Breaking Bad: “I was good at it”

BreakingBadFelina

O post abaixo contém spoilers:

Estou batendo meu texto sobre Breaking Bad mas preciso atualizar outras coisas no Trabalho Sujo antes disso (vocês verão). Não vou discutir especificamente o último episódio, mas falar da importância da série como um todo. O último episódio, especificamente, não bateu. Para uma série que provocava tanto as fronteiras da televisão, achei que Felina – anagrama para “Finale” – foi previsível e condescendente. Os bons escaparam, feridos, mas livres; os maus morreram, de diferentes formas; Walter encontrou seu inevitável fim. O oposto do que a série – com todas suas forçadas de barra – sempre representou. Fiquei particularmente frustrado porque havia lido a entrevista que Dave Bunting fez com o diretor de fotografia do seriado, Michael Slovis no site RogerEbert.com no início do semestre e em dado momento, ele comenta o que pode comentar sobre o final da temporada:

Só posso dizer duas coisas: a) Você não ficará desapontado, prometo, prometo, prometo, prometo, prometo. b) Toda história será amarrada e não haverá pontas soltas. Irá redefinir as últimas temporadas na televisão. Irá redefinir o que é um último episódio, que são quase inevitavelmente frustrantes. Este não desapontará.

O cara lança uma dessas e cria uma expectativa gigantesca. Vince Gilligan realmente transpôs os limites da TV ao forçar uma história triste e depressiva envolvendo dinheiro, morte, drogas e família. Reuniu personagens psicóticos que já eram familiares ao cinema, mas colocou-os na sala de estar, empurrando uma realidade por vezes caricata mas sempre violenta goela abaixo do espectador. Esse é o grande trunfo de Breaking Bad e quando alguém tão próximo do núcleo-duro da produção (a fotografia, afinal, é uma das preciosidades do seriado) solta uma dessas, o que se espera é um final daqueles de tirar o fôlego.

Não foi o que aconteceu. Deu tudo certo, no final. “Redefinir o que é um último episódio” é amarrar as pontas soltas às vontades do público? Acho que esse final tirou o clima de tensão imposto no antepenúltimo episódio (Ozymandias foi na jugular do telespectador) e esticado no penúltimo. O clima de vingança cedeu ao de redenção e toda maldade foi redimida, como num filme de sessão da tarde.

Um final previsível que teve dois momentos bonitos: o último encontro de Jesse e Walt e a última conversa de Walt e Skyler. De resto, a cena da metralhadora é uma mistura de Papaléguas com McGyver que transformou a expectativa do “final Scarface” numa cena de desenho animado. A própria gangue nazista era ridícula se comparada aos grandes vilões da série, parecia uma caricatura de um grupo de arquivilões, que não tinham nada de inusitado ou pessoal. Personagens rasos, sem humanidade, bidimensionais como as aparições de Hitler nas histórias da Marvel e sua chacina pareceu uma canetada no roteiro: “Morrem todos”, resumido numa frase.

Nada de antológico, épico, histórico (a não ser quando dito por aquelas pessoas que não conhecem o significado dessas palavras e as cospem feito onomatopéias de deslumbramento). Esse final sem sal pode custar o trono de Breaking Bad entre as grandes séries. Não tirou o chão como o fim de Sopranos nem nos consolou com um sorriso como o final de The Wire. Até o final de Lost, por mais brega que possa ter sido, foi mais digno da série do que o final de Breaking Bad.

Espero estar errado, mas temo que em cinco anos não vamos nos referir a Breaking Bad com a reverência que a saudamos hoje. E acho que isso acontecerá só pelo fato do final ter sido… comum.

Você pode gostar...

55 Resultados

  1. Vinicius disse:

    Felina = Fe/Li/Na = Ferro/Lítio/Sódio = Sangue/Meth/Lágrimas

  2. Renan Abreu disse:

    Pô cara, verdade. No fundo tive a impressão de que a preocupação em “jogar para o público” foi tão grande que este series finale não teve nada de surpreendente. Basta ver o que estava nos fóruns de fãs. Se eu apostasse o que iria acontecer com cada personagem teria acertado mais da metade.

  3. Felipe Souza disse:

    Eu fiquei pensando nisso. Depois lembrei do final de Lost. Prefiro finais amarrados. De fato, só uma coisa eu não gostei: Skyler. Não neste episódio, mas na série toda. Nossa, como eu odeio a Skyler! Que ao menos tivesse terminado gorda levando pé na bunda do Ted.

  4. pombo disse:

    pior que o final de lost? difícil

  5. pombo disse:

    the wire teve um final foda msm, haha.

  6. Hallison disse:

    Respeito seu comentário sobre o final da série. Mas pelos desdobramentos de fatos ocorridos nos dois episódios anteriores, e até na própria série no geral, nao tinha como nao acontecer o previsível. Quanto ao final Scarface, eu e uns amigos tinhamos cogitado essa possibilidade. Mas pela própria natura do Walter, seria pedir demais que um Nerd cinquentão entrasse naquela fortaleza fazendo a linha Schwarzenegger em Comando para Matar e metesse chumbo nos malvados.. rs

  7. Tiago disse:

    Eu discordo um pouco desse post.
    O final não é épico?
    Depende da sua perspectiva, pois o final aconteceu duas semanas atrás, no episódio 60: Ozymandias.
    Tudo que aconteceu depois é epílogo.

    Isso muda alguma coisa? Sim e não.
    Entender que esse episódio (e o anterior) foram apenas um epílogo define que eles tem um propósito claro e definido: Amarrar as pontas soltas e não deixar nada sem uma conclusão (algo que é muito diferente do final simplesmente, que pode ser aberto e inconclusivo).

    Por isso o epílogo tem de mostrar praticamente todo mundo que passou pelo mundo da série (Gretchen e Elliot não apareciam desde a segunda temporada!), e a última cena, tirada direto de um western com a última balada do cowboy condenado, é justamente o caminho final necessário para que tudo chegue a uma ‘conclusão’ e mais que isso relativamente “satisfatória”.

    E de fato, isso foi construído de forma ao público ter algum rejubilo com a redenção (forçada) de Walt.
    Mas repito quanto necessário for: não tinha como ser diferente.

    • Augusto disse:

      Seu comentário foi o mais sóbrio.

    • Concordo com cada palavra do Tiago – os dois últimos episódios foram epílogo.
      Não tinha mesmo como ser diferente, nem acho questão de satisfazer o público – mesmo porque o público não estava 100% contra o Walter. Mas não dá pra achar que uma série americana ia recompensar ou de alguma forma livrar a cara do “bandido”, já achei muito terem livrado o Jesse.
      Acho que mensurar toda a série pelo peso de seu final um pouco precipitado. O roteiro continua sendo bárbaro, os questionamentos continuam sendo profundos. Tudo isso não se perde só porque o final foi mais morno.

    • Fra disse:

      Concordo com Tiago.
      O final não estava no último episódio.
      Aliás os dois últimos foram só amarração de pontas soltas na história…um epílogo.
      A história termina em ozymandias.

    • Tiago disse:

      Inclusive tem um detalhe (que reforça que não podia ser diferente): Esse é o tom das últimas cinco temporadas.

      Coisas como gritar que ele é o perigo, construir o “velhinho-bomba” (quer algo mais McGyver que isso?), utilizar a ‘química ninja’ (produzindo bombas, como aquela da primeira temporada), e mais uma dezena de outros exemplos que consolidam que essas seriam as ações de Heisenberg.

      Seguir num outro caminho – como o ‘final Scarface’ – seria descaracterizar o personagem.

    • Cícero disse:

      Não digo que não poderia ter sido diferente. Dava pra ter sido sim. Mas, de fato, se esperava que o Walter desse uma de justiceiro no final. Essa era a expectativa comum. E foi o que aconteceu.

      Porém, a engenhoca da metralhadora foi um pouco forçada. E talvez o final de Jesse tenha sido a maior condescendência ali. Para aliviar os nossos corações.

      Concordo com o Tiago, Ozymandias foi o episódio que correspondeu a um belo final (devastador), onde ele só nos poupa em manter Holly a salvo.

    • Ian. disse:

      o Tiago resumiu bem.

    • Drica disse:

      Também concordo, o comentário do Tiago foi o mais sóbrio.

    • otavio disse:

      “Mas repito quanto necessário for: não tinha como ser diferente”

      é…
      é justamente esse o tipo de pensamento de que o Matias está falando. Quando você não enxerga uma saída diferente, você vai pra onde todos esperam. Simples.
      O Gilligan (ou alguém da alta cúpula) não viu outra saída. É uma pena.
      O que faltou nesse último episódio foi justamente algo do qual ninguém esperasse. Gostaria de poder dizer algo como “Não tinha como acabar diferente, mas eles fizeram.”
      Não tira o mérito do seriado. Mas perde a chance de ter um final épico.

      • Tiago disse:

        Otávio, na verdade, considerando-se todas as obviedades, tinha como terminar ‘sendo tudo um sonho’ (ou uma bad trip), ou quiçá o final de “Quanto mais idiota melhor” (em que o filme te deixa escolher a melhor opção de como o filme terminou), e como sempre tinha como fazer muitas outras coisas diferentes.

        Mas seria o final Scarface, ou o final aberto de Sopranos, ou final de Hamlet (que Brian Azzarello adaptou em 100 Balas), seria o final da 5ª temporada de Dexter – ou se preferir o final de Se7en – ou o final de Scalped de Jason Aaron (em que o ciclo começa novamente ad infinitum)…
        Ou pior que isso: Poderia cair no final de Seinfeld (que é tão foda mas muita gente até hoje não entendeu).
        Mas nada disso seria o final de Breaking Bad.

        Não seria o final da história do professor de química que começou a produzir metanfetamina para tratar da doença e deixar dinheiro suficiente para sua família quando ele partisse.
        Pra história que Vince Gillian contou, tinha que terminar com a ficha caindo pro Walt, de que ele tinha ido longe demais, e, no caminho que seguia, nem o seu câncer seria tratado, nem sua família veria um centavo do dinheiro (além de correr constante risco de se tornar alvo de um cada vez mais poderoso cartel de drogas).
        E foi isso que Ozymandias fez: Forçou Walt a um exílio para reexaminar suas escolhas na vida, e avaliar suas opções.

        • Romero disse:

          Perái…agora fiquei confuso..
          Eu achava que tinha entendido o final de Seinfeld!
          Aquela suposta queda do avião aconteceu mesmo e o julgamento era o julgamento pra ver se eles iriam pro ceu ou inferno??

          manda sua visão aí Tiago…

        • Tiago disse:

          Tentarei sumarizar, uma vez que o final de Seinfeld é extremamente complexo, e, realmente se esforça de maneira a abraçar (e concluir) toda a mitologia da série.
          Uma das coisas que faz do final da série tão brilhante, é a quantidade de camadas que ele imbui.
          Por exemplo, o julgamento é, entre outras coisas, uma menção a uma das histórias mais famosas do Superman (Action Comics 310 de junho de 1963: The Trial of Superman), e apenas mais uma das infinitas menções ao personagem ao logo das nove temporadas do show – que inclui a comparação direta com os Beatles (mesmo tempo de duração da série e da carreira do grupo britânico, uma mesma estrutura de quatro integrantes na formação, e um final que muita gente acha destoante com o que veio antes, afinal quem clama uma revolução num álbum termina tudo dizendo “Deixe estar”?).

          E é importante entender que o final acha uma solução (elegante) para resgatar todo tipo de argumento (como a questão do carma – de “The Opposite” episódio 22 da 5º temporada), personagem (esse é mais óbvio), plot (incluindo George finalmente admitir que roubou na aposta de “The Contest”, episódio 11 da 4ª temporada) ou mesmo citação (com ao final, a conversa entre Jerry e George sobre botões – o mesmo argumento do primeiro episódio da primeira temporada).

          Pode parecer bobo dizer, mas o final de comédias é tradicionalmente um final feliz.
          Tudo se acerta, todas as incertezas se vão e todo mundo fica bem.
          Larry David e Jerry Seinfeld estabelecem, de maneira bem clara, essa isca no primeiro ato do final.
          Jerry e George finalmente vendem o piloto à NBC. A chama do romance parece brilhar para Elaine e Jerry – algo que a série já brincara em The Serenity Now, da mesma temporada, com George dizendo a Elaine que sempre esperara que ela voltasse a namorar com Jerry… O grupo parte para uma grande aventura em Paris…
          Ou seja, um final adequadamente feliz.

          Então o avião cai. E o final realmente começa.
          A função da arte é expor luz aos problemas da sociedade, e, com a precisão de um cirurgião, Seinfeld resgata e intensifica críticas ao que nos parece (ou é) comum.
          E é nisso que vemos uma feroz e ácida crítica à sociedade e costumes, como todo comediante deve ser capaz de fazer.
          Afinal, como um crime tão banal pode se tornar notícia (internacional, inclusive) com todo um acompanhamento contínuo na porta do tribunal?
          Não obstante, temos a crítica à incompetência da polícia (durante todo o período do final, a polícia não parece interessada em prender o ladrão de carros) ao sistema judiciário frívolo (exacerbando um pequeno caso com testemunha sobre testemunha)…

          Mas ainda há espaço para uma última reflexão sobre esse grupo de adultos que nunca cresceu (constatação observada em The Engagement, primeiro episódio da 7ª temporada), talvez a mais profunda e completa, focada como um laser sobre o grupo e, por usar uma forma mais abrangente. sobre as pessoas ao seu redor.
          No que chegamos a um final, em que, depois de um longo julgamento, um homem que acabou de ser preso começa a falar sobre botões…

          Existem mais possibilidades, mas é um belo começo.

        • Romero disse:

          Cara…isso explodiu minha cabeça!!!
          ta qui pariu!!

        • Romero disse:

          eu só tava ligado na questão dos botões que fica bem claro mesmo..dando uma certa circularidade na narrativa..e talz..

        • Tiago disse:

          Meu blog> http://macacosdigitando.blogspot.com.br/
          A maioria do material é dos/pros meus livros e contos, e, de vez em quando eu monto alguma revisão de quadrinhos, literatura, cinema e música.
          Algo que me orgulhou muito foi finalmente escrever sobre 2001: Uma odisseia no espaço, acho que pode interessar alguns de vocês: http://macacosdigitando.blogspot.com.br/2013/09/2001-uma-odisseia-no-espaco.html

        • Camarada Moderado disse:

          tiago, ia defender coerência a trama. Amarrar as pontas soltas e manter o universo coeso. Mas não preciso. Pois você já defendeu aqui.

          O final de Breaking Bad é coerente com a série toda. Por isso é bom, mesmo sendo o óbvio. É aquilo que é acertado. O problema que o pessoal ás vezes quer um show de mágica( com truques a todo momento) ao invés de uma narrativa sólida, bem amarrada e coesa.

          Eu prefiro a segunda, pois eu já estou acreditando na magia há tempos. Não preciso ser mais enganado.

    • André Timm disse:

      Gostei muito do teu comentário, Tiago. Acho que você colocou tudo de forma muito acertada.

    • Tiago disse:

      Nunca tinha pensado dessa forma. Adorei o seu comentário. E ele me fez gostar mais do final. No final das contas: concordo com o post E TAMBÉM com o seu comentário. O S05E14 foi o final. O epílogo foi morno, como um epílogo deve ser. Abraços a todos.

  8. janara disse:

    Condescendente e redentor, foram essas duas palavras que ficaram na minha cabeça depois de ver. A única coisa que eu não queria era um final de redenção. Ficou parecendo fim de novela. E eu juro que não tinha me tocado pro quanto aquela gangue era realmente ridícula, haha.

    Mas a série me rendeu bons momentos, tenho pouca paciência, me apeguei mesmo. Mas o final, foi de novela.

  9. Felipe Mesquita disse:

    Olha cara, eu não concordo com vc, vc fez o que todo mundo faz com um seriado bom: Muita expectativa pra que seja o final mais foda e o episódio mais genial de toda a série. Não da pra ser assim porque nossas expectativas são sempre maiores do que realmente pode ser feito.

    Mas esse não é o principal motivo de eu discordar, o principal motivo foi porque eu adorei o final, como muitos eu tinha pena e remorso do Walter, eu via nele um cara bom mas confuso e, ao tentar ajudar todo mundo e sair bem, só se ferrava, e o caráter “meth kingpin” dele foi mais explorado nessa ultima temporada, mas dentro eu percebia que ele ñ era assim, ele ainda era um cara bom. Tinha que, pelo menos no final, dar tudo certo, haja castigo pra um personagem só, eu ja me sentia mto mal por ele.

    Isso tudo é a minha visão, pode parecer bem alienada e “da massa” como a grande midia se refere, mas eu tenho meu apego emocional ao Walter e me vejo nele, e acredito que muitos também se viram e se apegaram ao personagem, por mais que ele tenha feito mto coisa ruim.

  10. Beta disse:

    Em alguns pontos, eu concordo com essa análise, especialmente no que diz respeito à expectativa criada em torno do último episódio e, bem, em certa medida, ele se apresentou dentro de uma previsibilidade. Mas acho que não posso concordar tanto com a questão maniqueísta, até porque, de um ponto em diante, a narrativa tenta convencer o espectador de que a Skyler é de fato uma vítima das circunstâncias impostas no seio familiar. Como fugir disso? Há opções?
    Basicamente, pode-se dizer que a série é sobre escolhas, decisões. Todos os personagens, mesmo os mais coadjuvantes, aparecem em situações nas quais se veem obrigados a tomar uma decisão importante. Pode-se dizer também, eu acho, que o personagem (Hank) que mais optou pelo caminho da ética e da moral a serviço de um bem coletivo, e até dentro da possibilidades do que ele acreditava ser o certo, morreu. De um jeito muito bocoió, eu diria, exatamente pelo fato de ter morrido pelas mãos de um bando de pistoleiros sem profundidade psicológica, por assim dizer.
    Quanto ao tom cartunesco da metralhadora, acho que faz completo sentido, considerando o que a série se propôs até o último momento. Eu duvido que alguém não estivesse esperando ansiosamente que o Walter White viesse com uma de suas mirabolices para resolver algum fio pendurado. Quer dizer, além da metralhadora (que é uma vingança muito à altura dos últimos vilões da série; até porque a série lida com caricaturas do mundo das drogas o tempo todo – o que é o Tuco? o que é Pinkman, em início de carreira? o que é o Bagder? O QUE É O BADGER? HAHAHA), aquela abordagem do casal que parece ter usurpado o Walter foi tensa, mas extremamente cômica.
    Acho que o último episódio não chega a entrar para o grande universo dos finais muito surpreendentes, mas ele tem o seu valor, porque eu acho que coaduna bem com o que a série se propôs a oferecer. Não podemos dizer, com precisão, que os bons escaparam livres e os maus morreram todos, porque os personagens têm lá as suas ambiguidades. E é essa ambiguidade mesma que nos permite especular, para além da narrativa que já se encerrou, que tipo de liberdade os personagens que restaram se permitem, tendo que lidar com seus eternos conflitos internos.

    Só pra finalizar: eu achei antológico, épico e histórico o Walter reconhecer, enfim, que aquilo tudo não era para a família, mas que se tratava de um ímpeto dele, vaidade dele; a coisa era com ele, pra ele. Digno de uma tragédia.

  11. Confesso que até gostei do final. Concordo com o que falou acerca dos vilões que a série teve: esses caras da gangue não amarravam nem a chuteira dos demais. Você temia o Gus Fring de graça. Um cara sem dotes físicos, engravatado, ‘engomadinho’ até mas você sabia do que ele era capaz. Não emitia uma expressão, não dava um sorriso. E era maligno até os ossos. Aquilo de invadir a casa do líder do cartel no México e matar todo mundo foi fora do comum. Não sei se acompanhavam DEXTER. Acho que a frustração com aquele final me deixou no oposto de “expectativa” em relação a “THE BREAKING BAD” que, por fim, até gostei. No fim, Walter acaba com todos os inimigos. E a grande sacada foi ele parar de dizer que fazia pela família: ele fazia porque gostava, porque era o alter-ego dele, o oposto de sua vidinha pacata de pai de família pobre, subempregado, humilhado e doente. Ali ele era o lobo e o líder e era naquilo que ele era bom. A série retrata justamente essa transformação e o que motiva um homem de bem a ceder ao lado negro [ainda que por vezes sob o melhor dos pretextos]. Realmente, não houve pontas soltas. Fico só me perguntando, pra onde terá ido o advogado (Saul Goodman), bem como o garoto, o Jesse.

  12. Roger disse:

    (Pode por spoiler?)

    Também achei que o final foi meio “certinho” demais: os “do mal” (que são neonazistas, além de tudo!) morrem e o protagonista tem sua redenção (deixa a grana pro filho, deixa o bilhete pra Skyler negociar com a Promotoria, “salva” o Jesse, vinga a morte do Hank). Foi uma maneira de acabar a série com o Walt sendo “perdoado” pelo público; na medida do possível, afinal, foi ele quem construiu todo o cenário que se vê no final da série.

    Acho que o grande ápice do final da série são os episódios que terminam com o tiroteio no deserto e o seguinte, com as consequências do desfecho. Até por isso acho que li em alguns lugares que faltou um “tchãn” pro final. Ele já foi nos episódios passados, agora foi realmente o desfecho da narrativa, mas com um toque hollywoodiano (no sentido mercadológico da palavra).

  13. Tiago Mesquita disse:

    No fim, o pior do último episódio para mim foi a morte da Lydia. O sentido da série e da sua melhor temporada (a terceira) para mim era a alegoria dos Estados Unidos em crise. O país afunda o sistema educacional, os salários e o que existe como medida da qualidade é obter sucesso profissional (que por sua vez é medido pela conta bancária). Ir para a metanfetamina é se afirmar como bom profissional apesar de tudo. A ordem social te dá compensações, até que alguma competição vá contra você. A Lydia era a metanfetamina se tornando o capitalismo global. Podia morrer quem fosse, o esquema continuava. Por mim, podia morrer todo mundo, mas o esquema devia ter continuado.

    • Tiago disse:

      A alegoria da crise está aí desde a primeira temporada.
      Do primeiro episódio, se você preferir: Walt é um indicado ao prêmio Nobel.

      Um indicado ao prêmio Nobel que precisa de dois empregos (como professor de ensino médio – sequer de uma universidade – e atendente num lava-rápidos) para manter um padrão de classe média para sua família…

      Nisso a série já deixa o mais claro possível o já jargão “Não tá fácil para ninguém” (e que se repete um bocado na primeira temporada com toda a situação da Grey Matter).

      • Tiago, virei sua fã, estava tentando lembrar dessa indicação ao Nobel do começo para encaixar na história, mas achei que era coisa da minha cabeça.

    • Fra disse:

      Mas o esquema continua…..o que morreu ali ( Lydia) foi uma peça de um quebra cabeça muito maior……
      Não estamos falando da HISTÓRIA da produção e comercialização de anfetamina no pais ou no mundo inteiro, mas numa região específica dos EUA (sequer a mais rica ou mais desenvolvida)…..
      É como se indicasse outros personagens virão e outros arranjos serão feitos…Heisenberg é uma pichacao na parede de uma casa abandonada.

  14. Ludwig disse:

    Você falou a mesma coisa sobre o final do Lost e nem por isso deixou de postar praticamente só sobre isso durante muitos dias.

  15. Fábio Farias disse:

    Concordo que o final foi fraco. Teve cenas importantes (a última conversa entre Skyler e Walt, por exemplo). E foi insosso, apesar de arredondar bem a história. Enfim, eu preferia seriamente que o Heinsenberg voltasse como assassino frio para matar todos aqueles responsáveis direta ou indiretamente pelo seu “Breaking Bad”, como cheguei a imaginar que fosse ocorrer. Mas, apesar dessa pequena decepção, não dá para comparar com o terrivel final de Lost (que, aliás, fez uma péssima última temporada) e outros finais toscos (o de Dexter, por exemplo). Gosto do fato de ter assistido a uma série redonda e que soube exatamente quando parar, sem invencionices baratas, com uma puta qualidade de produção e de atuação. Isso, para mim, já desconta o final fraco.

  16. wendell disse:

    bem que o walter poderia ter dado uma bolinha no cristal antes de morrer estatalado no chão.

    • Rafael Pinto disse:

      Porra, seria muito legal! Após dar uma volta no laboratório, com satisfação evidente, ele vai a uma batch fresquinha, tira um cristal, quebra, manda pro bong e UP HE GOES

  17. Vítor disse:

    O final mais esperado era que o jesse matasse o walt. todos pensaram nisso pq era o obvio. entao nao da pra dizer que era previsivel demais. todos esperavam que ele fosse matar o grupo do jack, se fosse diferente ficaria muito afastado do que a serie propoe.
    alias, pra mim o final foi digno pq foi bem walt, fazendo as coisas loucas que dao certo.
    aqui entra a diferença entre ser um final epico, que por mais que breaking bad seja otimo, nao é epico quanto lost foi, e um final bom. lost, desde a primeira temporada se esperava muito mais de um final daquilo que foi mostrado, que foi empurrado com explicações ridiculas, criaram expectativas enormes em torno das duvidas. em breaking bad termina um pouco como o esperado, corrido, mas fechando portas sutilmente. acho que erraram na mao das historias nos ep, e talves poderia sim ser melhor. mas pra mim, foi um final bem com a cara da serie.

  18. Rezz disse:

    Também discordo da análise. Achei o final muito bom.
    Mil vezes uma coisa amarrada do que um plot twist absurdo tirado do nariz. E a cena da metranca é tosca, assim como um monte de coisa na série (a morte do Gus é espetacular e tosca ao mesmo tempo). Tem seu motivo.

    E até entendo quem não gostou e esperava outra coisa, só não pode comparar com o final de Lost, ai é sacanagem.

  19. rodrigo cavalcane dinardi disse:

    O que me incomoda nesse final foi que o walt fez coisas que, normalmente demoraria uma temporada inteira pra ser feita, deu um clima meio macgyver pra serie mesmo.Mas no geral eu gostei, mesmo sendo um episódio comum po que devia ser o grande desfecho da série.

  20. Carlos disse:

    hahah esse post é de alguém que não conhece nada de séries. Se fizesse um episodio como voce diz que queria, ficaria ponta solta e voce ia reclamar do mesmo jeito. O final foi perfeito.

  21. amanda disse:

    Eu comecei a assistir o ultimo ep preparada para me afogar de tanto chorar e terminei o ep achando que a minha tornerinha já tinha secado com Ozymandias. A análise do Tiago me pareceu bem pertinente. O fim se deu ali, no deserto onde tudo começou, fechando o ciclo do Heisenberg como “the one who knocks” e como o homem de família.

    Eu esperava um final mais bad ass com o Walt se dando mt mal ou provocando mega catastrófes (ainda me arrepio com o final da 2temp). Mas foi uma expectativa não mt pensada, até pq dps de Ozymandias eu queria mais q o Walt explodisse.

    Lydia? Neonazistas? pff isso não é nada pra Heisenberg. Que “morram todos”. O inimigo é outro. Era o ep 62, o ep que fecha ciclos: o 62º elemento da tabela periódica é o samário, que é a base do remédios para o câncer de pulmão. Fechou o ultimo ciclo, Walter curou-se do seu verdadeiro câncer, o seu verdadeiro inimigo: Heisenberg. E ele adorava o Heisenberg, não dava pra continuar sem ele. Sua morte não o redime, mas o condena.

    Por isso não acho que tenha sido um final condescendente. Ele não morreu pra cair nos braços da galera, ele morreu sorrindo no laboratório onde ele se sentiu mais vivo e ao mesmo tempo “tirou a vida” de todo mundo ao seu redor. E sorriu pq?

    Pode não ter sido épico, mas foi foda.

  22. Thiago Augusto disse:

    Como comentei em outro post, o final não foi épico, mas entregou o que prometeu. Mas, que poderia ter alguns minutos a mais, isto poderia. Em tempo, o Vince Gilligan comenta o final e os outros possíveis caminhos aqui :http://insidetv.ew.com/2013/09/30/breaking-bad-finale-vince-gilligan/

  23. Drica disse:

    Aos que não gostaram que o Walt recebeu a redenção pq salvou Jesse e sua família e matou os nazis e que ele deveria agir mais como Heinsenberg. Acredito que o fato dele ter ficado tantos meses isolado deu tempo para ele pensar muito sobre seus atos e as consequências, isso foi um tipo de prisão; assim como Jesse que se tornou um escravo dos Nazis. De certa forma eles pagaram pelas consequências de suas escolhas. Walt tinha sim o ego alto, mas perdeu tudo, seu câncer estava evoluindo novamente, o que mais poderia ser feito? Ele fez o que estava ao seu alcance no momento para poder ficar com sua consciência um pouco menos suja.

  24. igor disse:

    cara, que exagero. o final não foi genial quanto o resto da série, ok, mas foi digno e bem conduzido. a real é que todo mundo tava muito ansioso, e isso atrapalhou tudo. agora, comparar com lost já é vandalismo.

  25. Dwarf disse:

    Nao sei consigo explicar direito, mas achei certos pontos realmente incriveis, epicos , como a conversa entre Walt e Skylar, o Jesse esua caixa perfeita (analogia paraele ter superado o mestre? Segundo o Skinny Pete, a Meth estava melhor…) a ultima cena e sua trilha sonora, que parece tersido escolhida desde o primeiro episodio, ou ate ajudado a inspirar a serie, de tao perfeita… mas os momentos que gostei parece que estariam em qualquer Finale possivel, independente do caminho escolhido. Ja o que achei fraco foi a narrativa didatica, burocratica demais, explicandinho tudo (ex. precisava mesmo aquele loguiiiissimo telefonema pra casa dos schwartz, umacena quenao acrescenta nada???)*, e dando mais destaque/tempo a personagens como Lydia, Todd e Jack do que ao Jesse no finale.

    Acho que o que me desagradou foi mais consequencia das escolhas para a 5a temporada (e o fato desta ser a ultima) do que “culpa” do finale em si. Como outros ja falaram, estes Neonazi bunda-suja nem de perto se aproximavam em profundidade e pavor aos viloes anteriores, e nao havia nada que pudesse sugerir a “importancia” que lhes foi dada na trama. Se viesse uma 6a temp. e eles tivessem sido uma “entressafra”, uma burrada do walt ao colocar o Todd na parada, va la, mas pra series finale, muito hipoqualificados para o cargo. No incio da 5a, quando Mike falou que Walt nao tinha ideia do tamnho do vespeiro onde tinha mexido, e qunado eu via as cenas da madrigal e lembrava da estrutura que eles proporcionaram ao Gus Fring, eu gelava so de pensar nas consequencias… e De repente a coisa foi mixando, mixando, como se a verba para uma guerra Madrigal/White ou uma 6a tivesse sido subitamente suspensa e tivessem que se arranjar com o que tinham, os tios fedrorentos do Todd+Lydia (sei que nao foi isso, mas foi a impressao que tive).

    * Esta cena e essa coisa explicadinha me chateia mais ainda ao saber que na mesma cena, em sequencia o abastecimen to e ao telefonema, foi cortada da versao final a parte em que um ex-aluno reconhece Walt, que o suborna e ameaca, para que o jovem esqueca que o viu, claro. Ao final ele pergunta: “Eu era um bom professor?” E o jovem dis que sim e lembra da experiencia das chamas coloridas… Isso, sim, seria mais uma cena epica, emocional e nao a parte factual que foi mantida…

  26. Ricardo disse:

    Gostei do texto, também achei que o final deixou a desejar.

  27. almir disse:

    matias, discordo muito do seu post…..gde abç

  28. Alex R disse:

    Não sei se alguém aqui ja falou isto, nao li todos os comentários, mas Felina não tem nada a ver com remeter a final ou simbolos quimicos, Felina era o nome de uma personagem de um filme de faroeste, onde o mocinho faz de tudo para viver com ela e no final aca morto com um tiro no dorso.
    Bom walt morreu com um tiro no dorso em um laboratório, logo entende-se quem é a felina em BBad, seu amor pela quimica e pelo laboratório onde pode ser quem realmente era e nunca foi em vida fora dali.
    Nada mais justo.

  29. Marcos'''' disse:

    Na verdade o final foi a parte mais interessante da série. Um final coerente, comecei assistir por causa dos comentários no final da série e me arrependi, a PIOR de todas que já vi. Uma série onde os protagonistas prezam pelas decisões mais estúpidas e burras sempre. Se tem uma escolha a ser tomada, é tomada sempre a mais idiota.

    Me surpreende o gosto dos americanos que deixam um série dessa chegar na quinta temporada e uma espetacular como FlashForward seja cancelada na primeira.

    No mais, esta é apenas a minha e mais uma opinião.
    Abraço moçada.