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Vi na Julia Segal.
E assim fechamos o Comentando Lost para sempre. Como o episódio foi duplo, usamos a divisão do torrent e separamos as duas partes em dois programas, para não dar problema pra quem baixou dois arquivos separados do episódio final. Satisfeitos com a jornada, eu e Ronaldo comentamos o que os caras quiseram dizer com tudo aquilo, com os flashsideways, com a igreja no final, com o último vôo. Siga-nos. Semana que vem voltamos com outra coisa, completamente diferente, mas bem parecida. Vambora.
Alexandre Matias & Ronaldo Evangelista – “Comentando Lost: The End – Parte 1 e 2“
Pra ir pegando o ritmo de volta, devagar…
Onde ouvir música nova
Os blogs de MP3 e o Hype Machine
O que faziam as gravadoras antes da crise na indústria fonográfica? Além de produzir, distribuir para as lojas e vender discos – artefato cada vez menos importante devido à música digital –, essas empresas tinham a louvável tarefa de descobrir novos artistas, ajudá-los a entender o mercado em que estavam dispostos a entrar e encaminhar seu futuro artístico. Mas, com a crise do disco pós-MP3, elas aos poucos foram perdendo esse papel de filtro para cada vez mais se preocuparem com aspectos econômicos do negócio da música.
Coube aos blogs de MP3 assumir este papel. São sites feitos por ouvintes e amantes de música, quase todos sem nenhum vínculo anterior com o mercado e produzidos de forma amadora. Começaram a aparecer no início do século e, pouco a pouco, foram substituindo as gravadoras para o público, cada vez mais online, no que diz respeito a saber onde descobrir a melhor música que vem sendo feita hoje em dia.
De lá para cá, estes blogs cresceram, ganharam respeitabilidade e alguns até conseguiram criar modelos de negócio para serem sustentados. E o ponto de partida para quem está procurando música nova online é o site Hype Machine, criado há cinco anos pelo nova-iorquino Anthony Volodkin, que vem ao Brasil na próxima semana, no evento YouPix (de 8 a 11 de junho, no MIS. Mais informações no site www.youpix.com.br).
“Blogs de música têm uma seleção cuidadosa e têm atraído um público cada vez maior, mas não se preocupam com o lado de negócios como outras gravadoras”, ele me disse na última sexta. “E isso torna suas escolhas mais interessantes, pois não estão atrelados à gravação, à produção ou ao marketing, como as gravadoras estão.”
O Hype Machine funciona de forma simples. Basta entrar no site (www.hypem.com) e procurar por algum artista e ele lista uma relação com os blogs que linkam MP3s do nome procurado. Clicando na opção “Popular”, logo na home do site, há uma lista com as músicas mais procuradas da hora – uma parada em constante movimento, como tudo na web.
Apelou, perdeu
M.I.A. contra The New York Times
M.I.A., que lançou o manifesto antirruivos Born Free, ataca de novo – e desta vez é pessoal. Ela não gostou do que a jornalista do New York Times Lynn Hirschberg escreveu sobre ela e não hesitou em twittar o número do telefone da jornalista. O perfil escrito por Hirschberg estava longe de ser ofensivo, mas a cantora não deve ter gostado de ler que ela se considera uma outsider enquanto come batatas fritas com trufas, e anunciou que vai “contar tudo” em dias. Detalhe: Lynn é ruiva.
Da menina
– www.myspace.com/tuliparuiz. Tulipa Ruiz é a bola da vez da MPB paulistana e lança seu primeiro disco hoje, no Auditório Ibirapuera, às 18 horas (ingressos: R$ 30), com participações de Jeneci e Mariana Aydar. Algumas faixas de Efêmera podem ser ouvidas em seu MySpace.
Vamos retomar nosso jogo querido? O Igor pergunta se cabe vídeo na brincadeira – e quem sou eu pra dizer não com uma amostra com esta acima? Sonic Youth, Kiss, Stooges… É muito pra cabeça – e se você for ver que o vídeo é de OITENTA E TRÊS então…
Só falta o Comentando Lost entrar no ar para fecharmos de vez a tampa do Lost. Mas como eu avisei, o ritmo do Trabalho Sujo segue devagar porque daqui a pouco – antes da Copa? Espero – temos grandes novidades aqui nOEsquema. Essa semana também sigo no ritmo lento, sem pressa pra nada, Twitter desligado a não ser bata a saudade e Vida Fodona reposicionado às terças-feiras.
Certo? Já já eu volto…
Citando Fellini:
Você fez a coisa certa. Esse é um grande dia pra você. Foi uma decisão difícil, eu sei. Mas nós, os intelectuais – porque eu te considero um -, temos o dever de permanecer racionais até o mais amargo fim. O mundo já está lotado de coisas supérfluas – não há sentido em adicionar mais uma na multidão.
Afinal, perder dinheiro faz parte do trabalho de um produtor… parabéns, não havia alternativa. Ele teve o que mereceu por embarcar tão levianamente em tão frívola aventura. Não tenha receio ou arrependimento. É melhor destruir do que criar, quando se falha em criar aquilo que é mais essencial.
Além disso, há realmente algo que seja tão claro e justo a ponto de ter o direito de existir? Um filme ruim é simplesmente um problema financeiro para ele. Mas para você poderia ter sido o fim. É melhor deixar as coisas irem embora e jogar sal sobre elas como os antigos faziam para purificar os campos de batalha… afinal, tudo o que precisamos é um pouco de higiene, limpeza, desinfetante… porque estamos sufocados por palavras, imagens e sons que não têm razão de ser… que vêm de lugar nenhum e vão para lugar nenhum. Um artista que seja realmente digno do nome deveria ter de realizar um único ato de lealdade: restringir-se ao silêncio. Lembra-se da eulogia de Mallarmé à página branca…?…– Nós estamos prontos para começar!… Todas as minhas felicitações!
– … se não se pode ter tudo, nada é a verdadeira perfeição. Perdoe-me essas citações, mas nós críticos fazemos o que podemos. Nossa verdadeira missão é limpar os inúmeros abortos que obscenamente tentam invadir o mundo. E você gostaria de deixar atrás de si nada menos que um filme inteiro, como um homem coxo deixaria impressas suas pegadas deformadas? Que presunção monstruosa crer que os outros se beneficiariam de alguma forma do esquálido catálogo dos seus erros. Por que você deveria se importar em costurar os retalhos da sua vida, as vagas memórias e os rostos das pessoas que você nunca foi capaz de amar?
– “O que é esse clarão de alegria que está me dando nova vida? Por favor me perdoem, doces criaturas. Eu não me dei conta, eu não sabia… Como é certo aceitá-los, amá-los. E como é simples! Luisa, eu sinto como se tivessem me libertado. Tudo parece lindo, tudo tem um sentido, tudo é verdade. Ah, como eu queria poder explicar…! Mas eu não posso… e tudo está voltando ao que era. Tudo está confuso novamente… mas essa confusão sou eu. Como eu sou, não como eu gostaria de ser. E, agora, não tenho medo de contar a verdade, o que eu não sei, o que eu procuro. Só assim posso me sentir vivo e olhar nos seus olhos fiéis sem sentir vergonha. É uma festa, a vida. Vivamo-la juntos. Não posso dizer mais nada, para você ou para outros. Aceite-me como eu sou, se puder. É só assim que nos podemos tentar encontrar um ao outro”.
– Não sei se você está certo. Mas posso tentar, se você me ajudar.
Sim, é uma comparação hiperbólica e aparentemente absurda. Mas não, não é paródica. Eu realmente acredito na semelhança entre os dois. Não me parece uma associação infundada. Porque ambos realmente me atingem de maneira parecida, as duas cenas me causam reação similar (sim, sim – as lágrimas).
Claro, o final de Fellini é perfeito, genial, obra-prima. E o de Lost tem algo de brega, de over, de desajeitado, de confuso. “Mas” – foi o próprio Fellini quem o disse, e eu não poderia pôr de outra maneira – “essa confusão sou eu”.
* Gabriel citou este trecho em seu blog.