É tão bom ver os Beatles se divertindo…

O diretor neozelandês Peter Jackson cumpre a promessa que fez quando anunciou o documentário Get Back, sobre a última gravação que os Beatles fizeram juntos, que gerou o infame e tenso filme Let it Be, e mostra John, Paul, George e Ringo se divertindo pacas enquanto gravam o que seria o disco Get Back, nas primeiras cenas que ele apresenta de seu filme, que estreará no ano que vem.

E além dessas cores e definições maravilhosas, é tão bom ver os Beatles se divertindo… Eu chorei duas vezes.

Um Anthology só para Get Back

Get Back - The Beatles

Tido com o período mais desgastante da história dos Beatles, janeiro de 1969 não apenas acompanhou a primeira gravação de um disco da banda longe de Abbey Road, o familiar estúdio da gravadora EMI em que gravaram todos seus discos, como culminou com a última apresentação ao vivo da banda, quando tocam músicas destas gravações no topo do prédio de sua gravadora Apple. Mas o diretor Peter Jackson, contratado para afundar-se no material registrado neste período – centenas de horas de áudio e vídeo que pouquíssimos puderam ter contato -, afirma textualmente que irá mudar a cara que este período tem na história dos Beatles, ao apresentar o documentário The Beatles: Get Back, cujo lançamento foi adiado para agosto do ano que vem.

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A novidade é que junto com o filme, o grupo lançará seu primeiro livro desde que resumiram sua história na Bíblia oficial do grupo que acompanhou o projeto audiovisual Anthology. O livro The Beatles: Get Back tem 240 páginas, capa dura e traz a transcrição de diálogos tirados das mais de 120 horas do grupo no estúdio, primeiro no Twickenham Film Studios e depois no novíssimo Apple Studio do próprio grupo, centenas de fotos inéditas, tiradas por Ethan A. Russell e Linda McCartney, introdução escrita pelo romancista Hanif Kureishi e prefácio assinado pelo diretor do filme. Escreve Kureishi reafirmando a impressão de Jackson: “Na verdade, este foi um momento produtivo para eles, quando criaram alguns de seus melhores trabalhos. E é aqui que temos o privilégio de testemunhar seus primeiros rascunhos, os erros, as derrapagens e digressões, o tédio, a empolgação, a interferência alegre e as descobertas repentinas que levaram ao trabalho que agora conhecemos e admiramos.”

O livro já está em pré-venda, mesmo que chegue apenas em agosto do ano que vem.

O fim dos Beatles chega aos cinemas

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É oficial: a Disney comprou os direitos de distribuição do documentário Get Back, em que diretor Peter Jackson debruça-se sobre o material que outro diretor, Michael Lindsay-Hogg, fez no último mês em que Beatles tentaram manter-se como uma banda, em janeiro de 1969. O projeto Get Back foi originalmente uma tentativa que Paul McCartney fez com o grupo para que eles voltassem a funcionar coletivamente, depois de uma série de brigas em 1968 que culminou com a saída do baterista Ringo Starr do grupo, por uma semana.

Paul sugeriu que os quatro voltassem ao estúdio para tocar clássicos do rock como nos velhos tempos, batizou a iniciativa de Get Back, a partir de uma canção sua, e convenceu os Beatles a deixar uma equipe de filmagem acompanhou o processo. A presença das câmeras – e forçadas luzes coloridas – deixou o clima entre os Beatles, que já estava ruim, pior, e aquele mês assistiu à desintegração do grupo como uma banda. Emblemático que culminasse com a última apresentação ao vivo do grupo, o show de 40 minutos que parou Londres quando o grupo tocou sem anúncio no topo do prédio onde funcionava seu escritório, a gravadora Apple.

Get Back foi arquivado e o grupo passou a trabalhar no que mais tarde se tornaria o disco Abbey Road, mas nunca mais os quatro integrantes da banda estiveram juntos no estúdio, sendo este último disco gravado com no máximo três beatles por vez na sala. Alguns deles mal falavam um com o outro, Paul tretado com John, George tretado com Paul, Ringo de saco cheio dos três. Em 1970, depois do anúncio oficial do grupo, Get Back foi relançado num novo formato – pós-produzido por Phil Spector, que descaracterizou as gravações cruas da época com cordas e coros, o disco transformou-se em Let it Be, nome também do último filme do grupo, extraído das filmagens de Linsday-Hogg.

O documentário que aproximou o diretor de Senhor dos Anéis ao grupo inglês é a versão definitiva deste momento. Trabalhando em cima de todo o material deixado pelo diretor original, Peter Jackson mergulhou no projeto, que finalmente ganhou sua data de estreia no cinema, com o anúncio da entrada da Disney no projeto. Se o coronavírus não atrasar ainda mais, o lançamento está previsto para o dia 4 de setembro. E trará a íntegra do show no terraço da Apple, quando o grupo tocou três vezes “Get Back”, duas vezes “Don’t Let Me Down” e “I’ve Got a Feeling”, além de “Dig a Pony” e “One After 909”, acompanhados do tecladista Billy Preston.

De volta ao Let it Be

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O último show dos Beatles faz 50 anos neste 30 de janeiro e sua gravadora Apple acaba de anunciar que Peter Jackson fará um documentário sobre o primeiro mês que os Beatles passaram no estúdio em 1969, quando gravavam o disco que seria chamado Get Back e que virou o póstumo Let it Be. Estas sessões de gravação deram origem ao filme Let it Be, que nunca mais foi relançado, e ao relançamento Let it Be… Naked, mas desta vez Jackson lidará com 55 horas de material de vídeo e 140 horas de áudio que nunca saíram oficialmente do círculo da banda. “Fiquei aliviado ao descobrir que a realidade é bem diferente do mito”, explicou o diretor neozelandês no comunicado feito pela banda. “É simplesmente um impressionante e histórico tesouro escondido. Claro que há momentos de drama – mas nada perto da discórdia que este projeto foi associado. Assistir a John, Paul, George e Ringo trabalhando juntos, criando canções hoje clássicas do zero, não é apenas fascinante – é engraçado, inspirador e surpreendentemente íntimo.”

Peter Jackson ♥ Christopher Lee

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Bem bonita a declaração de amor e amizade que Peter Jackson fez ao recém falecido Sir Christopher Lee – que depois de cinco filmes juntos, tornou-se apenas seu amigo Chris. Traduzi o texto lá no meu blog no UOL.

Impressão digital #0080: As Aventuras de Tintim

Minha coluna no Caderno 2 de domingo foi sobre as primeiras boas impressões que o filme do Tintim vem recebendo

O futuro do cinema
Spielberg, Jackson e Tintim

Um amigo meu comentou outro dia, com certo alívio, que estava feliz por ler que as primeiras impressões à adaptação para o cinema das aventuras de Tintim estavam sendo boas. O alívio veio porque assim ele poderia dizer que gostou sem culpa de estar assistindo a um mico filmado, pois gostaria de qualquer jeito. Afinal, o personagem criado pelo belga Hergé é um dos principais nomes do quadrinho europeu e sua adaptação definitiva para o cinema vem sendo aguardada com muita expectativa.

Ainda mais pelo fato da adaptação ter sido encampada pela dupla Steven Spielberg e Peter Jackson. O primeiro dispensa apresentações. O segundo também, mas vale frisar que o trabalho que desenvolveu em seus filmes – principalmente em O Senhor dos Anéis e em King Kong – e no épico 3D de James Cameron, Avatar, funcionou como preparação para o grande desafio que é o novo filme, também gerado na fábrica de ilusões de Jackson na Nova Zelândia, os estúdios Weta, o melhor estúdio de efeitos especiais do mundo hoje.

As Aventuras de Tintim já estreou na Europa, só chega aos EUA no final do ano e no Brasil no meio de janeiro de 2012 e não é o principal passo dos dois diretores em suas carreiras, mas pode determinar o futuro do cinema. Pois utiliza atores apenas na captura de movimento e vozes, mas sem usar suas imagens – estas, todas geradas por computador. Isso já havia sido feito em Avatar, mas os personagens de Tintim são cartuns, e não humanos hiperrealistas.

Assim, os dois podem estar dando o passo definitivo para fundir cinema e animação e concretizar um sonho perseguido há décadas por George Lucas, que queria fazer Guerra nas Estrelas sem precisar filmar ninguém (não conseguiu), e por em prática uma inveja que o velho Hitchcock tinha de Walt Disney – ao resmungar sobre o quanto este último era feliz por poder simplesmente “apagar” um ator quando não gostava dele.

Steven Spielberg & Peter Jackson: dois cientistas

Spielberg, na Comic Con:

So, we were, in a way, I guess two code-breakers working on the enigma code trying to figure this movie out together and once I realized that we were just two sort of scientists in a lab just trying to figure out how to make something work, there’s no ego, there’s no competition. It’s just, we’re both on the same page. Two huge Tintin fanboys just trying to bring this movie to you in a way that you will like.

Mas por maior que seja o meu ceticismo em relação a esse tipo de computação gráfica, principalmente no que diz respeito à caracterização dos personagens, acho que minhas fichas cada vez mais vão para o lado de que esse filme do Tintim será um sucesso.

Senhor dos Anéis 3D

Calma, é só o Ian McKellen usando óculos pra versão 3D do Hobbit. “Até os magos tem de usar os óculos”, diz Ian em seu Flickr. A foto é do Peter Jackson.

Antes de District 9

Vejam as coisas como são: o diretor sul-africano Neill Blomkamp dirigiu aquele comercial da Citröen do carro que vira um robô e começa a dançar o hit do Les Rhytmes Digitales e resolveu usar a técnica de efeitos especiais daquele filme no curta Alive in Joburg (vídeo acima, dica do Terron), de 2006, em que conta a história de uma Johannesburgo nos anos 90 que tinha de lidar com alienígenas refugiados em suas ruas e naves gigantes sobrevoando em seus céus. Os efeitos e o tom documental do curta foram decisivos para que Peter Jackson chamasse Blomkamp para ser o diretor da adaptação para o cinema da série de games Halo. Mas o filme patinou, não saiu do lugar e os direitos do filme voltaram para a Microsoft que, pelo que Jackson diz na entrevista abaixo, está disposta a fazer o filme fora do sistema de Hollywood.

Halo at IGN.com

Para aproveitar o esforço gasto na pré-produção de um filme que não aconteceu, Blomkamp e Jackson resolveram retomar o tema inicial do curta Alive in Joburg e expandi-lo para um longa, District 9. E não duvide se o recente e, de certa forma, inesperado sucesso deste nos cinemas dos EUA faça com que a dupla de diretor e produtor volte a se aproximar do filme de Master Chief…

Apartheid alienígena

E por falar em paranóia, o novo filme produzido por Peter Jackson, District 9, foi bem recebido pela Variety.