Bom Saber #034: Ramon VItral

Vamos falar de quadrinhos? Juntei a necessidade de ampliar as pautas do Bom Saber, meu programa semanal de entrevistas, com a vontade de voltar a conversar com um velho amigo e convidei o jovem Ramon Vitral para falar tanto sobre sua trajetória como referência crítica brasileira nas HQs quanto para comentar a excelente fase que ele vem atravessando, tanto do ponto de vista criativo quanto do ponto de vista do mercado editorial – ele que é fruto justamente desta mudança que vem acontecido com o meio nos últimos vinte anos. E, claro, pedi para que ele desse algumas dicas pra quem quiser se inteirar mais sobre as novidades desta arte atualmente.

O que você faria se inventasse uma máquina do tempo ainda na adolescência?

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O Ramon havia comentado sobre o Project Almanac, uma versão adolescente do cabeçudo Primer, em que um grupo de moleques inventa a viagem do tempo e começam a reviver todos os dias… até que algo dá errado. Achei legal reforçar a dica, dá uma sacada no trailer:

O poster de Vingadores 2: A Era de Ultron

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A Marvel passou a semana inteira dando teasers de seu painel na Comic Con, soltando, aos poucos, pedaços do enorme pôster do próximo filme dos Vingadores – A Era de Ultron (veja o pôster completo abaixo), que apenas trouxe como novidade as primeiras caracterizações de Paul Bettany como Visão (de longe), Aaron Taylor-Johnson com Quicksilver e Elizabeth Olsen como Feiticeira Escarlate. Mas o painel em si não trouxe grandes novidades – melhor dar uma sacada nas especulações que o Ramon fez a partir de diferentes notícias sobre os próximos passos da editora que virou estúdio.

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A dor de ser um beatle

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Ramon linka uma história relacionada ao filme Boyhood (aquele em que o Richard Linklater acompanhou os mesmos atores por 12 anos, para registrar o crescimento dos personagens sem maquiagem nem efeitos especiais) que tem um microspoiler do filme, mas nada que, acredito, atrapalhe a história do filme. Se não quiser saber, não leia mais a partir de agora.

Ele conta que em dado momento da história, o personagem do pai dá ao personagem do filho uma coletânea com músicas da carreira solo dos Beatles. A coletânea de fato existiu, quando o intérprete do pai, o ator Ethan Hawke (eterno alter ego do próprio Linklater) reuniu faixas dos Beatles depois de 1970 e entregou para a filha junto com uma longa carta que o Ramon traduziu lá no Vitralizado. Separei um trecho, mas vale ler a íntegra:

“Li uma história sobre a morte da mãe do John:

Ele era um adolescente revoltado – com um canivete no bolso, cigarro nos lábios e sexo na cabeça. No funeral da mãe desequilibrada e recém-falecida (que ele havia acabado de ficar mais próximo), ele – bêbado e puto – socou um membro da banda e deu o fora. Alguns anos mais novo, o Paul – um moleque que ainda não ligava muito pra garotas, ainda UNCOOL e presente na banda graças às suas habilidades com a guitarra apesar de ser meio infantil – correu atrás do John na rua dizendo: “John, por quê você está sendo tão babaca?”.

O John respondeu, “Minha mãe acabou de morrer, porra!”

E o Paul disse, “Você nunca perguntou sobre a minha mãe.”

“O que tem ela?”

“Ela também está morta.”

Eles se abraçaram no meio da rua. Aparentemente o John disse, “Podemos por favor começar uma porra de banda de rock’n’roll?”.

Essa história respondeu a dúvida presente no meu cérebro ao longo de todo minha vida como ouvinte de música: Se os Beatles estiveram juntos ao longo de apenas 10 anos e os membros da banda eram tão novos ao longo desse período, como eles conseguiram escrever “Help!”, “The Fool on the Hill”, “Eleanor Rigby”, “Yesterday” e “A Day in the Life?” Eles eram apenas caras de 25 anos cercados por garotas em frente aos seus hotéis e com direito ao tanto de champagne que um moleque consegue beber. Como eles conseguiram desenvolver suas mentes para feitos artísticos tão grandiosos?

Eles conseguiram pois estavam sofrendo. Eles sabiam que o amor não dura pra sempre. Eles descobriram isso ainda muito novos.”

Abaixo, a coletânea feita por Hawke que o Ramon reuniu em três playlists do YouTube. E repito: vale ler o post original.

Paul McCartney & Wings, “Band on the Run”
George Harrison, “My Sweet Lord”
John Lennon feat. The Flux Fiddlers & the Plastic Ono Band, “Jealous Guy”
Ringo Starr, “Photograph”
John Lennon, “How?”
Paul McCartney, “Every Night”
George Harrison, “Blow Away”
Paul McCartney, “Maybe I’m Amazed”
John Lennon, “Woman”
Paul McCartney & Wings, “Jet”
John Lennon, “Stand by Me”
Ringo Starr, “No No Song”
Paul McCartney, “Junk”
John Lennon, “Love”
Paul McCartney & Linda McCartney, “The Back Seat of My Car”
John Lennon, “Watching the Wheels”
John Lennon, “Mind Games”
Paul McCartney & Wings, “Bluebird”
John Lennon, “Beautiful Boy (Darling Boy)”
George Harrison, “What Is Life”

John Lennon, “God”
Wings, “Listen to What the Man Said”
John Lennon, “Crippled Inside”
Ringo Starr, “You’re Sixteen You’re Beautiful (And You’re Mine)”
Paul McCartney & Wings, “Let Me Roll It”
John Lennon & The Plastic Ono Band, “Power to the People”
Paul McCartney, “Another Day”
George Harrison, “If Not For You (2001 Digital Remaster)”
John Lennon, “(Just Like) Starting Over”
Wings, “Let ‘Em In”
John Lennon, “Mother”
Paul McCartney & Wings, “Helen Wheels”
John Lennon, “I Found Out”
Paul McCartney & Linda McCartney, “Uncle Albert / Admiral Halsey”
John Lennon, Yoko Ono & The Plastic Ono Band, “Instant Karma! (We All Shine On)”
George Harrison, “Not Guilty (2004 Digital Remaster)”
Paul McCartney & Linda McCartney, “Heart of the Country”
John Lennon, “Oh Yoko!”
Wings, “Mull of Kintyre”
Ringo Starr, “It Don’t Come Easy”

John Lennon, “Grow Old With Me”
Wings, “Silly Love Songs”
The Beatles, “Real Love”
Paul McCartney & Wings, “My Love”
John Lennon, “Oh My Love”
George Harrison, “Give Me Love (Give Me Peace on Earth)”
Paul McCartney, “Pipes of Peace”
John Lennon, “Imagine”
Paul McCartney, “Here Today”
George Harrison, “All Things Must Pass”
Paul McCartney, “And I Love Her (Live on MTV Unplugged)”

Um papo com a Maria Nanquim

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Excelente essa entrevista que o Ramon fez com a Luciana Foraciepe, que é conhecida pela internet como Maria Nanquim. Ela está lançando sua primeira revista – chamada Xula, que pode ser comprada aqui – e na conversa dá uma boa idéia de como andam os quadrinhos no Brasil nestes anos 2010:

Eu acho que o cenário sempre existiu, a duras penas, mas sempre existiu. Agora, com internet, as pessoas conseguem mesmo fazer um trabalho autoral sem depender das editoras. Acho isso bom demais. Mas não sei medir ou dizer se o interesse por quadrinhos aumentou ao longo dos anos, porque eu sempre fui interessada. Posso estar dizendo uma bobagem, mas na minha opinião o cenário sempre existiu, só que antes o acesso era mais complicado. As pessoas tinham que se contentar com o que era publicado. Com o que as editoras publicavam. Hoje, com as publicações independentes e com a internet, dá pra conhecer um monte de gente boa produzindo quadrinhos. Isso é lindo. Também tem muita coisa ruim, mas aí é só não acompanhar o que não te agrada. O que tenho certeza é que ainda é complicado viver de quadrinhos no Brasil. Vejo isso pelos meus amigos quadrinistas que estão sempre duros. Muito triste. Pessoas extremamente talentosas, mas que precisam sambar muito pra pagar as contas no fim do mês.

Leia a entrevista toda no Vitralizado.

A sétima temporada de Mad Men

E essa psicodelia toda do novo cartaz da última temporada de Mad Men? Mas, como o Ramon explica que não é pura lisergia sessentista, mas outras cores de talvez outras épocas.

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Afinal, vocês lembram como a temporada mais recente terminou…

Liniers na New Yorker

Eis a capa que o argentino Ricardo Liniers, autor da tira Macanudo, fez para a próxima edição da New Yorker.

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Vi no Ramon.

Outra teoria sobre a Pixar: Quem é a dona de Jessie, em Toy Story?

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Vocês lembram da primeira Teoria Pixar, aquela que interliga todos os filmes da produtora de animação como se fossem parte de um mesmo universo? Pois seu autor, Jon Negroni, cogitou outra teoria por trás dos filmes de Toy Story, que explicaria uma conexão pouco provável na vida do dono dos brinquedos falantes da trilogia, Andy. O Ramon traduziu a nova teoria no Vitralizado, confere lá.

O quarto Liniers

Imagine você ficar hospedado num quarto de hotel ilustrado pelo Liniers.

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Foi o que aconteceu com o Ramon, quando ele passou pela Itália – e lá no Vitralizado ele mostra tantas outras fotos desse cômodo desenhado.

Hino Nacional Fóbico

E esse hino, proposto pelo Laerte?

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Muito foda, vi no Ramon.