CCSP: Centrífuga

centrifuga2018

Começa nesta quinta-feira, o projeto Centrífuga, idealizado pelo diretor do Centro Cultural São Paulo Cadão Volpato, que investiga o processo de criação nas diferentes áreas regidas pelas curadorias artísticas do espaço. Como curador de música, propus um espetáculo aberto que mostrasse a produção envolvendo rimas e ritmos: de um lado vem o percussionista Ari Colares e do outro o MC Kamau. Ambos convidaram novos talentos de suas áreas e quinta e sexta começam a trabalhar internamente em temas e formatos nas salas de ensaio do CCSP, para depois começar a executar o espetáculo de forma aberta ao público no sábado, das 15h às 18h, culminando com uma apresentação gratuita no domingo às 18h – ambas apresentações na Sala Adoniran Barbosa (mais informações aqui). Há outras atividades envolvendo cinema, teatro, literatura, artes plásticas e além durante estes quatro dias na virada de novembro para dezembro (mais informações aqui). Abaixo, o texto que escrevi para o catálogo do projeto:

Entre rimas e ritmos
A aproximação de percussão e rimas de rap num espetáculo criado em frente ao público

O segredo do sucesso do rap foi reduzir a banda ao par de vitrolas do DJ. Ao deixar os músicos de lado para focar no ritmo e no vocal, uma das principais culturas musicais contemporâneas inventou um instrumento musical a partir de um equipamento de som. Mas também foi em busca das raízes da história da música, quando antes da invenção de quaisquer instrumentos, o ser humano cantava com a voz e com ritmo.

Porque a vitrola, nas mãos do DJ, é um instrumento de percussão. É um atabaque com timbres sampleáveis, um bongô pós-moderno que permite que as batidas soem com timbres de sopro, metais, cordas, vozes e possam expressar uma musicalidade própria. Assim, a curadoria de música do Centro Cultural São Paulo propõe a colaboração entre música erudita e popular, rappers e percussionistas, em busca de conexões que estão na base da musicalidade humana.

É a partir desta constatação que pensamos na atividade do Centrífuga, que atravessará os dias 29 e 30 de novembro e 1° e 2 de dezembro abrindo a possibilidade para o público acompanhar o processo de criação de um espetáculo. Convidamos dois craques de duas áreas diferentes – o rapper Kamau e o percussionista Ari Colares – para escolher novos talentos e mostrar uma apresentação que reunisse ritmo e poesia, usando o rap como base para criar novos diálogos com instrumentos de percussão.

Kamau é um dos principais nomes do rap deste século no Brasil, tendo começado a rimar ainda nos anos 1990 e participado de grupos como Consequência e Quinto Andar. Sua carreira solo começou há dez anos e ele esteve envolvido com os principais nomes da cena brasileira, sempre em destaque.

Ari Colares, por sua vez, é um dos principais percussionistas do país. Acompanhou nomes como Arnaldo Antunes, Naná Vasconcelos, Yamandu Costa, Pena Branca e Xavantinho, Mônica Salmaso, Paquito D’Rivera, além de atrações internacionais como Ricky Martin e Winton Marsalis. Também é professor de percussão na Escola de Música do Estado de São Paulo.

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