O fim (?) do Fellini

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“Tudo indica que sim”, me responde por email Thomas Pappon, guitarrista fundador do Fellini, sobre a possibilidade do show desta quinta-feira, no Centro Cultural São Paulo (mais informações aqui), ser o último da banda. “É sempre complicado reunir a banda – eu moro em Londres, todo mundo trabalha. Dessa vez só deu certo por causa de um cuidadoso e longo planejamento.”

Pedra fundamental do rock independente brasileiro, o grupo paulistano foi um dos poucos que soube equilibrar experimentalismo e brasilidade numa época em que era preciso escolher entre extremos (familiar?). Assim, influenciou mais de uma geração de novos artistas, tornando possível inclusive sua volta quase dez anos depois do encerramento oficial da carreira, no início dos anos 90 (entrevistei o grupo na época, em 1999 – dá pra ler aqui), que deu uma sobrevida ao grupo, que conseguiu manter sua reputação intacta à medida em que voltaram a gravar novos discos e fazer outros shows esporádicos nos últimos quinze anos. “Poucos nos conheciam nos anos 80”, continua Thomas. “Hoje mais gente conhece – e nos shows a devoção do público hoje é maior. E com site no Facebook, a banda conversa o tempo todo com os fãs diretamente. Aliás foi uma forma de descobrir que temos fãs no país inteiro. E de conhecê-los.”

A volta atual começou há duas semanas e contou com shows no Z Carniceria e no Sesc Belenzinho e termina no Centro Cultural São Paulo, com show gratuito, nesta quinta-feira, a partir das 20h30. Thomas comemoram os dois shows: “Foram sensacionais. Em três lugares diferentes – o terceiro nao rolou ainda, mas tenho certeza que será bom – de certa forma perfeitos para a empreitada, em especial o Sesc. A ideia de tocar o Amor Louco inteiro foi muito boa. A grande mudança foi a participação do Lauro Lellis, um superbaterista, que trouxe firmeza e fluidez ao som.” Além de Thomas, a banda conta com Cadão Volpato nos vocais, Jair Marcos na outra guitarra e Ricardo Salvagni no baixo.

Mesmo que o Fellini termine de vez após o show desta quinta, Thomas não encerra sua produção musical, principalmente com seu projeto solo The Gilbertos: “Gosto demais das três músicas que fiz no ano passado – ‘Cadê Alice?’, ‘Haroldo’ e ‘Baita de um Verão’ – estão no Soundcloud“, lembra. Ele também continua a dupla com Cadão no projeto Pappon & Volpato, que também tem três músicas em uma conta no Soundcloud, além de ajudar na carreira de Andrea Merkel. Sobre o Fellini, ele não descarta shows futuros (“se houver uma boa proposta, quem sabe”), mas queria relançar o último disco da discografia inicial da banda, Amor Louco, em vinil: “É certamente um objetivo. Pena que não dependa apenas da gente”, lamenta. “E pretendo continuar compondo. Mas nunca ouvi tão pouco música como nos últimos meses, isso me preocupa.”

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1 Resultado

  1. André Girardi disse:

    Boa!