“By sheer coincidence, I broke down in the middle of Kent in my car…”

Usando apenas o início de frase do vídeo abaixo, Thom Yorke linkou o video em que Hugh Grant conta de como encontrou, por acaso, o editor Paul McMullen, – um dos primeiros ex-colaboradores do centenário tablóide que Rupert Murdoch fechou abruptamente a abrir o bico para o Guardian sobre as “técnicas de jornalismo” no país da rainha – e como ficou sabendo que seu celular havia sido grampeado por “jornalistas”. Armou um novo papo com o próprio McMullen e aproveitou para dar o troco – gravando, sem que ele soubesse, a longa conversa sobre os podres da relação entre política e jornalismo no Reino Unido que rendeu um artigo e a transcrição da gravação no New Statesman. Sente o drama:

Paul McMullan: But then – should it be a crime? I mean, scanning never used to be a crime. Why should it be? You’re transmitting your thoughts and your voice over the airwaves. How can you not expect someone to just stick up an aerial and listen in?
Hugh Grant: So if someone was on a landline and you had a way of tapping in…
Paul McMullan: Much harder to do.
Hugh Grant: But if you could, would you think that was illegal? Do you think that should be illegal?
Paul McMullan: I’d have to say quite possibly, yeah. I’d say that should be illegal.
Hugh Grant: But a mobile phone – a digital phone… you’d say it’d be all right to tap that?
Paul McMullan: I’m not sure about that. So we went from a point where anyone could listen in to anything. Like you, me, journalists could listen in to corrupt politicians, and this is why we have a reasonably fair society and a not particularly corrupt or criminal prime minister, whereas other countries have Gaddafi. Do you think it’s right the only person with a decent digital scanner these days is the government? Whereas 20 years ago we all had a go? Are you comfortable that the only people who can listen in to you now are – is it MI5 or MI6?

O vídeo abaixo, feito pela BBC registra o reencontro de McMullen e Grant ao vivo na TV britânica e vale ser visto apenas para ouvir o esculacho que um dá no outro, quase no final.

Escrevi mais sobre o caso News of the World aqui.

Enquanto estive fora: News of the World

Essa história do News of the World, pelo visto, mal começou. O que era apenas um escândalo de jornalismo marrom invadindo privacidadesfechou um jornal centenário, derrubou executivos de diferentes redações, fez cair o segundo nome da Scotland Yard e o CEO da Dow Jones, rendeu um pedido de desculpas amarelado no fim de semana, bateu no FBI e agora temos o primeiro cadáver, do jornalista que começou a fazer as denúncias e os hackers do Lulz Sec já começaram a mexer nos sites de Murdoch, primeiro avisando que ele havia morrido. Vale conferir também a geral que o Telegraph fez nos arquivos do News of the World, apontando matérias que teriam saído de grampos telefônicos, para ver que todo mundo estava na mira do jornal: famílias de vítimas de crimes, jogadores de futebol, políticos, celebridades, a família real inglesa. Não duvide se o furdúncio de merda derrubar até o primeiro ministro inglês

Será que Rupert Murdoch cai? Não custa lembrar que foi a Fox News quem puxou toda a onda de neoconservadorismo que permitiu mutações canhestras da direita (como o Tea Party nos EUA e várias cocotas reaças de plantão espalhadas em sites, jornais e canais de TV pelo planeta)…

Vale – e muito – assistir ao depoimento de Nick Davies, jornalista do Guardian que encampou essa briga contra o magnata das comunicações a ponto de valer-lhe o apelido de “Capitão Ahab”, tamanha sua obsessão em caçar sua Moby Dick, que explica o que está acontecendo no vídeo abaixo:

Traduzo uns trechos:

“É sobre poder e sobre a forma que a elite do poder é acostumada a cuidar de si mesma. Eu acho que razoável para qualquer um perceber agora que a corporação de Murdoch tem muito poder. É claro pela forma que a polícia, a imprensa e alguns políticos automaticamente saem do caminho e dizem: ‘Não vamos causar problemas, eles podem nos machucar’. Eles já tinham muito poder antes disso tudo começar e acho que é muito improvável que seja do interesse de nossa sociedade como um todo dar ainda mais poder para essa organização”.

(…)

“Pra mim, isso não é uma história sobre jornalistas se comportando mal. É uma história sobre a elite do poder. É sobre a organização de notícias mais poderosa no mundo, sobre a polícia mais poderosa no país, sobre o partido mais poderoso no país e, em todo caso, sobre a Press Complaints Commission (órgão regulador da imprensa no Reino Unido). E sobre como todos eles espontaneamente se reuniram para tornar suas vidas mais fácil, como presumiram casualmente que a lei não valeria para eles e que era perfeitamente confortável mentir para o resto de nós, pois somos pessoas pequenas, não saberíamos que eles estavam fazendo isso. É isso que definitivamente me deixa com raiva, sobre essas presunções dessa elite do poder”

Isso está apenas começando…