MarginalS + M. Takara

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A Soma está começando a lançar as gravações dos shows que os Marginals fizeram no espaço da revista Vila Madalena entre 2010 e 2011, uma série de apresentações em que o trio formado por Thiago França, Marcelo Cabral e Anthony Gordin tocou ao lado de bacanas como Guizado, Lurdez da Luz e Criolo, Thomas Rohrer, DJ Marco, entre outros nomes. A estréia conta com a participação do jovem mestre Maurício Takara e o encontro volta a acontecer neste domingo, na Casa do Mancha. Pedi pro Thiago escolher uma música pra lançar aqui no Trabalho Sujo ele pediu pra colocar a terceira: “groovezão bacana, melodia chicletona, sucesso!”. Pois sente só:

O disco pode ser baixado neste link. Há um tempo já dá pra ouvir o único show destes que vi desta série, quando eles entraram em alfa ao lado do Thomas Rohrer. Veja os vídeos que fiz abaixo:

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Racionais MCs no Lollapalooza

Vi só o finzinho do show dos Racionais no Lollapalooza, mas o Mateus assistiu a tudo e conta mais:

Uma quantidade moderada de pessoas, se comparada ao público médio da tenda Perry (eletrônica), aguardou por pouco mais de uma hora para tirar a prova. Ao contrário de todas as outras bandas do festival, os Racionais não começaram no horário. O suspense para entrar no palco povoou as mentes com toda sorte de conspirações, alimentadas pela mítica em torno do grupo. Shows cancelados. Perseguição da polícia. Confusões de toda sorte. As teorias mais plausíveis davam conta de um suposto desentendimento a respeito da gravação do show (que, segundo o Multishow, foi proibida pela banda). Nada vem fácil para o Racionais, nunca veio. Não vai ser desta vez, justo ali. A tensão foi levada ao limite, e o grupo só entrou quando a plateia já vaiava o atraso de forma generalizada. Mas o que aconteceu na próxima hora e meia tornou sem sentido qualquer especulação a respeito das razões.

(…)

E eis que o bando estava muito à vontade, Mano Brown sorridente e interagindo o tempo todo com o público e com a pequena multidão no palco. Os clássicos vieram: “Vida Loka II”, “Negro Drama”, “Eu Sou 157”, “Homem na Estrada”, “Jesus Chorou”, “Estilo Cachorro”. Deve ter sido a primeira vez em qualquer edição do festival que tantos boys (de vila ou quatrocentões), minas, indies, seguranças e funcionários da limpeza curtiram um show juntos e misturados, sem qualquer distinção ou condescendência aparente. Mas foi só quando o jogo estava ganho que o Racionais decidiu mostrar por que esse dia seria ainda mais especial do que todos já sabiam. Como um soco na cara, surgiu nos telões a imagem da carteira de afiliação de Carlos Marighella ao PCB. Ao lado de seu rosto, a foice e o martelo ardiam impiedosamente nas vistas de um festival que representa tudo, menos o comunismo. Uma cena completamente impensável de acontecer em qualquer festival nos EUA.

A projeção seguiu ali durante toda a execução de “Marighella”, mas foi além, como foi além Mano Brown. As rimas da música nova se fundiram em uma exaltação ao “momento do Brasil”, sobre como os estrangeiros estão fascinados pelo país, e como nós temos que estar preparados para aproveitar a maré a nosso favor.

A íntegra tá lá no site da Soma.

Emicida no Ratinho

Enquanto isso, no SBT…

Vi na Soma.

Mais Bonifrate?

“Eu Quase Prefiro um Visitante Solarista” poderia tranquilamente estar no último disco do Bonifrate, mas acabou indo parar em uma coletânea da +Soma. Sorte nossa.


Bonifrate – “Eu Quase Prefiro um Visitante Solarista” (MP3)

Arnaldo Baptista e os novos Mutantes

Como você avalia o som dos Mutantes hoje?
Eu acho que tá mais… gay (risos gerais). É um papel carbono dos Mutantes de antigamente, sem orquestra e com sintetizador. O Sérgio nunca foi de estudar, sempre foi meio rebelde, mas ultimamente, nos ensaios, ele vinha tentando dar uma de professor. Fica dando ordem, bronca, parece uma escola de música, não mais um conjunto. Eu cansei de convidá-lo pra vir até a minha casa, mas ele nunca foi. A humildade pra ele é muito difícil de entender. Mas isso já passou.

Mateus entrevista o mestre lóki para a capa da +Soma.

O filme do Piratas do Tietê e a fase existencialista de Laerte

Em entrevista ao Arthur para a revista Soma, o Otto Guerra – que ajudou Adão, Angeli e Allan a virar desenho animado – fala sobre o filme que está fazendo com a obra do Laerte, que, a princípio, é sobre os piratas do Tietê, mas…

Estamos fazendo o roteiro de um filme do Laerte, “Cidade dos Piratas”. Eu tava indo pra São Paulo conversar com ele e caiu a ficha que não valia a pena tentar esse tipo de cinemão, início-meio-conflito-virada-virada-fim, porque não dá pra competir. No filme do Laerte vou me agarrar a referências ao cinema marginal brasileiro – brincar em cima da transgressão. E esse existencialismo atual do Laerte é genial. Já tem um argumento, usando as tiras mais atuais: vamos usar várias fases dessas tiras, amarrando tudo isso.

A entrevista toda está aqui.

E por falar no Emicida…

Olha o primeiro clipe do cara. A música chama-se “Triunfo”:

E tem uma boa entrevista com ele na +Soma.

Introducing Mr. Catra


Mr. Catra – “Vacilão”

E por falar em Trip, nem comentei sobre a ótima e longa entrevista que o Ronaldo e a Kátia fizeram durante um corre de Mr. Catra por São Paulo – em um encontro rápido com o Ronaldo ali no São Cristóvão, ele comentou que seguia a comitiva do sujeito só pela marola, hahaha. Na entrevista, publicada nas já tradicionais Páginas Negras da revista, o MC fala de política, religião, sua criação em escolas da elite carioca, crime organizado, sua treta com Marlboro, além de cochilar durante vários trechos do papo.

E numa conjunção cósmica de coincidências, a revista +Soma também deu a capa de sua última edição ao profeta do funk carioca, um dos personagens mais intensos da atual música brasileira. A matéria da +Soma também tem a grife de um compadre – no caso, o intrépido Matias Maxx, the Original Capitão Presença, que além de ser um dos repórteres mais setorizados em todo o imaginário que envolve Catra, acompanha a carreira do sujeito desde 1998 e sempre arrumou desculpa para puxar longos papos e transformá-los em entrevistas já clássicas (vale fuçar os zines de Matias, tanto o impresso Tarja Preta quanto o falecido blog La Cucaracha – que batiza sua loja em Ipanema -, além de incontáveis revistas para quem ele já vendeu essa pauta). E a matéria também bate em pontos levantados na entrevista da Trip, como sua conversão ao judaísmo em sua visita ao Muro das Lamentações em Israel, sua vida de workaholic, suas várias mulheres e seu papel dentro e fora do funk carioca. A revista é distribuída gratuitamente, mas quem não a encontra em canto nenhum pode baixá-la em PDF no site.


Mr. Catra – “O Fiel”

Catra, o Fiel, já é conhecido em todo o Brasil há pelo menos uma década e sua voz rouca alterna cantos religiosos, putanheiros, canabistas ou violentaços em qualquer palco que o requeira: casas noturnas de todas as classes, programas de TV, festivais ou em participações especiais em disco dos outros. Tem alguns hits no imaginário brasileiro, embora a maioria das pessoas não ligue o nome à pessoa – você já deve ter ouvido pelo menos um de seus três maiores hits, a fumífera “Cadê o Isqueiro?”, a intimada “Vacilão” e o alerta “Simpático”. Ele já teve disco solo lançado pela Warner, já foi tema de documentário na Holanda, teve matéria de oito páginas na Rolling Stone japonesa e disco sendo vendido em Dubai e Amsterdã. Já colaborou com Marcelo D2, Digitaldubs e DJ Dolores, inspirou João Brasil num episódio de pura vergonha alheia e é conhecido de quase todo mundo da cena de hip hop paulista. Sua luta é “contra a hipocrisia”, como ele sempre sublinha, e é justamente por isso que ele não é mais conhecido. Como o Brasil das “grandes pessoas humanas” que freqüentam o Faustão reagiriam às letras pornográficas, violentas e messiânicas de Mr. Catra?

Na verdade, Catra é um desafio à cultura nacional. Popular e populista, ele é um dos poucos MCs de funk carioca que realmente cantam, embora o rugido rouco, os discursos que irrompem no meio das músicas e a gargalhada diabólica não deixem que você perceba isso de cara. Ele é a figura mais próxima de um Tim Maia que temos na música brasileira hoje ao mesmo tempo que é a melhor tradução do gangsta rap para o Rio de Janeiro e um misto de James Brown com Isaac Hayes numa trip histórico-religiosa. Como nem tão cedo um sujeito que responde às mulheres-vegetais (a Samambaia, a Melancia) com uma agressiva Mulher Filé (veja o vídeo abaixo) chega ao topo do showbusiness brasileiro, tamanha a forma que ele subverte todos os clichês de bom-mocismo que se espera de um popstar que não nasceu no meio artístico.


Mr. Catra e Mulher Filé

As duas entrevistas funcionam como uma ótima introdução ao sujeito, mas dá pra se aprofundar melhor visitando outros hits do cara, como “O Retorno é de Jedi” com MC G3, “Vai Começar a Putaria“, “Cadê o Isqueiro?“, “67 Patinete“, “Fiel à Putaria” (nessa versão, com o Latino) e as infames subversões para hits da música brasileira, como “Tédio”, do Biquini Cavadão (que torna-se “Adultério“), “Primeiros Erros” de Kiko Zambianchi (que assume uma faceta singela com o novo título “Se Meu Pau Não Parar de Crescer“), “Itapoã”, de Toquinho (“Mamada de Manhã“, na nova encarnação), entre outras. Não esqueça de por o fone de ouvido se estiver em algum lugar onde alguém pode se assustar com um mísero palavrão, hein…

Não achei “Mercenária”, funkeira setentona pesada, no YouTube, mas se alguém descolar uns MP3 eu subo aqui… Aliás, fica no ar a idéia prum Vida Fodona especial Mr. Catra – quem sabe se eu arrumar mais MP3 do cara, eu agilizo pro mês que vem…

Tommy Guerrero em São Paulo

Esqueci de comentar o show do Tommy Guerrero no domingo passado – e não tem nem muito o que falar, tirando o fato de ter sido fodão. Instrumental e groovezeiro, o show do guitarrista e sua banda ainda contou com a participação dos brasileiros Curumin e Guizado no apoio. Os quatro vídeos aí em cima foram feitos no ótimo espaço da revista +Soma, na Vila Madalena – a iluminação pra filmar tava ruim, mas deixa a imagem de lado e se liga no som.

Psilosamples – “Michael, Jesus and Me”

Outra homenagem brasileira ao ícone pop vem de Belo Horizonte Pouso Alegre. O mineiro Zé, que também atende por Psilosamples, explica:

Michael Jackson morreu e naquela noite eu tive um sonho, sonhei que eu estava em cima de uma bicicleta com o E.T na cestinha, acordei triste por ter sido só uma porcaria de sonho.No café da manhã eu tive uma revelação: é fácil críticar, mas não é fácil tirar uma foto com o E.T Liguei o computador, travou, reiniciei e me diverti com o artista mais legal que o E.T ja deu as mãos.

E assim mistura uma eletrônica preguiçosa e caseira com samples de gritinhos de Michael, tamborim, cuíca e a base de “Billie Jean”. Ficou fera.


Psilosamples – “Michael, Jesus and Me