O disco de estréia de André Paste

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E o menino André Paste cresceu. Lembro quando o conheci: estávamos no auge da Gente Bonita quando um moleque ainda menor de idade, vindo de Vitória, no Espírito Santo, me adicionou no MySpace, linkando mixtapes que misturavam Amy Winehouse com Companhia do Pagode, nitidamente influenciadas pela fase mashup de João Brasil. Trouxe Paste para tocar em São Paulo pela primeira vez (em 2009, no Vegas) e de lá ele foi pro mundo: tornou-se conhecedor de tecnobrega, integrou a Avalanche Tropical, fez dupla com o Dago e agora, cinco anos depois de pisar em São Paulo pela primeira vez, ele lança seu primeiro disco solo.

Mas ao contrário do previsto Shuffle passa longe do oba-oba e da putaria típicas de suas discotecagens – ele prefere baixar os BPMs e convidar velhos amigos (João Brasil, Silva, We Are Pirates) para um disco pensativo e com um quê melancólico, mesmo com as brincadeiras tipicamente brasileiras (como convidar Waldo Squash da Gang do Eletro para seu “Réquiem para Tiësto” ou chamar Mozine, da banda de hardcore Mukeka di Rato, para ler o “Horóscopo”). Do disco todo, pinço a new rave “Cosmos”, que além de conversar com discos importantes de 2014 como o Our Love do Caribou e o It’s Album Time do Todd Terje ainda tem o trunfo de ser a primeira coisa envolvendo o Holger que eu consigo gostar.

Bati um papo por email com o André sobre o disco novo, que segue na íntegra ao final do post e pode ser baixado por aqui:

Quando você teve a ideia de lançar um disco solo? Por que um trabalho autoral?
Essa ideia tá na minha cabeça há uns três anos, não tem aquele lance de que antes de morrer você tem que escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho, então, eu só queria ter um disco hahaha era meu único desejo até agora.

O disco também foge do clima alto astral das suas discotecagens pra preferir um caminho mais downtempo…
Eu quis fazer um disco good vibe, sem me prender muito a bpm’s altos. Na real as músicas aconteceram naturalmente, chegou um momento que eu percebi que o disco estava ficando mas downtempo, mas eu curti.

As participações especiais já estavam definidas quando você começou a compor o disco?
Já, o conceito do disco, de convidar vários amigos vindos de formações musicais diferentes veio antes da composição dele. Queria juntar pessoas que gosto no disco.

O disco vai sair num formato físico? E como vai ser o show?
Vai sair em CD físico sim, em mais ou menos um mês já esta pronto. Estou esperando o lançamento pra começar a formatar o show, mas quero fazer poucas apresentações, vão ser shows bem pontuais.

Quais seus próximos passos, depois desse disco?
Não sou muito de fazer planos não, vou deixar acontecer naturalmente daqui pra frente.

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2 Resultados

  1. Mateus Rabelo disse:

    Qual sua opinião em geral sobre o Holger, Matias?

    • Alexandre Matias disse:

      Gostava quando pareciam com o Pavement, depois que começaram a ouvir Vampire Weekend e Animal Collective desandaram bem. Sempre ouço com alguma atenção, sempre me decepciono.