing in the street
By chance two separate glances meet
And I am you and what I see is me
And do I take you by the hand
And lead you through the land
And help me understand the best I can

And no-one calls us to move on
And no-one forces down our eyes
And no-one speaks and no-one tries
And no-one flies around the sun

Cloudless everyday you fall upon my waking eyes
inviting and inciting me to rise
And through the window in the wall
Come streaming in on sunlight wings
A million bright ambassadors of morning

And no-one sings me lullabies
And no-one makes me close my eyes
And so I throw the windows wide
And call to you across the sky

Brainstorm sobre o fim de Lost: Outer Limits

Outer Limits era o seriado que, dizem, o governo americano produziu em contrapartida ao Além da Imaginação de Rod Serling (a nóia sobre a participação do governo americano) diz respeito ao fato de seu produtor, Leslie Stevens, ser da marinha – e de família militar. No primeiro episódio da série, This Galaxy Being, um radialista consegue “entrevistar” um alienígena – e é com esse discurso (especificamente, com sua fala a partir dos 4 minutos e 20 segundos – hehe) que eu começo a discutir o final de Lost.

Link – 24 de maio de 2010

Gênio, sim. Do mal? Steve Jobs visto através de seis ex-parceiros1. O fundador: Steve Wozniak2. O mágico: Andy Herzfeld3. O artista: Hartmut Esslinger4. O inimigo: John Sculley5. A mulher que entende o homem: Pamela Kerwin6. O soldados: David SobottaNestlé na mira dos ativistas digitaisTroca de figurinha, agora via TwitterPersonal nerd: criando suas fontesO futuro mais revolucionário da semana passadaA reabilitação do Adobe Flash‘Quem é pior: Apple ou Microsoft?’ puxa o papo nesta festaUma startup brasileira entre 180 expositoresUma guerra contra o limite do 3GVida Digital: John Weschler, criador do Formspring.me

Impressão digital #0011: Lost

Ser original nos anos 10
Lost além da cultura do sample

Adaptação para o Twitter do livro tal, remake daquele outro filme para a TV, uma nova versão do clássico não-sei-o-quê em formato de games, um clássico da literatura misturado com zumbis, o herói fulano dos quadrinhos que virou brinquedo… A quantidade de produtos culturais lançados diariamente parece inversamente proporcional à quantidade de títulos originais. Tudo parece remix, remake, adaptação ou mashups de temas clássicos, recorrentes ou manjados.

Menos Lost.

A série, que se arrastou por seis anos e chega a um fim retumbante neste domingo nos EUA, é um dos pouquíssimos exemplos de uma história contada em escala global que não se apoia em uma estrutura narrativa já estabelecida para apenas criar novos nomes para personagens conhecidos. Harry Potter e alguns títulos de quadrinhos e games são outros. Mas o que Lost fez é inédito.

A série criou uma história particular que, apesar de fazer referência a outras sagas, partiu de um zero completamente novo. Mesmo quem não acompanha a série sabe do avião que caiu numa ilha, do monstro de fumaça, dos ursos polares, dos flashbacks e flash forwards ou da Iniciativa Dharma. Pode não saber como isso tudo se amarra à história, mas seus ícones já estão estabelecidos, mesmo que o final seja frustrante para os fãs mais ferrenhos.

Não que isso nunca tenha sido feito (os universos dos super-heróis, Guerra nas Estrelas e Arquivo X são apenas alguns exemplos). O ineditismo de Lost diz respeito à era digital, de referências, samples e citações – e na insistência de seus criadores em contar uma história nova. Pode procurar: são poucos os que se atrevem a ser originais hoje em dia. E esse atrevimento pode ser reconhecido.

Primeiro online
Iñarritu vê a Copa do Mundo

A Nike lançou nesta semana, na internet, um comercial inacreditável. Dirigido pelo mexicano Alejandro González Iñárritu (o mesmo diretor de Babel e 21 Gramas, o curta de três minutos mostra seleções de futebol de países diferentes durante uma Copa do Mundo e as consequências que podem acontecer a cada um dos jogadores. Estrelado por ícones do futebol atual (Cristiano Ronaldo, Wayne Rooney, Fabio Cannavaro e o brasileiro Ronaldinho) Write the Future mostra como um simples drible ou chute a gol pode mudar completamente o destino de um jogador. O clipe ainda conta com participações do tenista Roger Federer, do jogador de basquete Kobe Bryant, do ator Gael García Bernal e de Homer Simpson (sério!) e, de um jeito ou de outro, se encaixa dentro da filmografia de Iñárritu. Para assistir, entre
no site www.nikefootball.com

Lost por Guilherme Werneck

Fico pensando por que diabos não comecei a ver Lost simplesmente para contar as lindas sardinhas da Evangeline Lilly. Kate continua o melhor motivo para ver a série. Mas a verdade é que passei os últimos anos acompanhando Lost de forma bastante irregular, interessado mais pelo que o criador da série J.J. Abrams faria com o universo que imaginou.

Apenas uma constante nestes últimos anos: nunca consegui assistir à série transmitida pela TV. Sempre esperei chegar ao final para baixar tudo de uma vez e fazer maratonas no sofá, laptop plugado na TV. Não tenho estrutura psicológica para esperar uma semana entre um episódio, muito menos para vencer a abstinência durante os breaks de meio de temporada.

Lost foi a segunda série a causar esse tipo de aflição, um efeito colateral até que esperado depois dos primeiros anos 24 horas – a maior celebração da cultura da anfetamina na TV. Mas com a série de J.J. Abrams era um pouco diferente. Nesse contínuo que criei para assistir ao Lost, a sensação era a de ter ido a uma rave e pego um doce no lugar de uma bala. Ursos polares em ilha tropical, fumacê matador, ondas de rádio fantasma, magnetismo esotérico. Hobbes e metafísca, Paraíso perdido de John Milton versus o paraíso reencontrado de John Locke. No começo era um quebra-cabeças divertido, instigante. Uma boa metáfora para o conhecimento. E repleta de citações – o melhor do J.J. Abrams é sempre a habilidade de fazer boas conexões com a nerdice da cultura pop.

O que me pegou em Lost no começo foi justamente essa oposição de país das maravilhas com uma dramaturgia absolutamente contida, em certos momentos no limite do melodrama. A ilha era David Lynch, a vida pregressa dos personagens, quase Fassbinder. Uma ousadia televisiva maior ainda do que a injeção de adrenalina de 24 horas.

E, por trás, J.J. Abrams, o criador de Alias, uma série simpática, com seu misto de futurismo e teoria da conspiração. Me empolgava ver um geek tomando de assalto a porção mais mainstream de Hollywood, mudando o sistema por dentro, com suas próprias armas. Transformando a disfunção narcotizante da TV com narcóticos mais poderosos que os do American Idol. Uma vitória canhestra da revolução contracultural americana que inicia com os beats nos anos 1940.

Mantive esse nível de felicidade com Lost nas duas primeiras temporadas. O budismo de biscoito da sorte da Dharma Initiative e a fraqueza dos roteiros nas fases em que Abrams se afastava da série fizeram com que a terceira e a quarta temporadas fossem as mais difíceis de assistir. Mas aí já estava viciado, ficava lá meio inerte esperando um bagulho melhor. Mas parecia que todas as boas ideias já tinham sido usadas e os flashbacks ocasionais eram apenas motivo para lembrar com um que de saudade do deslumbramento inicial.

Isso mudou com a quinta temporada e a demolição do tempo. Finalmente uma ideia digna de Lost. Universos paralelos e duplos injeteram graça até nos enfadonhos rebeldes messiânicos liderados por Benjamin Linus. O final me deu vontade de cair de cabeça na sexta temporada que ternmina hoje. Claro, seguindo meus preceitos, tenho os 16 episódios anteriores devidamente baixados. Mas não assisti nenhum ainda.

Passei boa parte da última semana tentando evitar a enxurrada de spoilers. Consegui. Não foi tão difícil. Enquanto Lost ficava em compasso de espera, caí de cabeça em Fringe, a série mais bacana dos últimos anos. Aquela em que J.J. Abrams conseguiu colocar para fora todas as suas obsessões com o futuro, conspirações, ciência de ponta, drogas para alterar a percepção e universos paralelos. Num certo sentido, Lost é um belo balão de ensaio para Fringe. Quem ainda não entrou neste universo, pode usar o espaço vago a partir de amanhã.

* Guilherme Werneck podia voltar com seu podcast, o Discofonia.