#AgoraÉQueSãoElas, por Manô Miklos

AgoraÉQueSãoElas

A Fran me tagueou num post da Manô Miklos, que está divulgando a hashtag #AgoraÉQueSãoElas para pedir mais espaço para as mulheres em nossa sociedade, e eu entrei em contato com a própria para que ela explicasse, aqui no Trabalho Sujo, a essência desta campanha. Com a desculpa de desestabilizar o governo, uma corja de vilões, liderada pela escória da politica brasileira Eduardo Cunha, vem colocando em pauta uma série de desmandos absurdos em relação a diferentes questões da nossa realidade, mas o abuso contra os direitos das mulheres (em pleno 2015!) é dos golpes mais baixos da série de palhaçadas que essa escumalha vem propondo contra o país.

E isso pode ser o começo de sua derrocada – e o início de um levante popular que pode ganhar proporções ainda maiores caso tenha o apoio irrestrito e constante de quem está do lado delas. Esse é o primeiro post durante esta semana para discutir o retrocesso brasileiro frente à questão feminina, que foi iniciado por uma cambada de imbecis no congresso, mas está encalacrado em diferentes instâncias de nossa sociedade.

Esse texto é o primeiro da semana. Outros virão. Com a palavra, Manô:

Alô comunidade do Trabalho Sujo, alô todxs.

Esse é um momento importante: mulheres estão perdendo direitos adquiridos com muita dificuldade. É cruel. Mulheres vêm relatando o que é ser mulher no Brasil hoje. E ser mulher no Brasil é perigoso.

Contra essa crueldade e pra denunciar esse perigo, nós mulheres tomamos as ruas. E as redes.

Muitos homens que têm acesso a meios de comunicação e espaços de fala garantidos – verdadeiramente emocionados diante desse momento e solidários nesse movimento de empoderamento – têm vontade de escrever sobre o tema.

Do reconhecimento essa vontade em muitos homens, nasceu a provocação: e se esses homens, ao invés de publicar textos sobre a importância de escutar, de fato reconhecessem a importância de escutar e cedessem, nessa semana, seus espaços para mulheres falarem? Algo como: hoje, como o importante é ouvir, eu e você leitor ouviremos. Leremos. Com vocês, uma mulher. 

Dessa provocação surgiu, com a ajuda de muitxs e bons, a iniciativa : uma semana de mulheres ocupando os espaços masculinos de fala. Homens convidam mulheres para escrever no seu lugar e se colocam nesse lugar do ouvinte. Dando voz e vez a uma mulher. Reconhecendo a urgência da luta feminista por igualdade de gênero e o protagonismo feminino nesta luta.

Pensemos juntxs em como adaptar isso para os muitos veículos: jornais, blogs, canais de Youtube, perfis, TV. Temos uma infinidade de meios para multiplicar informação. Todos eles podem ser, nessa semana, ocupados por mulheres.

Muitos homens toparam e já cederam seu espaço nessa semana que começa para uma mulher, para as mulheres. Gregorio Duvivier, Marcelo Freixo, Jean Wyllys, Leo Sakamoto, Bruno Torturra, Ronaldo Lemos, Marcelo Paiva, João Paulo Cuenca, José Eduardo Agualusa, Marcus Faustini, Fred Coelho, Antonio Prata, Renan Quinalha, Jorge Bastos Moreno, Alexandre Porto Vidal, Douglas Belchior e muitos, muitos outros. Meios como o Quebrando o Tabu toparam pensar em como se tornar, nessa semana, um espaço em que as mulheres sejam protagonistas. E o Matias, no Trabalho Sujo, também.

Queremos muitos mais com a gente. Queremos todxs juntos nessa onda. Pra que ela seja um tsunami. 

As coordenadas pra você homem, são: a iniciativa #AgoraÉQueSãoElas começa segunda e dura uma semana. Você escolhe uma mulher e cede a ela o seu espaço de fala. Pode fazer uma breve introdução explicando o gesto de ouvir ao invés de falar, se for necessário. Use o hashtag.

Importantíssimo: ao convidar uma mulher para ocupar seu espaço de fala, pense na diversidade. Mulheres negras, de comunidades vulneráveis, mulheres trans, LGBTs – mulheres que têm ainda mais dificuldade de acesso aos meios de comunicação e muito, muito o que dizer. Vamos ouvir as mulheres. Todas. Compartilhem seu espaço de fala de modo democrático. Para que a gente possa escutar as vozes daquelas mulheres que o machismo, o racismo e a exclusão calam com mais frequência. Com mais violência.

Você escreve? Convide uma mulher pra escrever em seu lugar? Você têm seu perfil em redes sociais? Não escreva nada essa semana. Apenas compartilhe palavras femininas. Essa semana, #AgoraÉQueSãoElas.

É pela vida das mulheres.

Com doçura,
Manô Miklos
Rio de Janeiro
Domingo, 1 de Novembro de 2015

A foto que ilustra o post é da Lina Marinelli, dos Jornalistas Livres.

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5 Resultados

  1. 04/11/2015

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  2. 06/11/2015

    […] possamos ouvi-las e não cessemos na luta  feminista por igualdade de gênero e o protagonismo (entenda mais clicando aqui). Hoje, confio meu espaço aos talentos da Bruna Martins. As palavras dela são minhas também. Com […]

  3. 06/11/2015

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  4. 09/11/2015

    […] últimos dias também aconteceu o movimento #AgoraÉQueSãoElas, em que colunistas homens cederam espaço para mulheres escreverem. Considero uma ação […]

  5. 13/11/2015

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