Lost: This Place is Death

Hora da mitologia acontecer!


É uma navinha ali do lado dos pássaros? Ou é uma ilha decolando?

De novo aquele paragrafinho que só serve pra tanger o povo que não quer saber do que tá rolando em Lost porque não viu o último episódio da temporada atual. Deu tempo de se ligar que, se você não quer saber o que anda acontecendo na série zarpar desse post – porque a partir daqui, parto do pressuposto que você já assistiu ao capítulo da semana passada, This Place is Death.

Então, como eu já havia previsto, tudo indica que estamos chegando ao fim da primeira metade desta temporada. E não estou falando só da contagem numérica, não. Quem não está gostando do 2009 de Lost porque acha que o papo dos Oceanic Six voltarem para a ilha tá se tornando uma tremenda enrolação, pode comemorar – Jack e Sun terminaram o episódio passado sendo apresentados para a misteriosa Ms. Hawking, que disse que, mesmo os seis não estando lá, já dava pra dar um jeito – e voltar para onde não deviam ter saído.

Porque essa historinha só não é a pior subtrama no seriado pois já tivemos a história de Nikki e Paulo e a loooonga estada de Jack, Sawyer e Kate presos em celas Dharma. Mas nestes dois casos, os produtores não sabiam quanto tempo duraria a série e nem que rumo ela levaria, por isso, dá-se um desconto. Mas essa história do Ben reunir os Oceanic Six de um jeito ou de outro, tem sido contada de uma forma muito meia-boca: alguém está querendo tirar Aaron de Kate – ah, esse alguém é o Ben; Sayid não está respirando – ah, não, ele está respirando sim; Hurley foi preso – ah, conseguiram um mandato para soltá-lo; alguém está querendo levar Sayid inconsciente – duvida que seja o Ben?; Sun vai matar Ben – ah, Ben tem como provar que Jin ainda está vivo. Pequenas histórias que poderiam injetar alguma adrenalina em Lost foram encurtadas de forma abrupta e infantil, com deixas que pareciam levar a crer que seriam esticadas por alguns episódios sendo resolvidas sem grandes problemas. O que parecia transformar Lost em uma série de ação tornou-se uma ação de mentira – por mais que carros sejam perseguidos e que correrias aconteçam por alguma pressa específica, toda a história dos Oceanic Six voltando para a ilha poderia ser resumido num mísero episódio sem tantas reviravoltas. Michael Emerson, o ator que faz Ben, talvez seja o melhor exemplo desta nova fase de Lost – elogiadíssimo por sua atuação dúbia em todas as outras temporadas, nessa ele só teve um único momento em que foi exigido, quando, no episódio passado, puxa o freio do carro para encerrar uma discussão entre Jack e Sun, como se fosse um pai que vira para o banco de trás do carro para dar um esporro nos filhos que, bagunçando tudo, atrapalham a direção.

Já na ilha, as coisas estão BEM diferentes. Não só pelo fato dos remanescentes estarem viajando no tempo como, principalmente, por estarmos sendo apresentado a lacunas da mitologia de Lost que só conhecíamos de segunda mão. Sem dúvida, a passagem mais reveladora do episódio passado foi a cena em que Danielle Rousseau e sua equipe decidem entrar na floresta em busca da antena que transmite os famigerados números (quem está os lendo? Hurley? Toomey?). Nem vamos entrar aqui na discussão que, sem Jin ter voltado no tempo, nem a equipe entraria na floresta, nem Danielle seria impedida de entrar na caverna. O que fez a participação da equipe de Rosseau emblemática foi o fato de vermos o grupo sendo atacado pelo nosso querido monstro de fumaça (numa cena em que – gore! – um braço é decepado) e o que aconteceu logo depois do ataque. Em uma passagem curtíssima, assistimos à própria mitologia de Lost acontecendo em frente aos nossos olhos: Rosseau mirando a arma no pai de sua filha que clama para não morrer explicando que o que os atacou era um “sistema de segurança do templo” – que foi justamente como a Rosseau de 2004 se referia ao fumacê.

Fumacê que, por sua vez, parece ser a origem da misteriosa doença que dizimou a equipe de Danielle. Aparentemente o bicho não apenas se movimenta por conta própria como pode manipular corpos de outras pessoas como se estivesse as possuindo. Basta lembrar que, depois do francês que teve seu braço arrancado cair na toca do monstro, ele voltou a falar normalmente, pedindo ajuda em inglês. O cara só falava francês, perdeu UM BRAÇO e não solta um gemido de dor? E logo depois vemos Robert, o pai do filho de Rousseau, agindo como se tivesse sofrido uma lavagem cerebral. Aí tem.

Mas além de 1988, a data dos acontecimentos que envolvem os franceses, Sawyer, Juliette, Charlotte, Miles, Faraday e Locke (seis pessoas também, reparou?) estão perdidos na ilha, sofrendo na pele os efeitos da viagem no tempo. A primeira a não agüentar é Charlotte, que, antes de morrer, viaja no tempo com sua consciência, falando quase sem sentido. Mas ela estava só viajando no tempo? Como ela sabia que “this place is death”? E como ela sabia do poço que Locke entraria mais tarde? Será que ela também estava sendo usada pelo smokey? (Pensando em voz alta, dá pra encaixar um dos grupos mais populares da Motown na mitologia de Lost, hein: Smokey é o fumacinha, Robinson é a família Robinson e os Miracles – ah, isso tu pergunta pro Locke).

A quinta temporada também vem transformando Sawyer, que, desde que pulou do helicóptero para salvar os Oceanic Six, completou sua redenção. Ele agora não é mais o picareta simpático e irônico das primeiras temporadas e cada vez mais assume o papel de herói – que Locke ou Jack sempre resistiram em aceitar. A cena em que ele vê o parto de Aaron em Little Prince conversa muito bem com a cena em que o poço desaparece sob os pés dos remanescentes, fazendo o golpista galã acreditar que Locke estivesse soterrado. Em ambos momentos, Sawyer parece ter atingido uma maturidade emocional que seu personagem não tinha antes.

E Locke desceu para o fundo do poço onde, depois de mais uma vez sofrer na pele a queda (ô coitado), ele pode colocar a maldita Frozen Donkey Wheel no lugar. Um detalhe que tem incomodado muita gente é o fato da série ter três tipos de viagens temporais – a ilha sumiu de 2004, os remanescentes estão pulando de ano em ano aleatoriamente e outros viajam só com a consciência, sem que seu corpo seja transportado para outras épocas. Como a roda que Locke girou estava emperrada – e como os flashes de viagens do tempo estavam mais freqüentes no último episódio – é bem provável que os clarões eram produto da forma como Ben deixou a roda depois de partir da ilha. Ou seja, uma vez que Locke a colocou no lugar, aposto que não veremos mais os clarões de viagem no tempo tão cedo. As questões que ficam no ar a partir disso (inúmeras) podem ser reduzidas a duas – para onde Locke foi depois de girar a roda e onde foi parar a ilha.

Porque Locke entrou num poço que havia sido construído muito antes da Dharma ter criado a Estação Orquídea, mas depois de cair dentro dele, voltou num tempo em que sequer o poço existia – mas a roda estava lá. Quando Ben girou a ilha, ele pulou alguns meses no futuro – e atravessou o planeta para sair do outro lado. Se a ilha estava no Oceano Pacífico em 2004, ele “furou” a Terra e foi sair na Tunísia, em 2005 (o mesmo país em que Charlotte descobriu a ossada do urso polar com o distintivo Dharma, que fez com que ela tivesse a certeza de que, ao contrário do que dizia sua mãe, a ilha realmente existira). Se Locke girou a roda num tempo muito antes da Dharma, ele pode aparecer na época do navio Black Rock – estou torcendo tanto para que esse episódio aconteça…

E então voltamos para Los Angeles, quando entramos em uma igreja que, aparentemente, não é só uma igreja. Jack, Sun e Ben encontram-se com Desmond, que disse ter vindo procurar a mãe de Faraday, informação que Ben parecia não ter (repare na cara dele depois). Hawking é a mãe de Faraday? Ben sabe disso? Ben sabe quem é Daniel Faraday? Lost clássico: perguntas, perguntas…

Mas respostas também. O grande barato dessa temporada está sendo justamente ver coisas que supúnhamos ou éramos induzidos a acreditar sendo descortinadas ou confirmadas com pompa. Aos poucos, os pedaços começam a se juntar – não dá pra ver ainda a imagem inteira, mas dá pra ter uma idéia do que vem por aí.

E o que vem por aí? Acredito que um vôo de uma certa Ajira Airways. Qual é o número do vôo? Qual é o nome do episódio de hoje?

“Well I suppose it will have to do for now. Alright! Let’s get started”

 

***

Mais quinta temporada de Lost: 

Lost: The Little Prince
Lost: Jughead
Lost: Because You Left e The Lie

Você pode gostar...

Sem Resultados

  1. Hector Lima disse:

    ainda não vi o de hoje, mas pra mim frozen donkey wheel = timão do black rock – e tb quero muito q apareça esse episódio, mas tenho receio de q veremos os tripulantes do navio soh no ano que vem, porque vai estar mais clara a ligação dos outros e dos losties com eles…

  2. Taí, nunca tinha pensado nisso (frozen wheel = black rock), boa!

  3. ivan disse:

    seria o richard alpert uma espécie de cocoon?

  1. 21/02/2009

    […] • • A nova do Yeah Yeah Yeahs • • Capas de quadrinhos clássicos redesenhadas • • Lost: This Place is Death • • O Kanye West é gay? (ou só não tem suíngue?) • • N.A.S.A. – The Spirit of Apollo (e […]

  2. 27/02/2009

    […] Lost: This Place is Death […]

  3. 06/03/2009

    […] Lost: This Place is Death […]