Charlie Sheen mascarado

Que parada bizarra… Mas aposto que venderia bem, se botassem à venda.

TRETA-WINNING: Snoop Dogg e Charlie Sheen vão lançar uma música

Quando eu digo que a realidade sempre supera a ficção, há quem não acredite:

Filter’s Rob Patterson is producing a track for Charlie Sheen’s upcoming tour, and Snoop Dogg will guest on the track, sources have confirmed. A release date for the single has not yet been revealed, although the former “Two and a Half Men” star’s one-man show is slated to kick off Saturday (April 2) in Detroit.

The news arrives after Sheen posted a picture of himself, Snoop Dogg and Patterson hanging out in a recording studio on his Twitter last week. “”Warlock meets his makers-music makers that is @SnoopDogg @robpatterson666 get ready to rock the Sheenius within! http://twitpic.com/4d9cw1,” he wrote.

Só falta ser uma versão de “Friday”.

Gossip Girl WINNING

Adivinha quem vem aí? CHARLIE SHEEN!

WINNING-surpresa!

WINNING – A canção

Mas que porra de Rebecca Black é essa?

Porque a banalização do sucesso é uma boa

“Friday” não é a pior música pop de todos os tempos, mas tem atributos fortes o suficiente para alçar esse (de)mérito. Sua letra é ridícula, seu refrão é desanimado e repetitivo e o “fun” repetido eternamente pela voz quase robótica e anasalada de Rebecca Black talvez seja o “fun” mais sem graça da história da música – nem o “no fun” de Iggy Pop na música de mesmo nome consegue tal apatia.

Sua letra infantil (e não infantilóide – ela TEM treze anos, Mallu Magalhães é tipo uma TIA pra ela), fala em acordar, ir pra escola e, ao encontrar os amigos no carro na sexta-feira, ser apresentada à crucial questão existencial: ir no banco da frente ou de trás? No caminho, ela sai com as amigas para a naite, no banco de trás do carro e dança a coreografia mais fuleira da história do videoclipe moderno, acompahada de uma sidekick tão deslocada que transforma Rebecca Black em uma espécie de estrela. O olhar perdido e sorriso morto da loirinha à esquerda talvez seja, junto com o “fun, fun, fun, fun, fun…” os grandes momentos do videoclipe, uma aula de clichês levados a sério que cogita-nos a possibilidade de Justin Bieber ter sido inventado pela Mad ou pelo Saturday Night Live.

Ao mesmo tempo, Black tem uma espinha enorme do lado da boca, um olhar de psicopata alimentada pela TV, um sorriso idiota que mistura vergonha e orgulho em medidas improváveis – nada demais, só uma adolescente de treze anos brincando de videoclipe. Aquilo poderia estar acontecendo através de uma câmera de celular ou via webcam, ser uma mera extensão da velha brincadeira de menina de vestir roupas de adultos e tirar fotos.

Eis o motivo de seu sucesso, verdadeiramente. Rebecca Black é igual a todas as fãs de Justin Bieber (ela mesma perde o fôlego ao cogitar sequer encontrar-se com o Mickey humano – Fred Astaire who?) e é por isso que ela é tão amada/odiada. E, por isso mesmo, vista. E esses defeitos também fazem parte do sucesso da cantora, que roda milhões de views no YouTube POR DIA – um feito que nem Lady Gaga em “Telephone” conseguiu.

É uma menina como qualquer um dos que estão assistindo – ela não é loira e maravilhosa, magra de voz afinada, não tem berço nem padrinho. Foi trabalhada por uma agência de música que faz com filhos de pais esperançosos a mesma coisa que outras tantas fazem para empresas: em vez de viralizar produtos e campanhas promocionais, a Ark Music viabiliza o melhor caminho para transformar crianças cujo talento mora em algum lugar da cabeça (ou do coração) de seus pais. E Black era um “queise” que agência nenhuma no mundo pode exibir.

Talvez tenha a ver com o mesmo clamor por “winning” que transformou Charlie Sheen em uma besta enraivecida do pós-apocalipse – ou, como disse Bret Easton Ellis, uma celebridade pós-império, uma pós-celebridade. Uma estrela que em vez de esconder seus defeitos, os escancara como suas quase mínimas qualidades. Ela também comemora a acabação e descerebração (paixão e foco), mas do alto de seus treze anos isso não pode dizer muito mais do que dois dias sem escola, mesmo que sua diversão seja a repetição vazia de um monossílabo fanho.


Assista aqui à entrevista de Rebecca Black ao programa Good Morning America

Entrevistada pela mesma Andrea Canning que entrevistou Charlie Sheen em sua aparição mais memorável, Rebecca disse estar se sentindo vítima de “cyberbullying” em larga escala, pois imagine a quantidade de reclamações que você fez ao vídeo elevadas à casa dos milhões diários chovendo na cabeça de uma menina de 13 anos. Mas ao contrário de atores-mirins que normalmente respondem que esse tipo de sucesso é “fruto de um trabalho árduo”, “de uma família que lhe apoiou” e outros clichês do nível daqueles repetidos no Arquivo Confidencial do Faustão (sábias palavras de Ari Gold em Entourage, quando diz que atores-mirins têm trinta anos a mais do que a idade que alegam ter), ela sabe que está ali porque seu pai pagou, que não canta bem e que está vivendo uma espécie de sonho – como se tornar rockstar fosse resultado de uma promoção publicitária, mais do que de uma meta de vida.

Eis o significado de Rebecca Black. Se tornar o próximo grande astro está completamente – e para sempre – desvinculado de qualidades antes imprescindíveis, como talento, beleza, técnica ou carisma. Rebecca, como tantos participantes do Big Brother, memes de internet e blogueiros que viraram apresentadores de TV, não tem nada disso e é um sucesso. Ou seja: ela representa a banalização final do estrelato, o que pra muitos pode ser visto como uma lástima, mas que deve ser comemorado. Afinal, o da forma como é vendido hoje, o sucesso é uma miragem distorcida feita para drenar talento de verdade na base da superexposição. Se a máquina do showbusiness aceita talento e não-talento da mesma forma, talvez seja hora das pessoas comuns – sem talento – desfrutar de seus segundos de euforia para, em pouco tempo, o conceito de celebridade cair por terra de uma vez por todas.

É claro que antes temos que nos acostumar com outras ações e reações, como a triste história do “Zangief da vida real” que fez sucesso na semana passada:

Charlie Sheen, Rebecca Black e esse gordinho são só o início de um troco… Depois eu falo mais sobre isso.

Impressão digital #0051: Charlie Sheen e a pós-celebridade

E minha coluna do Caderno 2 de hoje volta ao Charlie Sheen, mas pelos olhos do Brett Easton Ellis.

A queda do império
Charlie Sheen e a era digital

A essa altura do campeonato, você deve estar farto de ouvir falar em Charlie Sheen. O ator aprontou e desaprontou junto à produção do seriado Two and a Half Men, em que interpreta um personagem playboy mal-educado que vive uma vida de lazer e decadência, até que foi demitido. Antes de sua demissão, passou a provocar seus chefes com entrevistas em que jogava toda sua arrogância no ventilador, atirando contra tudo e todos que condenam seu estilo de vida com frases de efeito como “‘Não posso’ é o câncer do ‘acontecer’”, “morrer é para tolos”, além de um bordão que repetia quase como um mantra para suas bravatas: “Winning!”.

Demitido da emissora em que trabalhava, foi comemorar o feito no topo de um prédio, bradando contra todos enquanto agitava um facão e tomava uma bebida de uma garrafa escrita “sangue de tigre”.

Mas isso foi há duas semanas. Na semana passada, o escritor Brett Easton Ellis foi contra a massa que chiava do comportamento de Sheen e comemorou as ações do ator ao dizer que ele, na verdade, é uma “celebridade pós-império”, que dá às pessoas o que eles realmente querem ouvir. E o comparava a Lady Gaga, aos reality shows, ao Facebook e à apresentação de Ricky Gervais no Globo de Ouro deste ano. Mas Ellis não estava falando do império americano, não faz esse tipo de analogia barata.

O “império” em queda seria, no caso, toda a indústria de entretenimento que desmorona, principalmente, graças à internet. É ela que humaniza os ícones, destrói barreiras, conecta pessoas sem que elas precisem de um guia como antes. Em outras palavras, Charlie Sheen também é um ícone da era digital.

Telefone sem fio
Japão, CNN, Twiiter e o Godzilla

No dia da maior tragédia no Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial, um dos trending topics do Twitter era Godzilla. Mas olha como o monstrengo foi parar lá. Como é típico das emissoras de notícias em situações dessa proporção, a programação da rede CNN dedicou-se a comentar o acontecimento com todos os tipos de entrevistados. E um deles comparou a destruição do terremoto e do tsunami ao cenário de um filme de monstro. O telefone sem fio começou quando alguém ouviu a frase sendo dita na TV e perguntou no Twitter se a CNN havia feito alguma piada envolvendo o Godzilla.

Foi o suficiente para que milhares de seguidores da rede começassem a reclamar da falta de tato da apresentadora que estava no ar no momento, Rosemary Church. E, em poucas horas, ficou parecendo que o canal de notícias estava ironizando a tragédia. Prontamente, os responsáveis pela área digital da emissora anunciaram via Twitter que estavam checando para ver se aquilo havia sido dito mesmo e, logo depois, avisaram que era só um grande mal-entendido. Mas deve ter gente até hoje achando que a CNN pegou pesado demais…

OMGWINNING!

Tila SHEENING

E pra quem curte o Alec Baldwin…

Não custa lembrar que o cara que hoje tenta dar lição de moral no Charlie Sheen é o mesmo sujeito que era sinônimo de coxinha antes do 30 Rock:

E que, como bem lembrou a Jufa, disse as seguintes palavras para sua filha de 11 ou 12 anos, ele nem sabia:

“You are a rude, thoughtless little pig. You don’t have the brains or the decency as a human being. I don’t give a damn that you’re 12 years old, or 11 years old, or that you’re a child, or that your mother is a thoughtless pain in the ass who doesn’t care about what you do as far as I’m concerned”

Poizé…