“Dreams of loneliness like a heartbeat drives you mad…”

Agora é a vez de Kyle Kyle MacLachlan encarnar o agente Cooper e levar boas vibrações do Fleetwood Mac para Twin Peaks…

“Diane…”

O verdadeiro significado de Twin Peaks

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Em uma análise em vídeo de quatro horas e meia duração, o youtuber Rosseter, do canal Twin Perfect, dissecou toda a extensão de Twin Peaks numa análise de tirar o fôlego. Antes mesmo da terceira temporada ter sido lançada, ele já havia traçado pontos em comum entre os mistérios das duas primeiras temporadas e do filme dirigido por David Lynch, Os Últimos Dias de Laura Palmer, apenas para perceber que, com a nova safra de episódios, ele tinha razão em sua análise: Twin Peaks é um comentário que David Lynch faz sobre a banalização da violência na televisão e como ela tem nos deixado menos sensíveis e mais rudes, como espectadores e cidadãos. O vídeo, em inglês, merece ser revisto mais de uma vez, tamanha a complexidade da análise e dos acertos levantados pelo youtuber:

De quebra, o podcast Twin Peaks The Return: A Season Three Podcast entrevistou-o sobre sua pesquisa, onde ele dá mais detalhes sobre a busca e como fez para chegar em alguns pontos mais importantes deste longo e valioso ensaio audiovisual.

Feliz natal!

Como assim, quarta temporada de Twin Peaks?!

“Está acontecendo de novo!”

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Começou com um tweet nostálgico de David Lynch, lembrando do lugar onde filmou sua clássica série, no meio do mês passado:

“Caros amigos do Twitter, eu amo as pessoas em King County. Amo as locações em King County. Arrumamos um lugar perfeito para filmar Twin Peaks e as pessoas perfeitas para trabalhar com a gente. Tanto Dow Constantine quanto Kate Becker são ótimos! No fim das contas, isso tornou filmar Twin Peaks ali um sonho.”

Mas daí que, no dia 29 de setembro, surge este tweet do Hollywood Horror Museum, que dizia:

“Alguém que nós conhecemos que ‘está por dentro’ deixou escapar algo bem interessante sobre o futuro de Twin Peaks. Se for verdade, estaremos rindo e excitados com 2020!”

E continuava:

“Não queremos meter ninguém em apuros (apenas por ser estúpido o suficiente para nos contar!). Então não podemos falar mais até que ELES falem, mas isso não é só um boato.”

E mais:

“Tudo que podemos dizer é que as pessoas que cuidam disso estão preparando algo grande pra 2020. Até que elas falem disso, teremos que ficar quietos.”

Não custa mencionar que filha de Lynch, Jennifer, faz parte do conselho deste museu do horror em Hollywood, Los Angeles. No dia seguinte, dia 30, o ator Michael Horse, o xerife Hawk, publica uma foto de seu personagem nos anos 90 vendo um pedido para manter silêncio em sua conta no Instagram.

E no dia seguinte, dia 1° de outubro, Kyle MacLachlan, o eterno Agente Cooper, twitta o seguinte:

“Amo este terno elegante, mas estou pensando em donuts nesta manhã.”

Neste domingo, dia 6 de outubro, completam exatos cinco anos que David Lynch e Mark Frost anunciaram a terceira temporada de sua série, algo que era considerado impossível e inconcebível e se revelou a grande obra de arte do século 21 até agora. Será que veremos a quarta temporada em 2020? Um filme? Uma versão em realidade virtual? Ou em ASMR? Ou é só um truque pra vender mais uma edição deluxe do Blu-ray?

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ESTÁ ACONTECENDO DE NOVO!? SERÁ POSSÍVEL?

17 de 2017: 12) Twin Peaks

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A grande obra de 2017 foi a inesperada e inacreditável terceira temporada de Twin Peaks, negação da nostalgia da série antiga, talvez a grande obra (e epitáfio final?) de David Lynch e ainda mais revolucionária que a primeira vinda. Com seu final estarrecedor, a volta do agente Cooper à cidade que lhe deu fama foi a viagem mais pesada e psicodélica do ano. E quem embarcou junto com ele sabe que o estrago deste filme de dezoito horas vai ser sentido durante todo o século. Uma obra-prima.

Os melhores filmes de 2017

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O UOL reuniu seus colaboradores para escolher as melhores produções do ano – e estes são os meus cinco escolhidos:

1) Twin Peaks: O Retorno
A terceira temporada da série que moldou a atual era de ouro da televisão faz o caminho inverso e ergue-se como um ousado e ambicioso filme de 18 horas, que certamente já mudou os rumos da produção audiovisual deste século. Se foi vaiado em Cannes há vinte e cinco anos ao lançar seu então incompreendido Os Últimos Dias de Laura Palmer (um de seus filmes mais aterradores e consistentes, além de peça-chave na versão 2017 de sua obra-prima), David Lynch dá o troco ao estrear uma produção de emissora de TV com distribuição via Netflix no mesmo festival francês, numa obra que critica inclusive os efeitos colaterais da nostalgia e dos remakes na produção cultural atual. E como não amar o agente Cooper?

2) Corra!
Um filme de terror em que o monstro não é sobrenatural e que coloca o racismo como uma psicose social tão assustadora quanto a dos piores serial killers, Corra! tem camadas e camadas de entendimento e percepção e consegue fundir diferentes gêneros cinematográficos para criar uma obra que é ao mesmo tempo leve e divertida quanto pesada e perturbadora.

3) No Intenso Agora
João Moreira Salles continua dissecando a própria biografia para expor os contrastes e contradições de nossos tempos, desta vez com foco em como o ano de 1968 aconteceu em diferentes partes do mundo. Não é tão brilhante quanto seu Santiago, lançado há dez anos e talvez sua obra-prima, mas fala tanto sobre as expectativas e frustrações dos anos 60 quanto o momento político e social que vivemos hoje.

4) Em Ritmo de Fuga
Edgar Wright esmera-se ao derrubar barreiras entre gêneros cinematográficos, fundindo comédia, filme de ação, musical, policial e romance em seu melhor filme, provando que já se apropriou do bastão cinematográfico inglês que um dia foi de Danny Boyle. E o novato Ansel Elgort prova que é mais do que um ator juvenil em ascensão.

5) Blade Runner 2049
Denis Villeneuve conseguiu fazer o impossível três vezes: materializou a tão aguardada continuação do épico de Ridley Scott, tornou-a palatável e ao mesmo tempo tão complexa quanto a produção original e ampliou a estética de cores frias e ambientes fechados para tomadas amplas a céu aberto com cores quentes. Não é, no entanto, nem de longe a melhor ficção científica do século (título que ainda é de Filhos do Amanhã, de Alfonso Cuarón, de 2006) nem seu melhor filme (A Chegada, do ano passado, é muito mais ousado e mais intenso), embora mantenha o legado do Blade Runner original intacto.

A relação completa com todos os filmes do ano escolhidos pelo UOL está aqui.

O porquê de Dougie Jones

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O podcast Now It’s Dark discute sobre o papel do terceiro alter ego de Kyle MacLachlan no novo Twin Peaks.

O sentido de Twin Peaks 2017

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Mike e Tim do podcast de cinema Now It’s Dark comentam sobre a terceira temporada de Twin Peaks como uma crítica à decadência cultural norte-americana.

Twin Peaks: Uma crítica à nostalgia

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Videoensaio do canal ScreenPrism mostra como a terceira temporada da série de David Lynch é a antítese do revival:

Twin Peaks no Cinemascope

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A Joyce Pais me chamou pra conversar sobre o acontecimento mais importante de 2017 em seu canal no YouTube, o excelente Cinemascope.

Twin Peaks: “It’s not about the bunny!”

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O canal francês 7 Minutes de Réflexion traça paralelos entre a nova temporada de Twin Peaks com Alice no País das Maravilhas, Em Busca do Tempo Perdido, Kiss Me Deadly e Além da Imaginação, entre outras referências.