A gata do Laerte

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Laerte tinha uma gata que não mexia as patas traseiras por ter sido vítima de uma espingarda de chumbinho. Ele contou ao Fernando de Barros e Silva, na Piauí:

O problema do mau cheiro decorre do quadro clínico de uma das duas gatas de Laerte. Cinco anos atrás, Celina e Muriel foram alvejadas com tiros de espingarda por alguém da vizinhança. Muriel convive até hoje, e aparentemente bem, com a bala de chumbinho que ficou alojada em seu ombro. Mas o tiro que atingiu Celina a deixou paraplégica. “Ela perdeu as pernas de trás. Tem cistite recorrente, precisa tomar antibiótico de doze em doze horas, não controla o mijo, suja tudo”, explicou Laerte.

A gata se arrasta pela casa. Durante parte do dia, se locomove com a ajuda de uma espécie de cadeira de rodas feita pelo cartunista. À noite, dorme na sala, trancada numa gaiola. Muriel dorme na cama com o dono. “Quando acordo, abro a porta para a Muriel e vou cuidar da Celina.”

Ele não quis investigar quem foi o autor dos disparos: “Um vizinho ficou me açulando; dizia: ‘Ele tem um táxi.’ Quatro caras na minha rua têm táxi. O que vou fazer com essa informação?”

A história de Celina motivo o grande artista a imortalizá-la numa série de tiras tristes, que publicou diariamente tanto na Folha de São Paulo quanto em seu blog Manual do Minotauro. Reproduzo a história inteira abaixo:

laerte-gata

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67 Resultados

  1. Sissi Loreto disse:

    Que triste!!!

    • Alberto disse:

      Impressionante a capacidade do Laerte em sintetizar e expor sentimentos/alma ( ? ) em desenhos.
      A violência dos tirose a impunidade do agressor, a própria culpa de quem cuidava ( ? ) da gata, a pressão hipócrita dos que não tem o problema nas mãos.

      Parabéns Laerte e obrigado pelo seu trabalho

  2. elias disse:

    Gênio. Pena que o grande Laerton não está mais por aqui fazendo das suas.

    Parabéns pelo post, excepcional.

    • Ô bicho, não fala assim, é claro que o Laerte tá aí, firme e forte – tu fala de um jeito que parece que ele morreu, bate na madeira!

      • Fra tura disse:

        Acho que ele confundiu com o Glauco…Só pode!!!!!!!!!!!

      • João Carlos disse:

        Não acompanho o blog, dessa forma, me parece que ele escrevia por aqui e agora não escreve mais….espero que seja isso rsss

      • Paula Felix disse:

        Cara, vocês estão falando do Elias como se ele estivesse desinformado, mas e se ele está falando do Laertón, o personagem do Laerte no Los Tres Amigos, e ele sente falta? Porque aqueles personagens mesmo eram massa, Laertón, Glauquito e Angel villa…

    • Antônio Nunes disse:

      Ele está só que agora é ela.

  3. Mia disse:

    Mas a gatinha apareceu??

  4. Joanna disse:

    Eu podia chorar até ano que vem só com a beleza dessa série nas mãos e olhando a minha gata deitada do outro lado da cama.

    • Rider disse:

      Tenho tantos gatos que desapareceram… ;__;

      • Lia disse:

        Então tá já passou a hora de ser responsável e não deixá-los sair…

        Pro Laerte, quem sabe um dia ele lê:
        Quando preciso dar remédio pra filha gatinha, envolvo em requeijão. Ela adora…

        • Isa disse:

          Se tiver que tomar de estômago vazio não pode envolver em requeijão, né?
          No mais, eu tive uma cadela que comia o que estava enrolado no remédio e cuspia o comprimido fora.

        • Luiz Cannalonga disse:

          Ah, o ser humano julgante…

  5. Salim disse:

    Monstrão sinistro

  6. Quanto mais Laerte, mais me sinto humana.

  7. Thá Spin disse:

    Super me identifiquei com a história pois amo gatos!
    Me desculpem pela simplicidade, mas tenho a pergunta q não quer calar: a gatinha não voltou mesmo? =(

  8. Camila disse:

    :˜˜˜˜˜

  9. João disse:

    O personagem segurando o sol pra não anoitecer é de chorar! Lindo!

  10. Paulo Ferreira disse:

    Laerte é genial. Meu cartunista preferido. Vida longa ao Laerte, e parabéns a você pela iniciativa de compartilhar estas tiras conosco.
    Um grande abraço.

  11. Paulo Ferreira disse:

    Laerte é genial. Meu cartunista preferido. Vida longa ao Laerte, e parabéns a você pela iniciativa de compartilhar estas tiras conosco.
    Um grande abraço.

  12. Tatiany Volker disse:

    Porque essa dificuldade de nos sensibilizarmos com o diferente e só fazemo-lo quando o travestimos de nós mesmos? Chorei.

  13. izinha t. disse:

    Faz algumas horas que não consigo fechar essa aba no navegador e tenho vontade de chorar toda vez que releio :(((

  14. izinha t. disse:

    Faz algumas horas que não consigo fechar essa aba no navegador e tenho vontade de chorar toda vez que releio :(((

  15. Esther Villela disse:

    Um grande artista, um grande ser humano, só tenho por ti carinho, admiração, respeito e agradecimento por todo seu trabalho incrível!
    Te adoro!

  16. Acauam disse:

    Nossa… isso é arte pura. Realmente o personagem segurando o sol é incrível… a forma como Laerte mostra que o amor da personagem (masculino) é ainda outra forma de paralisar o Outro (feminino), o quando esse amor traí de uma carência profunda, o quanto precisamos paralisar o Outro para que consigamos viver, o quanto o Outro mesmo paralisado é ainda o lugar da liberdade pura que nós já perdemos… enfim, como em toda obra de arte de qualidade, são múltiplos os sentidos sobrepostos. Só da pra falar que é um trabalho de gênio.

  17. Acauam disse:

    Gente.. acho que a gata não voltou no sentido literal… mas ela volta no sentido de mostrar que toda a carência e necessidade de proteção que o homem projetava na gata (em qualquer gata) precisa ser completada com qualquer outra gata (por isso ela igual). Ele projetava uma carência nela pra poder fugir do seu próprio vazio… Infelizmente, acho que o final é bem mais triste do que o retorno da gatinha…

  18. Lilian disse:

    Pra chorar… e muito…

  19. Acauam disse:

    Gente.. acho que a gata não voltou no sentido literal… mas ela volta no sentido de mostrar que toda a carência e necessidade de proteção que o homem projetava na gata (em qualquer gata) precisa ser completada com qualquer outra gata (por isso ela igual). Ele projetava uma carência nela pra poder fugir do seu próprio vazio… Infelizmente, acho que o final é bem mais triste do que o retorno da gatinha…

  20. Paulo Rená disse:

    Rolou um bônus, com uma possível promessa de mais bônus.

  21. Paulo Rená disse:

    Rolou um bônus lá, e talvez rolem mais.

  22. Paulo Rená disse:

    Povo preguiçoso. Em vez de perguntar pro Matias, que tal dar uma olhada no site da autora? Segundo a própria Laerte, a gata real não sumiu:

    Ficção e realidade
    Algumas pessoas têm demonstrado preocupação com a minha gata “real”, a Selina. Tanto ela quanto a Muriel (irmã) estão bem. Isso não deveria importar para o que uma obra expressa, mas entendo o gesto como afeto e fico bem agradecida…

    E rolou um bônus lá, com uma indicação de que há outros.

    • Isa disse:

      Que bom né! Tava procurando essa informação nos sites que foram sugeridos na introdução. É difícil achar uma informação específica no meio de tantas, mesmo que você procure nos lugares certos, um dos grandes males da internet.
      Rola essa preocupação porque a tirinha desperta mais do que ela é, uma obra de arte. Ela desperta a humanidade nas pessoas. É normal isso vindo de um grande artista como ele.

  23. Paulo Rená disse:

    Povo preguiçoso. Em vez de perguntar pro Matias, que tal dar uma olhada no site da autora? Segundo a própria Laerte, a gata real não sumiu:

    Ficção e realidade
    Algumas pessoas têm demonstrado preocupação com a minha gata “real”, a Selina. Tanto ela quanto a Muriel (irmã) estão bem. Isso não deveria importar para o que uma obra expressa, mas entendo o gesto como afeto e fico bem agradecida…

    E rolou um bônus lá, com uma indicação de que há outros.

  24. Pamela disse:

    Eu chorei…

    lembranças…. =(

  25. Cândido Rolim disse:

    Beleza rascante. Eu tenho um gato que convulsiona e entendo toda essa cumplicidade profunda e às vezes sem sentido que rola em quem sofre e quem cuida, sofrendo. parabéns ao Laerte, grande fera.

  26. Aline disse:

    Genial. Muito bom mesmo…

  27. Aline disse:

    Genial. Muito bom mesmo, me identifiquei bastante, já tive muitos gatos resgatados das ruas. Belo trabalho!

  28. Ricardo disse:

    Absurdamente genial, e triste.

  29. sergio salvia coelho disse:

    Com tanta discussão sobre roupa, quase não se fala mais do trabalho do Laerte, que é um poeta do cotidiano. (a Celina voltou?).

  30. sergio salvia coelho disse:

    Com tanta discussão sobre roupa, quase não se fala mais do trabalho do Laerte, que é um poeta do cotidiano. (a Celina voltou?).

  31. não gosto de gatos. mas gosto de quem gosta de gatos. e de qualquer outro bichinho.

  32. Cibele disse:

    Adorei as tirinhas e me identifiquei em muitas delas. Deu vontade de chorar em vários momentos. trabalho maravilhoso.

  33. Mauro Rodolfo disse:

    Laerte é o cara mesmo, uma historia que nos prende de uma forma que não se pode explicar num final que ninguém quer acreditar, Laerte você é o cara.

  34. Esse cara teve uma frieza sensacional pra simplesmente deixar pra lá.

    Eu já não teria a mesma virtude. Se um filho da puta faz isso com uma das minhas cachorras, eu não ia sossegar até descobrir quem foi e revida de alguma forma.

  35. bruno disse:

    bonito… e triste… Melhoras.

  36. kady disse:

    Muito Bom!!!!!
    Bela dramaturgia!

  37. Léo disse:

    Tínhamos uma gatinha, a Chimbica, e minha irmã (com 3, 4 aninhos) pulou de uma árvore, em cima da Chimbica, que ficou paraplégica. Morreu atropelada, coitadinha…

  38. Olívia disse:

    O gato é alvejado por uma espingarda de chumbinho, fica paraplégico e ainda assim continuam permitindo acesso à rua? Já ouviram falar em posso responsável? Lugar de gato é dentro de casa. Telem suas janelas e quintais e evitem que essas merdas aconteçam. A menos que criar histórias em quadrinho seja mais importante do que o bem-estar dos seus animais. Entendam de uma vez por todas que gatos não somem e não se escondem. Eles morrem de forma sofrida. Atropelamento, envenenamento e crueldades não são mortes naturais de gatos.

    • Lais disse:

      Moça, penso que você não entendeu o amor e a dedicação dispensados à essa gatinha. Uma pena!

    • Luiz Cannalonga disse:

      Ah, sim… agora temos o ativismo inquisidor, com seus seguidores fieis, sempre prontos para julgar e acusar… E são TODOS tão burros e ignorantes que não se deram ao trabalho de ler e entender que é uma ficção, embora possa muito bem não o ser…

      Ah, Olívia, Olívia… vocês tornam o mundo tão imbecil e chato… e não resolvem porcaria nenhuma, com seus discursos prontos, suas regras e mandamentos faláciosos e suas acusações contundentes sem causa nem tampouco efeito…

      Mas tudo bem… o ser humano é mesmo assim, a gente sabe… Sou vegetariano há 7 anos, ajudei já bastante ONG de proteção animal e tal… e vejo esse comportamento típico do “cerumano” desde sempre… C’est La Vie…

    • Andre disse:

      “Eles morrem de forma sofrida. Atropelamento, envenenamento e crueldades não são mortes naturais de gatos.”

      Burrice é morte natural de quem sempre culpa a vítima.

  39. Estela Morelle disse:

    Simplesmente demais!

    Eis a vida de um gateiro!

  40. Dade Amorim disse:

    Melhor não deixar gatos na rua!

  41. Só quem tem gatos pode entender o que vc passou. A gente até segura mesmo o sol por eles…
    Já tive duas com o mesmo problema. Uma sofreu uma pancada que tb a fez perder a cauda e ficar sem controle de esfíncter. A outra, deve tb fratura das pernas que ficaram anquilosadas nas articulações. Acho que foi magia…ela era pretinha.
    Sei bem o que vc passou.
    A sua tirinha é maravilhosa…denuncia de uma forma linda e mostra o seu coração gigante.
    Amei…
    Posso colocar no nosso site novo na parte de maus tratos?
    As pessoas precisam ver isso.
    Um abraço enorme e comovido.

  42. wagner guedes disse:

    Eu vivo me perguntando por que nossos animais de estimação não chegam a durar por toda nossa vida? acho que é pra tentar nos ensinar uma lição de que tudo tem seu tempo. Nascem, reproduzem, envelhecem, adoecem e morem, como todo o resto de tudo que está vivo sobre a Terra. Tenho um amigo que diz que quanto mais conhece as pessoas mais ele gosta do gato que tem. Eu prefiro pensa que quando mais reconhecemos, o quanto dependem de nós, mais nos tornamos úteis a outrem.

  43. Francisco Mineiro disse:

    Eu não gosto de gatos. Não odeio, é uma deficiencia da lingua portuguesa. Apenas não gosto. Mas adorei a história. Me lembrou que a mesma raça humana que inclui canalhas que ferem animais, inclui pessoas que os amam desprendidamente.

  44. Ana Kairalla disse:

    Laerte, você, que já me fez rir tanto, agora me fez chorar.

  45. José Carlos Ribeiro disse:

    Não é verdade que só quem tem gatos pode entender o que você passou. Só pode entender, quem tem a sensibilidade aflorada e sabe o que é amor..não importa por quem… seja animal de quantas pernas for.
    Obrigado Laerte!
    Cada dia te gosto mais!
    Peço que meu Paizinho do Céu te proteja sempre…não é bondade não…é egoísmo meu, pois preciso de você prá ser feliz!
    beijo
    Zécarlos

  46. Ana Maria Fuentes disse:

    Laerte é de uma sensibilidade cortante e inteligente. Vê as coisas sob prismas únicos. História triste e cheia de mensagens para o despertar da consciência. Admiro muito Laerte!

  1. 23/08/2013

    […] Esquema (Alexandre Matias) – A gata do Laerte […]