Naná Vasconcelos (1944-2016)

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Todas minhas lembranças de Naná Vasconcelos, que infelizmente nos deixou nesta quarta-feira, são de apresentações ao vivo, em shows gratuitos ou em participações em shows alheios. O velho pernambucano felizmente era figurinha fácil e sempre topava tocar quando era convidado – e foi o vendo tocar que abri minha cabeça para a percussão. O leque de instrumentos que Naná dominava era imenso, mas pequeno comparado com as emoções que provocava. Era um sonoplasta da alma, tocava emoções de uma forma profunda, mergulhando no fundo do ser humano apenas com suas mãos e seu voraz senso de ritmo para extrair textos inteiros criados a partir apenas de sensações. Um mago do ritmo, ele fazia chover em lugares fechados e transformava essa mesma chuva em revoada de pássaros, um escritor impossível cujas frases misturam sensações, emoções e sentido, fazendo o universo alinhar-se ao seu ritmo. Sua morte é uma lacuna irreparável na música brasileira, mas sua vida fez milhares – senão milhões – se conectarem ao ritmo interior de tambores que falam.

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