As 75 melhores músicas de 2020: 75) Sara Não Tem Nome – “Agora”

“Ninguém segura na mão de ninguém”

“Ninguém segura a mão de ninguém”

Foto: Leo Longo (Divulgação)

Foto: Leo Longo (Divulgação)

“Acredito que essa pandemia trouxe um agravamento de várias questões que já enfrentávamos”, me explica por email a artista mineira Sara Não Tem Nome, que resolveu oficializar a versão caseira da composição “Agora”, que lançou no início do período da quarentena autoimposta. “Vários valores da humanidade estão sendo colocados em xeque e estamos nos deparando com mudanças estruturais na sociedade. As notícias têm sido muito imediatas, novas informações e acontecimentos são divulgados a todo instante. Fiz essa música refletindo também essa angústia de tentar entender o que está acontecendo e como lidar com tudo isso.” Ela lança a versão oficial da faixa, que terá clipe no mês que vem, aqui no Trabalho Sujo.

Pergunto sobre a relação da faixa com “Cidadão de Bens“, que ela lançou há menos de dois anos e que, como “Agora”, conversava com a situação política da época em que foi lançada. “‘Cidadão de bens’ é uma música que faz parte do álbum A Situação, que estava programado para ser lançado este ano. Com todos esses acontecimentos, não sei se ele sairá esse ano. ‘Agora’ será lançado apenas como single, mesmo tendo uma pegada bem próxima das composições que fazem parte do álbum novo.”

Ela fala mais sobre a transformação da música de demo na versão finalizada acima. “O processo de gravação foi todo caseiro. Gravei voz, guitarra, teclado e bateria em casa, no meu homestudio Quintal intergaláctico. Enviei o material para o Victor Galvão, que contribui em diversos projetos meus, e faz parte da banda Tarda, que também faço parte. Ele fez a mixagem, a arte da capa e os desenhos que fazem parte do lyric video. A masterização é da Lina Kruze. O lançamento é a minha primeira parceria com a Loop Discos. A sugestão de fazer um lyric video veio deles. Pensamos que ter a letra da música com fácil visibilidade, ajudaria a mensagem a ser recebida e propagada. O clipe surgiu de conversas com Pedro Veneroso, meu parceiro de vida e que já trabalha comigo há muitos anos. Será uma animação em 3D, com situações baseadas em notícias, memes e criações nossas pensando na situação atual do mundo.”

Aproveito para perguntar como anda a situação na quarentena: “Na parte prática, estou conseguindo ficar no isolamento sem muitos problemas. Já trabalhava grande parte do tempo em casa, então isso não mudou muito. Na parte emocional, me sinto bem flutuante, têm dias que estou mais disposta, mas em outros, tenho dificuldade em levantar da cama e trabalhar. Acho que é normal não se sentir bem numa situação dessas que estamos vivendo. Fico buscando formas de cuidar do corpo e da mente para não me deprimir e adoecer. Acho que tentar manter uma rotina tem me ajudado.” Ela conta também que está gravando mais músicas em casa e, além do clipe de “Agora”, também lançará outro clipe, da banda Tarda, chamado “Breath”.

Vida Fodona #630: Calminho

vf630

Ma non troppo.

Sara Não Tem Nome – “Agora”
Damien Rice – “Chandelier”
Bob Dylan – “Murder Most Foul”
Tatá Aeroplano – “Alucinações”
Thiago França – “Dentro da Pedra”
Mauricio Takara e Carla Boregas – “Traçado Entre Duas Linhas”
Atønito – “Veloce”
Dlina Volny – “Do It”
Dua Lipa – “Love Again”
Baco Exu do Blues + Lelle – “Preso Em Casa Cheio de Tesão”
Bivolt – “110v”
Childish Gambino + Ariana Grande – “Time”
Flume + Toro y Moi – “The Difference”
Breakbot + Delafleur – “Be Mine Tonight”

Sara Não Tem Nome vê a pandemia

saranaotemnome2020

Em plena quarentena, a mineira Sara Não Tem Nome manda mais uma de suas canções de protesto, batizada apenas de “Agora”: “Aqui isolada no meu mundo, deu aquela saudades da sara punk emo de 15 anos que tocava violão na praça”, ele descreve o vídeo que postou mais cedo. “Em meio ao caos de acontecimentos e notícias da ruína construção do hoje amanhã, surgiu essa música-monólogo-fôlego para enfrentar o furacão.”

Algo me diz que vamos ver muita música deste tipo nos próximos meses…

Vida Fodona #581: As 75 melhores músicas de 2018

vf581

Quase cinco horas no ano passado.

Jorja Smith – “The One”
Duda Beat – “Bixinho”
Raffa Moreira – “Bro”
Liniker – “Lava”
Nação Zumbi + BaianaSystem – “Alfazema”
Brockhampton – “San Marcos”
Sara Não Tem Nome – “Cidadão de Bens”
Norah Jones + Jeff Tweedy – “Wintertime”
Lady Gaga – “Always Remember Us This Way”
Bonifrate – “Alfa Crucis”
Jpegmafia – “Macaulay Culkin”
Elza Soares + Edgar – “Exu nas Escolas”
Ava Rocha – “Joana Dark”
Orchestra Santa Massa – “A Casta”
MC Carol + Heavy Baile – “Marielle Franco (Desabafo)”
Pabllo Vittar – “Problema Seu”
Guizado + Negro Leo + Andrea Merkel – “Modern Fears”
David Byrne – “I Dance Like This”
Gorillaz + George Benson – “Humility”
Brisa Flow – “Grillz”
Emicida – “Inácio da Catingueira”
Stephen Malkmus + Kim Gordon – “Refute”
Childish Gambino – “This is America”
Criolo – “Boca de Lobo”
Baco Exu do Blues + Tuyo – “Flamingos”
Billie Eilish – “You Should See Me in a Crown”
Courtney Barnett – “Need a Little Time”
Rincon Sapiência – “Placo”
Saulo Duarte – “Avante Delírio”
Baggios + Céu – “Bem-Te-Vi”
Kassin – “Relax”
BK’ – “Porcentos”
Malu Maria – “Diamantes na Pista”
Ariana Grande – “Thank U, Next”
Lupe de Lupe – “Midas”
FBC – “Contradições”
MC Loma e as Gêmeas Lacração – “Envolvimento”
Cat Power + Lana Del Rey – “Woman”
Teto Preto – “Pedra Preta”
Nicki Minaj – “Barbie Dreams”
Drake – “Nice for What”
Cardi B + Bad Bunny + J Balvin- “I Like It”
Sophie – “Immaterial”
Caroline Rose – “Jeannie Becomes a Mom”
Juliano Gauche – “Pedaço de Mim”
Maria Beraldo- “Da Menor Importância”
Brockhampton – “New Orleans”
Ventre – “Pulmão/Alfinete”
Elza Soares – “Banho”
Luiza Lian – “Iarinhas”
Gilberto Gil – “Quatro Pedacinhos”
Janelle Monáe – “Make Me Feel”
Disclosure – “Moonlight”
Rosalía – “Malamente (Cap.1: Augurio)”
The Carters – “Apeshit”
Lana Del Rey – “Venice Bitch”
Yma – “Par de Olhos”
Gilberto Gil + Yamandu Costa – “Yamandu”
Jay Rock + Kendrick Lamar + Future + James Blake – “King’s Dead”
Kali Uchis – “Miami”
Arctic Monkeys – “One Point Perspective”
The Internet – “Come Over”
Arctic Monkeys – “Four Out of Five”
Courtney Barnett – “Crippling Self Doubt and a General Lack of Self Confidence”
Blood Orange – “Charcoal Baby”
Gilberto Gil – “Na Real”
Luiza Lian – “Azul Moderno”
Arctic Monkeys – “Star Treatment”
Ava Rocha – “Periférica”
Kali Uchis – “Just a Stranger”
Maurício Pereira – “Outono no Sudeste”
Gui Amabis – “Miopia”
The Carters – “Heard About Us”
Gilberto Gil – “Ok Ok Ok”
The Internet – “Roll (Burbank Funk)”

As 75 melhores músicas de 2018: 69) Sara Não Tem Nome – “Cidadão de Bens”

2018-69-sara

“Acima de tudo, por cima de todos – seu ódio quer nos engolir”

Sara Não Tem Nome contra o fascismo

saranaotemnome

A faixa “Cidadão de Bens”, da querida musa mineira Sara Não Tem Nome, é um hino indie contra este personagem que está infestando a vida política no país. “Um desabafo rouco sobre o momento”, resume.

A letra vem abaixo:

morto por dentro
sua alma já se foi
faz tempo

cidadão de bens
cidadão de bens

acima de tudo
por cima de todos
seu ódio quer nos engolir
seu ódio vai te destruir

cidadão de bens
cidadão de bens

não respeita as diferenças
ignora as evidências
só enxerga o que os seus olhos querem ver
só enxerga o que os seus olhos querem ver

cidadão de bens
cidadão de bens

Vida Fodona #542: Trazer o sol

vf542

Concentração.

Sara Não Tem Nome: “Estou diante do acontecer”

sara-ajude-me

A mineira Sara Não Tem Nome vem comendo pelas beiradas e deixa seu belo manifesto introspectivo Ômega III, um dos melhores discos do ano passado, repercutir em câmera lenta por 2016, e vem para São Paulo usando o clipe de “Ajude-Me” como novo cartão de visitas. Ela passa por aqui no fim de semana, quando toca no Submundo 177 no sábado (mais informações aqui), e no domingo no festival sorocabano Febre (mais informações aqui). O clipe nasceu de uma série de imagens que o diretor Fernando Sanches fez em 2012 nas famosas lojas de casamento da Rebouças, que funcionaram perfeitamente com o clima hostil e antissocial da música. “Eu gostei bastante, criava um sentido, uma imagem da música que eu nunca tinha pensado”, me conta Sara. “Quando assisti até tive a sensação de que a música falasse sobre os manequins, por conta de várias partes da letra. Gostei também da estética, cores bem vivas mas ao mesmo tempo um clima meio mórbido e plastificado, a sensação de sufocamento e tristeza que dá ao ver os manequins presos dentro das vitrines.”

E se você ainda não ouviu Ômega III faça-se esse favor. Dá pra baixar no site dela.

Os 75 melhores discos de 2015: 34) Sara Não Tem Nome – Ômega III

34-saranaotemnome

Pequena dor.